Archive | novembro 2013

Cerrado biodiversidade rica e ameaçada

Ilhas de preservação

Dunas do Parque Estadual do Jalapão, no Tocantins

As árvores baixas, esparsas e retorcidas são características marcantes das paisagens que nos remetem ao Cerrado, mas elas não espelham esse domínio como um todo.                                                                                                                                                            O Cerrado é formado por paisagens múltiplas, vegetação diversificada e espalhada de forma desigual, com vários tipos de solo e variações naturais de muitos tipos, como clima, relevo, relação com o fogo e umidade.                                                     Os ecossistemas de Cerrado representam o segundo maior conjunto biológico do território brasileiro: só a Amazônia é maior. Suas áreas ocupam — ou melhor, ocupavam, originalmente — quase um quarto do território brasileiro (23,9%).

O Cerrado é considerados um hotspot para a conservação ambiental, ou seja, é uma das regiões biologicamente mais ricas e mais ameaçadas do mundo. O conceito de hotspot foi criado para definir as áreas que concentram o maior número de espécies, e onde as ações de conservação seriam mais urgentes. No mundo, são 34 regiões naturais classificadas dessa forma, duas no Brasil: o Cerrado e a Mata Atlântica.

O descaso com a preservação da savana brasileira foi selado oficialmente na constituição de 1988, mais especificamente no artigo 225, que classificou como Patrimônio Nacional a Mata Amazonica, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal e a Zona Costeira, deixando de fora os ecossistemas de Cerrado, Caatinga e os Pampas.

Em 95 foram propostas as primeiras emendas constituintes para incluir o Cerrado na classificação de Patrimônio Nacional. Desde então, muitas outras tentativas legislativas foram feitas para corrigir o erro, mas até agora nenhuma foi aprovada. A medida, que estimularia a criação de novas unidades de conservação, esbarra no descaso e no conflito de interesses  no Congresso Nacional.

Bando de emas no Parque das Emas, em GoiásDe acordo com o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), existem 43 unidades de conservação nos domínios de cerrado, entre áreas de proteção ambiental (APAs), parques nacionais (Parnas), florestas nacionais (Flonas), reservas biológicas e outras áreas de proteção integral ou de uso sustentável.

As principais unidades de conservação em que o Cerrado é predominante são o Parque Estadual do Jalapão (foto à esquerda), com 150 mil hectares, o Parque Nacional das Emas (132 mil ha; foto à direita), o Parque Nacional Grande Sertão Veredas (84 mil ha), o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães (33 mil ha), o Parque Nacional da Serra da Canastra (71 mil ha), o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (60 mil há) e o Parque Nacional de Brasília (28 mil ha).

Parece muito, mas isso corresponde a apenas 2,2% do total das áreas de Cerrado. Além disso, as reservas que existem sofrem por problemas de gerenciamento, causados pela falta de recursos e a carência de pessoal, seja para fiscalizar as áreas ou para coordenar a implantação de políticas de conservação.

No Parque Nacional da Serra da Canastra (foto abaixo) houve, ainda, um processo contrário, de restrição da área de reserva. O plano original previa a preservação de uma área de 200 mil hectares, dos quais apenas 71 mil foram implantados na prática.

Isso ocorre porque até hoje tramita um projeto de lei que propõe a redução de 70% da área que seria reservada ao parque. A área excedente, de acordo com o projeto de lei, seria classificado como “monumento natural”, o que permitiria a existência de propriedades particulares no local.

Cachoeira na Serra da Canastra, em Minas Gerais

Artigo de Luciana Noronha é jornalista, formada pela Unesp-Bauru.

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Ruído humano atrapalha a complexa comunicação das araras, papagaios e maritacas

O desmatamento no cerrado causado pelo avanço da agricultura e pecuária, algumas espécies são especialmente ameaçadas, como é o caso dos papagaios, araras e maritacas, aves da ordem dos Psittaciformes.

Arara Canindé - foto de Felipe Noronha
Apesar de os Cerrados sofrerem, de maneira geral, com o desmatamento causado pelo avanço da agricultura e pecuária, algumas espécies são especialmente ameaçadas, como é o caso dos papagaios, araras e maritacas, aves da ordem dos Psittaciformes.

Recentemente, descobriu-se que a poluição sonora das cidades pode atrapalhar seriamente a comunicação dessas espécies, com impactos ainda pouco conhecidos sobre as suas populações.

Estudos apontam que um quarto das espécies que compõem essa ordem correm risco de extinção ou já tiveram suas populações diminuídas. Nas áreas de Cerrado, foram registradas 33 espécies de psitacídeos, e algumas delas só foram observadas nesses ambientes. A dificuldade de estudar essas aves em campo reduz ainda mais a quantidade de informação disponível sobre elas.

