Frutas nativas comercializadas no Brasil

 Você sabia que das 20 frutas mais comercializadas no Brasil, apenas três são nativas de nosso país?

O Brasil é conhecido como a “terra das frutas” graças a tamanha variedade encontrada. Não há estrangeiro que, vindo de lugares frios, não se admire com a nossa abundância de formatos, perfumes e cores. Isso é natural, como país predominantemente tropical que somos, embora inusitadamente a biodiversidade nativa brasileira não tenha quase nada a ver com o encontrado nos supermercados e feiras livres.

O “Planeta Sustentável” da Editora Abril publicou esse ano um mapa das 20 frutas mais consumidas no Brasil. São aquelas presentes em nossa alimentação cotidiana, e sua análise mostra um fato assombroso e pouco conhecido da maioria – quase todas, para ser exato 85% da lista, não são nativas dos biomas brasileiros – ou seja, não estavam aqui antes da colonização européia. Abaixo, as frutas do mapa e sua origem.

1. abacate –  América Central. 2. abacaxi – Brasil – nativa do cerrado. 3. banana – Sudeste Asiático. 4. caqui – Ásia. 5. coco-da-baía – origem polêmica. 6. figo – Ásia.  7. goiaba – Brasil. 8. laranja – Ásia. 9. limão – Sudeste Asiático. 10. mamão – América Tropical. 11. manga – Ásia. 12. maracujá –Brasil. 13. marmelo – Europa e Ásia. 14. maça – Ásia. 15. melancia – África. 16. melão – Europa, Ásia e África. 17. pera –  Europa. 18. pêssego – Ásia. 19. tangerina – Ásia. 20. uva – Ásia, América do Norte e Europa.

Constatado isso, pode-se pensar que não temos frutas nativas, e isso não é verdade – as temos aos milhares – a questão é cultural e de seleção de plantas. As frutas que consumimos hoje são resultado de eras de trabalho dos agricultores em selecioná-las e melhorar suas caractérísticas como sabor, tamanho e durabilidade. As nossas foram sempre relegadas à condição de curiosidade e “mato” e, com raras exceções, poucas receberam melhoramentos como a goiaba (feita por agricultores japoneses radicados no Brasil).

Redescobrir e tornar comerciáveis nossas frutas é empreendimento demorado, mas valorizá-las é recuperar uma dívida histórica com nossa biodiversidade e rica herança natural, além de permitir novos sabores e valorização do meio ambiente brasileiro.

É contraditório pensar que um dos países mais ricos em biodiversidade do mundo consuma tão poucas frutas nativas. O impacto disso é a ameaça de extinção de diversas espécies, que aos poucos, estão sendo esquecidas da memória e desaparecendo do mapa.

Para o botânico Ricardo Cardim, é preciso mudar a concepção cultural e agronômica: “Podemos começar a divulgar e cultivar nas cidades os frutos nativos, de forma a resgatarmos sabores esquecidos e ajudarmos no reequilíbrio ecológico urbano. Plantar árvores frutíferas nativas da região é um método eficaz de atrair a biodiversidade e tornar as cidades mais acolhedoras”, diz o botânico em seu blog, Árvores de São Paulo.

Cardim lista dez frutas nativas dos biomas ameaçados Cerrado e Mata Atlântica que poderiam entrar para o cardápio (e jardins) dos brasileiros.

1. Gabiroba (Campomanesia pubescens)

Gabiroba Foto: Wikimedia/CC3.0

Também conhecida como guabiroba, guavira ou araçá-congonha,  é um arbusto com fruto arredondado, de coloração verde-amarelada, com polpa esverdeada, suculenta, envolvendo diversas sementes e muito parecido com uma goiabinha. Ela pode ser consumida ao natural ou na forma de sucos, doces e sorvetes e ainda serve para fazer um apreciado licor. A gabiroba pode ser encontrada nos cerrados das regiões Sul, Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste. No sul do Brasil, na região norte e oeste do Paraná além da variedade de cerrado, dissemina-se também a variedade arbórea que alcança vários metros de altura, produzindo frutos com sabor e aparência da variedade de campo, porém quando maduros apresentam a cor amarela.

