Archive | dezembro 2014

FELIZ ANO NOVO CERRADEIROS

O ciclo continua, final de ano, votos de felicidades. Expectativas, lamentações…opa, é preciso manter acessa a chama e o desejo de sonhar.

painel de flores do cerrado 4

Arquivo painel de flores do cerrado

Não tenha receio em saber que mudou de opinião em relação aos anos anteriores, precisamos, repensar nossos atos.  recusar determinado modo de  agir,  reduzir a intensidade de uso de produtos e serviços, reutilizar algo que nos permite ser útil, e ainda reciclar agregar um valor diferente ao produto ou serviço do que foi criado. Tive a oportunidade e o orgulho de trabalhar no meio ambiente amazônico e, desde 1998, estou no planalto central, coração do cerrado. Bioma extraordinário que paga um preço altíssimo pelo consequente avanço na exploração da fronteira agrícola estabelecida em sua área. Não sou contrário à produção agrícola, não compactuo e não aceito o desordenamento das atividades sem o respeito aos limiares da lei do homem e, principalmente, da natureza. Avante, mas um ano do blog cerradania, em que compartilhamos noticias boas, ruins, alegres , tristes, enfim, espero que tenham gostado e continuem conosco… Foi bom, muito bom a experiência de compartilhar informação, sem a pretensão de ensinar, ser educação ambiental, porem, inserindo um pouco do que todos conhecem  que a cidadania.  compactuar no cerrado a Cerradania. Foram muitos assuntos, e conseguimos neste ano de 2014: 3.478. Obrigado á todos os seguidores e eventuais colaboradores. Dentre tantos assuntos, relembrem dos: Conheça um pouco do Baru,   Meio ambiente e riquezas naturais disputam com esporte e cultura o orgulho do brasileiro Frutas nativas comercializadas no Brasil, um tiquinho de Ceciliaum tiquinho de Cecilia Flor do pau santoVale a pena conhecer o Memorial do Cerrado, Prorrogação de prazo para fechamento de lixõesGovernador revoga portaria que permitia garimpo em reserva de MT,  Serra do Cipó é reaberto ao públicoAmeaças silenciosas aos polinizadores,   Protocolo para restauração de matas riparias no cerrado,  Geraizeiros Felizes, Cerradeiros tambem e Brasilianos comemoram,   A prática da Educação AmbientalEncontro da Rede Agrobiodiversidade do Semiárido Mineiro,   E agora, Joséserviços ambientais,   Influencia das áreas naturais para a manutenção do ciclo das aguas,  Especie bandeira do cerrado,   Sera que vai chover,  Ibama/MT produz documento sobre o defeso da piracema no estado,   Diversidade de produtos extrativistas de comunidades do Cerrado na Feira no CCBB em Brasilia,   Singela homenagem ao nosso cerrado,  Frutas típicas do cerrado brasileiro ganham espaço em Palestina, SP,  A preservação do Cerrado e as limitações impostas pela Constituição do Brasil.,   Cerrado: Uma Janela para o PlanetaPinturas rupestres no Cerrado: “entre as mais exuberantes do mundo”  Ilha das Flores não é ficção: vivemos essa realidadeParque Estadual do CristalinoAbraço de tamanduá mataEncontro de CERRADANIA,   Cagaita ajuda centenas de famílias a aumentarem a rendaMascote da Copa, tatu-bola poderá ser extinto em 50 anos

 Pra finalizar algumas afirmações, que valem a pena ser repetidas…

Quando a última árvore cair, derrubada; quando o último rio for envenenado; quando o último peixe for pescado, só então nos daremos conta de que dinheiro é coisa que não se come. Só jogue no rio o que o peixe pode comer. Feliz ano novo

Desova e soltura de filhotes de tartarugas podem entrar para o calendário turístico

Praia com tartarugas desovando/Foto: Rosinaldo Machado

A campanha será lançada pela Associação Comunitária Quilombola e Ecológica do Vale do Guaporé (Ecovale) no próximo dia 28 de dezembro.

Soltura de quelonios 283. A desova, eclosão, nascimento e a soltura de milhares de filhotes de tartarugas e tracajás todos os anos nos meses de outubro a dezembro nas praias do Rio Guaporé, fronteira brasileira com a Bolívia, são atrativos do ciclo de reprodução de quelônios da Amazônia que poderão ser incluídos no calendário turístico estadual.