A tese de doutorado de Carlos Barros de Araújo, pesquisador do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, procurou investigar a alimentação, a comunicação sonora e a distribuição geográfica dessas aves, a partir de observações feitas em áreas no Cerrado Central de Goiás e no Distrito Federal.

Nas investigações sobre a comunicação dessas aves Carlos percebeu que, para combater o excesso de ruído, as espécies aumentavam a intensidade de seu canto ou adotavam frequências mais agudas, já que o barulho urbano possui um espectro grave. “No entanto, diante de um ruído elevado as espécies podem ser severamente prejudicadas, e as modificações dos cantos não são suficientes para manter a comunicação”, explica.

Ainda falta entender quais prejuízos as espécies podem sofrer com a redução do alcance de sua comunicação, e esse é o próximo passo da pesquisa. Há indícios de que o ruído pode afetar o modo como essas aves demarcam seu território e atrapalhar a sua alimentação e dinâmica diária. Segundo Carlos, “elas se espalham em pequenos bandos durante o dia, durante a alimentação, mas se congregam para dormir juntos, reduzindo os riscos de predação”. Toda essa sincronia entre as aves só é possível pela comunicação de longa distância.

Papagaio do Parque das Emas - foto de Felipe Noronha

Remetente e destinatário

No entanto, a ciência ainda não é capaz de compreender toda a complexidade da comunicação dos psitacídeos. Com uma quantidade de vocalizações impressionante – muitas ainda não descritas –, as araras, papagaios e maritacas possuem cantos de vôo, contato, vários tipos de alarme, de sentinela, de aviso sobre a disponibilidade de alimentos e muitos outros.

Recentemente, descobriu-se que, no canto de vôo dessas espécies, cada ave possui uma espécie de “assinatura vocal” só dela, que faz com que os outros pássaros identifiquem quem está enviando a mensagem.

Eles também descobriram que a ave que emitiu a mensagem é capaz de inserir, em seu próprio canto, a assinatura vocal de seu destinatário. Assim, ela consegue enviar a mensagem para um indivíduo específico, como se fosse a um destinatário, e todas as demais aves podem ignorá-la.

“Mas o que se esperava de espécies que imitam com precisão a voz humana?”, questiona-se Carlos. Deveríamos esperar muito mais.

DESTAQUE   http://e-cerrado.com/ruido-atrapalha-comunicacao-das-araras/

Memorial do Cerrado

Mem_Museu em goiania

Eleito em 2008 como o local mais bonito de Goiânia, O Memorial do Cerrado, complexo científico que funciona no Campus II da PUC Goiás, é um dos projetos do Instituto do Trópico Subúmido que representa as diversas formas de ocupação do bioma e os modelos de relacionamento com a natureza e a sociedade. É um museu que retrata desde a origem do planeta Terra à chegada dos portugueses ao Brasil.

O Memorial reúne espaços que representam as diversas formas de ocupação do Cerrado e os modelos de relacionamento com a natureza e a sociedade.Museu_corredor

Museu de História Natural

Espaço de exposições em que painéis e cenários narram a história evolutiva da Terra e do ambiente do cerrado. O visitante pode ver fósseis com datação de até 600 milhões de anos.

Vila Cenográfica de Santa Luzia

Reconstrução em tamanho original dos primeiros povoados de origem colonial portuguesa na região central do Brasil. A vila conta com espaço urbano e rural, com réplicas de fazendas e oficinas rurais, responsáveis pela geração de riqueza daquele tempo.V_Cenog_noite do museu

Andar pelo local é uma forma de se inserir na história, já que o visitante fica em contato direto com as antigas moendas, alambiques de barro, oficina de rapadura e açúcar, oficina do ferreiro, seleiro, funilaria do carapina, serraria, além da venda – ponto de comércio da época – a igreja, a prefeitura, a cadeia, o bordel, dentre outras atrações interessantes.

Aldeia indígena

Réplica em tamanhAldeia Timbira museu goianaiao original de uma aldeia indígena modelo Timbira, que tem o formato circular, na qual cada casa tem um caminho de acesso ao pátio .

 

 

Quilombo Quilombo_panor

Sítio geográfico e local de resistência ocupado e organizado por populações africanas ou afro-brasileiras que fugiam da escravidão. No Memorial do Cerrado há uma réplica fidedigna dos modelos de quilombos existentes no cerrado.

