Archive | agosto 2014

O caminho de Guimarães Rosa no sertão mineiro: “O Grande Sertão Veredas”

Para nós que integramos o cerrado brasileiro existe um caminho a ser percorrido, pode ser apenas lúdico, curioso, desafiante, enfim, qualquer  adjetivo pode ser empregado. Porem, considerado pertinente encontrar esse caminho.

Caminho do Sertão oferece uma imersão no universo de Guimarães Rosa, na literatura, na geografia, nos saberes e fazeres dos habitantes dos vales dos rios Urucuia e Carinhanha, no noroeste e norte de Minas Gerais. Jornada de 150 Km, a ser percorrida a pé, em 7 (sete) dias, saindo da Vila de Sagarana, no município de Arinos­-MG, para chegar à cidade de Chapada Gaúcha. Em Sagarana, primeiro assentamento de reforma agrária da região, implantado na década de 1970, está situada a Reserva Biológica de Sagarana, onde ocorre anualmente o Festival “Sagarana: Feito Rosa para o Sertão”. Não distante dali está Chapada Gaúcha, cidade sede do Parque Nacional do Grande Sertão Veredas. Em Chapada ocorre, todo mês de julho, o “Encontro dos Povos do Grande Sertão Veredas”.

GuimaraesRosa

imagem ilustrativa Guimarães Rosa

Assim, uma jornada literária “de Sagarana ao Grande Sertão” nos leva da primeira à mais importante das obras do Rosa. Propõe-se uma jornada que percorrerá parte do caminho realizado por Riobaldo em sua travessia rumo ao Liso do Sussuarão – suposto deserto do Grande Sertão:Veredas; uma jornada em terras marcadas por movimentos, deslocamentos e giros, por presenças em Travessias, a revelar que o deserto é não-­deserto, terra de um povo geraizeiro, onde natureza e humanidade estão imbricadas, Terra de cultura! É uma jornada socioambiental pela diversidade do cerrado mineiro, em que se fundem veredas, lagoas, rios, comunidades tradicionais, povoados, assentamentos de reforma agrária e grandes fazendas do agronegócio. É a oportunidade para os caminhantes despertarem o olhar para o processo de desertificação que ameaça a região e refletir acerca das mudanças necessárias para evitá-la.

Assim, propõe-se uma jornada existencial, na medida em que a travessia do sertão proporcione o encontro com as estórias de Rosa, com as estórias e histórias do povo sertanejo de Minas Gerais e, ainda, com as trajetórias e visões pessoais dos caminhantes, levando-os a refletir sobre as próprias questões e as socioambientais. Propõe-se um grande diálogo a apontar para o autoencontro de toda verdadeira caminhada. Nos dizeres do Rosa/Riobaldo, o sertão “está em toda parte”, “é do tamanho do mundo”, “não está em lugar nenhum” e “está dentro da gente”, o que revela o paradoxo humano que se reflete na Terra.

Entusiasmados, cremos que, com os horizontes ampliados pela jornada, nós, caminhantes, estaremos aptos à percepção do Sertão, do Brasil e do Mundo numa encruzilhada ­ histórica e civilizacional. Nessa encruzilhada, onde as possibilidades encontram-se abertas, a via alternativa não está dada e para que ela seja delineada, é necessária a construção de uma nova narrativa – planetária e cidadã, a partir da qual se possa encantar e mobilizar corações, corpos e mentes para o caminho que se faz ao caminhar. ( http://ocaminhodosertao.wordpress.com/ )

Veja o documentário que o caminho de Guimarães Rosa no sertão mineiro. Trajeto, esse, que inspirou o livro “Grande Sertão:Veredas”. O vídeo foi transmitido pela Rede Minas/ TV Cultura..

Vale a pena assistir: https://www.youtube.com/watch?v=NfkR45rWih8

Pinturas rupestres no Cerrado: “entre as mais exuberantes do mundo”

The area of the municipality of Serranópolis attracted the attention of scholars due to the variety of paintings and rock engravings that cover the sandstone walls and also to present an ancient human occupation, dating from approximately 11,000 years A.P. until the beginning of the 20th century. It is one of the richest and most important archeological areas in Brazil for the study of the arrival of man and the hunter populations of the Holocene period.

