Archive | junho 2015

Revisão no uso do Cerrado

O Cerrado é reconhecido pelo Ministério do Meio Ambiente como a savana mais rica do mundo em biodiversidade. No Cerrado existem mais de 10 mil espécies de plantas, 837 espécies de aves, 161 de mamíferos, 150 de anfíbios e 120 de répteis. O Cerrado geográfico possui 204 milhões de hectares, mas 57% dessa área já foram completamente destruídas. E metade do bioma remanescente está totalmente descaracterizado pela intervenção humana, segundo estudos da ONG ambientalista Conservação Internacional Brasil (CI-Brasil). A taxa anual de desmatamento é de 1,5% (3 milhões de ha/ano). A continuar assim, o Cerrado desaparece em 2030.
Já foram catalogadas no Cerrado mais de 330 espécies de uso na medicina popular. A Arnica (Lychnophora ericoides), o Barbatimão (Stryphnodendron adstringens), a Sucupira (Bowdichia sp.), o Mentrasto (Ageratum conyzoide) e o Velame (Macrosiphonia velame) são alguns exemplos.destruição do cerrado
Além de ser a savana mais rica do mundo, com muitas espécies que só existem aqui, como o papagaio-galego (Amazona Xanthops) e a raposa-do-campo (Dusicyon vetulus), o Cerrado é o berço das águas do Brasil. Aqui nascem águas que servem a 88,6 milhões de brasileiros. O bioma funciona como uma grande caixa d’água, que abastece 1.500 cidades espalhadas por 11 estados brasileiros.
No Cerrado existem 19.864 nascentes – 23,6% de todas as nascentes brasileiras. O bioma contribui com 71% da produção hídrica da bacia Tocantins-Araguaia; com 94% da produção hídrica da bacia do São Francisco; com 71% da produção hídrica da bacia Paraná-Paraguai; e com 4% da produção hídrica da bacia Amazônica.
As águas do Cerrado são responsáveis pela geração de energia elétrica usada por 9 de cada 10 brasileiros. Na Usina de Tucuruí, 70% da água que move as turbinas provém do Cerrado; em Itaipu, esse percentual é de 50%.
O desmatamento do Cerrado tem provocado a degradação de rios importantíssimos como São Francisco, Araguaia e Tocantins. Há um processo de assoreamento do leito dos mananciais, redução do volume de águas e da quantidade de peixes, além da redução das espécies terrestres, animais e plantas.
Em Goiás, esse desmatamento do Cerrado ocorreu com forte incentivo dos governos federal e estadual. Em 1973, no governo de Leonino Caiado, indicado pelo regime militar, foi criado o programa denominado Goiás Rural. Cerca de 500 tratores de esteira, cuja hora-máquina era vendida com subsídio de 50% (e o Banco do Brasil financiava o restante em até cinco anos, com dois anos de carência), foi disponibilizado a quem tinha interesse em desmatar.
Em sua tese de Mestrado em Desenvolvimento e Planejamento Territorial da Pontifícia Universidade Católica de Goiás, o mestre João Lemes de Paula, falando do Goiás Rural, disse que “jamais fora registrado em todo o planeta uma ação que envolvesse quinhentos tratores de esteira puramente envolvidos em uma ação de desmatamento de Cerrado para a produção agropecuária”.
O Goiás Rural utilizava-se de correntão, hoje banido pelo Ibama, que consistia em interligar dois tratores de esteira por uma extensa e pesada corrente. Ao se deslocarem com a corrente todas as árvores do percurso eram arrancadas sem piedade. Nem sequer nascentes e cursos d’águas eram preservados, embora o Código Florestal de 1966 exigisse isso.
Em 1975, o governo federal criou o Polocentro – Programa de Desenvolvimento do Cerrado – e em 1979, o Prodecer – Programa de Cooperação Nipo-Brasileira para o Desenvolvimento do Cerrado. O objetivo era financiar ações para desenvolver a agricultura no Cerrado Brasileiro. O Polocentro emprestava recursos sem nenhuma correção monetária, promovendo a riqueza de milhares de produtores rurais, com o surgimento do processo inflacionário.
Naquela época, em que se criaram os programas de incentivo ao desmatamento e à ocupação do Centro-Oeste do Brasil, ainda não havia no mundo uma consciência ambiental e nem havia estudo sobre aquecimento global, derretimento das geleiras e aumento do nível dos oceanos. Portanto, não há que se sacrificar ninguém. O desmatamento gerou danos ambientais e, ao mesmo tempo, promoveu o crescimento da economia de Goiás, ao incorporar a área desmatada ao processo produtivo. Goiás e o Centro-Oeste se transformaram na principal regional produtora de grãos do Brasil.
Hoje essa visão mudou radicalmente. O Cerrado é de fundamental importância para a preservação de milhares de espécies de plantas e centenas de espécies de animais, bem como para a produção de água para o Brasil. Mas também é de extrema importância para a agropecuária. O que fazer então?
Na minha opinião é preciso que o Estado (que promoveu a ocupação e o desmatamento do Cerrado, como política nacional de desenvolvimento, concedendo empréstimos e incentivos financeiros) crie programas de recomposição florestal e proteção das nascentes, cursos d’águas, reservas florestais e encostas. O produtor rural não deve ser tratado como vilão da história, mas sim como parceiro do meio ambiente. O Estado deve oferecer, no mínimo, assistência técnica e incentivos financeiros para que o produtor possa recompor suas áreas de preservação permanente, tal qual como definido no Código Florestal Brasileiro.
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A título de exemplo, os Estados Unidos pagam, como arrendamento, para que o produtor rural preserve e recupere as áreas importantes para a proteção ambiental. A prefeitura de Nova York paga os produtores rurais para preservarem as nascentes de água que abastecem a cidade.
Os conhecimentos científicos que a humanidade possui nos dias atuais permitem que possamos produzir de maneira sustentável e preservar os biomas que são tão importantes para a preservação da vida e do planeta. O Estado, as ONGs, universidades e produtores rurais possuem uma responsabilidade muito grande com as próximas gerações e, com certeza, adotarão as medidas necessárias e urgentes para que tenhamos um desenvolvimento efetivamente sustentável.
(Aguimar Jesuíno da Silva, advogado, procurador federal da AGU e produtor rural)

Altos do cerrado que é um paraiso

LUGARES INTERESSSANTES NO CERRADO BRASILEIRO
Localizada a 2 horas e meia ao norte de Brasília, a Chapada dos Veadeiros abriga rios cristalinos, cachoeiras de mais de 100 metros, trilhas e paredões de pedra rompendo pelo Cerrado de três localidades: Alto Paraíso de Goiás, Cavalcante e a vila de São Jorge, onde está a entrada para o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, declarado Patrimônio Mundial pela Unesco em 2001.
Essa foto de Alto Paraíso de Goiás é cortesia do TripAdvisor
Para chegar às atrações, visitantes precisam estar dispostos a caminhar: as trilhas têm trechos íngremes e pedregosos (em algumas delas é necessária a presença de guia). Como recompensa pelo esforço, quase todos os percursos terminam em poços limpos, na base de quedas-d’água ou no meio de formações rochosas.
Em Alto do Paraíso, ecoturistas enchem a cidade sobretudo em julho, em busca das trilhas que levam a incontáveis cachoeiras. Mas o lugar também atrai outro perfil de visitante: os interessados em assuntos místicos. A presença de minas de cristais nas redondezas e o fato de que a região está na mesma latitude de Machu Picchu (as duas são atravessadas pelo Paralelo 14) ajudam a convencer muita gente de que Alto Paraíso tem uma energia especial.

