Vem ai a expedição cerradania

 

 

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Após 40 anos, avistam o mutum-pinima

After 40 years, the mutum-pinima is finally found
It inhabits the existing forests near the rivers, preferring to cut in its margins very early (in the morning) and at dusk.
In addition to eating wild fruits, leaves and sprouts, they hunt grasshoppers, tree frogs, lizards and spiders.
In the reproductive age, the male offers feeds to the female and, after forming, the pair no longer separates. The female puts 2 to 5 eggs.

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Mutum-pinima. Foto: Emanuel Barreto.

Um pouco sobre esta ave: Nome vulgar: Mutum pinima Classe: Aves Ordem: Galliformes Família: Cracidae Nome científico: Crax fasciolata Nome inglês: Bare faced curassaw Distribuição: Brasil (Paraná, Norte do Maranhão, leste e sul de Goiás, Oeste de Minas Gerais e Panamá) Habitat: Zonas tropicais Longevidade: 40 anos Hábitos: São monógamos. O macho dá comida à fêmea Maturidade: 2 anos Época reprodutiva: Setembro a Janeiro Incubação: 33 dias Nº de filhotes: 2 a 4 Alimentação na natureza Predominantemente frugívoros; sementes e restos vegetais, folhas e brotinhos Alimentação em cativeiro Ração, agrião picado, carne moída, cenoura ralada, milho inteiro. Habita as florestas existentes próximas aos rios, preferindo ciscar em suas margens bem cedinho (pela manhã) e ao entardecer. Além de comer frutas silvestres, folhas e brotos, caçam gafanhotos, pererecas, lagartos e aranhas. Na época reprodutiva, o macho oferece alimenta à fêmea e, após formado, o casal não mais se separa. A fêmea põe 2 a 5 ovos. Apesar de logo ao nascer serem capazes de andar, os pintos ficam sob a guarda da fêmea por até quatro meses. Normalmente, dormem empoleirados no tronco das árvores.

A expedição. Era o último dia de expedição que se iniciara no começo de novembro. A equipe de pesquisadores, guiadas pelos índios Pirahu, já estava sem grandes esperanças de encontrar a ave não avistada nos últimos 40 anos, mas as pistas fornecidas pelos indígenas eram boas. A equipe acordou as 3:30h da manhã. O índio mantinha acesa a esperança, pois a todo momento garantia que o Mytunxî — como é chamado o Crax fasciolata pinima na língua Tupi –, seria encontrado. E ele tinha razão. Ainda muito escuro, a equipe desceu vagarosamente o leito parcialmente seco de um igarapé. Era necessário caminhar em silêncio, pisando macio, para não espantar os animais. Por volta das 5h, o cacique nos alertou: “Olha o mutum, olha o mutum!”. A equipe logo se posicionou munida de binóculos, máquinas fotográficas e gravadores para documentar a espécie. Porém, era um alarme falso, tratava-se do mutum-cavalo, ainda comum na região.

O registro que queríamos ocorreu algumas horas depois do primeiro alarme falso. Estávamos exaustos.

Dias antes, no aeroporto Juscelino Kubitscheck, em Brasília, a nossa equipe formada pelos analistas ambientais do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestre (ICMBio/CEMAVE), Diego Mendes e Emanuel Barreto, e os biólogos Cesar Medolago, da UFSCar, e Flávio Ubaid, da UEMA, embarcou numa expedição científica para tentar encontrar o uma das aves mais raras e ameaçadas do Brasil: o lendário mutum-pinima (Crax fasciolata pinima).

Essa aventura estava planejada há tempos pelo analista Diego Mendes e pelo professor Luís Fábio Silveira, curador da seção de aves do Museu de Zoologia da USP e só se concretizou com a parceria da equipe de servidores da Reserva Biológica do Gurupi, administrada pelo ICMBio, e com o apoio do Programa de Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA).

De Brasília, o voo seguiu para Imperatriz, no Maranhão, onde a este grupo se somou o professor Carlos Martinez, da Universidade Federal do Maranhão, e dali nós seguimos para Açailândia, onde está localizado o escritório da Reserva do Gurupi.

Descrito como subespécie do mutum-de-penacho(Crax fasciolata) no final do século XIX, o mutum-pinima é endêmico do Centro de Endemismo Belém, região localizada a leste do rio Tocantins, abrangendo o nordeste do Pará e a Amazônia Maranhense, rica em biodiversidade. Estudos genéticos e morfológicos, ainda em andamento, conduzidos pelas equipes dos Profs. Luís Fábio Silveira e Mercival Francisco, da UFSCar, indicam que este mutum deva ser reconhecido como uma espécie plena, completamente distinta de Crax fasciolata. Este mutum é considerado um dos cracídeos mais ameaçados do mundo e não era registrado pela ciência há cerca de 40 anos. Seus últimos registros documentados datam do final da década de 1970. Desde então, vários ornitólogos empreenderam buscas em sua área de ocorrência com o objetivo de encontrar uma população remanescente na natureza e todas as expedições falharam em registrar esta ave.

Preparação

Antes da partida para o campo, a equipe se reuniu no escritório da Reserva Biológica do Gurupi para acertar os últimos detalhes do planejamento da expedição. Após consulta ao mapa da região do mosaico do Gurupi, que compreende a Reserva e seu entorno, a equipe foi dividida em duas, visando cobrir uma área maior e, assim, aumentar a chance de sucesso. Diego Mendes, Cesar Medolago e Carlos Martinez, acompanhados pelo auxiliar de campo Francisco Walison, mais conhecido por “Abelha”, partiram para cobrir áreas remotas da Reserva Biológica do Gurupi e região norte do mosaico. Emanuel Barreto e Flávio Ubaid seguiram rumo ao leste. Além da busca em campo, foram instaladas armadilhas fotográficas na região e aplicados questionários junto às comunidades, visando obter pistas e informações sobre a ocorrência do mutum-pinima na região.