Espaço de Educação Ambiental Dalila Coelho Barbosa.                                                                                                 Auditório ao ar livre, com 150 lugares, e local destinado a oficinas educativas, piqueniques e recreação.

auditorio museu goainaia

          

Trilhas Ecológicas          

Com 2 km de exteTrilha_2 do museunsão, aberta no interior da reserva intacta de floresta tropical e de cerrado  na Estação Ciência São José.

Local ideal para o contato com a natureza.

Espaço protegido, a “Trilha da Semente Peregrina” propicia ao visitante a oportunidade de realizar a interação e o conhecimento científico do mundo vegetal e animal.

PUC  Goiás – Campus II
Avenida Bela Vista, Km 02 – Jardim Olímpico
Goiânia – Goiás – Brasil                                                                                                                                                    Contato: 62 3946 1711                                                                                                                                                     E-mail: its@pucgoias.edu.br                                                                                                                                Agendamento para visitação no Memorial do Cerrado: 62 3946 1723

LUGARES INTERESSSANTES NO CERRADO BRASILEIRO

chapada dos veadeiros

Localizada a 2 horas e meia ao norte de Brasília, a Chapada dos Veadeiros abriga rios cristalinos, cachoeiras de mais de 100 metros, trilhas e paredões de pedra rompendo pelo Cerrado de três localidades: Alto Paraíso de Goiás, Cavalcante e a vila de São Jorge, onde está a entrada para o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, declarado Patrimônio Mundial pela Unesco em 2001. Para chegar às atrações, visitantes precisam estar dispostos a caminhar: as trilhas têm trechos íngremes e pedregosos (em algumas delas é necessária a presença de guia). Como recompensa pelo esforço, quase todos os percursos terminam em poços limpos, na base de quedas-d’água ou no meio de formações rochosas.                                                                                                                                              Em Alto do Paraíso, ecoturistas enchem a cidade sobretudo em julho, em busca das trilhas que levam a incontáveis cachoeiras. Mas o lugar também atrai outro perfil de visitante: os interessados em assuntos místicos. A presença de minas de cristais nas redondezas e o fato de que a região está na mesma latitude de Machu Picchu (as duas são atravessadas pelo Paralelo 14) ajudam a convencer muita gente de que Alto Paraíso tem uma energia especial.                   Distrito de Alto Paraíso, São Jorge é uma pequena vila de casas coloridas e ruas de terra. O ponto positivo do local é a facilidade de acesso ao Parque Nacional: a entrada fica em São Jorge. Quem fica emCavalcante, cidade que contém mais da metade da Chapada dos Veadeiros, se diverte com atrações escondidas em propriedades particulares das  cercanias.

Vila mais próxima dos passeios ecológicos

Andar pelo cerrado é um dos maiores e mais completos prazeres do homem em sua relação com o meio ambiente. O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros é uma Unidade de Conservação com belíssimas cachoeiras, canyons, minas de cristal, riquíssima flora e fauna. Para desfrutar dos encantos deste lugar mágico, que fica a 240 Km de Brasília, o bom mesmo é hospedar-se na Vila de São Jorge, terra de gente simples, antigos homens do campo, garimpeiros do cristal. Eles sabem como receber os turistas que se maravilham com as belezas do Parque e o encanto da Região que atrai até ET’s dizem os aficionados.
Localizada na entrada do Parque Nacional surpreende os visitantes por sua magia de Vila interiorana com cultura de garimpo anterior à década de ’50. As construções são simples, contrastando com a exuberante beleza natural do parque que pode ser visitado a pé. A ausência de neons e poluição torna o céu de estrelas e a Lua de São Jorge ao alcance da mão e da poesia. Uma atração é poder comprar dos próprios garimpeiros cristais brutos, a preços acessíveis.

Alto Paraíso Cidade mais próxima da Vila de São Jorge (33 km – estrada de terra antes de São Jorge) é também a sede do município, situado no paralelo 14: rota dos peregrinos da Era de Aquários onde fica o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Lugar onde primeiro se estabeleceram algumas seitas e entidades voltadas para o misticismo e filosofia da Nova Era. Possui uma infra-estrutura suficiente para uma hospedagem agradável. Algumas fazendas na região possuem cachoeiras lindas e de fácil acesso. É o caso do Vilarejo do Moinho localizado a 10 Km da cidade, e da Cachoeira dos Arcanjos.