Cataratas dos Couros: Paraíso tem nome e sobrenome! Foto: Francine

Cataratas dos Couros: Paraíso tem nome e sobrenome!
Foto: Francine


Distrito de Alto Paraíso, São Jorge é uma pequena vila de casas coloridas e ruas de terra. O ponto positivo do local é a facilidade de acesso ao Parque Nacional: a entrada fica em São Jorge. Quem fica emCavalcante, cidade que contém mais da metade da Chapada dos Veadeiros, se diverte com atrações escondidas em propriedades particulares das cercanias.
Vila de São Jorge
Chapada dos Veadeiros
Andar pelo cerrado é um dos maiores e mais completos prazeres do homem em sua relação com o meio ambiente. O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros é uma Unidade de Conservação com belíssimas cachoeiras, canyons, minas de cristal, riquíssima flora e fauna. Para desfrutar dos encantos deste lugar mágico, que fica a 240 Km de Brasília, o bom mesmo é hospedar-se na Vila de São Jorge, terra de gente simples, antigos homens do campo, garimpeiros do cristal. Eles sabem como receber os turistas que se maravilham com as belezas do Parque e o encanto da Região que atrai até ET’s dizem os aficionados.
A Vila de São Jorge, Chapada dos Veadeiros oferece aos visitantes um clima de RoçaZen, de preservação das origens, da natureza e dos laços humanos para o 3º Milênio. Como disse o Maestro Jobim: É promessa de vida no teu coração. É um espaço privilegiado, com seus passeios ao Vale da Lua, Águas Quentes, Morada do Sol, Raizama, Encontro das Águas, Janela Parque Nacional, entre outros, e as conversas ribeiras com os antigos garimpeiros e pessoas – muito gente que freqüentam a República.
Vila mais próxima dos passeios ecológicos
Localizada na entrada do Parque Nacional surpreende os visitantes por sua magia de Vila interiorana com cultura de garimpo anterior à década de ’50. As construções são simples, contrastando com a exuberante beleza natural do parque que pode ser visitado a pé. A ausência de neons e poluição torna o céu de estrelas e a Lua de São Jorge ao alcance da mão e da poesia.
Os turistas mal conseguem imaginar que a Vila, hoje com cerca de 250 habitantes, já abrigou mais de 3.000 almas vindas do nordeste e Goiás sonhando com tempos melhores no garimpo do cristal. A marca dos tempos áureos deixou seu registro. Um dos pontos visitados pelo turista é a Cachoeira da Rodoviária que tem este nome porque de lá saiam os ônibus levando e trazendo os garimpeiros. Os moradores recebem bem os turistas e gostam de contar suas estórias do garimpo.
Para alguns turistas entusiastas, a Vila é a Old Búzios do Cerrado porque nela circulam artistas, hippies, intelectuais, buscadores do caminho, novos pobres, emergentes, lindos, feios, mais ou menos famosos ou ainda não famosos, mas sobretudo gente interessante.
Uma das surpresas que São Jorge oferece são os desenhos primitivos do artista nativo Moacir, que segundo os entendidos podem ser considerados expressões do inconsciente e do surrealismo.
Uma outra atração é poder comprar dos próprios garimpeiros cristais brutos, a preços acessíveis. A vila próxima ao Distrito Federal (220 Km), possui posto de saúde, duas igrejas, Centro Comunitário, quadra polivalente, escola de 1º grau, diversos bares típicos do interior, campings, pousadas, dormitórios, pizzarias, restaurantes de comida caseira.
Alto Paraíso
Cidade mais próxima da Vila de São Jorge (33 km – estrada de terra antes de São Jorge) é também a sede do município, situado no paralelo 14: rota dos peregrinos da Era de Aquários onde fica o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Lugar onde primeiro se estabeleceram algumas seitas e entidades voltadas para o misticismo e filosofia da Nova Era. Possui uma infra-estrutura suficiente para uma hospedagem agradável. Algumas fazendas na região possuem cachoeiras lindas e de fácil acesso. É o caso do Vilarejo do Moinho localizado a 10 Km da cidade, e da Cachoeira dos Arcanjos.
Pernas pra que te quero – hora de calçar um tênis velho, colocar boné e roupas folgadas. Geralmente os turistas vão para um passeio por volta das 8h30, passam o dia na Cachoeira escolhida, comem o Kit lanche que levaram e retornam à tarde para almoçar aquela comida.
O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, com seus portões de entrada localizados na Vila de São Jorge, ganhou fama pela beleza de suas cachoeiras, canyons, e a biodiversidade do cerrado com sua riquíssima flora e fauna. Uma das mais antigas formações geológicas do mundo, com cerca de 1,6 bilhões de ano, ponto mais alto do Planalto Central, é anterior à floresta Amazônica e à Mata Atlântica. Seu cerrado surpreende pela variedade de flores, como canelas de ema, bromélias, orquídeas, sempre vivas e flores que resistem aos incêndios, florescendo logo após as queimadas.
