Tocantins e o maior monumento fossilizado do mundo

Monumento Natural das Árvores Fossilizadas ocupa área de 32 mil ha.
Os fósseis têm mais de 250 milhões de anos.

O Tocantins possui muitas belezas naturais, como serras, cachoeiras e rios que são atrativos do estado. Uma dessas belezas é a floresta que hoje é considerada o maior monumento natural fossilizado do mundo através de pesquisas realizadas pela Universidade de Brasília (UNB): o Monumento Natural das Árvores Fossilizadas. Localizado no município de Filadelfia, a 330 km da capital, o acervo natural ocupa uma área de 32 mil hectares do cerrado tocantinense.

arvores fossilizadas_ricardo_martins

arvores fossilizadas – foto de Ricardo martins

O monumento é uma unidade de conservação ambiental do estado que foi criada pela lei 1.179 de outubro de 2000. De acordo com pesquisas realizadas no local, os fósseis têm mais de 250 milhões de anos, sendo assim, são anteriores aos dinossauros. Entre os principais fósseis encontrados no monumento destacam-se as samambaias arborescentes.

A pesquisadora e professora do curso de biologia da Universidade Federal do Tocantins, Etiene Fabbrin, desenvolve pesquisas no local e afirma que este é um indício de que a região central do Tocantins era uma planície costeira com um sistema hídrico durante o período Permiano (quando o mundo era formada por apenas um supercontinente). O clima era tropical e os chapadões indicam que a região já foi um deserto e as dunas se transformaram em rochas.
Chamados de “paus de pedra” pelos moradores da região, os fósseis são caules de árvores que foram se decompondo e, com o tempo, foram preenchidos com minerais e assim se tornaram pedras. Antes do monumento se tornar uma unidade de conservação e ser protegido pelo estado, os moradores não faziam ideia do valor dessas pedras diferentes. “Antes os moradores não sabiam que eram fósseis, chamavam pedras de pau. E como as pessoas ofereciam a preço de banana uma pedra, eles levavam para vender”, disse o gerente do Monumento Natural das Árvores Fossilizadas, Vicente Faustino.

O monumento que ainda não tem o título de patrimônio histórico cultural federal, atualmente é protegido e gerenciado pelo Instituto Natureza do Tocantins – Naturatins. Mas de acordo com o superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Cultural (IPHAN), no Tocantins, Antônio Miranda, um processo licitatório vai ser aberto ainda este ano para que seja selecionada uma empresa para realizar os estudos que vão determinar o nível de proteção e de gestão na área. “A expectativa é que até 2014 o monumento seja considerado um patrimônio histórico cultural protegido e gerido pelo IPHAN”, disse o superintendente.

Atualmente o monumento é pouco procurado para visitas turísticas. A assessoria de comunicação da Naturatins informou que os interessados em visitar o monumento devem ligar na sede do local, pelo telefone (63) 3391-1034 ou na Coordenadoria de Unidade de Conservação do órgão em Palmas, no número (63) 3218-1034.

 

Misterios da Serra dos Galés

A cidade de Paraúna está localizada no sudoeste goiano, onde podem ser encontradas grandes montanhas rochosas que lhe conferem uma característica bastante peculiar.

Região de pecuária e de grande potencial turístico. Está distante de Goiânia a cerca de 155 km tem uma população de aproximadamente 11.000 habitantes.

As formações rochosas lembram verdadeiras construções que poderiam pertencer a um passado muito remoto e desconhecido de nossa terra.

serra-das-gales

O município de Paraúna chamava-se Bota Fumaça, povoado do município de Palmeira de Goiás, em torno de 1900 fazendeiros doaram terras para o povoado que tinha uma capela em homenagem ao Menino Jesus, o local passou a ser chamado de São José do Turvo e elevado a distrito. Em 7 de julho de 1930 recebeu o nome de Paraúna  que em tupi que dizer Para(Rio) e Una(Preto).