Pernas pra que te quero – hora de calçar um tênis velho, colocar boné e roupas folgadas. Geralmente os turistas vão para um passeio por volta das 8h30, passam o dia na Cachoeira escolhida, comem o Kit lanche que levaram e retornam à tarde para almoçar aquela comida. Depois, hora de pegar uma sauna ou um banho japonês na Pousada Águas de Março ou ficar à beira da piscina que possue vista privilegiada do Parque Nacional. Mais tarde, bom mesmo é comer uma tapioca com queijo de coalho nas Águas de Março. O cristal de quartzo é a marca registrada da região e encanta a todos exercendo especial atração sobre os esotéricos. O que brilha no chão são lascas do Cristal Manhoso… Controlado pelo Ibama o Parque permite visitas acompanhadas por guias autorizados e treinados. Não é permitida a entrada de animais de estimação. Cachoeira do Rio Preto – Salto de 80 metros – caminhada de aproximadamente 50 minutos (6Km) pelo cerrado para nadar num lago localizado na base da cachoeira. Na volta, a subida exige um esforço maior.Cachoeira do Rio Preto – salto de 120 metros – pode ser contemplado a partir de um mirante. Canyon 2 e Cariocas – Caminhada leve de aproximadamente 45 minutos, atravessando alguns riachos durante a qual chama a atenção a beleza das flores do cerrado.
O Canyon 2 é um estreitamento do Rio Preto que forma uma cachoeira belíssima. Depois é dar uma esticada até a Cachoeira das Cariocas onde é possível nadar, curtir duchas variadas e hidromassagem naturais.
Canyon 1 – Trajeto partindo do Canyon 2 por dentro do rio que forma belíssimas piscinas nos meses de maio a outubro. Um espetáculo magnífico de cima do Canyon. Rio acima, belos paredões de pedra. Tempo previsto de ida: 1h30 fora as paradas para banho. Passeio inesquecível. Cachoeira da Rodoviária – Riacho temporâneo pequeno. Acesso livre. Caminhada curta. Mirante dos Dois Saltos – Roteiro difícil compensado pela magnífica visão das duas cachoeiras do Rio Preto.

Passeios fora do Parque – Vila de São Jorge

Cachoeiras Almécegas – Bonitas, sendo a Almécegas 2 melhor para banho . Caminhada média.
Fazenda São Bento.
Cachoeira São Bento – Lindo poço onde são realizados campeonatos de polo aquático. Cachoeira do Mello – Local bonito e bom para banho. Possibilidade de visita a confirmar. Jardins de Maitréia – Belíssimo visual de frondosos buritis, avistado do lado direito da estrada principal, sentido Alto Paraíso – São Jorge. Serra da Baleia – Caminhada longa até o topo. Ponto de observação privilegiado (até de Ovnis, dizem os aficionados). Bar do Valdomiro – Casa de sapê na beira da estrada. Boa comida caseira e tira gosto. Venda de produtos da região. Vale da Lua – Acesso pela estrada principal (6 km) antes de chegar à Vila de São Jorge. Diferente dos demais passeios, possui formações rochosas inusitadas, cintilantes em noites de lua cheia. Rio bom para nadar e mergulhar. Caminhada de 20 minutos.
São Jorge – Riacho temporâneo que abastecia São Jorge nos tempos do Cristal. Fica logo depois da Pousada Águas de Março. Abismo – Cachoeiras grandes e pequenas com picinas de hidromassagem. Linda caminhada de aproximadamente 40 min a partir do discoporto com vista panorâmica da Estrada de Colinas. Raizama – Também chamado de Espaço Infinito. Caminhadas de 15 minutos, possui bonitas cachoeiras. Oferece também desafios para prática de rapel em seus paredões. Distante 3,5 kmde São Jorge pela estrada principal. Morada do Sol – Cerca de 4 km de São Jorge.

Cachoeiras próprias para adultos e crianças. Acesso fácil; caminhada de 10 minutos. Piquizeiro – Cachoeira de fundo de quintal, onde macacos bebem água. Acesso mediante taxa ou autorização dos proprietários.
Pedra Escrita – Riacho e inscrições pré-históricas ainda indecifradas nas pedras à 11Km de São Jorge.

Encontro das Águas – encontro do Rio São Miguel com o Rio Tocantizinho. Duas experiências de contato com a natureza. Legal é subir pelas margens e descer nadando apreciando as pedreiras.

Jardim do Éden – propriedade particular com banho de água morna.

Aguas Quentes – Dois poços de águas mornas. O lugar é bonito e pode ser visitado também à noite, embora não possua iluminação. Dista 16 Km de São Jorge.

Riacho de Colinas – Muito freqüentado pelos moradores do Município.

Cachoeiras pequenas agradáveis. Serra da Mesa – lago bom para pesca.

Em Colinas é possível alugar barcos que levam o turista para pescar.