Pode-se curtir a revoada de papagaios, araras e tucanos, ouvir o pica-pau e ver o gavião carcará que pega, mata e come pequenos animais silvestres. Nas caminhadas ainda se vê lobos guarás, raposas e, com sorte, veados campeiros que já foram numerosos na região. Antas, onças e tamanduás são vistos mais raramente.
O cristal de quartzo é a marca registrada da região e encanta a todos exercendo especial atração sobre os esotéricos. O que brilha no chão são lascas do Cristal Manhoso…
Controlado pelo Ibama o Parque permite visitas acompanhadas por guias autorizados e treinados. Não é permitida a entrada de animais de estimação. O valor da taxa de visita é R$ 3,00 por pessoa/dia. Os guias cobram em média R$ 6,00 por pessoa.
Cachoeira do Rio Preto – Salto de 80 metros – caminhada de aproximadamente 50 minutos (6Km) pelo cerrado para nadar num lago localizado na base da cachoeira. Na volta, a subida exige um esforço maior.Cachoeira do Rio Preto – salto de 120 metros – pode ser contemplado a partir de um mirante.
Canyon 2 e Cariocas – Caminhada leve de aproximadamente 45 minutos, atravessando alguns riachos durante a qual chama a atenção a beleza das flores do cerrado. O Canyon 2 é um estreitamento do Rio Preto que forma uma cachoeira belíssima. Depois é dar uma esticada até a Cachoeira das Cariocas onde é possível nadar, curtir duchas variadas e hidromassagem naturais.
Canyon 1 – Trajeto partindo do Canyon 2 por dentro do rio que forma belíssimas piscinas nos meses de maio a outubro. Um espetáculo magnífico de cima do Canyon. Rio acima, belos paredões de pedra. Tempo previsto de ida: 1h30 fora as paradas para banho. Passeio inesquecível.
Cachoeira da Rodoviária – Riacho temporâneo pequeno. Acesso livre. Caminhada curta.
Mirante dos Dois Saltos – Roteiro difícil compensado pela magnífica visão das duas cachoeiras do Rio Preto.
Passeios fora do Parque – Vila de São Jorge
Roteiro a partir de Alto Paraíso até o município de Colinas.
Cachoeiras Almécegas – Bonitas, sendo a Almécegas 2 melhor para banho . Caminhada média. Fazenda São Bento.
Cachoeira São Bento – Lindo poço onde são realizados campeonatos de polo aquático.
Cachoeira do Mello – Local bonito e bom para banho. Possibilidade de visita a confirmar.
Jardins de Maitréia – Belíssimo visual de frondosos buritis, avistado do lado direito da estrada principal, sentido Alto Paraíso – São Jorge.
Serra da Baleia – Caminhada longa até o topo. Ponto de observação privilegiado (até de Ovnis, dizem os aficionados).
Bar do Valdomiro – Casa de sapê na beira da estrada. Boa comida caseira e tira gosto. Venda de produtos da região.
Vale da Lua – Acesso pela estrada principal (6 km) antes de chegar à Vila de São Jorge. Diferente dos demais passeios, possui formações rochosas inusitadas, cintilantes em noites de lua cheia. Rio bom para nadar e mergulhar. Caminhada de 20 minutos.
São Jorge – Riacho temporâneo que abastecia São Jorge nos tempos do Cristal. Fica logo depois da Pousada Águas de Março.
Abismo – Cachoeiras grandes e pequenas com picinas de hidromassagem. Linda caminhada de aproximadamente 40 min a partir do discoporto com vista panorâmica da Estrada de Colinas.
Raizama – Também chamado de Espaço Infinito. Caminhadas de 15 minutos, possui bonitas cachoeiras. Oferece também desafios para prática de rapel em seus paredões. Distante 3,5 kmde São Jorge pela estrada principal.
Morada do Sol – Cerca de 4 km de São Jorge. Cachoeiras próprias para adultos e crianças. Acesso fácil; caminhada de 10 minutos.
Piquizeiro – Cachoeira de fundo de quintal, onde macacos bebem água. Acesso mediante taxa ou autorização dos proprietários.
Pedra Escrita – Riacho e inscrições pré-históricas ainda indecifradas nas pedras à 11Km de São Jorge.
Encontro das Águas – encontro do Rio São Miguel com o Rio Tocantizinho. Duas experiências de contato com a natureza. Legal é subir pelas margens e descer nadando apreciando as pedreiras.
Jardim do Éden – propriedade particular com banho de água morna.
Aguas Quentes – Dois poços de águas mornas. O lugar é bonito e pode ser visitado também à noite, embora não possua iluminação. Dista 16 Kmde São Jorge.
Riacho de Colinas – Muito freqüentado pelos moradores do Município. Cachoeiras pequenas agradáveis. Fica a 33 km de São Jorge.
Serra da Mesa – lago bom para pesca. Em Colinas é possível alugar barcos que levam o turista para pescar.