A campanha será lançada pela Associação Comunitária Quilombola e Ecológica do Vale do Guaporé (Ecovale) no próximo dia 28 de dezembro, durante o ato da soltura de milhares de filhotes de tartarugas e tracajás, às 9 h, na praia do Dionísio região do município de São Francisco do Guaporé, em Rondônia.
Segundo José Soares Neto, “Zeca Lula”, presidente da entidade o espetáculo começa em outubro com o fenômeno da desova, seguido da eclosão dos ovos e nascimento dos filhotes, e por isso os ambientalistas decidiram apresentar a proposta à Superintendência Estadual de Turismo (Setur) já no início de 2015.

Durante o período da desova, em apenas um dia entre 400 e 3 mil tartarugas desovam nas praias do Rio Guaporé e seus afluentes, transformando as areias num raro fenômeno para ser visto por visitantes e turistas.

Este ano, está prevista a presença do presidente da Bolívia Evo Morales e uma comitiva de ministros, governadores e prefeitos, e de representantes brasileiros e correspondentes estrangeiros de jornais e televisões.

A expectativa, no entanto, é de a quantidade de filhotes que será solta na praia do Dionísio não ultrapasse a média dos anos anteriores, em virtude da cheia atípica dos rios da região e que destruiu milhares de covas. Na Praia Alta, por exemplo, onde a Ecovale previa retirar 800 mil filhotes, os voluntários conseguiram salvar apenas 5 mil tartaruguinhas.

Quelônios do Guaporé

Os ambientalistas estimam que por intermédio do “Projeto Quelônios do Guaporé” foram soltos nos rios da região cerca de 10 bilhões de filhotes de tartarugas e tracajás. O projeto nasceu da necessidade de conscientizar a população local para não consumir a carne e ovos das espécies ameaçadas de extinção, e nem praticar a caça predatória.
O projeto de educação ambiental atua no repovoamento dos rios e ganhou como aliada a população ribeirinha que se transformou na maior defensora da principal espécie nativa. Antes do trabalho de combate à captura ilegal das espécies e repovoamento dos rios da região, as tartarugas somente buscavam as praias para desovar à noite. “Agora elas têm tanta confiança que voltaram a desovar durante o dia”, lembra Zeca Lula.

Praia com tartarugas desovandoNasce por dia nos berçários naturais das praias 1,4 milhão de filhotes, espetáculo que chama a atenção de qualquer turista ou visitante que chegar aos municípios de São Francisco do Guaporé e Costa Marques.

Em 2013, foram devolvidos à natureza mais de 1,8 milhão de filhotes de tartarugas e outros 5,3 mil de tracajás. Pelo processo de reprodução natural a taxa de sobrevivência é estimada em menos de 0,1% e com o projeto de manejo e uso dos berçários a taxa de sobrevivência varia de 12 a 15%.

Texto: Abdoral Cardoso
Foto: Rosinaldo Machado

Balanço Ambiental

Balanço ambiental é um documento demonstrativo que expressa o ativo e passivo ambiental natural num determinado momento. Ele evidencia, de forma sintética, as contas da gestão ambiental natural da célula social.

O balanço e as informações foram pensados para os usuários externos da organização, mas, são ferramentas úteis para a tomada de decisão dos empresários na gestão do meio ambiente natural.

Segundo Lopes de Sá, ¨Balanço ambiental, aquela demonstração das contas que evidencia as relações do patrimônio com o meio ambiente ou da natureza¨. (Ver Considerações gerais sobre a Contabilidade aplicada ao meio ambiente natural, http://www.lopesdesa.com.br).

ATIVO AMBIENTAL

No Balanço ambiental, os ativos ambientais são as aplicações em meios patrimoniais que são utilizados para a preservação ou recuperação do meio ambiente natural, ou, os bens disponíveis da empresa que servem para a preservação, proteção e recuperação do meio ambiente natural; as máquinas e instalações que possibilita a redução da contaminação ambiental.

As aplicações em pesquisas e desenvolvimento de tecnologias em longo prazo que preserve o meio ambiente exigem bons capitais e esforço, mas, seus resultados são evidentes em curto prazo.

PASSIVO AMBIENTAL

No referido balanço são passivos ambientais as obrigações com terceiros a curto e em longo prazo para aplicações na natureza para amenizar os danos causados pelo processo produtivo da empresa no entorno ecológico. A contaminação do solo e das águas subterrâneas é um dos mais graves passivos ambientais. A contaminação do solo pode trazer risco para a saúde pública de várias formas por contato com a pele, por inalação, por emissão de gases tóxicos, também, pode contaminar as águas subterrâneas ou contaminando cursos de água de superfície.

Há, também, passivo ambiental quando há penalidade imposta por legislação ambiental, por contaminação do meio ambiente e, ou, à propriedade de terceiros.

Deve-se tomar medidas efetivas na proteção do meio ambiente natural por uma gestão séria e responsável e que leva ao desenvolvimento sustentável, isso é, a prosperidade patrimonial da célula social sem agressão a natureza.