 

Cerrado: onze tipos de vegetação em um só domínio

O Cerrado é um tipo de savana, ou seja, as características mais gerais de seus ecossistemas possuem aspectos em comum com outros ecossistemas savânicos encontrados pelo mundo, como a savana africana, por exemplo. Essas características dizem respeito principalmente aos seus padrões de vegetação, mas também de solo, clima e pela presença do fogo.

Paisagem de Campo Sujo, uma das formações campestres de Cerrado

Apesar de apresentar características comuns a outros ecossistemas do mundo, o cerrado tem características que tornam suas paisagens exclusivas.                                                                                                                                                                                                                   Essas paisagens são bastante diversas e, por isso, alguns pesquisadores defendem que

Paisagem de Cerrado sentido restrito, uma das suas formações savânicaso Cerrado não pode ser considerado um bioma, e sim, um conjunto de biomas.Há espaço para paisagens desde compostas por capins, ervas e pequenos arbustos, como nas formações campestres, até as paisagens repletas de árvores, como nasformações florestais.

São reconhecidos normalmente onze tipos principais de vegetação de Cerrado, segundo a Embrapa. Entre as formações campestres, existem o campo sujo (foto à esquerda), o campo limpo e o campo rupestre, enquanto as formações savânicas abrigam o Cerrado sentido restrito (foto à direita), o parque de cerrado, o palmeiral e a vereda. E, por fim, as formações florestais incluem as matas ciliaresmatas de galeria, a mata seca e o cerradão.

Cerca de 35% das plantas deste domínio são típicas da formação Cerrado sentido restrito; 30% são próprias das matas de galeria, 25% de áreas campestres. Os 10% de espécies restantes ainda não foram classificadas, conforme as estimativas da Embrapa.

Formações vegetais do Cerrado -- Ilustração de Jose Felipe Ribeiro

Artigo de Luciana Noronha é jornalista, formada pela Unesp-Bauru. Atualmente está concluindo sua Especialização em Divulgação Científica pelo Labjor-Unicamp.

Sítios arqueológicos em áreas de Cerrado

Pintura rupestre no Parque das Emas

O sítio arqueológico mais conhecido de todo o Brasil fica em Minas Gerais, no município de Lagoa Santa. Lá foi encontrado o esqueleto humano mais antigo das Américas: o de uma mulher batizada como Luzia, com pelo menos 11.500 anos (idade bastante contestada).

Pertencente a um grupo humano que tinha traços similares aos dos negros africanos, Luzia representa um desafio para os arqueólogos, que no passado acreditavam que os primeiros brasileiros tinham traços parecidos com os dos orientais da Mongólia.

No estado do Mato Grosso, existem muitos sítios arqueológicos distribuídos ao longo das bacias dos rios Cuiabá e Arinos, os mais antigos com cerca de 11 mil anos. Esses grupos teriam se espalhado por todo o Mato Grosso entre 9 mil e 7 mil anos, desenvolvendo pinturas em um estilo conhecido como “Serranópolis”.

Por volta de 2.400 anos atrás surge uma indústria cerâmica simples, com o desenvolvimento de três padrões culturais na região: Tradição Itaparica, Tradição Una e Tradição Uru.

Em Goiás calcula-se que a ocupação humana tenha de 11 mil a 9 mil anos. São conhecidos 626 sítios arqueológicosno Estado, com três estilos distintos: o Caiapônia, o estilo Serranópolis e o estilo de Formosa, mais geométrico.

Essas pinturas normalmente retratam seres vivos — como lagartos, araras, emas, veados, macacos e tartarugas — figuras geométricas e situações cotidianas, como a caça.

A Superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Goiás concluiu  o primeiro mapeamento dos 1.555 sítios arqueológicos do estado. Todos os dados coletados estarão em um banco de dados digital. Como os de Formosa, a maioria dos sítios do estado vizinho do DF se mantém exposta ao vandalismo e desconhecida da população.

No levantamento, ficou clara a falta de informações precisas sobre os sítios arqueológicos goianos. Até então, dos mais de 1,5 mil registrados, apenas 382 estavam georreferenciados. Agora, 799 têm a localização exata. Os outros 756 trazem meras referências, como “dentro da fazenda” de alguém, “após a porteira”, “em uma mata”.

“Alguns desse sítios já não existem mais, estão embaixo de hidrelétricas, por exemplo. Em outros, faremos o georreferenciamento usando equipamentos bem mais modernos que os do tempo em que os sítios foram descobertos”, explica a arqueóloga Ellen Carvalho, do Iphan de Goiás.

