Ilha das Flores não é ficção: vivemos essa realidade

O prazo estabelecido pela Lei de Resíduos Sólidos para que todos os municípios brasileiros eliminem os Lixões ja venceu,           e agora

 

Desigualdade social. A riqueza como fator determinante na importância do indivíduo. Esse foi o tema proposto para uma dissertação, resultado de discussões sobre o filme Ilha das Flores. O resultado desses debates, realizados em abril de 2008 e orientados pela professora Cida Borges, você confere a seguir.

O homem se distingue dos outros animais por causa da razão. E usa essa razão para conhecer, definir. O curta-metragem Ilha das Flores, de Jorge Furtado, vencedor do Festival de Gramado de 1989, nas categorias melhor filme, melhor montagem e melhor roteiro mostra que a aparente superioridade do ser humano diante dos outros animais decorre do acúmulo de riquezas e dos meios violentos usados para protegê-las. Quanto mais as riquezas são geradas e acumuladas, maior a violência para defendê-las e menor sua distribuição.

Ilha das Flores apresenta de forma magistral e até chocante a dicotomia riqueza-ser humano. Furtado, por meio das definições que conferem à fita caráter didático, afirma que as mulheres e crianças da Ilha são seres humanos, pois possuem “telencéfalo altamente desenvolvido e polegar opositor.” Mesmo sendo classificados como humanos, não vivem ou são tratados como tal. Os porcos, que não têm capacidade intelectual para produzir ou acumular conhecimento, em Ilha das Flores, recebem maior consideração do que os seres humanos.

A sinceridade com que o filme trata o assunto consegue tirar as máscaras que regem a relação social privilegiadora da riqueza em detrimento do homem. Entretanto, para alguns estudiosos, o filme não é uma denúncia da situação de desigualdade no Brasil, mas uma tentativa de romantizar o conceito de pobreza, tal qual acontece, segundo especialistas, no governo Lula, por meio de projetos assistencialistas, como o Bolsa Família.

Ilha das Flores não é apenas um filme. É um recorte metonímico da realidade social fabricada e mantida pelo próprio homem. Na estrutura neoliberalista vigente, quanto maior a riqueza, maior o valor do indivíduo, se a riqueza é menor, o valor do indivíduo também diminuirá.

O contexto de exclusão ultrapassa as telas de cinema e toca os limites da realidade. Segundo a revista Carta Capital, em reportagem a respeito das dificuldades que jovens recém-formados encontram para conseguir emprego, principalmente devido à baixa remuneração oferecida, que não atende ao desejo de manter o assento na classe média, quando se vem de baixo é praticamente impossível conquistar uma posição social elevada. Isso dependeria menos do grau de qualificação, como pode supor a lógica capitalista.

De acordo com o economista da Unicamp, Mario Pochman, os processos seletivos das empresas envolvem muito mais critérios subjetivos do que objetivos. Atualmente, o que conta não é o quanto se sabe inglês, mas quantas vezes o indivíduo foi à Inglaterra.

Assim sendo, a Ilha das Flores que Furtado apresenta não se resume a uma porção de terra cercada de água por todos os lados, que abriga humanos tratados como porcos e porcos tratados como humanos. A situação vivida naquele pedacinho de Brasil se estende a todo o país e é sentida na pele por um sem número de pessoas. Seja no papel de ser humano excluído ou de dono de porcos, que define quem pode entrar ou não no terreno e quanto tempo pode fazê-lo. Todos, em menor ou maior grau, em nossa casa, escola ou comunidade, contribuímos para a criação e manutenção das “Ilhas das Flores” que nos cercam.

Para abrir o mar que está à volta da nossa Ilha e contrariar as expectativas dos especialistas, com ousadia, parafraseando Miguel Nicolelis, é preciso tocar as fronteiras do impossível e arrastá-las rumo ao factível, transformando sonhos ditos inalcançáveis em realidades possíveis.

 http://palavrasapenas-palavraspequenas.blogspot.com.br/2010/06/ilha-das-flores-nao-e-ficcao-vivemos.html

About cerradania

Operário das letras, Comunicador e Idealizador da Cerradania, Palestrante,Professor. Letterman, Communicator and Idealizer of Cerradania, Speakers,Teacher.

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