As pessoas não morrem ficam encantadas

Saudades de João, prerrogativa peculiar de ter saudades a nós brasilianos, me faz retratar uma frase dele “As pessoas não morrem, ficam encantadas”.
Por necessidade pessoal, senti uma baita vontade de compartilhar um pouco do que representa as obras rosianas para o cerrado brasileiro. Sucumbi a um texto um pouco mais expansivo, tambem dificil poucas palvaras expressar a grandeza de João.
Diante e a todo instante os maus preságios de idas e vindas de ações desenfreadas e de nossas atividades em conciliar o ímpeto urbano por sobrepor às questões mais distintas da natureza. Não sucumbi, apenas busco uma pausa pra restabelecer qual o rumo.
Guimarães Rosa conseguiu universalizar o regionalismo mineiro. Sua obra flutua entre o realismo épico e o realismo mágico, adaptando o natural, o místico, o fantástico e o infantil em novas perspectivas.GuimaraesRosa
“Faz-se travesseiro com o paletó dobrado e deitar-se no capim, à sombra dos ingás, namorando a ravina florejante… voou uma ave; mas não era hora de canto de passarinhos. Foi Lalino quem cantou: Eu estou triste como sapo na água suja”. Sagarana.
Seu estilo é requintado e elaborado; experimentava linguagem própria, articulada sob uma lógica inexorável. Seus personagens são brilhantemente criados fisicamente e também na sua personalidade marcante de homens rústicos.
“De mim, pessoa, vivo para minha mulher que todo modo-melhor merece, e para a devoção. Bem dela, graças. Amor vem de amor. Em Diadorim penso também, mas Diadorim é minha neblina.” Grande Sertão: veredas.
O cenário é descrito com riqueza de conhecimento da terra, dos animais e plantas do sertão.
“Lhe mostrar os altos claros das Almas: rio despenha de lã, num afã, espuma próspero, gruge; cada cachoeira, só tombos. O cio do tigre preto na Serra do Tatu. Já ouviu gargaragem de onça?… Quem me ensinou a apreciar essas belezas sem dono foi Diadorim.” Grande Sertão: veredas.
Uma de suas preocupações é o aprofundamento da visão pessoal das coisas e seres.
“Por mim, o que pensei, foi: que eu não tive pai; quer dizer isso, pois nem eu nunca soube autorizado o nome dele. Não me envergonho, por ser de escuro nascimento. Órfão de conhecença e de papéis legais. É o que vi mais nestes sertões.” Grande Sertão: veredas.
Em alguns de seus livros, ele radicaliza sua pesquisa lingüística e alcança excelentes efeitos na sonoridade de suas frases.
A arte de Guimarães Rosa é extremamente difícil. Ele repelia o improviso e, com grande esforço, escolhia palavras comuns dando vida às caatingas, às atitudes dos caboclos e aos diálogos cheios de provérbios matutos, aproximando-se inteiramente da língua do interiorano.
“- A onça, o povo dizia que ela tinha vindo de longe. Onça-tigre macha, das do mato-grosso… Onça é bicho doido para caminhar, e que anda só de noite, capeando o que sangrar… Pois, naquela ocasião, eu estava crente que ela estava a muitas léguas de onde é que eu estava… Pensei que andasse pelo Maquine.” Burrinho pedrês.
Seu primeiro livro, “Sagarana”, consagrou-o como escritor, pela inovação e revolução que provocou. Recebeu críticas e ataques, mas não se inova nem renova sem revolução. Foi considerada a melhor prosa regionalista de um período extremamente rico em obras centradas na vida rural brasileira.
“No pastinho. Debaixo de um itapicuru, eu fumava, pensava, e apreciava a tropilha de cavalos, que retouçavam no gramado vasto. A cerca impedia que eles me vissem. E alguns estavam muito perto.” Sagarana.
O impacto de “Sagarana” foi abrandado com a apresentação de “Corpo de baile”, em que sua técnica se aprimorou. “Ia haver a festa. Naquele lugar – nem fazenda, só um reposto, um curraus-degado, pobre e novo ali entre o Rio e a Serra das Gerais, onde o cheiro dos bois apenas começava a corrigir o ar áspero das ervas e árvores do campo-cerrado, e nos matos, manhã e noite, e os grandes macacos roncavam como engenhode- pau moendo.” Corpo de baile / Manuelzão e Miguilim
Mas voltou mais violento com “Grande sertão: veredas”, seu único romance, o livro mais incomum de nossa literatura e um dos romances mais importantes da literatura brasileira. O contato com essa obra empolga e perturba ao mesmo tempo. Empolga pelo imprevisto e pela criatividade inventiva que o singularizaram. Perturba pela capacidade inovadora de sua linguagem e pelos problemas apresentados, envolvendo o leitor no desequilíbrio do personagem – narrador. Lírico e epopéico reconsidera a dimensão do homem simples do interior, mostrando sua luta numa lição de vida.
“Grande sertão” é a história do jagunço Riobaldo, desde a sua entrada num bando até assumir o lugar de chefe pelo voto dos companheiros. Nesse bando conhece Diadorim, misteriosa figura humana, por quem Riobaldo desenvolve, atormentado, uma paixão inconfessável.
“E o pobre de mim, minha tristeza me atrasava, consumido. Eu não tinha competência de querer viver, tão acabadiço, até o cumprimento de respirar me sacava. E Diadorim, às vezes conheci que a saudade dele não me desse repouso; nem o nele imaginar.” Grande sertão: veredas
“A hora e a vez de Augusto Matraga”, conto que foi considerado um dos mais notáveis de nossa literatura, foi transformado em filme, pelos cineastas Roberto Santos e Luís Carlos Barreto.
Outros contos como: “Burrinho pedrês”, “Duelo”, “Conversa de bois”, também foram considerados obras-primas. O mesmo podemos dizer de suas novelas: “Corpo de baile” que foi dividida mais tarde em: “Manuelzão e Miguilim”, “No Urubuquaquá, no Pinhém”, e “Noites do sertão”. Em “Primeiras estórias” e “Tutaméia”, foi minucioso ao afirmar e reafirmar maravilhas.
“Esta é a estória. Ia um menino, com os tios, passar dias no lugar onde se
construía a grande cidade. Era uma viagem inventada no feliz; para ele,
produzia-se em caso de sonho.” Primeiras estórias
O restante de suas obras foi publicado postumamente: “Estas estórias” em 1969 e “Ave, palavra” em 1970.
João Guimarães Rosa foi um fenômeno dentro da literatura brasileira. Surgiu com um volume de contos que marcou nossa literatura. Sua linguagem experimental, sua capacidade, seu modo fictício apuraram o a obra literária, ampliando-lhe extraordinários caminhos.
Espírito criativo era sensível e emotivo. Emoção que causou sua morte ao tomar posse na Academia Brasileira de Letras: três dias aos esta data veio falecer sozinho em sua casa, na mesa de trabalho.
João Guimarães Rosa nasceu em Cordisburgo, Minas Gerais, em 27 de junho de 1908.
Médico dedicado tornou-se respeitadíssimo naquela região.
Foi premiado pela Academia Brasileira de Letras pelo seu primeiro livro de poesias “Magma”; apesar disso, tal obra nunca foi publicada.
Em 1937, a saudade da terra fez com que Guimarães Rosa escrevesse a coletânea de contos “Sagarana”; onde com estilo expressivo, revelam a paisagem mineira com toda a beleza agreste, a vida rural, estórias de gente simples, reais e imaginárias; o mundo no qual passou sua infância e também a juventude. Colocava em sua obra a linguagem rica e original daquela gente, registrando regionalismos nunca antes usados na literatura.
Em 1956, publica “Corpo de baile”, novelas, tendo como cenário o mesmo sertão mineiro. A linguagem de grande riqueza apresenta forte plasticidade, com descrição detalhada das regiões.
Nesse mesmo ano, apresenta seu único romance “Grande sertão: veredas” focando numa nova dimensão a religião e o povo simples do sertão de Minas Gerais. Nele exibe com brilhantismo sua capacidade de divulgar seu mundo.
Com isso, ficou reconhecido como figura singular no panorama de nossa literatura moderna, e o romance foi considerado verdadeira obra prima.
Em 1963, é eleito membro efetivo da Academia Brasileira de Letras, mas não
toma posse, receando a emoção da noite.
Seus livros são traduzidos para vários idiomas: inglês, italiano, alemão.
Em meados de 1967 publica “Tutaméia”, outra coletânea de contos, que revelava uma obscuridade em suas particularidades e foi considerada uma bomba atômica da literatura brasileira.
No dia 16 de novembro de 1967, finalmente decide tomar posse na Academia Brasileira de Letras, vindo a falecer três dias após, em 19 de novembro de 1967.
Na manhã seguinte, seu corpo foi transportado para a Academia Brasileira de
Letras, onde pôde ser visitado por centenas de pessoas, desde anônimos a
figuras ilustres da nossa política e da nossa literatura.
Sua morte teve grande repercussão na imprensa do Brasil e do exterior.O
jornal “O Estado de São Paulo” publicou a notícia de sua morte ressaltando
uma das frases de seu discurso de posse na Academia: “As pessoas não
morrem, ficam encantadas”.