Serra das Galés, um local místico e bastante procurado por sua beleza onde há estranhas formações rochosas com figuras esculpidas pelo vento ao longo de milhares de anos, que impressionam pela semelhança com animais, pessoas e objetos. É uma espécie de cultura megalítica milenar. São formações em arenito caracterizando figuras como a Pedra da Tartaruga, o Cálice de Pedra, a Esfinge, o Índio, o Lorde Francês, a Máquina de Escrever e outros que podem surgir de acordo com a visão do espectador. Segundo os geólogos a formação rochosa é de idade permo-carbonífera, com cerca de 290 milhões de anos e provenientes de erosão que deu formas tão originais às rochas.

Ponte de Pedra onde tem o rio com o mesmo nome fica na fronteira com o município de Rio Verde. O Rio Ponte de Pedra esculpiu uma ponte natural de pedra que originou o seu nome. É uma obra de arte feita pelo tempo, uma visão única.

Indiscutivelmente os sítios arqueológicos de Paraúna merecem uma atenção maior da arqueologia brasileira e mundial, pois esta ruína se assemelha muito com as encontradas em outros sítios arqueológicos, como Ilha de Páscoa, Machu Picchu, no Perú, e no Egito se encontra construções semelhantes. Um grandeza de beleza imensurável em pleno cerrado goiano. Isso faz parte dos nossos Ermos e Gerais.

baseado na citação do

https://bikedocerrado.wordpress.com/2017/02/23/parauna-cicloturismo-uma-odisseia-a-misteriosa-serra-da-arnica/

Espécies endêmica do cerrado

O bioma que ocupa mais de 20% do território brasileiro e possui uma área de 204 milhões de hectares, é detentor de uma das maiores biodiversidades do Brasil. Com um grande número de espécies tanto na fauna, quanto na flora, o Cerrado concentra também, muitas espécies endêmicas – que não são encontradas em outro ambiente.

Ao todo, são mais de 10.000 espécies de plantas na região. E mais de 1.300 espécies de animais, sendo 199 de mamíferos, 837 de aves, 180 de répteis e 150 de anfíbios.

A conta não inclui os peixes e os animais invertebrados, porque nem todos foram catalogados ou estudados. Estima-se que a região abrigue mais de 1.200 e 90.000, respectivamente.

Animais

De acordo com a Rede Cerrado, organização especializada na região, o número de animais endêmicos no bioma é grande, totalizando 3,4% das aves, 11% dos mamíferos, 20% dos répteis e 30% dos anfíbios.

Entre os animais, estão o Beija-Flor-de-Gravata-Verde (Augastes scutatus), a Gralha do Cerrado (Cyanocorax cristatellus), Rato-de-Espinho (Carterodon sulcidens), Rolinha-do-Planalto (Columbina Cyanopis) e Morceguinho-Do-Cerrado (Lonchophylla Dekeyseri).

Plantas

Atualmente uma das grandes produtoras de grãos, carne e leite, a região do Cerrado já foi considerada imprópria para a agricultura e inviável economicamente, isso porque o bioma é composto por uma vegetação rasteira, com plantas e árvores baixas, com raízes profundas e galhos tortos.

A riqueza da flora do Cerrado fica atrás, apenas, da Mata Atlântica e Floresta Amazônica. A presença de barrigudas, ipês, cactos, bromélias, orquídeas, palmeiras entre tantas outras, pintam o bioma que é conhecido pela sua paisagem agressiva.

veredas do parque nacional

Buritizal – norte de Minas Gerais

O Cerrado possui quatro divisões: matas, campos, brejos e ambientes úmidos com plantas aquáticas. Segundo dados do Ministério do Meio Ambiente, das espécies existentes no bioma, 44% são endêmicas como: Buriti (Mauritia flexuosa), Pau-papel (Tibouchina papyrus), Canela-de-ema (Vellozia squamata) e outras.

Muitas plantas, cerca de 220, são consideradas de uso medicinal e mais de 10 tipos de frutos são comestíveis. A população faz uso dessas matérias-prima para consumo pessoal, e para venda em grandes centros urbanos.

Esse conhecimento da população em relação ao uso e aplicação das plantas medicinais faz com que o Cerrado seja considerado um patrimônio cultural de grande importância para o Brasil e para o mundo.