A equipe foi acompanhada pelo cacique Pistola durante toda a expedição. Ele nos apresentou o projeto chamado “Guardiões da Floresta”. Trata-se de uma iniciativa pioneira dos índios Guajajara da Terra Indígena Caru, que tem por objetivo a proteção de suas terras contra a presença de madeireiros e caçadores. Ao todo, são quarenta índios que se revezam na nobre missão de proteger seu principal patrimônio: a floresta. Nesta localidade a equipe não obteve nenhum registro do mutum-pinima, mas encontraram o mutum-cavalo (Pauxi tuberosa) e espécies raras ou ameaçadas como o jacupiranga (Penelope pileata), o jacamim-de-costas-escuras (Psophia obsura), a ararajuba (Guaruba guarouba) e o macaco-caiarara (Cebus kaapori).
Após falsos alarmes, o tempo passava e a angústia aumentava. Um fio de esperança foi renovado quando, às 6:25h, Pirahu apontou e falou: “Mytunxî, Mytunxî!!”. Dessa vez ele estava certo, era realmente o mutum-pinima. Ouviu-se o seu característico canto de alerta, logo gravado pela equipe (escute aqui). Era um macho que caminhava por trás do cipoal, porém, muito arisco, rapidamente voou para a copa de uma árvore, escondendo-se entre a folhagem. Mais ao longe uma fêmea foi avistada por Cesar Medolago. Além da gravação, uma foto foi obtida pela equipe, que a essa altura já não se continha de tamanha felicidade. E com toda razão, pois há 40 anos a ciência não documentava essa espécie na natureza.A segunda equipe foi recebida pelos caciques Irakadju, da Aldeia Turizinho, e Pirahu, da Aldeia Paracuí, ambos da etnia Kaapor, da Terra Indígena Alto Turiaçu. Após percorrer inúmeras áreas do mosaico do Gurupi, no dia 16 de novembro de 2017, guiados pelo cacique Pirahu, Diego Mendes, César Medolago e Carlos Martinez finalmente encontraram o Mytunxî (como é chamado o mutum-pinima na língua Tupi).

Além do importantíssimo registro, a equipe pôde entender melhor o habitat do mutum-pinima. Durante a expedição, muitas pistas sobre a ocorrência da espécie foram obtidas. Relatos dos indígenas sobre o mutum-pinima informando do que ele se alimenta, onde dorme, onde nidifica, período reprodutivo e outros dados foram importantes e irão auxiliar nas futuras expedições de busca. Um casamento perfeito entre conhecimento científico e conhecimento tradicional dos povos indígenas, auxiliando na conservação desta espécie.
O desmatamento ainda persiste em toda a região e é uma ameaça não apenas para o mutum como também para toda a biodiversidade local. Ao desmatamento soma-se ainda a caça, ainda comum e que continua impactando a espécie. O mutum-pinima precisa de proteção não só urgente, como também efetiva. Uma das maneiras mais eficientes e comprovadamente reconhecidas como uma salvaguarda de longo prazo é a criação em cativeiro. Os cracídeos são facilmente mantidos e reproduzem-se em cativeiro com relativa facilidade, e o Brasil, felizmente, possui criadores experientes para lidar com estas aves, ampliando as chances de sucesso. É necessário controlar ou minimizar as ameaças locais para que o manejo populacional seja efetivo. O futuro desta espécie passa necessariamente pela adoção de medidas emergenciais para a sua salvação.A ave ainda sobrevive na unidade de conservação e, provavelmente, em todo o planeta, apenas nesta localidade e terras indígenas do entorno. Isso reforça a necessidade de integração da Reserva Biológica do Gurupi com as terras indígenas circunvizinhas, para aumentar a proteção dos últimos remanescentes de floresta amazônica do estado do Maranhão. O investimento em pesquisa, educação ambiental e recuperação de habitat também precisa se intensificar, especialmente de matas ciliares e formação de corredores ecológicos para conexão das áreas protegidas. Além da criação de novas unidades de conservação na região, a fim de aumentar as áreas protegidas que possam servir de refúgio para o mutum-pinima e as demais espécies ameaçadas e endêmicas do Centro de Endemismo Belém.

 

reportagem do

http://www.oeco.org.br

Flor da semana

Flower of the week, Tillandsia pohliana.

Tendency of decoration in minimalist and elegant designs, a Tillandsia pohliana is living its moment of glamor.

Versatile, easy to maintain and with a wild and exotic look, it gives the environment a natural touch that we love to have around!

Tendência de decoração em projetos minimalistas e elegantes, a Tillandsia pohliana está vivendo o seu momento de glamour.

Versátil, fácil de manter e com um aspecto selvagem e exótico, ela dá ao ambiente um toque natural que adoramos ter por perto!

Tillandsia pohliana

Tillandsia pohliana

Tillandsia pohliana é uma pequena espécie de bromélia que habita, geralmente, os galhos das árvores, mas também é vista habitando sobre rochas. Tillandsia é o maior gênero da família botânica Bromeliaceae, a família das bromélias, e tem mais de 600 espécies. Para o Brasil são citadas 87 espécies de Tillandsia que, na natureza, podem ser encontradas em quase todos os estados brasileiros, com exceção do Maranhão e Tocantins. A espécie Tillandsia pohliana, conhecida também como Planta-do-ar, pode ser observada, na natureza, nos estados do Ceará, Paraíba, Pernambuco, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. É endêmica da América do Sul, ou seja, na natureza só podem ser encontrada no Peru, Bolívia, Brasil, Paraguai e Argentina.

A Tillandsia pohliana é uma planta com folhas longas em forma de roseta, formando uma espécie de espiral em torno do eixo central. Suas alongadas folhas verdes, são totalmente cobertas por escamas acinzentadas o que confere a elas um aspecto de aveludadas. A planta atinge cerca de 35 centímetros de diâmetro e sua inflorescência, alaranjada, sustenta numerosas e delicadas flores brancas. Após a floração, as plantas adultas produzem pequenos brotos na base das folhas, de modo que, caso a planta não gere frutos um novo descendente permanecerá no lugar da planta-mãe, garantindo a sobrevivência da espécie.

Uma característica marcante da Tillandsia pohliana é que, suas raízes têm como principal função fixar a planta em algum lugar e a absorção de água e nutrientes é realizada através das folhas, cobertas por escamas microscópicas, que desempenham essa função. A espécie se parece bastante com Tillandsia stricta, tendo ambas, inflorescências com formas muito semelhantes e se diferem pelo fato da segunda ser menor e apresentar inflorescência rosada, com flores roxas ou lilases.

O cultivo de Tillandsia pohliana é relativamente simples, a partir do momento que suas mudas são obtidas. São plantas que não exigem muitos cuidados, já que podem viver tanto em pleno sol como em ambientes internos. Não necessitam, sequer, de vasos para serem plantadas e podem ser fixadas em telas, paredes, grades e superfícies onde seja possível mantê-las sem o contato direto com qualquer tipo de solo. Se forem plantadas em vasos, por exemplo, a água presente no solo pode apodrecer suas folhas. As regas podem ser regulares, em dias alternados e com um borrifador. A adubação pode ser feita duas vezes ao mês com produto hidrossolúvel para orquídeas, utilizando-se 1/3 da dosagem recomendada pelo fabricante diluída em um litro de água.