Sobre “Guimarães Rosa” se disse:
“Rosa dos seus e dos outros,
Rosa da gente e do mundo,
Rosa de intensa poesia
De fino olor sem segundo: Rosa do rio e da rua,
Rosa do sertão profundo!”
Manuel Bandeira
“João era fabulista?
Fabuloso?
Fábula? (…)
Ficamos sem saber o que era joão
E se João existiu
De se pegar.”
Carlos Drummond de Andrade
“Autor absolutamente inqualificável,
a não ser nas categorias do gênio.
isto é, dos grandes isolados.”
Tristão de Athayde
É hoje –
como a arquitetura de Brasília,
uma das conquistas mundias da cultura
brasileira.”
Afonso Arinos
Conclusão
Criou seu regionalismo através de pesquisas particulares. Ele viajou, viu, conversou e estudou jagunços, vaqueiros, coronéis, peões, prostitutas e beatas. Tomava anotações de todas as conversas e observava as peculiaridades que lhe pareciam diferentes. E daí surgiu a mais importante de suas características: o uso da linguagem viva, tal como é empregada pelo povo
da terra que lhe serviu de braço.
As histórias de Guimarães Rosa tem caráter de fábulas, que revelam uma visão global da existência, que revelam uma visão global da existência, fundido tudo numa realidade em que estão presentes os planos geográfico, folclórico, social, econômico, político e psicológico, transmitidos pela sua arte de escritor.
“João Guimarães Rosa é tudo isso: passado, presente e futuro, bem e mal, divino e demoníaco, uno e múltiplo, microcosmo e universo, tudo visto em uma única e enorme dimensão como um dos grandes para muitos, o maior dos escritores brasileiros.”

Bibliografia
ENCICLOPÉDIA ABRIL. S. Paulo: Abril Cultural, 1972, v.6.
GARBUGLIO, José Carlos. O mundo movente de Guimarães Rosa. S. Paulo:
Ática, 1972.

IBGE divulga relatório sobre desenvolvimento sustentável

Cerradania

O IBGE lançou na ultima sexta-feira (19) um relatório com 63 indicadores, incluindo várias séries históricas, que traçam um panorama da sustentabilidade da forma de desenvolvimento do Brasil.
A 6ª edição dos Indicadores de Desenvolvimento Sustentável (IDS) Brasil 2015 mostra que o país está avançando em diversas áreas ambientais, sociais e econômicas, mas tem muito por avançar em outras.
Mata Atlântica e Cerrado.
O relatório apresenta ainda a quantidade de áreas remanescentes de vegetação nos demais biomas brasileiros. A partir de informações do Ibama, o documento mostra que, até 2012, restavam 14,5% da vegetação original de Mata Atlântica (189,5 mil km² de 1,3 milhão de km²).
Do Pampa, presente na Região Sul, até 2009 restavam 36%, o equivalente a 63,7 mil km². Até 2010, o Cerrado teve desmatado 49,1% de sua vegetação original, restando 1,03 milhão de km².
Do Pantanal, ainda há 84,6% de área preservada, o que totaliza 127,2…

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IBGE divulga relatório sobre desenvolvimento sustentável

O IBGE lançou na ultima sexta-feira (19) um relatório com 63 indicadores, incluindo várias séries históricas, que traçam um panorama da sustentabilidade da forma de desenvolvimento do Brasil.
A 6ª edição dos Indicadores de Desenvolvimento Sustentável (IDS) Brasil 2015 mostra que o país está avançando em diversas áreas ambientais, sociais e econômicas, mas tem muito por avançar em outras.
Mata Atlântica e Cerrado.
O relatório apresenta ainda a quantidade de áreas remanescentes de vegetação nos demais biomas brasileiros. A partir de informações do Ibama, o documento mostra que, até 2012, restavam 14,5% da vegetação original de Mata Atlântica (189,5 mil km² de 1,3 milhão de km²).
Do Pampa, presente na Região Sul, até 2009 restavam 36%, o equivalente a 63,7 mil km². Até 2010, o Cerrado teve desmatado 49,1% de sua vegetação original, restando 1,03 milhão de km².
Do Pantanal, ainda há 84,6% de área preservada, o que totaliza 127,2 mil km². Ainda de acordo com o relatório do IBGE, 46,6% da Caatinga foram desmatados até 2009, restando 441,2 mil km² do bioma.
Entre 2008 e 2013, o Cerrado foi o bioma que mais registrou focos de queimada, de acordo com os dados do IBGE, a partir do monitoramento de focos de calor do Inpe.
No período, o Brasil registrou 937,7 pontos de calor, sendo que 373,7 mil (39,8%) ocorreram nos oito estados que compõem o Cerrado.
Os dados do relatório do IBGE mostram que 1.152 espécies da flora e da fauna brasileira são consideradas ameaçadas de extinção. Os números apresentados são de 2008, portanto o número desde então pode ter aumentado.
A Mata Atlântica é o bioma brasileiro com a maior quantidade de espécies da flora e fauna ameaçadas de extinção. São 544 espécies (275 da flora e 269 da fauna) em risco de desaparecer.
A quantidade de agrotóxico entregue ao consumidor final mais que dobrou entre 2000 e 2012, segundo o IBGE. Em 2012, esse número chegou a 6,9 kg/ha.
O relatório apontou que os produtos considerados perigosos foram os mais representativos, respondendo por 64,1% dos itens comercializado entre 2009 e 2012. Segundo o especialista do IBGE, esse resultado foi puxado por um herbicida denominado glifosato.
“É um produto medianamente perigoso e muito usado na cultura da soja. Está-se usando muito no país, principalmente na área do Cerrado e do Centro-Oeste. Glifosato é o componente mais comercializado”, disse Rodrigo Pereira, gerente de estudos ambientais da coordenação de recursos naturais e estudos ambientais do IBGE.
Doenças por falta de saneamento diminuíram
De 2000 a 2013, diminuíram as internações por doenças relacionadas a falta de saneamento ambiental no Brasil. Se, em 2000, havia 326,1 internações por esse tipo de doença a cada 100 mil habitantes, em 2013, o número caiu para 202,6 a cada 100 mil.
Nesse período, diminuíram os casos de doenças de transmissão feco-oral, de transmissão pela água e relacionadas com a higiene, aponta o IBGE. As doenças transmitidas por insetos, porém, aumentaram. Em 2000, foram 22 casos por 100 mil habitantes, número que subiu para 34,9 casos por 100 mil habitantes em 2013.
A região com maior incidência desse tipo de doença em 2013 foi o Norte. Já o Sudeste foi a região com a menor incidência do problema.
Menos energia renovável
A energia renovável – hidrelétrica, gerada com lenha e carvão vegetal, derivados da cana-de-açúcar, entre outras fontes primárias renováveis – perdeu participação na matriz energética brasileira em 2012, mostra o IDS. Naquele ano, ela registrou sua menor participação em uma década: 42,4%.
“Houve queda forte na cana de açúcar e derivados, queda na hidráulica, em função principalmente de fatores climáticos. Estamos passando por uma certa seca. Isso já vem de algum tempo. A lenha também: na medida que diminuiu o desmatamento, diminui a lenha”, explica o pesquisador de Recursos Naturais do IBGE, Júlio Gonçalves.
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Mais energia não-renovável
A participação de energia não-renovável na matriz energética brasileira cresceu de 56,1%, em 2003, para 57,6%, em 2012, “principalmente na oferta de petróleo e derivados, que passou de 36,7% para 39,2%, entre 2008 e 2012. “Isso se deve à descoberta das reservas de pré-sal e ao crescimento das vendas dos automóveis”, ressaltou o IBGE. “ A produção de petróleo e gás começa a subir a partir de 2008.O que está crescendo são as outras fontes de energia não-renováveis”, completou Gonçalves.
De acordo com ele, no entanto, as participações totais das não-renováveis estão caindo.
“Petróleo e gás são os que puxam a não-renovável para ampliar a sua participação na matriz energética”, completou o pesquisador.
Consumo energético
O estudo mostrou também “A população cresceu 1,2% ao ano em média, enquanto o consumo de energia exibiu crescimento de 3,3% ao ano”, avaliou o IBGE.