 

2. Tarumã-do-cerrado (Vitex polygama)

Tarumã-do Cerrado Foto: Museu Nacional UFRJ

 

Também conhecida como tarumã-bori, tarumã-de-fruta-azul, maria-preta, marianeira, velame-do-campo ou mameira, a árvore, proveniente do bioma do Cerrado, possui de seis a 20 metros de altura. Seus frutos, adocicados e com sabor agradável, assemelham-se a uma azeitona-preta e fazem a alegria de pássaros como periquitos e papagaios. Podem ser utilizados para fazer bebidas como vinho, licor e sucos, ou doces, como geleias ou caldas. Esta espécie é muito eficiente se usada na recomposição de áreas degradadas e pode ser utilizada no paisagismo de praças e jardins públicos.

 

 

3. Perinha-do-cerrado (Eugenia klotzschiana)

Perinha do Cerrado Foto: João Medeiros/Wikimedia CC2.0

Também conhecida como pêra do campo, perinha do campo, cabacinha ou cabamixá-açú, o arbusto é nativo dos campos e Cerrados de praticamente todo o Brasil. Os frutos podem ser utilizados em sucos batidos com leite ou para fazer sorvetes, bolos e geleias. A planta, dificilmente encontrada nos dias de hoje, não pode faltar em projetos de recuperação dos Cerrados.

 

 

4. Grumixama (Eugenia brasiliensis)

Grumixama Foto: Wikimedia/B.navez CC3.0

 

Também conhecida como cumbixaba, ibaporoiti ou cereja-brasileira, a árvore de até 15 metros de altura é nativa da Mata Atlântica e era encontrada desde a Bahia até Santa Catarina. Seus frutos, que atraem muitos pássaros, possuem até duas sementes, e seu sabor assemelha-se bastante com o da cereja.

 

 

 

 

5. Uvaia (Eugenia uvalha)

Uvaia Foto: Cfrg.org/Anestor Mezzomo

A árvore, também conhecida por uvalha ou uvaieira, tem de seis a 13 metros de altura. A espécie, proveniente da Mata Atlântica, ocorre nos estados de Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. A uvaia tem aroma suave e agradável e possui alto teor de vitamina C (até quatro vezes mais do que a laranja). É muito utilizada para fazer sucos e largamente cultivada em pomares domésticos. Sua casca, na cor amarelo-ouro, é ligeiramente aveludada e  sua polpa muito delicada. Um dos grandes problemas desta fruta é que ela amassa, oxida e resseca com facilidade, por isso, não é muito encontrada em supermercados.

 

 

6. Jerivá (Syagrus romanzoffiana)

Jerivá Foto: Mauro Guanandi/Wikimedia CC2.0

 

Também chamado baba-de-boi, coqueiro-jerivá, coquinho-de-cachorro e jeribá, a árvore é uma palmeira nativa da Mata Atlântica. Sua fruta, conhecida como “coquinho”, é amarela, ovalada e não passa de três centímetros de comprimento. O “coquinho” é muito apreciado por animais, como papagaios, maritacas ou mesmo por cachorros. A fruta também pode ser consumido pelos humanos batendo-se com pedras para alcançar as suas amêndoas, o que era feito frequentemente por crianças no passado.

 

 

 

7. Sete-capotes (Campomanesia guazumifolia)

Sete capotes Foto: HuertasUrbanas.com

Também conhecido por guabiroba verde, sete-cascas, sete-capas, sete-casacas, capoteira, araçá-do-mato ou araçazeiro-grande, o sete-capotes é uma importante árvore frutífera silvestre, com frutos doces e comestíveis, apreciados pelo homem e pela fauna. Seu fruto, que quando maduro possui coloração verde-clara, pode ser consumido naturalmente ou aproveitados em doces e na elaboração de sucos e sorvetes (neste caso deve-se separar a polpa da semente). A árvore, que mede até seis metros de altura, é muito bonita, especialmente pela exuberância de suas flores e folhas.