Tillandsia pohliana se tornou um objeto de desejo de muitos colecionadores de plantas, por sua versatilidade no cultivo e facilidade de adaptação em diferentes ambientes.

publicado por http://www.vamosreceber.com.br

Conflito no cerrado oeste da Bahia

The protection of native ecosystems and species of conservation interest, such as threats of extinction and endemic species, has not been adequately carried out in the region.
Only 16.28% of the Cerrados of the West of Bahia are protected by some type of conservation unit.

O Oeste da Bahia, região compreendida entre os municípios de Formosa do Rio Preto, ao norte na divisa com o estado do Piauí, e Cocos, ao sul na divisa com o estado de Goiás, representa uma importante fronteira agrícola do País.

Considerando as formações de Cerrado e transição com outros ecossistemas a região ocupa aproximadamente 9,6 milhões de hectares, sendo que a área destinada ao desenvolvimento da agropecuária corresponde atualmente a mais de 2 milhões de hectares.

Desmatamento_bahia

Desmatamento no oeste da Bahia

Soja e algodão são os dois principais produtos agrícolas, sendo que somente no período de 1998 a 2003 houve um aumento em 56% da produção de algodão na região. De acordo com dados do IBGE, no Oeste baiano estão concentrados 92% de toda a produção de grãos e alguns estudos estimam que a região possui um grande potencial para expansão, especialmente quando se considera a extensão de áreas disponíveis e as boas condições de clima e solo.

Sob o ponto de vista da biodiversidade, o Oeste da Bahia é também uma importante região para a conservação do Cerrado, pois há uma boa concentração de remanescentes de vegetação nativa, condição essa somente superada pelos cerrados do sul do Piauí e Maranhão. Estimativas realizadas com o uso de imagens de satélite indicam que a cobertura vegetal nativa ainda supera os 60% da área original (CI-Brasil, dados não publicados). Boa parte da ocupação agropecuária está concentrada no extremo oeste da região, mas os avanços sobre áreas nativas ocorrem de maneira bastante rápida.

De acordo um estudo elaborado pela Embrapa Monitoramento por Satélite, em 1985 a agropecuária ocupava uma área de 631.175 hectares e já em 2000 ocupava 1.605.762 hectares, valores que indicam que ao longo de 15 anos houve uma redução média de 65.000 anuais para a região.

Estimativas iniciais da CI-Brasil sugerem que entre os anos de 2000 e 2006 houve uma remoção de aproximadamente 334.000 hectares. Esse valor indica uma média anual de 66.000 hectares de desmatamentos ou uma taxa de remoção de pelo menos 0,7% ao ano, dados que corroboram aqueles apontados por Batistella (op. cit.). Essa taxa de desmatamento é inferior à média do Cerrado, calculada em 1,1% ao ano e também inferior à média da região, calculada em 1% anuais pelo estudo de Batistella (op. cit.).

A área desmatada no Oeste da Bahia até o começo de 2006 já alcançava 2.065.659 hectares, valor que representa aproximadamente 22% da região do Cerrado do Oeste baiano. À primeira vista esse percentual poderia sugerir que ainda há muito espaço para a expansão do agronegócio na região, mas o aspecto mais preocupante é que não existe uma política de conservação que dê sustentabilidade a políticas de desenvolvimento. Em outras palavras, o desenvolvimento econômico planejado para a região não está sendo acompanhado por uma política de conservação da biodiversidade.

A proteção dos ecossistemas nativos e de espécies de interesse para a conservação, como as espécies ameaçadas de extinção e espécies endêmicas, não tem sido adequadamente realizada na região. Somente 16,28% dos cerrados do Oeste da Bahia estão protegidos por algum tipo de unidade de conservação. As unidades de conservação de proteção integral que asseguram de maneira mais efetiva a proteção da biodiversidade representam apenas 0,38% da região. Apenas duas unidades de conservação de proteção integral foram criadas especificamente para proteger espécies e ecossistemas da região: o Refúgio de Vida Silvestre Veredas do Oeste Baiano com aproximadamente 128.000 e a Estação Ecológica Estadual do Rio Preto, com cerca de 4.500 hectares.

Com a falta de reservas dedicadas à manutenção da biodiversidade regional, espécies como o pato-mergulhão (Mergus octosetaceus – espécie criticamente ameaçada de extinção) a arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus – espécie ameaçada-vulnerável), ou mesmo as áreas de chapadas, tão pressionadas pela expansão do agronegócio, poderão desaparecer antes mesmo de serem estudadas e caracterizadas sob o ponto de vista da biodiversidade.

A ocorrência de tais espécies é ainda bastante desconhecida pela ciência, pois pouquíssimas localidades foram inventariadas na região. Registros confirmados de espécies ameaçadas existem tão somente para três localidades no Oeste baiano. Mesmo para outros grupos faunísticos os inventários biológicos são bastante raros, conforme demonstra a compilação realizada durante os preparativos para o Zoneamento Ecológico Econômico do estado da Bahia.

Fonte: Daniel Melo Barreto/IBIOESTE – Slowfood

Ser cerratense mineiro é …

The Cerrado occurs in almost half of Minas Gerais, mainly in the Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba, Oeste, Metropolitan of BH, Central Mineira, Northeast, Northwest and North of Minas. Cunning. To be a miner is not to say what he does or what he will do, he pretends he does not know what he knows, he talks little and he listens a lot, he is a fool and he is very intelligent.

O Cerrado ocorre em praticamente metade de Minas Gerais, principalmente no Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba, Oeste, Metropolitana de BH, Central Mineira, Nordeste, Noroeste e Norte de Minas. A fauna é representada principalmente pelo tamanduá, tatu, anta, jibóia, cascavel e o cachorro-do-mato, lobo-guará, veado-campeiro, o mico-estrela e o pato-mergulhão.

norte de minas

Norte de Minas Gerais – Foto Agencia Pública

Astúcia. Ser mineiro é não dizer o que faz nem o que vai fazer, finge que não sabe daquilo que sabe, fala pouco e escuta muito, se passa por bobo e é muito inteligente.

Relógio de mineiro é enfeite. Pontual para chegar, o mineiro nunca tem hora para sair. A diferença entre o suíço e o mineiro é que o primeiro chega na hora. O mineiro chega antes. Chega na estação antes de colocarem os trilhos, para não perder o trem. E, na hora em embarque, grita para a mulher, que carrega a sua mala: “Corre com os trens que a coisa já chegou!”