A publicação completa pode ser acessada pelo link http://www.ibge.gov.br/home/geociencias/recursosnaturais/ids/default_2015.shtm.

O fogo e o cerrado

Um tema muito controverso, mas que temos que debater. Antes de mais nada, atente muito bem o leitor para o fato de que vamos tratar dos efeitos do fogo sobre o cerrado nativo, não sobre aquelas áreas em que ele é derrubado, destruído em sua vegetação e sua fauna,para a implantação de agricultura ou pecuária em pastagens cultivadas. Neste caso a situação é muito diversa, os efeitos por vezes totalmente opostos.
Intencionalmente deixamos para discutir por último este fator, de extraordinária importância para o Bioma do Cerrado, seja pelos múltiplos e diversificados efeitos ecológicos que exerce, seja por ser ele uma excelente ferramenta para o manejo de áreas de Cerrado, com objetivos conservacionistas. “Mas”… o leitor diria intrigado: “como conservar, ateando fogo ao Cerrado?”. A resposta é simples: proteção total e absoluta contra o fogo no Cerrado é uma utopia, é extremamente difícil. O acúmulo anual de biomassa seca, de palha, acaba criando condições tão favoráveis à queima que qualquer descuido com o uso do fogo, ou a queda de raios no início da estação chuvosa, acabam por produzir incêndios tremendamente desastrosos para o ecossistema como um todo, impossíveis de serem controlados pelo homem. Neste caso é preferível prevenir tais incêndios, realizando queimadas programadas, em áreas limitadas e sucessivas, cujos efeitos poderão ser até mesmo benéficos. Tudo depende de sabermos manejar o fogo adeqüadamente, levando em conta uma série de fatores, como os objetivos do manejo, a direção do vento, as condições de umidade e temperatura do ar, a umidade da palha combustível e do solo, a época do ano, a freqüência das queimadas etc. É assim que se faz em outros biomas savânicos, semelhantes aos nossos Cerrados, de países como África do Sul, Austrália, onde a cultura ecológica é mais científica e menos emocional do que a nossa.
Grandes incêndios certamente ocorriam, só que não eram desastrosos. Não existiam cêrcas de arame farpado prendendo os animais. Eles podiam fugir livremente do fogo, para as regiões vizinhas. Por outro lado, áreas eventualmente dizimadas pelo fogo podiam ser repovoadas pelas populações adjacentes.Cerrado queimado Hoje é diferente. Além das cêrcas, a vizinhança de um Parque Nacional ou qualquer outra unidade de conservação, é formada por fazendas, onde a vegetação e a fauna natural já não mais existem. O Parque Nacional das Emas, no sudoeste de Goiás, por exemplo, é uma verdadeira ilha de Cerrado, em meio a um mar de soja. Se a sua fauna for dizimada por grandes incêndios, ele não terá como ser naturalmente repovoado, uma vez que essa fauna já não mais existe nas vizinhanças. Manejar o fogo em unidades de conservação como esta é uma necessidade urgente, sob pena de vermos perdida grande parte de sua biodiversidade.

reportagem
http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/ambiente/desmatamento-cerrado-diminuicao-taxa-anual-639891.shtml

Como são as nossas flores do cerrado

De acordo com a Embrapa, existem por volta de sete mil espécies de plantas com flores nos Cerrados, mas, como muitas espécies continuam sendo catalogadas, acredita-se que possam existir até dez mil. Boa parte dessas plantas (44%) só existem nos domínios de Cerrado. ( fotos de Felipe Noronha)

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Tags: belezas do Cerrado, flora, flores do Cerrado, plantas com flores, vegetação

sos cerrado, no Jardim Botanico

Vale a pena, afinal, é tambem uma questão de cerradania

Uma oportunidade de realizar um grande trabalho a favor do meio ambiente e do cerrado!
Convidamos voluntários para ajudar nas atividades do Encontro no Jardim Botânico. Divulguem!

sou mais cerrado

Lavrado de Roraima, Brasil em sua intensa biodiversidade

foto aerea do lavrado.       Impressionante imagem na Amazonia

Com um ecossistema único, o lavrado, uma grande área aberta que à primeira vista parece um descampado. Um capinzal quase sem vida. Mas não é isso não. Em torno da lagoa temporária, formada somente pela chuva, encontra-se capivaras, jacaré, tuiuiú, garças, patos, marrecos. Centenas de aves, talvez milhares. As aves aquáticas dependem desse ambiente para se alimentar e descansar. Muitas são migratórias, vêm da América do Norte.
O lavrado é assim: às vezes exuberante, às vezes, envergonhado. Com atrações, basta treinar o olhar.
A única maneira de ver a dimensão do lavrado é subindo em pedras para chegar lá em cima sem a ajuda de equipamentos, só escalando.

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anomaloglossus-tepequem Este pequeno anfíbio, ao ser apresentado à comunidade científica, já está provavelmente extinto, segundo os pesquisadores.


Rã negra (Oreophrynella quelchii) – endêmica do Lavrado


É um imenso bloco de granito bem no meio do lavrado. O formato às vezes lembra um cogumelo gigante, às vezes a cabeça de uma baleia. É uma escultura que a natureza levou milhões de anos pra lapidar.   Nesta região encontram-se atrações turísticas como os Buritizais que margeiam os rios, os Cavalos Lavradeiros em toda a extensão dos Lavrados do Maruai, a revoada de garças às margens dos muitos lagos da região, a mística Pedra Pintada e ainda se pode ver o tamanduá bandeira em sua busca de alimentação.