A área do município de Serranópolis despertou a atenção de estudiosos em decorrência da variedade de pinturas e gravuras rupestres que cobrem os paredões de arenito e ainda por apresentar uma ocupação humana antiga, que data de aproximadamente 11.000 anos A.P. até o início do século XX. É uma das áreas arqueológicas mais ricas e importantes do Brasil para o estudo da chegada do homem e das populações caçadoras do período Holoceno. Como altitudes entre 500 e 950 metros, a área possui abrigos rochosos, localizados no arenito Botucatu, que apresentam espessas camadas arqueológicas e paredes decoradas com pinturas e gravuras” (SCHMITZ et al.,pintura rupestre 1 2004). (Republicado em tese de mestrado de Harley Anderson de Souza – O desgaste da pintura rupestre e dos abrigos sob rocha na RPPN Pousada das Araras em Serranópolis)

As pinturas rupestres ou nas cavernas do Cerrado destacam-se entre as mais exuberantes do mundo e nem todas são conhecidas e estão devidamente georreferenciadas – com coordenadas conhecidas em um dado sistema de referência. Serranópolis, município a 370 quilômetros de Goiânia, sudoeste do Estado de Goiás destaca-se em quantidade de vestígios da presença humana na pré-história.

Em sítios arqueológicos foram encontrados indícios de que a região foi ocupada por mais de 550 gerações de homens antes do presente. E, em 1996, foi encontrado um esqueleto datado em 11 mil anos. Ao todo foram descobertos 1435 sítios arqueológicos em Goiás, de acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Desses, apenas 382 estão georreferenciados. São locais que foram utilizados por grupos ceramistas agricultores ou serviram de abrigos sob-rocha onde são encontradas pinturas rupestres ou gravuras.

“A região de Serranópolis insere-se no contexto das paisagens dominadas por formas de relevo convexos e tabulares, com diferentes ordens de grandezas e de aprofundamentos de drenagens, pertencentes ao domínio do Planalto Setentrional da Bacia Sedimentar do Paraná. Geologicamente, a região apresenta arenitos das formações Botucatu e Bauru e basaltos da formação Serra Geral” (SCHMITZ et al., 2004).(Republicado em tese de mestrado de Harley Anderson de Souza – O desgaste da pintura rupestre e dos abrigos sob rocha na RPPN Pousada das Araras em Serranópolis)

rupestre 2

Torreão de rocha de quartizito que se eleva acima da vegetação de cerrado preservado em Serranópolis, sudoeste do Estado de Goiás. Nesse local viveram homens e mulheres desde 11 mil anos antes do presente.

Em Goiás, estão definidos três estilos de pinturas rupestres, que são o estilo Caiapônia (possivelmente tradição Planalto), o estilo Serranópolis (possivelmente tradição São Francisco) e o conjunto estilístico de Formosa (tradição Geométrica)”: (Schmitz, Pedro Ignácio, e al. Arte Rupestre no Centro do Brasil – Pinturas e Gravuras da Pré-História de Goiás e Oeste da Bahia)…

rupestre 3

No município de Serranópolis estão concentradados, num espaço de 25 km, aproximadamente 40 abrigos, dos quais ao menos oito apresentam ocupações humanas antigas, cujas datas vão de 11.000 a 8.400 anos”. “Embora existam abrigos pequenos com 100 m2 úteis, a maior parte é grande, podendo chegar até 1500 m2” (Schmitz, Pedro Ignácio, e al. Arte Rupestre no Centro do Brasil – Pinturas e Gravuras da Pré-História de Goiás e Oeste da Bahia)

.O pequi já existia há milhões de anos no cerrado, talvez mais de 65 milhões de anos como mostram fósseis descobertos em Catalão, que foi habitado por centenas de gerações que nos antecederam. A foto mostra frutos bem perto dos paredões com pinturas rupestres em Serranópolis.

A espécie poder estar na região naquela época e pode ter servido de alimentação para o homem pré-históricorupestre piqui

Há 11 mil anos viveu o homem da Serra do Cafezal

esqueleto 11 mil anos

Durante escavação na Gruta do Diogo, em Serranópolis – Goiás, foi encontrado esqueleto datado em 11 mil anos e que ficou conhecido como Homem da Serra do Cafezal – um dos esqueletos humanos mais antigos já encontrado na América do Sul

 

publicação de http://wagneroliveiragoias.blogspot.com.br/2012/05/e-s-p-e-ci-l-homem-pre-historico-de.html

Ilha das Flores não é ficção: vivemos essa realidade

O prazo estabelecido pela Lei de Resíduos Sólidos para que todos os municípios brasileiros eliminem os Lixões ja venceu,           e agora

 

Desigualdade social. A riqueza como fator determinante na importância do indivíduo. Esse foi o tema proposto para uma dissertação, resultado de discussões sobre o filme Ilha das Flores. O resultado desses debates, realizados em abril de 2008 e orientados pela professora Cida Borges, você confere a seguir.

