Protocolo para restauração de matas riparias no cerrado

Pesquisadores da Embrapa trabalham para gerar o primeiro protocolo para a restauração ecológica de matas ripárias do Cerrado, bioma que abriga nascentes de oito das 12 bacias hidrográficas brasileiras e ocupa 24% do território nacional. As matas ripárias são as ciliares e de galeria que margeiam os cursos d’água. Elas mantêm o equilíbrio térmico dos ecossistemas aquático e terrestre, a conservação do solo e da biodiversidade. A restauração da mata ripária permite controlar a erosão nas margens dos cursos d’água, evitando o assoreamento. Também minimiza os efeitos das enchentes e mantém a quantidade e a qualidade das águas. Outra grande vantagem da presença de matas ripárias é que elas auxiliam na proteção e preservação da fauna local.

Rio das Almas na região de Jaraguá – Goiás Foto Caliandra do cerrado

Alguns dos resultados das pesquisas desenvolvidas no Distrito Federal serão úteis em outras regiões. Por exemplo, com os dados sobre comportamento hidrológico, hidrossedimentológico e de fluxo de nutrientes em água nas áreas de vegetação ripária e de pastagem degradada em estudo, os pesquisadores irão definir parâmetros de referência que lhes permitam extrapolar as informações para escala de bacias hidrográficas.

O mesmo acontecerá com os estudos que avaliam o fluxo da matéria orgânica produzida pela vegetação ripária para o solo e águas e a influência da decomposição da matéria orgânica para a diversidade do ecossistema aquático. O professor José Francisco Júnior, da Universidade de Brasília (UnB), informa que uma rede de pesquisa formada por diversas universidades irá avaliar esses dois processos com a perspectiva de modelar o funcionamento da mata ripária das bacias hidrográfica brasileiras visando à recuperação e mitigação de degradações ambientais.

“Este é seguramente o estudo mais amplo sobre este tema no Brasil e na América Latina. Atualmente, a rede está em expansão com a inserção de novos parceiros em um novo protocolo que terá como objetivo a avaliação desses processos em uma escala temporal de cinco anos”, diz Júnior.

As informações geradas pelos projetos, chamados Aquaripária e Ecovolaração, estarão disponíveis para intercâmbio de dados. Para isso está sendo gerado pela Universidade de Brasília um banco de dados. A ideia, segundo o professor Carlos Henke, é partir de uma experiência prévia, chamada Saphira (Sistema de Aquisição, Processamento, Hospedagem de Informações sobre Recursos Naturais), para gerar um segundo banco de dados – o Saphira 2, que permita propiciar avanços científicos e tecnológicos, sem que haja comprometimento dos direitos dos autores dos dados.

Os objetivos deste projeto são caracterizar, monitorar e valorar os serviços ecossistêmicos de matas ripárias do bioma Cerrado, visando subsidiar a formulação de políticas públicas voltadas à remuneração desses serviços e ao estabelecimento da agricultura sustentável.

“Não queremos simplesmente fazer uma restauração florestal. O objetivo é propiciar o retorno, quando possível, do ecossistema anterior. Por exemplo, selecionamos espécies que atraem a fauna, para que esta retorne e exerça funções fundamentais, algumas delas que chamamos de serviços ecossistêmicos”, diz a pesquisadora Lidiamar Albuquerque. Ela explica que são considerados serviços ecossistêmicos os prestados pela natureza que beneficiam, direta ou indiretamente, a vida humana.

A presença desses fragmentos florestais, de acordo com Lidiamar Albuquerque, facilita o retorno dos serviços ecossistêmicos ao longo do processo de restauração. Em alguns casos, pode-se concluir, em virtude do grau da degradação, que a opção seja a reabilitação de áreas isoladas para determinados usos e não a restauração ecológica.

A importância de restaurar

As matas ripárias fornecem serviços ecossistêmicos como a manutenção do equilíbrio térmico dos ecossistemas aquático e terrestre, a conservação do solo e da biodiversidade, o provimento de inimigos naturais para o controle de pragas, o fornecimento de abrigo e alimentos para animais polinizadores e dispersores de sementes, dentre outros.

Ela pode ser recuperada em áreas que foram desmatadas e, com isso é possível retornar a saúde dos ecossistemas aquático e terrestre que existia no ambiente antes de sua degradação. Para que isso ocorra, é necessário que essas áreas, que em grande parte se encontram em propriedades rurais, sejam submetidas a uma série de técnicas de restauração ecológica.

A restauração ecológica pode levar, dependendo do grau de degradação da área, de 20 a 30 anos. Para acelerar esse processo, é preciso utilizar métodos que garantam maior eficiência econômica e ecológica.

Serviços ecossistêmicos

Para saber qual o papel da mata ripária no fornecimento de serviços ecossistêmicos, os pesquisadores comparam as funções ambientais nas áreas de mata natural, em áreas degradadas e em processo de restauração. Alguns resultados preliminares já apresentam indicativos. Esse é o caso das análises da função da vegetação ripária nos ciclos hidrológicos. Segundo o pesquisador Jorge Werneck, há indicativo de que a mata ripária, em comparação com a área de pastagem degradada, tem potencial maior de prestação de serviço ecossistêmico de controle de cheias.

“Um dos fatores para que isso ocorra é a interceptação da água da chuva pelas copas das árvores. No entanto, ainda precisam ser realizados mais estudos para que os dados sejam comprovados cientificamente”, ressalta Werneck. As pesquisas analisam também o fluxo de nutrientes em água e em seus escoamentos, a geração do escoamento superficial e os processos erosivos.

Divulgação:

Liliane Castelões (MTb 16.613/RJ)
Embrapa Cerrados
Cerrados.imprensa@embrapa.br Saiba mais:

 

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Operário das letras, Comunicador e Idealizador da Cerradania, Palestrante,Professor. Letterman, Communicator and Idealizer of Cerradania, Speakers,Teacher.

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