jardim de plantas carnivoras- endemicas da região

Um patrimônio fantástico da nossa pré-história, dentro das terras dos índios Macuxis. A pedra pintada já serviu de moradia e abrigo para os primeiros habitantes do que hoje é o estado de Roraíma. Eles deixaram muitos sinais: as inscrições, que têm resistido ao sol e à chuva, foram feitas com uma mistura de rocha avermelhada, triturada, água e gordura animal. As mais antigas, dizem os arqueólogos, são de três mil anos. Não bastasse a paisagem, ainda mais linda no fim de tarde, a pedra pintada dá um outro presente. Os portugueses levaram cavalos para lá no período colonial.                                                   O lavrado de Roraima, uma das áreas abertas mais extensas do domínio morfoclimático amazônico no Brasil, tem uma rica diversidade de espécies de anfíbios e répteis distribuída nos hábitats regionais deste ecossistema. A maior área de campos naturais da Amazônia, o Lavrado de Roraima, é um ambiente , que apesar das semelhanças com o Cerrado do Planalto Central, possui fauna e flora específicas.O número estimado por quilômetro quadrado de plantas é quatro vezes maior do que as savanas do Centro-Oeste brasileiro. São mais de 600 espécies animais registradas, muitas delas exclusivas desta região. Mesmo com a ameaça da expansão do agronegócio pairando sobre estes ricos ecossistemas amazônicos, ainda não existe um hectare sequer de área protegida nos 4 milhões de hectares de campos naturais em Roraima.
Apesar de parecido com a paisagem do Centro-Oeste, os campos naturais de Roraima possuem uma diversidade estimada de espécies de plantas por quilômetro quadrado maior que a do cerrado (0,0125 espécie/km2 contra 0,0032 espécie/km2). Isto é por conta da maior extensão em área dos cerrados do Brasil Central, que dilui a densidade de espécies por unidade de área. Entretanto, o lavrado está no Hemisfério Norte, cercado pela Floresta Amazônica e pelo Planalto das Guianas, o que confere à paisagem características e evolução natural únicas.
“Cerca de 210 espécies de aves ocorrem no lavrado”, segundo a proposta de criação do parque. Exemplos de endemismos são o joão-da-barba-grisalha (Synallax kollari) e o chororó-do-rio-branco (Cercomacra carbonaria), que estão na lista da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza) de espécies ameaçadas. Entre as 158 espécies de cobras e lagartos registradas em Roraima, 76 delas ocorrem no lavrado, em muitos casos exclusivamente.
A criação do parque não garante a preservação de toda a diversidade existente no lavrado de Roraima, apenas uma amostra desta região especial, não só do ponto de vista ecológico, mas também histórico. A ocupação do extremo norte brasileiro está relacionada à criação extensiva de gado, trazido pelos portugueses no século XVIII e que mais tarde abasteceu o mercado de Manaus no auge do período da borracha, entre 1890 e 1910.

João de Barro de barba ( Synallaxis kollari) Foto de Arthur Grosset

As matas de galeria que seguem alguns dos rios que cortam o Lavrado são o único hábitat de um simpático passarinho, o joão-de-barba-grisalha, Synallaxis kollari, (foto abaixo). A espécie, descrita a partir de cinco exemplares coletados em 1832 pelo grande naturalista Johann Natterrer, passou mais de 100 anos sem registros até ser redescoberta na década de 1950. MONTE RORAIMA: UMA ILHA NO CÉU
Há todo tipo de ilhas, não necessariamente cercadas de água, e o Monte Roraima é uma delas. Quem vem da savana distingue um bloco só, rocha única e descomunal rodeada de planície por todos lados, que parece ter brotado do chão como se fosse a crista de alguma cordilheira subterrânea. É uma montanha esquisita, vale dizer, sobretudo porque, em vez de um vértice como cume, o que existe é um platô, extenso e achatado, que as escarpas íngremes suspenderam 500 metros acima do solo. Para os homens, não existe caminho que leve ao topo senão um só, e ele exige ao menos dois dias de caminhada. Uma vez lá em cima, a sensação de isolamento se agrava. Primeiro, pelas pedras das mais estranhas formas que habitam o lugar, coisa que nem parece deste mundo. E também porque, quando o tempo esquenta, as nuvens equatoriais encostam nos penhascos e envolvem de tal modo a montanha que em tudo ela se assemelha a uma ilha, só que pendurada no céu, abraçada por um oceano de névoa.
O Monte Roraima é uma montanha localizada na América do Sul, na tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana. Constitui um tepui, um tipo de monte em formato de mesa bastante característico do Planalto das Guianas. Delimitado por falésias de cerca de 1.000 metros de altura, seu platô apresenta um ambiente totalmente diferente da floresta tropical e da savana que se estende a seus pés. Assim, o alto índice pluviométrico promoveu a formação de pseudocarstes e de numerosas cavernas, além do processo de lixiviação do solo.
A flora adaptou-se a essas condições climáticas e geológicas com um elevado grau de endemismo, onde encontram-se diversas espécies de plantas carnívoras – que retiram dos insetos capturados os nutrientes que faltam no solo.
A fauna também é marcada por um acentuado endemismo, especialmente entre répteis e anfíbios. Esse ambiente é protegido no território venezuelano pelo Parque Nacional Canaima e no território brasileiro pelo Parque Nacional do Monte Roraima. Seu ponto culminante eleva-se no extremo sul, no estado venezuelano de Bolívar, a 2810 metros de altitude. O segundo ponto mais alto, com 2772 metros, localiza-se ao norte do platô, em território guianense, próximo ao marco de fronteira entre os três países.
O monte serviu como fonte de inspiração para a ficção do inglês Arthur Conan Doyle escrever O Mundo Perdido, que narra às aventuras de um jornalista e um professor de ciências na região dos tepuis.
Em sua estrutura fisiológica, esta região pertence ao conjunto de paisagens denominadas de mosaicos de manchas, isto porque possui uma matriz dominante, formada pelos campos de gramíneas e ciperáceas; manchas de ilhas de mata, lagos e manchas antrópicas; e extensos corredores que entrecortam essa matriz em muitas áreas, formados não somente pelas veredas de buritizais e matas de galerias, mas também pelas estradas que mobilizam a população dos municípios que pertencem a essas áreas. Além disso, em se tratando de localização estratégica e geopolítica do Estado, é na paisagem do lavrado que os principais fluxos econômicos e culturais precisam atravessar de um corredor amazônico ao caribe venezuelano de Sul ao Norte e também na fronteira com a Guiana em sua porção Nordeste.
Baseado: artigo de BARBOSA, R.I.; CAMPOS, C.; PINTO, F.; FEARNSIDE, P.M. 2007. The “Lavrados” of Roraima: Biodiversity and Conservation of Brazil’s Amazonian Savannas. Functional Ecosystems and Communities, 1(1): 29-41.  http://acaminharpor.blogspot.com.br/2012_04_01_archive.html

Algumas aves do bioma Cerrado

Aves do Cerrado

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Seriema ( arquivo brasil Escola)

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Ema (Rhea americana)

Ema (Rhea americanaAve com peso de aproximadamente 30 kg, sua carne pode ser utilizada como alimento. Essa ave é constantemente encontrada no sistema de campo. Porém, considerando a sua distribuição em outras regiões do mundo, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) atribui a ela o status de espécie quase ameaçada (NT, Near Threatened). Seriema (Cariama cristata). Essa ave possui peso relativo de 2 a 3 kg, transita com maior frequência no subsistema de campo de cerrado. Segundo a IUCN, tal espécie apresenta risco mínimo de extinção (LC, Least Concern). Pavãozinho-do-pará (Eurypyga helias) Possui peso quando adulto de até 500 g e é comum transitar no subsistema de matas ciliares. Segundo a IUCN, também apresenta risco mínimo.