A maioria das empresas ainda não entendeu o papel do Balanço Ambiental. Ele deve ser um instrumento de comunicação com a sociedade, necessita ser mais bem compreendido e utilizado pelas empresas na gestão ambiental. É, ainda, percebido como um documento para órgão ambiental ao invés de um documento demonstrativo à comunidade.

O balanço ambiental deve apresentar, isto é o desejável, o que efetivamente foi feito para controlar o impacto ambiental pelos resíduos do sistema produtivo, senão poderão ter, até, um aumento de custos ambientais (como tratamento de resíduos e riscos ambientais).

Há uma crescente conscientização mundial da necessidade de encontrar soluções para diminuiu o impacto ambiental deixado pelos resíduos dos produtos manufaturados. As empresas procuram adaptar-se a esta nova realidade com os anseios de preservação, se quiserem ser competitivas num mercado cada vez mais exigente pelos consumidores por um planeta limpo.

O Balanço ambiental torna-se, assim, uma peça importante para os empresários na gestão do meio ambiente natural, um aliado do Órgão Ambiental, das ONGs ambientalistas e do Greenpeace.

Por Werno Herckert

Conheça um pouco do Baru

O baru é nativo do Cerrado brasileiro e sua árvore pode atingir até 25 m. A castanha do baruzeiro é rica em proteínas, fibras, ácidos graxos e minerais.

Nativo do cerrado brasileiro, o baru, Dipteryx alata, da família Fabaceae, é conhecido em alguns locais como cumaru, cumari, feijão-baru, cumbaru, imburana-brava, barujo, bugueiro, cambaru, castanha-de-bugre, coco-feijão, cumarurana, feijão-coco, e pau-cumaru.

Baru

Sua árvore pode atingir até 25m de altura e, por sua madeira ser muito resistente, é bastante empregada na indústria moveleira e na construção civil. Sua floração geralmente ocorre entre os meses de outubro e janeiro, mas, assim como a frutificação, ela dependerá das condições de água e solo do ambiente.

A castanha do baruzeiro tem sabor semelhante ao do amendoim e é rica em proteínas, ácido graxos, fibras, minerais, além de ser uma ótima fonte de ferro e zinco. Em razão da grande quantidade de ferro em suas castanhas, o baru vem sendo empregado no combate à anemia, tanto que, no ano de 2001, a prefeitura de Goiânia passou a utilizar a farinha de baru na merenda escolar.

Nas comunidades de onde o baru é extraído, ele é conhecido como o “viagra do cerrado”, em virtude da sua natureza afrodisíaca. O zinco é considerado o mineral mais importante para a fertilidade feminina e masculina, e o baru contém uma quantidade grande desse mineral.

Da castanha do baru se extrai um óleo semelhante ao azeite de oliva, que contém ômega-6 e ômega-9. Essas substâncias são importantes na prevenção da hipertensão e na redução do colesterol total e LDL (colesterol ruim). Elas regularizam os níveis de glicose no sangue, reduzem a gordura abdominal e a incidência de câncer, além de ajudarem na cicatrização e na queda de cabelo. O ômega-9 ainda é um potente antioxidante, que reduz as lesões nas células causadas pelos radicais livres e inibe a agregação plaquetária e a formação de trombos.

A polpa do baru é uma importante fonte de alimento para a fauna nativa e para o gado.

Infelizmente, essa espécie tão rica está ameaçada de extinção, devido à destruição do cerrado, em função do avanço da fronteira agropecuária e do seu corte em razão da excelente qualidade de sua madeira.

Publicado por: Paula Louredo Moraes em Vegetais comestíveis

Lobo-guará o semeador do cerrado

Em muitas culturas, lobo está associado a tragédias e desgraças.

Mas as fezes do animal ajudam a semear as frutas do cerrado.

A expansão das fronteiras agrícolas e as produções de grãos e de carnes são motivo de orgulho para o Brasil. Mas as espécies pagam um preço muito alto por isso. Um dos principais prejudicados é o logo-guará, que, por seu papel ambiental, é considerado o ‘grande semeador do cerrado’ e ao mesmo tempo é mal compreendido e pouco conhecido.

A linguagem do lobo-guará é diferente. O mundo dele é dos cheiros. Ele usa o xixi e o cocô para marcar meu espaço, como os humanos fazem com muro e cerca de arame. Esse é um animal tímido e raramente encara no olho por considerar o ato uma afronta, um desafio. O perfil do lobo-guará é o do ressabiado. Ele não gosta de encrenca nem de agressão.

Em muitas culturas, o lobo não tem prestígio. O animal está sempre associado a coisas ruins. Devora vovozinha, come porquinhos, vira lobisomem, chama tragédia e desgraça. Mas o guará não é lobo mau.