 

Interdepedencia da biodiversidade e direitos humanos

Este é o primeiro relatório da ONU a reconhecer que a perda de biodiversidade prejudica os direitos humanos, por exemplo, reduzindo os produtos agrícolas e de pesca, afetando negativamente a saúde ou removendo filtros do ciclo da água. Por meio da conservação da biodiversidade, os estados também contribuem para a consecução dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (SDGs) sobre segurança alimentar, saúde e água, entre outros.

veredas destruida

veredas devastadas no norte de Minas Gerais

O diretor-geral da UICN, Inger Andersen, saudou o relatório: “As pessoas têm o direito de se beneficiar da natureza para seu sustento e para vidas gratificantes e dignas. Isso inclui, por exemplo, o direito à alimentação para todos, para as gerações presentes e futuras, o direito à água, o direito à moradia, o direito à saúde e muitos outros direitos sociais, econômicos e culturais. Tudo isso depende do funcionamento dos ecossistemas e da biodiversidade “, disse ela, falando em um painel do Conselho de Direitos Humanos da ONU na semana passada.

A UICN há muito tem abordado os vínculos entre conservar a biodiversidade e alcançar os direitos humanos. Em 1994, a União lançou o documento Cuidar pela Terra: Uma estratégia para uma vida sustentável , onde declarou que “temos direito aos benefícios da natureza, mas estes não estarão disponíveis a menos que cuidem dos sistemas que os fornecem”.

Através de seu trabalho, como o desenvolvimento de diretrizes e quadros de políticas para o engajamento do governo com os povos indígenas e comunidades locais, a UICN destaca as ameaças da mudança e degradação ambiental para as pessoas diretamente dependentes dos ecossistemas.

“A UICN oferece um espaço único de diálogo que reúne as comunidades de conservação e de direitos humanos, bem como os governos e a sociedade civil”, afirmou Gonzalo Oviedo, assessor sênior da IUCN para a Política Social, em plenário do Conselho de Direitos Humanos. “Teremos o maior prazer em continuar trabalhando com o Relator Especial da ONU e com o Conselho de Direitos Humanos para implementar as recomendações deste relatório para a proteção dos direitos humanos e a conservação da biodiversidade”.

O relatório da ONU reconhece o vínculo entre os direitos humanos ea biodiversidade deve promover a colaboração entre a conservação, os direitos humanos e as comunidades de desenvolvimento para alcançar os objetivos de desenvolvimento sustentável.

O relatório também pediu aos Estados que reconheçam os defensores da biodiversidade como defensores dos direitos humanos. A UICN tem apelado a esforços crescentes para proteger os ativistas ambientais das crescentes ameaças e perseguições que enfrentam.

 noticia do

https://www.iucn.org/news/secretariat/201703/iucn-welcomes-first-ever-un-report-acknowledging-healthy-ecosystems-human-right

Impasse: Parque chapada dos veadeiros

O impasse entre o governo de Goiás e o Instituto Chico Mendes, ligado ao Ministério do Meio Ambiente, está ameaçando a ampliação do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, uma das grandes áreas de cerrado ainda preservadas do país. Os técnicos ambientais, respaldados por ONGs do setor e cientistas que estudam a região, propõem ampliar o parque em 158 mil hectares.

ampliação do parque chapada dos veadeiros

Enquanto isso, o governo do Estado de Goiás, administrado pelo tucano Marconi Perillo, tem várias ressalvas ao mapa apresentado para ampliação do parque. Na prática, essa discordância no nível estadual está travando o processo, que se arrasta desde 2010.

O governo de Goiás fez uma contraproposta em dezembro. Pelo mapa apresentado ao governo federal, a ampliação seria de 90 mil hectares, mas de forma descontínua. Isso, segundo a ONG WWF, inviabiliza uma proteção adequada do cerrado. Os outros 68 mil hectares que ficaram de fora da proposta goiana enviada a Brasília seriam inseridos no parque futuramente, segundo Rogério Rocha, secretário-executivo da pasta de Meio Ambiente da gestão Perillo. “Não somos contra a proposta [de ampliação para o total de 222 mil hectares]. Porém, ao ponderar a dimensão social do desenvolvimento sustentável, que se refere ao direito de indenização pela posse da terra de 228 famílias de agricultores familiares, e não latifundiários ou especuladores, nós começamos a negociação para a ampliação em duas etapas.” Para o representante do governo estadual de Goiás, ampliar o parque agora sem a devida regularização fundiária é “deixar as famílias que serão despejadas de seus modos de vida e de sua raiz sem o justo valor indenizatório”.