O homem se distingue dos outros animais por causa da razão. E usa essa razão para conhecer, definir. O curta-metragem Ilha das Flores, de Jorge Furtado, vencedor do Festival de Gramado de 1989, nas categorias melhor filme, melhor montagem e melhor roteiro mostra que a aparente superioridade do ser humano diante dos outros animais decorre do acúmulo de riquezas e dos meios violentos usados para protegê-las. Quanto mais as riquezas são geradas e acumuladas, maior a violência para defendê-las e menor sua distribuição.

Ilha das Flores apresenta de forma magistral e até chocante a dicotomia riqueza-ser humano. Furtado, por meio das definições que conferem à fita caráter didático, afirma que as mulheres e crianças da Ilha são seres humanos, pois possuem “telencéfalo altamente desenvolvido e polegar opositor.” Mesmo sendo classificados como humanos, não vivem ou são tratados como tal. Os porcos, que não têm capacidade intelectual para produzir ou acumular conhecimento, em Ilha das Flores, recebem maior consideração do que os seres humanos.

A sinceridade com que o filme trata o assunto consegue tirar as máscaras que regem a relação social privilegiadora da riqueza em detrimento do homem. Entretanto, para alguns estudiosos, o filme não é uma denúncia da situação de desigualdade no Brasil, mas uma tentativa de romantizar o conceito de pobreza, tal qual acontece, segundo especialistas, no governo Lula, por meio de projetos assistencialistas, como o Bolsa Família.

Ilha das Flores não é apenas um filme. É um recorte metonímico da realidade social fabricada e mantida pelo próprio homem. Na estrutura neoliberalista vigente, quanto maior a riqueza, maior o valor do indivíduo, se a riqueza é menor, o valor do indivíduo também diminuirá.

O contexto de exclusão ultrapassa as telas de cinema e toca os limites da realidade. Segundo a revista Carta Capital, em reportagem a respeito das dificuldades que jovens recém-formados encontram para conseguir emprego, principalmente devido à baixa remuneração oferecida, que não atende ao desejo de manter o assento na classe média, quando se vem de baixo é praticamente impossível conquistar uma posição social elevada. Isso dependeria menos do grau de qualificação, como pode supor a lógica capitalista.

De acordo com o economista da Unicamp, Mario Pochman, os processos seletivos das empresas envolvem muito mais critérios subjetivos do que objetivos. Atualmente, o que conta não é o quanto se sabe inglês, mas quantas vezes o indivíduo foi à Inglaterra.

Assim sendo, a Ilha das Flores que Furtado apresenta não se resume a uma porção de terra cercada de água por todos os lados, que abriga humanos tratados como porcos e porcos tratados como humanos. A situação vivida naquele pedacinho de Brasil se estende a todo o país e é sentida na pele por um sem número de pessoas. Seja no papel de ser humano excluído ou de dono de porcos, que define quem pode entrar ou não no terreno e quanto tempo pode fazê-lo. Todos, em menor ou maior grau, em nossa casa, escola ou comunidade, contribuímos para a criação e manutenção das “Ilhas das Flores” que nos cercam.

Para abrir o mar que está à volta da nossa Ilha e contrariar as expectativas dos especialistas, com ousadia, parafraseando Miguel Nicolelis, é preciso tocar as fronteiras do impossível e arrastá-las rumo ao factível, transformando sonhos ditos inalcançáveis em realidades possíveis.

 http://palavrasapenas-palavraspequenas.blogspot.com.br/2010/06/ilha-das-flores-nao-e-ficcao-vivemos.html

Parque Estadual do Cristalino

O Parque Estadual do Cristalino é uma das últimas joias de biodiversidade do Estado do Mato Grosso. Localizado na divisa com o Pará, entre os Municípios de Alta Floresta e Novo Mundo, com 184 mil hectares, esta Unidade de Conservação abriga mais de 500 espécies de aves, 50 delas endêmicas, 43 de répteis, 16 de peixes, 29 anfíbios e 36 de mamíferos, entre elas o raro macaco-aranha-de-cara-branca, espécie símbolo do Parque e que só ocorre lá.