O bom mineiro não laça boi com embira, não dá rasteira em sapo, não anda contra o vento, não pisa no escuro, não anda no molhado não estica conversa com estranhos, só acredita na fumaça quando vê fogo, sabe quantas pernas tem a cobra, escova os dentes do alho, teme rasteira de pé de mesa e, por via das dúvidas, põe água e alpiste para o cuco.

Toma café ralo e esconde dinheiro grosso; pede emprestado para disfarçar a fartura, só arrisca quando tem certeza, não troca um pássaro na mão por dois voando. Mineiro age com a esperteza das serpentes mas se veste com a simplicidade das pombas, e encobre as contradições com o manto fictício da cordialidade.

Mineiro foge da luz do sol por suspeitar da própria sombra, vive entre montanhas e sonha com o mar, viaja mundo para comer, do outro lado do planeta, um tutu de feijão com couve picada.

Ser mineiro é fazer cara feia e rir com o coração, andar com guarda-chuva para disfarçar a bengala, fingir que não sabe o que bem conhece, fumar cigarro de palha para espantar mosquitos, mascar fumo para amaciar a dentadura.

Ser Mineiro não é contra nem a favor; antes, pelo contrário. Aliás, mineiro não fala, proseia.

Ser mineiro é dizer “uai”, ser diferente e ter história e marca registrada. Come as sílabas para não morrer pela boca. Faz economia de palavras para não gastar saliva. Fala manso para quebrar as resistências do interlocutor.

Sonega letras para economizar palavras. De vossa mercê, passa pra vossemecê, vossência, vosmecê, você, ocê, cê e, num demora muito, usará só o acento circunflexo!

Mineiro não tem idéias, só lembranças; não raciocina, associa; pão-duro, tem o coração mole; pensa que esposa é parente, filho, empregado e carrega sobrenome como título de nobreza. Ser mineiro é acreditar mais no fascínio da simpatia que no poder das idéias. É navegar em montanhas e saber criar bois, filhos e versos.

Mineiro vai ao teatro, não para ver, mas para ser visto, freqüenta igreja para fingir piedade, ri antes de contar a piada e chora com a desgraça alheia. Adora sala de visitas trancada, na esperança de retorno do rei.

Avarento, não lê o jornal de uma só vez para não gastar as letras, e ainda guarda para o dia seguinte para poder ter notícias. Aliás, mineiro não lê, passa os olhos. Não fala ao telefone, dá recado.

Praia de mineiro é barzinho e, sua sala de visitas, balcão de armazém e cerca de curral. Ali a língua rola solta na conversa mole, como se o tempo fosse eterno. Certo mesmo é que o momento é terno. Ser mineiro é ajoelhar na igreja para ver melhor as pernas da viúva, frequentar batizado para pedir votos, ir a casamentos para exibir roupa nova.

Mineiro que não reza não se preza. Acende a Deus a vela comprada do diabo. Religioso, na sua crendice há lugar para todos: O Cujo e a mula-sem-cabeça; assombrações e fantasmas; duendes e extra-terrestres. Mineiro vai a enterro para conferir quem continua vivo. Nunca sabe o que dizer aos parentes do falecido, mas fica horas na fila de cumprimentos para marcar presença. Leva lenço no bolso para o caso de ter de enxugar as lágrimas da família. Não manda flores porque desconfia que a flora embolsa a grana e não cumpre o trato.

Ser mineiro é esbanjar tolerância para mendigar afeto, proferir definições sem se definir, contar casos sem falar de si próprio, fazer perguntas já sabendo as respostas.

Mineiro é capaz de falar horas seguidas sem dizer nada. E cumprimenta com mão mole para escapar do aperto. Mineiro é feito pedra preciosa: visto sem atenção não revela o valor que tem, pois esconde o jogo para ganhar a partida e acredita que a fruta do vizinho é sempre mais gostosa.

Mineiro é isso, sô! Em Minas, o juiz é de fora, o mar é de Espanha, os montes são claros, a flor é viçosa, a ponte é nova, o ouro é preto, é belo o horizonte, o pouso é alegre, as dores são de indaiá e os poços de caldas. “Minas são muitas Gerais”, como disse Guimarães Rosa.

É fogão de lenha e comida preparada em panela de pedra sabão; turmalina e esmeralda; tropa de burro e rios indolentes chorando a caminho do mar; sino de igreja e tropeiros mourejando gado sob a tarde incendiada pelo hálito da noite.

Minas é Mantiqueira e cerrado, é o Triângulo imponente, que se quisesse seria independente com seu rebanho e terras férteis. Minas é Aleijadinho e Amílcar de Castro, Drummond, José Batista de Queiroz e Milton Nascimento, pão de queijo e broa de fubá.

Minas é saborosamente mágica. Ave, Minas! Batizada Gerais, és uma terra muito singular.

Reportagem de : Num sei de onde vei, só sei que vi por ai

Cerrado no Maranhão é o maior bioma

The biome is the set of interactions of ecosystems characteristic of a biogeographic zone (climate, soil, vegetation, fauna and others).
Brazil presents six types of biomes: Amazon, Cerrado, Atlantic Forest, Caatinga, Pampas and Pantanal. And in the state of Maranhão the cerrado predominates.

A Constituição Federal, no seu artigo 225, afirma que “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida”, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.

Um ambiente ecologicamente equilibrado que é essencial para à sadia qualidade de vida está intimamente ligado aos Biomas que são o tema da Campanha da Fraternidade 2017. O bioma é o conjunto de interações de ecossistemas característicos de uma zona biogeográfica (clima, solo, vegetação, fauna e outros), que devem estar em perfeita preservação e proteção. O Brasil, no geral, apresenta seis tipos de biomas: Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pampas e Pantanal. Cada Estado possui também seus biomas característicos, no Maranhão, terra das palmeiras, os principais são:

Floresta Amazônica ou Equatorial: Localizada no noroeste do Estado, possui grande pluviosidade e diversificada fauna.  Nesse bioma, está localizada a Reserva Biológica do Gurupi, abrigando milhares de espécies vegetais e grande biodiversidade, também estão localizadas áreas indígenas como Awá, Urubu-Capó e outros. Mesmo sendo uma área ambientalmente protegida, infelizmente ocorrem muitos impactos como queimadas e desmatamentos, colocando em risco o importante bioma.

Manguezal: O Maranhão possui a maior área de manguezal do país, sendo considerado berçário de diversas espécies aquáticas e também aves. Concentrada na parte Noroeste do Estado, onde há uma grande quantidade de rios desembocando no mar, formando estuários e sendo conhecida como Floresta dos Guarás.