 Os sítios arqueológicos
Um sítio arqueológico é onde os homens que viveram antes do início da nossa civilização deixaram alguns vestígios de suas atividades: uma ferramenta de pedra lascada, uma pintura ou até a simples marca de seus passos. A arqueologia, ciência que estuda os costumes dos povos antigos, começou no Brasil em 1834. Nessa época, o dinamarquês Peter Lund (1801-1880) escavou as grutas da Lapa Velha, em Lagoa Santa (MG). Lá, foram encontrados ossos humanos misturados com restos animais de 20 mil anos. Há cerca de 20 mil sítios arqueológicos espalhados pelo Brasil. Poucos têm a proteção do governo.
Coletânea de informações a partir de Luciana Noronha é jornalista, formada pela Unesp-Bauru e http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2010/10/24/interna_cidadesdf,219656/index.shtml

Cupinzeiros Luminosos

Larvas de vagalume acendem os cupinzeiros do Parque das Emas.

Cupinzeiro iluminado por larvas de vagalume no Parque das EmasNo meio do Cerrado preservado do Parque Nacional das Emas, em Goiás, a escuridão absoluta das noites nos campos é quebrada quando chega a época das chuvas. Nesse período, que se inicia por volta de setembro, é possível observar um fenômeno cada vez mais raro: oscupinzeiros luminosos.

Isso acontece porque as larvas de vagalumes da espécie Pyrearinus termitilluminans ocupam os cupinzeiros para depositar seus ovos. Essas larvas, que se parecem com lagartas, cavam túneis na superfície da morada dos cupins, tomando o cuidado de deixar “janelas” voltadas para fora. À noite, elas se debruçam para fora dessas fendas, exibindo sua cabeça e tórax brilhantes para atrair e caçar insetos voadores.

De acordo com Vadim Viviani, líder do grupo Bioluminescência e Biofotônica na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) de Sorocaba, aparentemente esta relação é benéfica “tanto para os vagalumes, que têm uma casa garantida e uma forma de atrair presas abundantes nas proximidades do cupinzeiro, quanto para os cupins, que são facilmente atraídos na região do cupinzeiro”.

Vagalumes e poluição

Infelizmente, os cupinzeiros têm se iluminado cada vez menos no Cerrado. De acordo com Viviani, anteriormente grande parte das regiões próximas a Mineiros (GO) e Costa Rica (MS) era infestada por cupinzeiros colonizados por vagalumes. Hoje, esse fenômeno existe somente no Parque das Emas, que virou “uma ilha, isolada no meio de campos de soja”, segundo ele. Nos seus entornos não existem nem resquícios de cupinzeiros.

O pesquisador acredita que, no caso do Cerrados, a presença de grandes plantações de soja seja o principal responsável pela quase extinção dos cupinzeiros luminosos e por uma diminuição sensível das populações dos vagalumes, em geral.

O cultivo da soja destrói os habitats originais de cerrado de forma muito mais intensa do que as antigas pastagens, em meio às quais os vagalumes ainda conseguiam sobreviver. O uso de pesticidas e o aumento da iluminação artificial nos centros urbanos também são responsáveis pelo fato de existirem cada vez menos vagalumes.

Luciferase e Luciferina

A redução das populações de vagalumes não traz prejuízos apenas à biodiversidade, mas também à ciência e à medicina. Isso porque os vagalumes produzem naturalmente os compostos luciferase e luciferina, que são os responsáveis por seu brilho. Esses dois compostos podem ser retirados dos vagalumes em laboratório, de forma separada, e quando entram em contato um com o outro, eles permitem iluminar células e organismos vivos.

brilho é produzido por meio de uma reação química, na qual o substrato luciferina sofre oxidação quando entra em contato com a enzima luciferase. A reação de oxidação gera uma luz verde fluorescente. Não é difícil de imaginar como esse mecanismo natural beneficia vários campos do conhecimento, desde que começou a ser estudado, há mais de 50 anos.

Hoje, os compostos luciferase e luciferina são usados para fins médicos e industriais, como na medição de biomassa — ou seja, da massa total de organismos vivos em determinada área –, na identificação de contaminações e em diagnósticos médicos.

Quando a ciência conseguiu clonar o gene da luciferase de vagalumes, várias outras aplicações apareceram, nos campos da engenharia genética e biotecnologia, o que ajudou no desenvolvimento de antibióticos, quimioterápicos, marcadores ambientais, entre muitas outras utilidades. Hoje, a equipe do Professor Viviani trabalha na clonagem das luciferases da lanterna abdominal e torácica do vagalume adulto. Até então eles só haviam clonado as luciferases das larvas.

Artigo de Luciana Noronha é jornalista, formada pela Unesp-Bauru. Atualmente está concluindo sua Especialização em Divulgação Científica pelo Labjor-Unicamp.