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Imagens do Parque Estadual do Cristalino

A criação do PE Cristalino, pela Lei 7.518 de 28 de setembro de 2001, ocorreu em grande parte graças aos esforços de funcionários da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SEMA) do Mato Grosso e da participação de empresários locais, que entenderam não apenas tratar-se de uma área de extrema importância para a conservação da biodiversidade, mas também uma das últimas barreiras do avanço do desmatamento sobre aquela região, o limite sul da Floresta Amazônica, conhecida como o Arco de Desmatamento. Aliás, se alguém quiser saber o que esse termo significa na prática recomendo que visite Alta Floresta: de um lado pastagens a perder de vista e do outro a fronteira da floresta.

Para o Parque Estadual do Cristalino, o Plano de Manejo foi discutido por cerca de uma década e teve a participação de várias instituições locais e internacionais que atuam na região. Foi por meio dos estudos conduzidos por essas organizações que descobriu-se a imensa riqueza biológica que a região abriga. Durante esse período a UC sofreu com desmatamento ilegal, invasões e enfrentou uma forte pressão para redução dos seus limites, o que só não aconteceu graças a uma batalha judicial.

Sob ameaça

Não obstante, a despeito de todas as recomendações para a conservação que o próprio Plano de Manejo do Parque traz para o seu entorno imediato, a SEMA está articulando uma reativação do Conselho Consultivo do Parque com o objetivo de revisar e atualizar o documento. Ao que consta, por meio de uma manobra política há a clara intenção de abrir o entorno imediato da UC para a implantação de hidrelétricas, linhas de transmissão de energia, pastagens e áreas de mineração.

Articulada nos bastidores, a manobra pegou a comunidade conservacionista da região de surpresa. Nessa nova constituição, apresentada hoje no Município de Novo Mundo, as instituições conservacionistas que compõem o principal arcabouço técnico para a discussão do Plano de Manejo, como o ICV, Fundação Ecológica Cristalino, entre outras, não foram convocadas, o que coloca em cheque a legitimidade do grupo e suas futuras decisões. Coloca em cheque também a proteção de uma das últimas fronteiras da Amazônia.

Em declaração do Superintendente de biodiversidade da SEMA do MT, Cláudio Shida, fala em “atualizar” as regras de uso e ocupação do entorno do parque, para “não travar o desenvolvimento econômico da região” e que “muitas prefeituras e empresas interessadas em investir na região vinham pedindo essa alteração. A mineração, por exemplo, deixará de ser totalmente proibida para se tornar possível, desde que com licenciamento e aprovação do conselho”.

 

A criação do PE Cristalino, pela Lei 7.518 de 28 de setembro de 2001, ocorreu em grande parte graças aos esforços de funcionários da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SEMA) do Mato Grosso e da participação de empresários locais, que entenderam não apenas tratar-se de uma área de extrema importância para a conservação da biodiversidade, mas também uma das últimas barreiras do avanço do desmatamento sobre aquela região, o limite sul da Floresta Amazônica, conhecida como o Arco de Desmatamento. Aliás, se alguém quiser saber o que esse termo significa na prática recomendo que visite Alta Floresta: de um lado pastagens a perder de vista e do outro a fronteira da floresta.

“Nada é mais cansativo do que explicar o obvio”, já dizia Nelson Rodrigues, mas mais difícil ainda é fazer isso quando se trata da árdua tarefa de conservar a natureza, tendo que dispender um tempo precioso para explicar para a autoridade que deveria estar à frente de soluções e iniciativas de preservação do patrimônio natural. Segundo consta, prefeituras e empresas vinham pedindo essa alteração. Então é assim que o Governo do Estado de Mato Grosso define sua política ambiental?

De acordo com Cláudio Shida, “Toda ação gera ganhos e perdas. O que podemos garantir é que a Sema tomará todos os cuidados para que os empreendimentos causem o mínimo impacto”. Desnecessário dizer que o mínimo impacto no caso do Parque Estadual do Cristalino é aproveitar o seu imenso potencial turístico para gerar renda para uma população que vive no limiar da pobreza.

 

*Angela Kuczach é bióloga e diretora executiva da Rede Nacional Pró Unidades de Conservação
Central do Cerrado – Produtos Ecossociais

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