 

 

8. Cambuci (Campomanesia phaea)

Cambuci Foto: slowfoodsp

O cambucizeiro, árvore da Mata Atlântica originalmente encontrada na Serra do Mar, chegou a estar em perigo de extinção pelo uso excessivo de  sua madeira e pelo alto crescimento urbano da região. O cambuci era muito abundante na cidade de São Paulo, chegando a dar nome a um de seus bairros tradicionais. Após um forte movimento para trazer o cambuci de volta para a região (veja aqui), a espécie está sendo preservada.

O nome cambuci é de origem indígena e deve-se ao formato de seus frutos, semelhantes a potes de cerâmica, que recebem o mesmo nome. Ricas em vitaminas, suas frutas têm um perfume intenso e adocicado, mas seu sabor é ácido como o do limão. Por essa razão, poucos apreciam consumi-la in natura. A fruta pode ser utilizada na produção de geleias, sorvetes, sucos, licores, mousse, sorvete, bolo, além do tradicional suco.

 

9. Cagaita (Eugenia dysenterica)

Cagaita Foto: Wikimedia CC3.0

A cagaiteira é uma bela árvore, proveniente do Cerrado, que pode chegar a ter oito metros de altura. Seu fruto é pequeno com casca amarelo esverdeada, polpa suculenta e ácida e apresenta até quatro sementes no seu interior. Apesar de seu agradável sabor ácido e textura macia, a cagaita não deve ser consumida em grandes quantidades, pois tem um forte efeito laxativo. Além das atribuições medicinais e de produzir um suco muito saboroso, o fruto, rico em vitamina C e antioxidantes, é utilizado na fabricação de sorvetes. A polpa, com ou sem a casca, é energética, com baixo teor calórico.

 

 

10. Melancia-do-cerrado (Melancium campestre)

Foto: João Medeiros / Wikimedia CC2.0

Também conhecida como melancia do campo, melancia-de-tatu, cabacinha do campo, cabacuí oucaboi-curai, esta espécie rasteira que já foi muito comum no Cerrado, hoje já é considerada rara. Seu fruto se assemelha muito com o da melancia por fora, porém ela possui uma penugem em sua casca. Os frutos possuem casca grossa, com aproximadamente 90 sementes envoltas numa polpa gelatinosa amarelada (veja aqui). Embora seja ácida, a fruta pode ser consumida in natura, ou utilizada em forma de geleias e sucos. A planta não pode faltar em projetos de reflorestamento de ambientes campestres dos Cerrados pois seus frutos são muito apreciados pelos animais.

 

 

Podemos incluir ao contexto, algumas das frutas nativas do cerrado do planalto central: cajuí, araticum, pequi, mangaba, araticum, buriti, baru, bacupari, dentre outras.

As fruteiras nativas ocupam lugar de destaque no ecossistema do cerrado e seus frutos já são comercializados em feiras da região e com grande aceitação popular. Esses frutos apresentam sabores sui generis e elevados teores de açúcares, proteínas, vitaminas e sais minerais, podendo ser consumidos in natura ou na forma de sucos, licores, sorvetes, geleias, etc. Hoje, existem mais de 58 espécies de frutas nativas do cerrado conhecidas e utilizadas pela população.

Detentoras de sabores e características exóticas, as frutas do cerrado vêm ultrapassando as fronteiras da fama local e ganhando consumidores pelo Brasil afora. Atualmente, é possível encontrar produtos à base de tais frutos em aeroportos e comércio de grande parte do país.

Que tal plantar um pé de uma árvore frutífera dessas em seu quintal? No site Colecionando Frutas você consegue encontrar estas e outras espécies nativas difíceis de serem encontradas.

Reportagens:

https://arvoresdesaopaulo.wordpress.com/2011/05/15/das-20-frutas-mais-consumidas-no-brasil-somente-3-sao-nativas/

Mayra Rosa – Redação CicloVivo

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Operário das letras, Comunicador e Idealizador da Cerradania, Palestrante,Professor. Letterman, Communicator and Idealizer of Cerradania, Speakers,Teacher.

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