De acordo com o governo federal, o governo de Goiás estaria promovendo a regularização fundiária de áreas devolutas (que seriam públicas), o que é ilegal.

Segundo Rocha, dentro dos 68 mil hectares que seriam incorporados ao parque no futuro há muita área devoluta, sim, mas isso vai continuar dessa forma. O levantamento fundiário dessas regiões ainda está sendo terminado, diz Rocha. BIODIVERSIDADE A proposta do Instituto Chico Mendes está baseada na preservação de dezenas de espécies da fauna e da flora do cerrado que estão ameaçadas de extinção. Um dos casos é o do pato mergulhão, espécie listada como criticamente em perigo de extinção. “A estimativa é que existam por volta de 250 indivíduos no mundo. A espécie existia no Brasil, Argentina e Paraguai mas, hoje, há registros dela apenas em território nacional”, diz Sônia Rigueira, presidente do Instituto Terra Brasilis, que luta pela preservação da ave. Segundo ela, a maior causa do sumiço dos bichos é a diminuição do seu habitat. “Ele precisa de água limpa. Como mergulha para apanhar sua presa, a maioria peixes, é necessário que exista o contato visual”, diz. Dentro da possível área que poderá ser englobada pelo parque nacional existem locais de beleza cênica reconhecida, o que ajudaria a fomentar ainda mais o turismo sustentável na região, uma grande vocação do lugar.

Apesar de a ampliação precisar exclusivamente da assinatura do presidente Michel Temer (PMDB), o governo de Goiás tem que dar o sinal verde para que ela possa ser de fato implementada.

baseado na reportagem Folha de São Paulo

 

O cerrado tem um caminho

“O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: Esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.”

João Guimarães Rosa

INSCRIÇÕES ABERTAS PARA O CAMINHO DO SERTÃO 2017!

O CAMINHO DO SERTÃO promove um mergulho socioambiental e literário no universo de Guimarães Rosa e no cerrado sertanejo dos gerais, percorrendo parte do caminho realizado por Riobaldo e seu bando, personagens centrais do livro Grande Sertão: Veredas, rumo ao Liso do Sussuarão.

O Edi-Tao pode ser conferido na aba “Edi-Tao 2017” do blogue, ou clicando: https://goo.gl/E2OyIx

A três primeiras edições do Caminho (2014, 2015 e 2016) fizeram um apelo para a questão socioambiental com o mote “Pelo cerrado e suas Culturas, de pé!”. Nesta quarta edição, preservando a dimensão socioambiental, agregaremos outro tema a partir de uma boa efeméride neste 2017, ano em que se completam 120 anos do massacre de Canudos, ocorrido em 1897, no sertão do Brasil. A ideia é provocar ou propor aos caminhantes uma reflexão sobre as trajetórias ou caminhos populares interrompidos ao longo da história republicana do país. Interrupções que vão de Canudos, passando por momentos como o Caldeirão da Santa Cruz do Deserto (comunidade de trabalhadores do Ceará massacrada em 1937), até os dias atuais, com o recente golpe de 2016 que interrompeu uma série de políticas públicas e mudanças sociais em curso no país.

caminho do sertão 2017

Entre sol, areia, mitos, realidades, sorrisos, abraços e um encharcasse de sertão, a produção d’Caminho deixa o convite para todos os que desejarem everedar-se. Participem do processo seletivo e entre os dias 08 e 16 de julho, caminhem conosco!