As pessoas dizem que o lobo-guará não é de muitos amigos. O que é verdade. Ele leva vida solitária. Não anda em matilhas, em bandos, como os lobos norte-americanos e europeus, de quem, aliás, não é nem parente. Ele é primo meio distante do cachorro-vinagre, o cachorro do mato. Muito tempo antes de o homem chegar a este continente, os ancestrais da espécie já andavam pelo Brasil, principalmente pelo cerrado. Esse animal, que não tem hábitos de floresta, adoro um descampado. As pernas compridas foram feitas para o capim alto. A espécie gosta de vagar pelo verde entre as pedras, pegar a trilha que dará na beira de um córrego, matar a sede na água clara das nascentes. Pouquíssimas pessoas sabem que semear é o que o lobo-guará mais faz neste ambiente.

“A gente considera o lobo como o grande semeador do cerrado. Ele recupera áreas de cerrado através da disseminação das sementes pelas fezes”, explica Rogério Cunha, biólogo do ICMbio e Pró-Carnívoros.

“No ambiente natural, cerca de 70% da dieta é constituída de frutas do cerrado”, diz Laura Teodoro Ribeiro, veterinária do Centro de Desenvolvimento Ambiental (CBM).

O lobo-guará come todos os tipos de fruta do mato. Mas ele semeia apenas planta nativa, quase nada do que é consumido pelo homem. E o que a família do homem come passou a ser plantado justamente onde sempre viveu a família do guará. A casa e o quintal da espécie agora é pasto, lavoura e cidade. A quantidade de lobos-guará se reduz na proporção em que aumenta a ocupação das pessoas.

Além da perda das áreas nativas, uma ameaça crescente ao lobo-guará no cerrado brasileiro é o acidente de trânsito envolvendo, principalmente, os filhotes quando se separam dos pais. Na BR-020, perto da cidade de Luís Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia, houve mais uma ocorrência. No acidente, as patas dianteiras, a cabeça e o corpo, do macho, com idade de juvenil para adulto, ficaram, aparentemente, intactos. Mas, o traseiro foi todo esmagado. Segundo o ICMbio, uma de quatro em cada dez lobinhos morrem atropelados ao tentar atravessar as estradas.

O homem se preocupa com o fim do lobo-guará e coleciona espécies silvestres em lugar fechado. Essa é uma vitrine para que as pessoas saibam um pouco do que acontece fora das cidades. Um lobo na natureza precisa de quilômetros quadrados. Para os animais de vida livre é um exercício de sobrevivência em cativeiro. Nesse esforço de preservação, não é fácil reproduzir esses animais. “É uma espécie de baixa eficiência reprodutiva tanto em vida livre quanto no cativeiro, fora do ambiente natural”, explica Laura.

Em vida livre, o lobo e a loba guará formam casal fiel e leal. Ambos são muito dedicados aos filhotes. Entre os lugares que alcançaram relativo sucesso na reprodução do lobo-guará em cativeiro está o Zoológico Paulista de Sorocaba. Único criatório conservacionista do Nordeste brasileiro, o recém criado Parque Fioravante Galvani, de Luís Eduardo Magalhães, também logrou reproduzir o lobo-guará em recinto fechado. O caso já entrou para a literatura científica. O filho é o Vítor. O pai é o Charles e a mãe, a Lola, que chegou ao lugar amputada de uma perna, após ser atropelada no Rio de Janeiro.

A Mel, que chegou ao zoológico ainda filhote e foi criada na mamadeira, não apresenta o comportamento arredio e tímido do lobo-guará selvagem. Pelo contrário, ela é muito dada e adora um carinho. Um dia, uma criança visitando o lugar, falou para professora que não é um lobo mau, mas um lobo Mel.

O maior número de sucessos de reprodução foi registrado no Criadouro Científico de Fauna Silvestre da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), em Araxá, no Triângulo Mineiro. O criadouro tem por critério a preservação de espécies do cerrado. Em 28 anos, nasceram no lugar 75 lobos-guarás. Essa e a maior fonte da espécie para zoológicos brasileiros e do exterior. Um dos destinos de animais nascidos em Araxá é o do Instituo de Conservação Smithonian, Front Royal, Washington D.C, nos Estados Unidos.