Na Ilha do Maranhão, o Manguezal é bastante devastado devido à ocupação imobiliária, que produz além dos impactos de contaminação por esgotos, a diminuição de várias espécies de crustáceos como caranguejos e outros.

Restinga: Vegetação rasteira encontrada predominantemente na parte ocidental, nordeste, do Estado. Por ficar na praia, é resistente ao excesso de sal e a ventos constantes. A vegetação nessa paisagem tem porte arbustivo-arbóreo e pode ser destacada a maior concentração desde bioma no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, que devido ao intenso fluxo turístico deve também ser utilizado com cuidado para não provocar sérios impactos.

Campos (Baixada Maranhense): Possui uma área de 20 mil quilômetros quadrados, nos baixos cursos dos rios Mearim e Pindaré, e médios e baixos cursos dos rios Pericumã e Aurá.  É uma área de Proteção Ambiental criada pelo governo do Estado, em 1991, devido à sua importância ecológica e econômica. Possui campos inundados, matas de galeria, uma rica fauna e flora, com destaque para aves aquáticas (migratórias) e animais ameaçados de extinção como o peixe-boi marinho.
Também é conhecida como Pantanal Maranhense.

Cerrado: O Cerrado, representa mais da metade de todos os biomas existentes no Estado (60% do Maranhão). No cerrado maranhense, tem destaque o Parque Nacional da Chapada das Mesas, que possui vegetação semelhante, com relevo diferenciado e quedas de água. É um dos biomas que atualmente sofre grande risco devido ao agronegócio principalmente da soja.

cerrado maranhese

Cerrado maranhense – terra das palmeiras

Mata de Transição (Mata dos Cocais): Corresponde a uma área de transição, envolvendo o chamado meio-norte com os estados do Maranhão (babaçu) e Piauí (carnaúba) é possível identificar climas totalmente diferentes, como equatorial superúmido e semiárido. Possui grande importância social e econômica devido à atividade das quebradeiras de coco, que enfrentam violência dos donos de terras.

Reportagem de Ribamar Carvalho, geógrafo, me. em Saúde e Ambiente, consultor Ambiental do IMESC

 

Fragmentos do cerrado na capital paulistana

In the capital of São Paulo, the small fragments of the original part of the Piratininga Field remain: Cerro Campo-Cerrado Ecological Park Dr. Alfred Usteri and Ecological Reserve of the University of São Paulo.

Em plena capital paulistana, São Paulo, resta do cerrado pequenos fragmentos do original do Campo de Piratininga: Parque Ecológico Municipal de Campo-Cerrado Dr. Alfred Usteri e Reserva Ecológica da Universidade de São Paulo

Parque Ecológico Municipal de Campo-Cerrado Dr. Alfred Usteri. Área – 13.090m² Decretado parque ecológico em 18 de junho de 2010.

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A área do Jaguaré foi descoberta no trabalho de prospecção do “Árvores de São Paulo” pela cidade inesperadamente em meados de 2009, quando foi detectado no local a presença de espécies típicas do cerrado e campos cerrados descritas por esses pesquisadores do começo do século passado e em outros antigos trabalhos sobre a vegetação dos arredores de  São Paulo.

O terreno no Jaguaré que ainda conserva essa mancha de “cerradinho” está espremido entre um hipermercado e um grande condomínio residencial e conserva muitas raridades como duas espécies diferentes de juqueri (Mimosa sp.), língua-de-tucano (Eryngium paniculatum), tarumã-do-cerrado (Vitex polygama), barba-de-bode (Andropogon leucostachyus) e orelha-de-onça-do-cerrado (Leandra sp.).

Para o Parque de Campo Cerrado Alfred Usteri conseguir preservar a vegetação original e manejar as ameaças, A Secretaria do Verde e Meio Ambiente (SVMA) interviu, de forma a se obter um protocolo de manutenção e sustentabilidade da fitofisionomia.

Reserva Ecológica da Universidade de São Paulo  – Campus da Capital (CUASO) – localizada entre o Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) e Instituto de Biociências (IB).

Área – cerca de 1 hectare – 10.000 m². Decretada reserva ecológica em 05 de junho de 2012.

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Reserva Ecológica da Universidade de São Paulo  – Campus da Capital

A área de campos cerrados em volta da caixa de água do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB USP) foi pleiteada como reserva dos antigos “Campos do Butantã”  desde 2010 para a direção da USP, e teve o apoio de professores do Depto. de Botânica.

Esse remanescente, situado na parte mais alta da Cidade Universitária, tem uma bela vista para a metrópole e conserva relíquias da biodiversidade paulistana, sendo algumas só encontradas ali dentro do Município, embora no passado tenham recoberto grande parte do terreno original da cidade. Exemplos são o murici-do-campo (Bysonima intermedia), ipê-amarelo-do-cerrado (Handroanthus ochraceae), gabiroba (Campomanesia sp.) e diferentes espécies de EryngiumO vandalismo, a invasão de plantas estrangeiras e o sobreamento de árvores estranhas estão fazendo essa vegetação desaparecer.

Na área foi identificado a rara população de murici-do-campo no local, um arbusto típico do cerrado e praticamente extinto.

Trecho do raro Cerrado tipo “Campos de Piratininga” que margeiam o terreno da nascente. Paisagem secular. Araçá-do-campo (Psidium guineense), arbusto frutífero que nomeou o caminho e depois cemitério do Araçá. O capim, uma espécie que quase desapareceu da metrópole (Andropogon leucostachyus).

Ainda que são poucos e pequenos fragmentos é preciso preservar, pelo meio ambiente e pela história local.

O cerrado tem jaracatiá

Planta originária do Brasil, o jaracatiá, mamãozinho ou, mamão bravo é batizado como Jaracatia spinosa, embora a árvore que encontrei não apresentasse espinhos. Pimentel Gomes, no livro Fruticultura Brasileira registra como Jaracatia dodecaphylla DC; e tem também o Carica quercifolia A. St.Hil. que virou Carica Vasconcella quercifolia. Pode ser encontrado em diversas formações florestais, de norte a sul, mas hoje é considerado um fruto em extinção.

jaracatia

Jaracatia spinosa

Pode atingir 20 m na floresta, quando cultivada não ultrapassa ao 7 m de altura, tem copa rala e cônica. O tronco reto e cônico, com diâmetro de 50 cm a 90 cm e a casca é cinza esbranquiçado com acúleos ou espinhos pontiagudos.  O fruto é uma baga periforme (com forma de pêra alongada) com 10 cm de comprimento por4 cm a 6 cm de diâmetro, pesando de 8 a 30 gramas, com casca fina e amarelada ou alaranjada quando bem madura, com pericarpo (parede que envolve a semente) cremoso, denso e com suco leitoso, envolvendo muitas sementes marrons e pequenas.