SERVIÇO

Evento: O Caminho do Sertão 2017 – De Sagarana ao Grande Sertão Veredas
Data de realização: de 08 a 16 de julho de 2017
Inscrições: até o dia 30 de abril
Informações: caminhodosertao@gmail.com

Etnocídio no cerrado

As conseqüências de retirar a pessoa do seu habitat original sob o pretexto do desenvolvimento para a produção de commoditie no cerrado (escancaradamente na região da  fronteira agrícola, chamada de MATOPIBA, cerrado brasileiro). A expressão MATOPIBA resulta de um acrônimo criado com as iniciais dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Essa expressão designa uma realidade geográfica que recobre o cerrado dos quatro estados mencionados, caracterizada pela expansão de uma fronteira agrícola.

quebradeiras de coco 2

Quebradeiras de cocô – Maranhão

Com a brutal consequência de expulsar os povos tradicionais de seus territórios, há uma ruptura brutal da sua cultura. Isso é ou não é ETNOCÍDIO?

È importante compreender uma das mais cruéis conseqüências do modelo de desenvolvimento adotado para o Brasil: a perda da identidade cultural de grande parte da população, especialmente, neste momento ocorrendo intensamente com os povos tradicionais do cerrado (cerratenses).

Ao migrar dos seus territórios para os aglomerados urbanos, além de todos os problemas que acarretam com a concentração urbana, os grandes contingentes populacionais ainda perdem sua identidade cultural, sua memória. Sem essa identidade cultural, é como se cada pessoa vivesse isolada num mar enorme, cercada de gente igualmente solitária por todos os lados. matopiba-cerrado-750x410Sem identidade cultural, importa muito pouco saber que o patrimônio da coletividade, seja ambiental, seja arquitetônico, histórico, cultural, a própria rua, a praça, está sendo ameaçado ou destruído. À medida que essa gente não se sente dona desses espaços coletivos – que são considerados como  terra  de  ninguém  ou  como  pertencentes  aos  governos  dos  quais  não gostam – também não se mobilizam em sua defesa. Assim, não há nenhuma sensação de perda diante de uma vegetação nativa que deixa de existir ou de um lago ou vereda desconstituída, pois a população, em sua maior parte, por não ter identidade cultural com o lugar em que vive também não se sente parte dele. Esse fenômeno acontece, frequentemente e intensamente, principalmente nas periferias das grandes cidades brasileiras, locais comumente utilizados de migração dos povos tradicionais. Existe uma grande população, mas não um grande povo. Essa alienação tem sido muito conveniente para as classes no poder, que aprenderam ainda a dominar com muita competência os meios de comunicação, principalmente a televisão, para substituir rapidamente os valores culturais tradicionais por outros mais convenientes a seus interesses, ao mesmo tempo em que desestimulam e depreciam os valores nativos.

 

Trecho do livro Cerradania:  Alumeia e óia pros encantamentos dos cerratenses

Veredas que sangram nos Gerais

O buriti que se mira no espelho d’água vai se firmando mais e mais como um traço do passado retido na memória de antigos moradores, em fotografias e na bela imagem literária de Guimarães Rosa.

veredas destruidaSessenta e um anos depois do lançamento de Grande sertão: veredas, obra-prima do escritor, o cenário descrito pelo jagunço Riobaldo, que dá voz à trama, é bem diverso. A simples presença da palmeira já não é mais indício de água na imensidão do cerrado.

As veredas que mataram a sede do narrador da saga, de Diadorim e Zé Bebelo, hoje agonizam e perdem a capacidade de armazenar o líquido no período chuvoso para alimentar córregos e rios ao longo do ano.

O veredito é trágico. Setenta por cento das veredas estão ameaçadas de desaparecer em curto prazo, continuamente maltratadas pelas mãos do homem, revela a pesquisadora do Departamento de Biologia da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) Maria das Dores Magalhões Veloso, a Dora, que há oito anos se debruça sobre o tema.

Praticamente todas já sofreram algum tipo de impacto e várias estão completamente secas, resultado de incessante degradação: desmatamento, queimadas, monocultura de eucaliptos, produção de carvão, abertura de estradas, projetos de agropecuária mal planejados, pisoteio do gado e assoreamento. Danos que deixam suas marcas nas dezenas de mananciais secos e no sofrimento de centenas de famílias, animais e aves.

veredas que sangram

veredas que sangram – compartilhado de Sandim Ulhoa

Onde antes havia fartura, hoje falta água. As “macias terras, agradáveis”, na definição de Rosa, endurecem. Nem mesmo o início do período chuvoso, prenúncio de recuperação dos cursos d’água, guarda o mesmo significado nos 60 anos que separam o lançamento do livro e hoje.