Como em outras regiões do cerrado brasileiro, na Serra da Canastra era costume se perseguir, capturar e matar o lobo-guará. Hoje, ninguém admite a caça diante das câmeras. Mas, um proprietário nos permitiu, na condição de não ser revelada a identidade, mostrou um tipo de armadilha que usava na captura. Na gaiola há um compartimento, onde era colocada a isca viva, e a cela, onde o lobo ficava preso.

reportagem de

Nélson Araújo – Globo Rural

Meio ambiente e riquezas naturais disputam com esporte e cultura o orgulho do brasileiro

Além do futebol, o brasileiro acaba de revelar que tem outra paixão. Uma pesquisa nacional encomendada pelo WWF-Brasil aponta que a maior parte da população tem um forte sentimento de orgulho pelo meio ambiente e as riquezas naturais do país. A maioria sabe da importância das áreas protegidas para o bem estar humano e acha que a natureza não está sendo tão bem cuidada como como deveria. Os resultados foram apresentados hoje em Sidney, na Austrália, durante o Congresso Mundial de Parques.

A onça-pintada é um dos símbolos da fauna brasileira. Foto: © Araquém Alcântara

A pesquisa feita pelo Ibope durante a segunda quinzena de outubro com cerca de duas mil pessoas em todas as regiões buscou entender como a população brasileira se relaciona com as unidades de conservação, como parques, reservas e outras áreas protegidas.
Os dados mostram que 58% dos entrevistados têm no meio ambiente um motivo de orgulho. Esse mesmo sentimento faz bater o coração de 37% da população quando o tema é diversidade cultural, e 30% afirmam que têm no esporte a razão para exaltar sua brasilidade.
O brasileiro também está ciente do papel das áreas protegidas para o bem estar de todos. Entre os entrevistados, 65% afirmaram que a proteção da fauna e da flora é um dos benefícios dessas áreas.
A população também sabe que proteger o meio ambiente significa garantir a proteção das nascentes represas e rios, as principais reservas de água para o consumo humano. Essa relação está clara para 55% dos que responderam à pesquisa.
Para 48% dos pesquisados, as áreas protegidas ajudam a melhorar a qualidade do ar; 34% identificam nesses locais uma oportunidade para o descanso e o lazer e 25% enxergam perspectivas econômicas a partir da conservação do meio ambiente.
“O que a pesquisa deixa claro é que há um descompasso entre as políticas públicas de meio ambiente no Brasil e os anseios da população. Apesar do apreço que o brasileiro tem pelas áreas naturais, da importância delas na vida cotidiana das pessoas, esse tema não é uma prioridade nacional do ponto de vista dos governos”, afirma Maria Cecília Wey de Brito, CEO do WWF-Brasil.
Exemplo disso, diz ela, é o fato de que no recente debate eleitoral, o tema ambiental ficou na escuridão. “E foi isso que nos inspirou a fazer a pesquisa. Achamos que os políticos ainda não percebem o quanto o meio ambiente pode beneficiar o país. E o pior: não são capazes de perceber que a proteção do meio ambiente é uma expectativa nacional.”
Segundo a CEO, as áreas protegidas ajudam a conservar a água que abastece desde a agricultura até o consumo doméstico. As florestas e outros ecossistemas também colaboram no equilíbrio do clima, no regime de chuvas e fornecem uma diversidade enorme de outros serviços, como matérias primas para medicamentos, alimentos e cosméticos. Têm, portanto, um papel econômico que ainda não está sendo considerado.
“Será que vamos ter de sofrer outra crise como a da água em São Paulo para começar a dar valor à conservação do meio ambiente?”, pergunta Wey de Brito. Segundo ela, a resposta dada pelo governo de São Paulo na questão hídrica foram obras que gastarão R$ 3,5 bilhões. “E não vai nada para a conservação dos mananciais. Não está certo”.
A falta de atenção com o meio ambiente é uma preocupação do brasileiro que se reflete na pesquisa encomendada pelo WWF-Brasil. De cada 10 entrevistados, oito consideram que a natureza não está protegida de forma adequada. Apenas 11% acham que sim.
“De fato, nosso sistema nacional de unidades de conservação nunca esteve tão ameaçado quanto agora. E isso está ocorrendo com anuência do Congresso Nacional por meio de projetos de lei e uma avalanche de pedidos de licença para mineração e construção de grandes obras de infraestrutura”, adverte Jean François Timmers, Superintendente de Políticas Públicas do WWF-Brasil.
Todas essas são atividades que podem gerar muito desmatamento. E 27% dos entrevistados veem no corte raso das florestas uma das principais ameaças à natureza. A poluição das águas vem em segundo lugar, com 26%. Caçar e pescar em locais proibidos são motivos de preocupação para 19% dos entrevistados. Outras ameaças apontadas na pesquisa são as grandes obras de infraestrutura e as mudanças climáticas.
E para resolver esse problema nacional, 74% dos entrevistados acham que o governo deve agir em primeiro lugar. Em segundo, são os cidadãos que devem tomar a frente (46%). AS ONGs também foram citadas. Para 20% dos brasileiros ouvidos na pesquisa, essas organizações têm papel importante na hora de cuidar das unidades de conservação.
“Precisamos de um pacto amplo, que envolva todos os setores, para mudar o cenário atual e posicionar a conservação da natureza e as áreas protegidas como prioridades reais na agenda do governo nos próximos quatro anos” afirma Timmers. “Não dá mais para esperar, os resultados dessa negligência estão batendo à nossa porta”.
* Publicado originalmente no site  WWF Brasil.