Crescimento rápido, atingindo 2 metros de altura no primeiro ano de plantio no campo. A planta aprecia terrenos porosos e ricos em matéria orgânica, com pH entre 5,0 a 6,5, reage bem com boas regas no primeiro ano de plantio, resistindo bem a secas.

Começa a frutificar a partir do 3 ou 4 anos de plantio em terrenos férteis. Recomendado plantar pelo menos 3 arvores para que ocorra polinização cruzada e uma boa produção dos frutos que varia entre 100 a 800 frutos por planta.

Cultivar em pleno sol abrindo covas de 50 cm de altura, largura e profundidade num espaçamento de 5 x 5 m ou 6 x 6 m entre plantas. Misturar com os 30 cm de terra iniciais do solo 4 ou 5 pás de esterco bem curtido, + 500 gramas de calcário e 1 kg de cinza de madeira, deixando curtir por 2 meses.

A melhor época do plantio é de outubro a novembro e após o plantio.

Os frutos amadurecem de janeiro a março. Os frutos têm polpa amarelo alaranjada, lembram o sabor do maracujá e da manga, contem látex que queima caustico que queima a língua e os lábios de algumas pessoas sensíveis. Por isso colha os frutos totalmente amarelos e deixe-os chegar por 1 semana, assim o efeito caustico acaba. Outra forma deliciosa de comer os frutos é assar na brasa como os índios faziam. Também podem ser usados para fabricar sucos e doces. O tronco é usado para fazer um doce semelhante a cocada, e por isso a arvore está ficando mais rara pois as pessoas sacrificam a arvore para fazer o doce e nunca plantam nada.

Foram os índios os primeiros a serem seduzidos pelos frutos perfumados do jaracatiá. De cor de laranja vivo, formato alongado e do tamanho da palma da mão, esses “primos” do mamão podiam ser consumidos in natura mas, preferencialmente, eram comidos assados, moqueados. Parta um jaracatiá para entender a lógica: há uma seiva que brota, um tipo de látex, uma enzima chamada papaína, que “queima” a boca e irrita o estômago dos mais afoitos. (Um parêntese: essa substância esbranquiçada é ouro: muito usada na indústria alimentícia – como amaciante de carnes – e também na farmacêutica). Ao assá-los, o calor da brasa “cortava” a seiva, tornando o fruto mais agradável ao paladar.

Atenção: para fazer o doce, é preciso aplicar manejo correto da planta. A derrubada excessiva da planta, aliás, pode ter sido a causa para as quedas na oferta de caule e, assim, também, na produção dos doces, que hoje são pouco conhecidos. Atualmente, as doceiras costumam usar o interior de galhos mais grossos podados da planta, daí a árvore continua de pé. Ainda assim, a fabricação com esta matéria prima não é mais recomendada. 

A polpa bem alaranjada é cremosa, bem doce, enquanto as sementes (muitas e não poucas, como disse no outro post) são crocantes quase como as de maracujá, doces e cobertas por uma gominha viscosa como a do quiabo. Tudo isto na boca forma uma geléia texturizada de sabor maravilhoso que lembra uma combinação de frutos tropicais – goiaba, feijoa, araçá, maracujá. É muito perfumado e com sabor marcante, bem diferente do fruto na compota ou no sorvete, que perde grande parte destas características.

O fato é que o fruto tem um potencial gastronômico enorme.
Reportagem de

http://floradobrasil.jbrj.gov.br/2012/index?mode=sv&group=Root_.Angiospermas_&family=Root_.Angiospermas_.Caricaceae

 

Matopiba: realidade etnocídio e genocídio

The latest report from the Pastoral Land Commission shows that in 2016 alone there were 61 murders in the countryside, an average of five per month.                    Conflicts reached 1,295, the highest number since 1985.                                                        In Matopiba, land conflicts increased by 300%, with the Cerrado being the site of 24.1% of conflicts in the country, with 14.9% of the rural population in Brazil. 2016 also recorded 12,829 families evicted and 2,639 families evicted.

Para conhecer a realidade é preciso vê-la de perto, longe da frieza dos números, do conforto dos escritórios, além da velocidade exponencial das timelines das redes sociais. Para conhecer a realidade é preciso sentir a temperatura, ver as variações da paisagem, conversar olho no olho com os moradores locais. Para saber como a produção de soja e outras commodities afeta realmente a vida das pessoas, a dinâmica das cidades, a preservação dos biomas, é preciso sentir a realidade na pele.

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Raimunda Pereira dos Santos, agricultora de uma comunidade tradicional que vive há décadas em Barra do Ouro (TO) é símbolo de resistência para toda a região: sua casa e sua plantação foram destruídas, seus animais sequestrados e Raimunda foi diversas vezes ameaçada de morte por se negar a vender sua terra para o produtor que acabou por cercar mais de 17 mil hectares entre lotes comprados e área grilada, produzindo soja no meio de uma disputa desigual que já se arrasta desde 1994.

É justamente esse o objetivo do CFA Reality Tours que, na última semana de outubro, levou seis representantes de empresas, bancos e organizações do terceiro setor para visitar cidades no norte do Tocantins e sul do Maranhão, na fronteira agrícola do Matopiba, um dos principais centros de produção de soja e de conflitos fundiários do Brasil atual, onde o Cerrado começa a se confundir com a Amazônia. Lá, os representantes da BRF, Rabobank, Caixa Econômica Federal, Field to Market e The Forest Trust puderam conversar com grandes e médios produtores de abordagens diferentes sobre a sua atuação e entender melhor como os conflitos gerados pela expansão do plantio da soja atingem diretamente agricultores de comunidades tradicionais que estão há gerações na região.

Para Lucas Paschoal, supervisor de commodities da BRF, conhecer a situação dos agricultores familiares foi um choque de realidade muito grande. Inclusive para contrapor uma narrativa recorrente que costuma enxergar apenas o ponto positivo da expansão agropecuária. “É importante trazer o setor privado para esse tipo de experiência para que as grandes empresas possam voltar o olhar para essa situação, enxergando a relação entre a produção de grãos e as comunidades que vivem lá, buscando um ponto de equilíbrio”, afirma.