Destruídas as veredas – que funcionam como uma espécie de esponja –, falta reservatório para reter a água da chuva e, numa liberação lenta, perenizar os rios, explica o analista ambiental do Instituto Estadual de Florestas (IEF) Jairo Wilson Viana, que monitora os brejos em Bonito de Minas.

“Qualquer processo degradante em veredas – fogo, abertura de estradas, pastoreio, agricultura no cerrado e na própria área do brejo – reduz o armazenamento de água, porque o solo turfoso, esponjoso, torna-se compacto e o líquido é escoado rapidamente, e não na hora certa, para o leito dos rios”, reforça Dora.

baseado na reportagem do  jornal O Estado de Minas

 

Extinção do cerrado

Estudo internacional, coordenado por pesquisadores brasileiros e publicado dia 23 deste mês,  na revista Nature Ecology and Evolution, aponta perda significativa de espécies nativas do Cerrado nos próximos 30 anos se o ritmo atual de desmatamento do bioma continuar. A razão para isso é que há 4.600 espécies de plantas endêmicas no bioma, que não existem em nenhum outro lugar do planeta. Os pesquisadores projetam um quadro de extinções de espécies de grande magnitude se nada for feito.

rebroto do cerrado

foto arquivo cerradania.org

Estimam que até 1.140 espécies podem desaparecer pelo desmatamento acumulado. “Esse é um número oito vezes maior do que todas as espécies registradas como extintas no mundo até hoje”, disse o coordenador da pesquisa, Bernardo Strassburg. Desde o ano de 1.500, quando foram feitos os primeiros registros das espécies de plantas no planeta, 139 foram declaradas oficialmente extintas.

Segundo Strassburg, o Cerrado já perdeu metade da área original. “Se tudo continuar no cenário que a gente chama de tendencial, vai perder um terço do que sobrou nas próximas três décadas”. O Cerrado já perdeu 88 milhões de hectares, o equivalente a 46% da cobertura nativa.

Isso gera problemas ambientais de diversas naturezas. A crise hídrica que a Região Centro-Oeste, onde se situa o Distrito Federal, enfrenta no momento seria agravada pela falta do bioma e também haveria a emissão de gases de efeito estufa de 8,5 bilhões de toneladas de gás carbônico. “Isso tudo seria consequência direta do desmatamento projetado para os próximos 30 anos”, disse Strassburg.

Secretário executivo do Instituto Internacional para a Sustentabilidade e coordenador do Centro de Ciências para a Conservação e Sustentabilidade da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Strassburg destacou que o Cerrado é um hotspot mundial de biodiversidade (região biogeográfica que é simultaneamente uma reserva de biodiversidade e pode estar ameaçada de destruição).

Segundo a pesquisa, esse cenário pode ser evitado sem comprometer o aumento da produção agrícola programado, que projeta em torno de 15 milhões de hectares de expansão de soja e cana-de-açúcar nos próximos 30 anos no Cerrado.

“Isso tudo pode ocorrer, desde que dentro de áreas já desmatadas, que hoje são usadas como pastagens de baixa produtividade. Você melhora a produtividade de pastagens em outros locais, libera algumas pastagens para soja e cana, faz toda essa expansão. Esses 15 milhões de hectares cabem na metade do Cerrado que já foi desmatada sem necessidade de desmatamento adicional”, ressalta.

De acordo com Strassburg, o Código Florestal Brasileiro estima que os fazendeiros terão que restaurar 6 milhões de hectares, o equivalente a 6 milhões de campos de futebol, caso queiram ficar em conformidade com a lei. O artigo da revista mostra, ainda, que restaurar esse volume de vegetação nativa é bom, mas que, se isso for feito nas áreas otimizadas para proteção das espécies, será possível evitar 83% desse quadro projetado.

“Ou seja, se você expande a agricultura para áreas já desmatadas e restaura o Cerrado nas áreas mais importantes para as espécies, você consegue evitar 83% do quadro projetado”, disse o pesquisador.