Frutas nativas comercializadas no Brasil

 Você sabia que das 20 frutas mais comercializadas no Brasil, apenas três são nativas de nosso país?

O Brasil é conhecido como a “terra das frutas” graças a tamanha variedade encontrada. Não há estrangeiro que, vindo de lugares frios, não se admire com a nossa abundância de formatos, perfumes e cores. Isso é natural, como país predominantemente tropical que somos, embora inusitadamente a biodiversidade nativa brasileira não tenha quase nada a ver com o encontrado nos supermercados e feiras livres.

O “Planeta Sustentável” da Editora Abril publicou esse ano um mapa das 20 frutas mais consumidas no Brasil. São aquelas presentes em nossa alimentação cotidiana, e sua análise mostra um fato assombroso e pouco conhecido da maioria – quase todas, para ser exato 85% da lista, não são nativas dos biomas brasileiros – ou seja, não estavam aqui antes da colonização européia. Abaixo, as frutas do mapa e sua origem.

1. abacate –  América Central. 2. abacaxi – Brasil – nativa do cerrado. 3. banana – Sudeste Asiático. 4. caqui – Ásia. 5. coco-da-baía – origem polêmica. 6. figo – Ásia.  7. goiaba – Brasil. 8. laranja – Ásia. 9. limão – Sudeste Asiático. 10. mamão – América Tropical. 11. manga – Ásia. 12. maracujá –Brasil. 13. marmelo – Europa e Ásia. 14. maça – Ásia. 15. melancia – África. 16. melão – Europa, Ásia e África. 17. pera –  Europa. 18. pêssego – Ásia. 19. tangerina – Ásia. 20. uva – Ásia, América do Norte e Europa.

Constatado isso, pode-se pensar que não temos frutas nativas, e isso não é verdade – as temos aos milhares – a questão é cultural e de seleção de plantas. As frutas que consumimos hoje são resultado de eras de trabalho dos agricultores em selecioná-las e melhorar suas caractérísticas como sabor, tamanho e durabilidade. As nossas foram sempre relegadas à condição de curiosidade e “mato” e, com raras exceções, poucas receberam melhoramentos como a goiaba (feita por agricultores japoneses radicados no Brasil).

Redescobrir e tornar comerciáveis nossas frutas é empreendimento demorado, mas valorizá-las é recuperar uma dívida histórica com nossa biodiversidade e rica herança natural, além de permitir novos sabores e valorização do meio ambiente brasileiro.

É contraditório pensar que um dos países mais ricos em biodiversidade do mundo consuma tão poucas frutas nativas. O impacto disso é a ameaça de extinção de diversas espécies, que aos poucos, estão sendo esquecidas da memória e desaparecendo do mapa.

Para o botânico Ricardo Cardim, é preciso mudar a concepção cultural e agronômica: “Podemos começar a divulgar e cultivar nas cidades os frutos nativos, de forma a resgatarmos sabores esquecidos e ajudarmos no reequilíbrio ecológico urbano. Plantar árvores frutíferas nativas da região é um método eficaz de atrair a biodiversidade e tornar as cidades mais acolhedoras”, diz o botânico em seu blog, Árvores de São Paulo.

Cardim lista dez frutas nativas dos biomas ameaçados Cerrado e Mata Atlântica que poderiam entrar para o cardápio (e jardins) dos brasileiros.

1. Gabiroba (Campomanesia pubescens)

Gabiroba Foto: Wikimedia/CC3.0

Também conhecida como guabiroba, guavira ou araçá-congonha,  é um arbusto com fruto arredondado, de coloração verde-amarelada, com polpa esverdeada, suculenta, envolvendo diversas sementes e muito parecido com uma goiabinha. Ela pode ser consumida ao natural ou na forma de sucos, doces e sorvetes e ainda serve para fazer um apreciado licor. A gabiroba pode ser encontrada nos cerrados das regiões Sul, Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste. No sul do Brasil, na região norte e oeste do Paraná além da variedade de cerrado, dissemina-se também a variedade arbórea que alcança vários metros de altura, produzindo frutos com sabor e aparência da variedade de campo, porém quando maduros apresentam a cor amarela.