A situação de Raimunda Pereira dos Santos, agricultora de uma comunidade tradicional que vive há décadas em Barra do Ouro (TO) é símbolo de resistência para toda a região: sua casa e sua plantação foram destruídas, seus animais sequestrados e Raimunda foi diversas vezes ameaçada de morte por se negar a vender sua terra para o produtor que acabou por cercar mais de 17 mil hectares entre lotes comprados e área grilada, produzindo soja no meio de uma disputa desigual que já se arrasta desde 1994.  “Eu não vendo porque aqui é a minha terra, onde minha família vive desde os anos 50. O que nós queremos apenas é paz para ter nossa plantação e seguir a nossa vida”, diz Raimunda, que criou 12 filhos na comunidade e hoje mora em uma casa de terra batida e teto de palha, ao lado da casa original que foi derrubada pelo grileiro que saiu de Santa Catarina para o Tocantins.

O último relatório da Comissão Pastoral da Terra, entidade que há décadas luta pela população do campo e tenta mediar conflitos mostra que, somente em 2016, ocorreram 61 assassinatos no campo, uma média de cinco por mês. Somados, os conflitos atingiram 1.295, o maior número desde 1985.  No Matopiba, os conflitos por terra aumentaram 300%, com o Cerrado sendo o local de 24,1% dos conflitos no país, mesmo tendo 14,9% da população rural do Brasil. 2016 também registrou 12.829 famílias despejadas e 2.639 famílias expulsas.

É este tipo de situação que atingiu em cheio Rodney Snyder, diretor executivo da Field to Market, associação americana com dezenas de membros que trabalha por uma cadeia sustentável de commodities. “Aprendi muito com essa experiência. Ver os desafios que o Cerrado enfrenta, tanto social quanto ambiental, foi fundamental. É responsabilidade de todo o mercado buscar soluções para resolver este problema”, diz. É isto o que espera Pedro Ribeiro, agente da CPT em Araguaína (TO). “Espero que essas pessoas, conhecendo a realidade, possam se sensibilizar e cobrar dos responsáveis maneiras de evitar ou amenizar o dano que é causado”, diz Ribeiro.

O reality tour tenta conscientizar os stakeholders e mostrar que dá para aumentar a produtividade sem desmatar. “O desmatamento zero no Cerrado é uma realidade possível e necessária. Nossa ideia é justamente tentar amenizar os problemas sociais decorrentes dessa expansão”, acredita Gabriela Russo, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM).

Cerrado em xeque, mercado em alerta
Nesta cadeia, os financiadores ocupam papel central. Para Bianca Larussa, analista de responsabilidade socioambiental do Rabobank, banco holandês que trabalha diretamente com crédito agrícola, foi chocante ver pessoas que vivem sem saneamento básico, energia elétrica e água potável – o ambiente natural que fornecia esse recurso foi destruído ou contaminado. “Eu mudei muito minha concepção sobre um grande produtor e um pequeno. E ir em um assentamento, algo que nunca tinha feito, com certeza foi uma coisa que mexeu comigo emocionalmente e eu vou levar para o pessoal do banco, que precisa saber dessa realidade”, diz Larussa.

O engenheiro agrônomo da Caixa Econômica Federal, Rafael Brugger, faz coro. “Nós ficamos muito distantes da realidade do campo, o que é grave já que nas cidades é que as decisões são tomadas. Fazer essa imersão nos problemas das pessoas que vivem aqui realmente faz pensar diferente. Talvez eu nunca tivesse essa oportunidade de ver problemas sociais tão intensos e comuns, até banalizados pela sociedade. A oportunidade foi excelente para poder conscientizar os tomadores de decisão”, afirma Brugger.

Em Carolina (MA), os participantes do reality tour puderam conhecer o complexo ecológico de Pedra Caída, especialmente a cachoeira Santuário, uma queda de 47 metros cercada por rochas do Cerrado maranhense, que mostra o que está em risco com o acelerado desmatamento do bioma, que perde sua vegetação nativa cerca de cinco vezes mais rápido que a Amazônia. Para Rachel Backer, da ONG The Forest Truth, a hora é agora para que ações sejam tomadas. “O governo, as empresas e as ONG’s precisam tomar atitudes decisivas para que esta belíssima parte da América do Sul não seja completamente destruída pela soja e pecuária. Precisamos encontrar caminhos para equilibrar a produção econômica com as necessidades das pessoas que vivem aqui”, acredita Backer. A analista de sustentabilidade da BRF, Gabriele Cândido, reconhece: sair de São Paulo fez toda a diferença. “Estar aqui abriu muito minha cabeça para buscar formas de melhorar nosso trabalho. Saio renovada e com mais vontade de contribuir para evitar o desmatamento no Cerrado”, afirma.

No último dia 25 de outubro, empresas líderes no mercado internacional lançaram uma carta reconhecendo a importância do Cerrado por seu papel na mitigação da mudança climática e apoiaram o Manifesto do Cerrado, documento em que organizações ambientalistas pedem que as empresas que compram soja e carne do Cerrado defendam o bioma. Entre 2013 e 2015 o Brasil destruiu 18.962 km² de Cerrado, uma perda equivalente à área da cidade de São Paulo a cada dois meses. Esse ritmo de destruição coloca o Cerrado entre os ecossistemas mais ameaçados do planeta.

Por Maurício Angelo do IPAM

https://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/areas_prioritarias/cerrado/noticias/?61722/Na-fronteira-do-Cerrado-com-a-Amaznia-a-realidade-dos-impactos-da-soja

Cerrado de mistérios em Paraúna

Many mysteries surround Parauna. the city hosts stories and legends passed on by the residents of the surrounding area, who claim that the region is visited or inhabited by alien beings.
The mysticism is related to the great rock formations and the old constructions that the city harbors.
Reality or fiction, what can be said is that Parauna is full of natural beauties that deserve to be seen closely.

pedra do calice serra das galeas em Parauna

Pedra do Cálice, na Serra das Galés em Paraúna
Foto: Goiás Turismo

Muitos mistérios cercam Paraúna. A pouco mais de 100km de Goiânia, a cidade abriga histórias e lendas repassadas pelos moradores das redondezas, que afirmam que a região é visitada ou habitada por seres estranhos (alguns até vindos de outros planetas). O misticismo está relacionado às grandes formações rochosas e às construções antigas que a cidade abriga, principal cartão-postal e atrativo turístico da cidade. Realidade ou ficção, o que se pode afirmar é que Paraúna é cheia de belezas naturais que merecem ser vistas de perto. Confira agora algumas das atrações turísticas de Paraúna e programe-se para conhecer a cidade!