Anfíbios do Cerrado

Preservado, potencial farmacológico existente nos anfíbios do Cerrado poderá ajudar a humanidade

anfibio do cerrado phyllomedusa-oreades

Os cientistas já conseguiram identificar 160 espécies de anfíbios (sapos, rãs e pererecas) no Cerrado. Desse total, 35 por cento são endêmicas, ou seja, ocorrem exclusivamente nos domínios do bioma. Depois de anos de pesquisas e observação em laboratório, descobriu-se que muitos desses anfíbios possuem propriedades farmacológicas, principalmente as antimicrobianas. Entre as espécies mais estudadas estão as rãs do gênero Leptodactylus e as pererecas do gênero Phyllomedusa.
Na pele das Phyllomedusa, encontra-se uma classe de peptídeos antimicrobianos chamados phyllomedusinas. Descoberta nos arredores do Distrito Federal, aPhyllomedusa oreades  (foto acima) está sendo estudada com muita atenção, pois esse animalzinho de apenas três centímetros guarda na em sua pele a dermaseptina, que pode ajudar a curar o mal de chagas. A doença afeta cerca de 18 milhões de pessoas em todo o mundo.
No Laboratório de Espectometria de Massa da Embrapa, pesquisadores brasileiros chefiados pelo biólogo Carlos Bloch descobriram que a dermaseptina age contra o agente da doença de chagas, o Trypanosoma cruzi. Por essas e outras razões, a manutenção da biodiversidade do Cerrado – seja ela por meio da conservação ou do manejo sustentável – pode trazer para a humanidade benefícios que hoje nem sequer suspeitamos.

Fonte:  http://www.ispn.org.br/anfibios-do-cerrado/

Obras rosianas marcam a literatura do cerrado.

“Um pouquinho do João para apreciar a querência minamora do sertão do cerrado”.                                                                                                              ( não me pergunte o porquê, só posso dizer que escrevi isto pelo meu encantamento ao seu estilo)

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João Guimarães Rosa nasceu em Cordisburgo (MG) a 27 de junho de 1908 e era o primeiro dos seis filhos de D. Francisca (Chiquitinha) Guimarães Rosa e de Florduardo Pinto Rosa, mais conhecido por “seu Fulô” comerciante, juiz-de-paz, caçador de onças e contador de estórias.

Joãozito, como era chamado, com menos de 7 anos começou a estudar francês sozinho, por conta própria. Somente com a chegada do Frei Canísio Zoetmulder, frade franciscano holandês, em março de 1917, pode iniciar-se no holandês e prosseguir os estudos de francês, agora sob a supervisão daquele frade.

Em 1925, matricula-se na então denominada Faculdade de Medicina da Universidade de Minas Gerais, com apenas 16 anos. Segundo um colega de turma, Dr. Ismael de Faria, no velório de um estudante vitimado pela febre amarela, em 1926, teria Guimarães Rosa dito a famosa frase: “As pessoas não morrem, ficam encantadas“, que seria repetida 41 anos depois por ocasião de sua posse na Academia Brasileira de Letras.

Sua estréia nas letras se deu em 1929, ainda como estudante. Escreveu quatro contos: Caçador de camurças, Chronos Kai Anagke (título grego, significando Tempo e Destino), O mistério de Highmore Hall e Makiné para um concurso promovido pela revista O Cruzeiro. Todos os contos foram premiados e publicados com ilustrações em 1929-1930, alcançando o autor seu objetivo, que era o de ganhar a recompensa nada desprezível de cem contos de réis. Chegou a  confessar, depois, que nessa época escrevia friamente, sem paixão, preso a modelos alheios.

Em 1956, no mês de janeiro, reaparece no mercado editorial com as novelas Corpo de Baile, onde continua a experiência iniciada em Sagarana. A partir de o Corpo de Baile, a obra de Rosa – autor reconhecido como o criador de uma das vertentes da moderna linha de ficção do regionalismo brasileiro – adquire dimensões universalistas, cuja cristalização artística é atingida em Grande Sertão: Veredas, lançado em maio de 56. O terceiro livro de Guimarães Rosa, uma narrativa épica que se estende por 600 páginas, focaliza numa nova dimensão, o ambiente e a gente rude do sertão mineiro. Grande Sertão: Veredas reflete um autor de extraordinária capacidade de transmissão do seu mundo, e foi resultado de um período de dois anos de gestação e parto. A história do amor proibido de Riobaldo, o narrador, por Diadorim é o centro da narrativa. Para Renard Perez, autor de um ensaio sobre Guimarães Rosa, emGrande Sertão: Veredas, além da técnica e da linguagem surpreendentes, deve-se destacar o poder de criação do romancista, e sua aguda análise dos conflitos psicológicos presentes na história.