 

2. Tarumã-do-cerrado (Vitex polygama)

Tarumã-do Cerrado Foto: Museu Nacional UFRJ

 

Também conhecida como tarumã-bori, tarumã-de-fruta-azul, maria-preta, marianeira, velame-do-campo ou mameira, a árvore, proveniente do bioma do Cerrado, possui de seis a 20 metros de altura. Seus frutos, adocicados e com sabor agradável, assemelham-se a uma azeitona-preta e fazem a alegria de pássaros como periquitos e papagaios. Podem ser utilizados para fazer bebidas como vinho, licor e sucos, ou doces, como geleias ou caldas. Esta espécie é muito eficiente se usada na recomposição de áreas degradadas e pode ser utilizada no paisagismo de praças e jardins públicos.

 

 

3. Perinha-do-cerrado (Eugenia klotzschiana)

Perinha do Cerrado Foto: João Medeiros/Wikimedia CC2.0

Também conhecida como pêra do campo, perinha do campo, cabacinha ou cabamixá-açú, o arbusto é nativo dos campos e Cerrados de praticamente todo o Brasil. Os frutos podem ser utilizados em sucos batidos com leite ou para fazer sorvetes, bolos e geleias. A planta, dificilmente encontrada nos dias de hoje, não pode faltar em projetos de recuperação dos Cerrados.

 

 

4. Grumixama (Eugenia brasiliensis)

Grumixama Foto: Wikimedia/B.navez CC3.0

 

Também conhecida como cumbixaba, ibaporoiti ou cereja-brasileira, a árvore de até 15 metros de altura é nativa da Mata Atlântica e era encontrada desde a Bahia até Santa Catarina. Seus frutos, que atraem muitos pássaros, possuem até duas sementes, e seu sabor assemelha-se bastante com o da cereja.

 

 

 

 

5. Uvaia (Eugenia uvalha)

Uvaia Foto: Cfrg.org/Anestor Mezzomo

A árvore, também conhecida por uvalha ou uvaieira, tem de seis a 13 metros de altura. A espécie, proveniente da Mata Atlântica, ocorre nos estados de Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. A uvaia tem aroma suave e agradável e possui alto teor de vitamina C (até quatro vezes mais do que a laranja). É muito utilizada para fazer sucos e largamente cultivada em pomares domésticos. Sua casca, na cor amarelo-ouro, é ligeiramente aveludada e  sua polpa muito delicada. Um dos grandes problemas desta fruta é que ela amassa, oxida e resseca com facilidade, por isso, não é muito encontrada em supermercados.

 

 

6. Jerivá (Syagrus romanzoffiana)

Jerivá Foto: Mauro Guanandi/Wikimedia CC2.0

 

Também chamado baba-de-boi, coqueiro-jerivá, coquinho-de-cachorro e jeribá, a árvore é uma palmeira nativa da Mata Atlântica. Sua fruta, conhecida como “coquinho”, é amarela, ovalada e não passa de três centímetros de comprimento. O “coquinho” é muito apreciado por animais, como papagaios, maritacas ou mesmo por cachorros. A fruta também pode ser consumido pelos humanos batendo-se com pedras para alcançar as suas amêndoas, o que era feito frequentemente por crianças no passado.

 

 

 

7. Sete-capotes (Campomanesia guazumifolia)

Sete capotes Foto: HuertasUrbanas.com

Também conhecido por guabiroba verde, sete-cascas, sete-capas, sete-casacas, capoteira, araçá-do-mato ou araçazeiro-grande, o sete-capotes é uma importante árvore frutífera silvestre, com frutos doces e comestíveis, apreciados pelo homem e pela fauna. Seu fruto, que quando maduro possui coloração verde-clara, pode ser consumido naturalmente ou aproveitados em doces e na elaboração de sucos e sorvetes (neste caso deve-se separar a polpa da semente). A árvore, que mede até seis metros de altura, é muito bonita, especialmente pela exuberância de suas flores e folhas.

 

 

8. Cambuci (Campomanesia phaea)

Cambuci Foto: slowfoodsp

O cambucizeiro, árvore da Mata Atlântica originalmente encontrada na Serra do Mar, chegou a estar em perigo de extinção pelo uso excessivo de  sua madeira e pelo alto crescimento urbano da região. O cambuci era muito abundante na cidade de São Paulo, chegando a dar nome a um de seus bairros tradicionais. Após um forte movimento para trazer o cambuci de volta para a região (veja aqui), a espécie está sendo preservada.

O nome cambuci é de origem indígena e deve-se ao formato de seus frutos, semelhantes a potes de cerâmica, que recebem o mesmo nome. Ricas em vitaminas, suas frutas têm um perfume intenso e adocicado, mas seu sabor é ácido como o do limão. Por essa razão, poucos apreciam consumi-la in natura. A fruta pode ser utilizada na produção de geleias, sorvetes, sucos, licores, mousse, sorvete, bolo, além do tradicional suco.