Jaó (Crypturellus undulatus)

Jaó (Crypturellus undulatus) Ave com peso aproximado em fase adulta de 800g, ocorre com maior frequência nos subsistemas de mata e mata ciliar.  Essa espécie apresenta risco mínimo de extinção, segundo a IUCN. Inhambu-xintã (Crypturellus tataupa) Na fase adulta, atinge até 100g, transita com maior frequência nos subsistemas de cerradão, mata e mata ciliar. Também está em risco mínimo de extinção. Inhambu-chororó (Crypturellus parvirostrisAve que possui na fase adulta peso de até 150g, é mais comum encontrá-la nos subsistemas de cerrado, cerradão e mata. Risco mínimo de extinção. Codorna-do-nordeste (Nothura boraquira) Possui peso de aproximadamente 250g quando adulto, transita com mais frequência no subsistema de campo. Status de conservação: risco mínimo de extinção.

Coruja-orelhuda (Asio clamator) unicentro

Coruja-da-igreja, ou suindara (Tyto alba).

Coruja-buraqueira (Athene cunicularia) Ave que pesa na fase adulta 150g, é mais encontrada no subsistema de campo.  Risco mínimo. Caburé (Glaucidium brasilianum)   Na fase adulta, chega a pesar 100g, transita com maior frequência nos subsistemas de cerrado, cerradão e mata.  Risco mínimo.                                                                 Coruja-da-igreja, ou suindara (Tyto alba).     Quando adulta, pesa aproximadamente 400g, é mais encontrada nos subsistemas de campo e cerrado. Risco mínimo. Coruja-orelhuda (Asio clamator)   Quando adulto, chega a pesar até 500g, ocorre nos subsistemas de cerrado, cerradão e mata.  Risco mínimo de extinção. Arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus) Ave que pesa em sua fase adulta cerca de 1 kg, é mais encontrada nos subsistemas de veredas e ambientes alagadiços, porém pode transitar em todos outros subsistemas do cerrado. Apresenta-se em perigo de extinção. (EN, Endangered) Arara-canindé (Ara ararauna). Peso na idade adulta: 1 kg. Risco mínimo. Arara-vermelha-grande (Ara chloropterusAve que atinge em sua fase adulta peso de aproximadamente 1 kg, transita em todos os subsistemas. Risco mínimo.

Arara-canindé (Ara ararauna)

Arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus)

Papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva). Pesa, quando adulto, aproximadamente de 300g. Risco mínimo de extinção. Periquitão-maracanã (Aratinga leucophthalma).Ave que possui peso em sua fase adulta de 300g, ocorre nos subsistemas de veredas e ambientes alagadiços e campo. Risco mínimo. Mutum-de-penacho (Crax fasciolata). Peso adulto de cerca de 2 a 3 kg, transita com maior frequência no subsistema de matas ciliares. Risco mínimo.

Jacucaca (Penelope jacucaca)

Jacucaca (Penelope jacucaca). Ave que pesa na fase adulta cerca de 500g, transita com maior frequência nos subsistemas de cerradão e mata.  Encontra-se vulnerável (VU, Vulnerable) Aracuã-do-pantanal (Ortalis canicollis) Peso adulto de 500g, transita principalmente nos subsistemas de matas ciliares, veredas e ambientes alagadiços. Risco mínimo. Pomba-galega (Patagioenas cayennensis) Peso de aproximadamente 200g, ocorre com mais frequência nos subsistemas de veredas e ambientes alagadiços.  Risco mínimo. Pomba-trocal (Patagioenas speciosa).Peso adulto de 200g, ocorre nos subsistemas de veredas e ambientes alagadiços. Risco mínimo. Juriti-pupu (Leptotila verreauxi). Ave que pesa na fase adulta aproximadamente 200g, transita com maior frequência no subsistema de cerrado. Risco mínimo. Pomba-de-bando (Zenaida auriculata) Na fase adulta, pesa 300g, ocorre nos subsistemas de campo, cerrado e cerradão.  Risco mínimo. Tucanuçu (Ramphastos toco). O peso adulto da ave é de aproximadamente 250g, transita com maior frequência no subsistema de campo. Risco mínimo.

Tucano-de-bico-preto (Ramphastos vitellinus)

Tucano-de-bico-preto (Ramphastos vitellinus). Ave com peso, quando adulto, de aproximadamente 250g, é mais encontrado no subsistema de campo. Risco mínimo. Araçari-castanho (Pteroglossus castanotis) Quando adulto, pesa aproximadamente 200g, transita com maior frequência nos subsistemas de cerrado, cerradão, mata e matas ciliares. Risco mínimo. Marreca-de-coleira (Callonetta leucophrys) Ave com peso quando adulto de aproximadamente 1,5 kg, ocorre com maior frequência nos subsistemas de veredas e ambientes alagadiços. Risco mínimo. Asa-branca (Dendrocygna autumnalis). Ave com peso adulto de aproximadamente 1kg, ocorre com maior frequência nos subsistemas de veredas e ambientes alagadiços.  Risco mínimo. Pé-vermelho (Amazonetta brasiliensis) Quando adulto, pesa aproximadamente 1kg, transita com maior frequência nos subsistemas de veredas e ambientes alagadiços. Risco mínimo. Anhuma-poca, ou tachã (Chauna torquata). Ave com peso na fase adulta de aproximadamente 3 a 4 kg, ambos ocorrem nos subsistemas de veredas e ambientes alagadiços.  Risco mínimo.

Curicaca (Theristicus caudatus)

Garça-moura (Ardea cocoi). Pode atingir na fase adulta aproximadamente 3 kg, é mais encontrada nos subsistemas de veredas e ambientes alagadiços.  Risco mínimo. Curicaca (Theristicus caudatus). Ave que pesa na fase adulta aproximadamente 1 kg, transita com maior frequência nos subsistemas de matas ciliares e campo. Risco mínimo.

Edição baseada no trabalho de Eduardo de Freitas. Graduado em Geografia. Equipe Brasil Escola

Central do Cerrado – Produtos Ecossociais

Citizenship actions in the Cerrado biome

Rede MAIS Vida no Cerrado

O berço das águas corre perigo

biomas do cerrado

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WWF - Latest

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ISPN

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Cerratinga

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Museu Virtual de Ciência e Tecnologia - Cerrado

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Day by Day the Farm Girl Way...

Simple life on a little piece of land.

Cerradania

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Maravilhas do Cerrado

"O uso da fotografia e cultura digital para fomento da educação ambiental"

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