O lançamento de Grande Sertão: Veredas causa grande impacto no cenário literário brasileiro. O livro é traduzido para diversas línguas e seu sucesso deve-se, sobretudo, às inovações formais. Crítica e público dividem-se entre louvores apaixonados e ataques ferozes. Torna-se um sucesso comercial, além de receber três prêmios nacionais: o Machado de Assis, do Instituto Nacional do Livro; o Carmen Dolores Barbosa, de São Paulo; e o Paula Brito, do Rio de Janeiro. A publicação faz com que Guimarães Rosa seja considerado uma figura singular no panorama da literatura moderna, tornando-se um “caso” nacional.

Em 1962, é lançado Primeiras Estórias, livro que reúne 21 contos pequenos. Nos textos, as pesquisas formais características do autor, uma extrema delicadeza e o que a crítica considera “atordoante poesia”.

Três dias antes da morte o autor decidiu, depois de quatro anos de adiamento, assumir a cadeira na Academia Brasileira de Letras. Os quatro anos de adiamento eram reflexo do medo que sentia da emoção que o momento lhe causaria. Ainda que risse do pressentimento, afirmou no discurso de posse: “…a gente morre é para provar que viveu.

O escritor faz seu discurso de posse na Academia Brasileira de Letras com a voz embargada.  Parece pressentir que algo de mal lhe aconteceria. Com efeito, três dias após a posse, em 19 de novembro de 1967, ele morreria subitamente em seu apartamento em Copacabana, sozinho (a esposa fora à missa), mal tendo tempo de chamar por socorro.

Em 1967, João Guimarães Rosa seria indicado para o prêmio Nobel de Literatura. A indicação, iniciativa dos seus editores alemães, franceses e italianos, foi barrada pela morte do escritor. A obra do brasileiro havia alcançado esferas talvez até hoje desconhecidas. Quando morreu tinha 59 anos. Tinha-se dedicado à medicina, à diplomacia, e, fundamentalmente às suas crenças, descritas em sua obra literária. Fenômeno da literatura brasileira, Rosa começou a publicar aos 38 anos. O autor, com seus experimentos lingüísticos, sua técnica, seu mundo ficcional, renovou o romance brasileiro, concedendo-lhe caminhos até então inéditos. Sua obra se impôs não apenas no Brasil, mas alcançou o mundo.

O incrível pantanal no cerrado mineiro

pantanal mineiro

Criado no fim de 2004 e envolvendo seis mil hectares de Cerrado e de Mata Seca no município de Januária, o refúgio de vida silvestre do rio Pandeiros abriga ambientes únicos em Minas Gerais, reproduzindo em menor escala as paisagens do internacionalmente conhecido Pantanal, que divide áreas entre Brasil, Argentina, Bolívia e Paraguai.

No entorno do refúgio, uma área de proteção ambiental com 210 mil hectares deveria funcionar como um “escudo” à poluição, desmatamento e outros impactos perigosos à sua sobrevivência. Todavia, uma das maiores ameaças vem de carona nas águas que fluem de vários pontos da região de solos frágeis: o assoreamento, provocado principalmente pela desmatamento de veredas e outros tipos de vegetação nas bordas de rios e córregos. A poderosa quantidade de areia carregada pelo rio Pandeiros levou até a desativação de uma pequena central hidrelétrica.

“Assim como no Pantanal, ameaças vindas de fora põem em risco regiões ao mesmo tempo frágeis e de grande importância econômica e ambiental. Esse tipo de questão precisa ser pesada nas agendas de desenvolvimento. Esta é uma conduta a ser reforçada na passagem do Dia Mundial das Áreas Úmidas (2 de fevereiro)”, ressaltou Michael Becker, coordenador do Programa Cerrado-Pantanal do WWF-Brasil.

A região, pontuada por lagoas, cachoeiras, o pântano e a foz do rio Pandeiros, funciona como um berçário natural para espécies migradoras, de interesse comercial e também ameaçadas de extinção, como dourado, curimatá, piau-verdadeiro, piranha, traíra, matrinchã, surubim e pacu. Quase 50 espécies de peixes foram registradas na Bacia do rio Pandeiros, tornando o espaço fundamental para a revitalização do rio São Francisco.

O refúgio de vida silvestre do rio Pandeiros é uma das 12 unidades de conservação do Mosaico Sertão Veredas-Peruaçu, região onde o WWF-Brasil começa trabalho de apoio a práticas agrícolas menos agressivas ao meio ambiente e à implementação e gestão de áreas protegidas.

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"O uso da fotografia e cultura digital para fomento da educação ambiental"

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