 

9. Cagaita (Eugenia dysenterica)

Cagaita Foto: Wikimedia CC3.0

A cagaiteira é uma bela árvore, proveniente do Cerrado, que pode chegar a ter oito metros de altura. Seu fruto é pequeno com casca amarelo esverdeada, polpa suculenta e ácida e apresenta até quatro sementes no seu interior. Apesar de seu agradável sabor ácido e textura macia, a cagaita não deve ser consumida em grandes quantidades, pois tem um forte efeito laxativo. Além das atribuições medicinais e de produzir um suco muito saboroso, o fruto, rico em vitamina C e antioxidantes, é utilizado na fabricação de sorvetes. A polpa, com ou sem a casca, é energética, com baixo teor calórico.

 

 

10. Melancia-do-cerrado (Melancium campestre)

Foto: João Medeiros / Wikimedia CC2.0

Também conhecida como melancia do campo, melancia-de-tatu, cabacinha do campo, cabacuí oucaboi-curai, esta espécie rasteira que já foi muito comum no Cerrado, hoje já é considerada rara. Seu fruto se assemelha muito com o da melancia por fora, porém ela possui uma penugem em sua casca. Os frutos possuem casca grossa, com aproximadamente 90 sementes envoltas numa polpa gelatinosa amarelada (veja aqui). Embora seja ácida, a fruta pode ser consumida in natura, ou utilizada em forma de geleias e sucos. A planta não pode faltar em projetos de reflorestamento de ambientes campestres dos Cerrados pois seus frutos são muito apreciados pelos animais.

 

 

Podemos incluir ao contexto, algumas das frutas nativas do cerrado do planalto central: cajuí, araticum, pequi, mangaba, araticum, buriti, baru, bacupari, dentre outras.

As fruteiras nativas ocupam lugar de destaque no ecossistema do cerrado e seus frutos já são comercializados em feiras da região e com grande aceitação popular. Esses frutos apresentam sabores sui generis e elevados teores de açúcares, proteínas, vitaminas e sais minerais, podendo ser consumidos in natura ou na forma de sucos, licores, sorvetes, geleias, etc. Hoje, existem mais de 58 espécies de frutas nativas do cerrado conhecidas e utilizadas pela população.

Detentoras de sabores e características exóticas, as frutas do cerrado vêm ultrapassando as fronteiras da fama local e ganhando consumidores pelo Brasil afora. Atualmente, é possível encontrar produtos à base de tais frutos em aeroportos e comércio de grande parte do país.

Que tal plantar um pé de uma árvore frutífera dessas em seu quintal? No site Colecionando Frutas você consegue encontrar estas e outras espécies nativas difíceis de serem encontradas.

Reportagens:

https://arvoresdesaopaulo.wordpress.com/2011/05/15/das-20-frutas-mais-consumidas-no-brasil-somente-3-sao-nativas/

Mayra Rosa – Redação CicloVivo

um tiquinho de Cecilia

CANÇÃO MÍNIMA

No mistério do Sem-Fim,
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro;
no canteiro, uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta e o Sem-Fim,
a asa de uma borboleta.
Cecília Meireles

Flor do pau santo

A flor do “pau santo” – Kielmeyra speciosa – família Guttiferae – brota no tronco, desafiando o tempo seco e quente, sendo uma das mais exóticas do cerrado, pela sua peculiaridade.

[flor+do+pau+santo.jpg]

Esta flor é da árvore conhecida popularmente pelo nome “pau-santo” pois na medicina popular as folhas são emolientes, usadas em tumores, a resina é tônica e usada para dores de dente e infecções.
Tem 3 a 6 m de altura, é bem ornamental com boa arquitetura, bela folhagem e vistosa floração. É muito melífera e é corticeira com troncos de até 15 cm de diâmetro de cor cinza-prateada. É nativa nos cerrados e campos do Distrito Federal, Goiás, leste de Mato Grosso e oeste de Minas Gerais.

destaque do http://www.caliandradocerrado.com.br/2008/12/flor-do-pau.html

Central do Cerrado – Produtos Ecossociais

Citizenship actions in the Cerrado biome

Rede MAIS Vida no Cerrado

O berço das águas corre perigo

biomas do cerrado

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WWF - Latest

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ISPN

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Cerratinga

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Rede Cerrado

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Museu Virtual de Ciência e Tecnologia – Cerrado

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Simple life on a little piece of land.

Cerradania

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Maravilhas do Cerrado

"O uso da fotografia e cultura digital para fomento da educação ambiental"

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