Morro da Igrejinha e Cristo Redentor, Dentro da cidade, vale visitar o Morro da Igrejinha, que abriga a Capela de Nossa Senhora da Guia. Ao lado da igreja está a imagem do Cristo Redentor, que tem mais de 10m de altura. O Morro da Igrejinha oferece uma vista única da cidade de Paraúna.

Sítio Arqueológico Serra das Galés, Reconhecida desde 1996 como Reserva Particular do Patrimônio Natural, a Serra das Galés abriga formações rochosas que intrigam o público visitante e formam a principal atração turística da cidade. As imagens formadas pelas rochas impressionam pela semelhança com objetos, pessoas e animais, como a Pedra da Tartaruga, o Lorde Francês, a Máquina de Escrever e a formação rochosa mais famosa da Serra e cartão-postal de Paraúna: o Cálice de Pedra, que tem cerca de 15m de altura. A Serra das Galés também é ideal para trilhas.

Serra da Portaria, Localizado no Parque Estadual de Paraúna, a Serra da Portaria também abriga resquícios de construções de pedra e outros vestígios de antigas civilizações, que podem ter ligações com os povos maias e incas. Ao pé da Serra há um salto que forma uma piscina natural, adequada para banho.

Serra da Arnica, Nome recebido em virtude da grande quantidade da plantinha “arnica” no local, a Serra da Arnica é mais um espaço que abriga formações rochosas de grande mistério, como um monumento formado por pedras que se elevam como uma fortaleza e uma incrível figura que lembra um felino em posição de esfinge. A Serra da Arnica também é frequentada por atletas para a prática de trilhas de motos.

Muralha de Pedra, Conjunto de rochas alinhadas que formam uma estrutura semelhante a um grande muro, a Muralha de Pedra tem mais de 80 km de extensão e chama a atenção dos visitantes pelo formato, que parece com degraus.

Ponte de Pedra, Na divisa de Paraúna com Rio Verde, a força das águas do Rio Ponte de Pedra esculpiu uma ponte natural de pedra. Por baixo dela, por onde passa o rio, formou-se uma caverna cheia de estalactites e estalagmites de grande beleza e interesse científico – uma verdadeira obra de arte criada pela natureza.

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Ponte de Pedra, em Paraúna . Foto: Caroline Constantino 

Cachoeiras do Cervo e do Desengano, A Cachoeira do Cervo pode ser vista de longe: abrigando um complexo de saltos e cachoeiras, que formam poços adequados para banho, perfeito para relaxar. Uma das quedas do complexo tem 12 metros de altura. Com nascente na Serra das Divisões, a Cachoeira do Desengano é uma de três quedas d’água do complexo e uma das mais visitadas da cidade.

Como chegar: Paraúna fica a 126 km de Goiânia, com acesso pela BR-060.                    Informações de hospedagem e alimentação: (64) 3957-7045

 

 

Empresas internacionais apoiam o desmatamento zero no Cerrado

Empresas líderes no mercado internacional lançaram nesta quarta-feira (25) uma carta com o objetivo de reconhecer a importância do Cerrado por seu papel na mitigação da mudança climática, por ser fonte de muitos dos sistemas de água doce do Brasil, e por ser uma região de produção para as commodities agrícolas.

A carta apoia o Manifesto do Cerrado, um documento divulgado em setembro por organizações ambientalistas, que pede para as empresas que compram soja e carne do Cerrado defendam o bioma.

Na carta, 23 empresas, entre elas Carrefour, McDonald’s, Nestlé, Unilever e Walmart, afirmam que estão empenhadas em deter a perda de vegetação nativa associada à produção de produtos agrícolas e se comprometem em trabalhar com a indústria, produtores, governos e a sociedade civil para proteger paisagens naturais de importância mundial dentro de um cenário de boa governança e políticas de planejamento de terras.

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Parque Serra de Gales – Cerrado – Paraúna – Goiás – – Brasil

Entre 2013 e 2015 o Brasil destruiu 18.962 km² de Cerrado. Isso significa que a cada dois meses, neste período, perdeu-se no bioma o equivalente à área da cidade de São Paulo. Este é um ritmo cinco vezes mais rápido que o medido na Amazônia, o que torna o Cerrado um dos ecossistemas mais ameaçados do planeta.

Para Tiago Reis, pesquisador de políticas ambientais do IPAM, o apoio das empresas é um passo importante, já que a principal causa de desmatamento no Cerrado é a expansão do agronegócio sobre a vegetação nativa.

Retirar essa cobertura vegetal coloca em risco o equilíbrio do sistema e afeta diretamente todos os biomas interligados, como a Amazônia e a caatinga. “Além disso, esse desmatamento ameaça o equilíbrio ambiental que garante a produção agrícola no Brasil, uma vez que a perda de vegetação nativa do Cerrado compromete a formação de chuvas por evapotranspiração”, explica Reis.

O Cerrado estoca o equivalente a 13,7 bilhões de toneladas de dióxido de carbono, o principal gás causador do efeito estufa. Isso representa quase onze vezes o volume total do que o Brasil poderá emitir em 2030, de acordo com sua NDC. Se esta conversão acelerada do Cerrado para a agricultura continuar, o cumprimento dos compromissos internacionais do Brasil nas Convenções do Clima e de Biodiversidade será afetado.

Segundo Edegar Rosa, coordenador do programa Agricultura e Alimentos do WWF-Brasil, o Cerrado é extremamente importante sob o ponto de vista de regulação climática e hídrica, além de ser a savana com maior biodiversidade do planeta. “Partindo de referências de sucesso na Amazônia, um maior compromisso da iniciativa privada será chave para a proteção do bioma”, explica.

Para Cristiane Mazzetti, da campanha de florestas do Greenpeace, as empresas deram um importante passo ao apoiar o pleito da sociedade civil expresso no Manifesto do Cerrado. “Trata-se de uma clara sinalização que essas empresas dão aos seus fornecedores de que o mercado não aceitará mais produtos com origem no desmatamento, seja na Amazônia ou no Cerrado. Esperamos que o próximo passo seja o anúncio de políticas concretas de compra alinhadas com o critério do desmatamento zero no Cerrado”

reportagem de  https://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/areas_prioritarias/cerrado/noticias

Central do Cerrado – Produtos Ecossociais

Citizenship actions in the Cerrado biome

Rede MAIS Vida no Cerrado

O berço das águas corre perigo

biomas do cerrado

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WWF - Conservation news & stories

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ISPN

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Cerratinga

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Museu Virtual de Ciência e Tecnologia - Cerrado

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Day by Day the Farm Girl Way...

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Cerradania

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Maravilhas do Cerrado

"O uso da fotografia e cultura digital para fomento da educação ambiental"

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