O estudo cita um conjunto de oito políticas públicas e privadas existentes, algumas em aplicação no Cerrado e outras na Amazônia, mas sugere que algumas delas, como o caso da Moratória da Soja, por exemplo, deveriam ser estendidas para o Cerrado. Strassburg ressaltou, porém, que esse mix de políticas precisa ser coordenado entre si e financiado de forma apropriada.

Além da Moratória da Soja, implantada na Amazônia, que praticamente eliminou a conversão direta de áreas de floresta para o cultivo da soja na região, as políticas em vigor incluem a expansão da rede de áreas protegidas, uma vez que o Cerrado tem hoje menos de 10% de sua área protegida em unidades de conservação. Para Strassburg, também é importante aumentar o financiamento para conservação, inclusive com verbas oriundas de projetos de combate às mudanças climáticas.

Ele acrescentou que, além disso, políticas nacionais, estaduais e municipais diretamente focadas na preservação de espécies ameaçadas precisam ser fortalecidas. Strassburg citou o Plano de Agricultura de Baixo Carbono, do Ministério da Agricultura, que poderia ser implementado em maior escala, com a preocupação de orientar a expansão da soja e da cana para áreas já desmatadas e melhorar a pecuária em outras áreas.

Para tudo isso funcionar, Strassburg considera essencial um planejamento espacial estratégico para identificar as áreas prioritárias para a conservação e restauração da vegetação nativa e aquelas em que a expansão da agricultura teria menor impacto no meio ambiente, além de serem boas para a atividade agrícola.

O diretor do Departamento de Conservação de Ecossistemas do MMA, Carlos Alberto de Mattos Scaramuzza, é um dos autores do artigo e, segundo Strassburg, espera que o trabalho seja útil para a formulação de políticas públicas ambientais no país e também para mobilizar o apoio necessário para a preservação do Cerrado.

reprotagem do

http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2017-03/estudo-preve-extincao-de-um-terco-de-especies-nativas-do-cerrado-em-30-anos

Dia mundial da agua

E o que  temos o que comemorar…

Do total de água disponível no planeta, 97% estão nos mares e oceanos (água salgada) e apenas 3% são água doce. Dessa pequena porcentagem, pouco mais de 2% estão nas geleiras (em estado sólido) e, portanto, menos de 1% está disponível para consumo. E você sabe onde está localizado esse 1% de água doce disponível para consumo? Está nos rios, lagos e águas subterrâneas. E, como sabemos, grande parte dessas fontes está sendo poluída, contaminada e degradada por más práticas humanas.

Segundo relatório divulgado em 2015 pela Organização das Nações Unidas (ONU), mais de dois terços da população mundial sofrerão com a falta de água em 2050 devido ao consumo excessivo de água para a produção de alimentos e para a agricultura, a degradação dos recursos naturais e os impactos climáticos.

Lagoa_esecae

águas de veredas no cerrado

No Cerrado nascem as principais bacias hidrográficas do país que alimentam as bacias do São Francisco, do Tocantins-Araguaia, do Paraná e Paraguai. Para se ter uma ideia da importância das águas do Cerrado, sete em cada dez litros das águas que passam pelas turbinas da usina de Tucuruí (PA) vêm do Cerrado, assim como, metade da água que alimenta Itaipu (PR), e quase 100% do montante de Sobradinho (BA). Isso significa que nove em cada dez brasileiros consomem eletricidade produzida com águas do Cerrado.

O WWF-Brasil tem trabalhado com o Programa Água Brasil, fruto de uma parceria com o Banco do Brasil, Fundação Banco do Brasil e Agência Nacional de Águas, na implementação de modelos de produção e uso eficiente da água em bacias do Cerrado. Iniciado em 2010, contou com uma área piloto na bacia do Pipiripau, no Distrito Federal, responsável pelo abastecimento de 200 mil habitantes. Ações de conscientização, recuperação de rios e proteção de nascentes, além da adoção de boas práticas como a instalação de terraços, com o objetivo de aumentar a infiltração da água das chuvas na região, têm demonstrado uma significativa melhora na qualidade e quantidade desse recurso. Atualmente, o projeto, em sua segunda fase de implementação, atuando nas bacias do Descoberto e de São Bartolomeu, que, juntas, representam mais de 40% do território do Distrito Federal.

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