Lavrado de Roraima, Brasil em sua intensa biodiversidade

foto aerea do lavrado.       Impressionante imagem na Amazonia

Com um ecossistema único, o lavrado, uma grande área aberta que à primeira vista parece um descampado. Um capinzal quase sem vida. Mas não é isso não. Em torno da lagoa temporária, formada somente pela chuva, encontra-se capivaras, jacaré, tuiuiú, garças, patos, marrecos. Centenas de aves, talvez milhares. As aves aquáticas dependem desse ambiente para se alimentar e descansar. Muitas são migratórias, vêm da América do Norte.
O lavrado é assim: às vezes exuberante, às vezes, envergonhado. Com atrações, basta treinar o olhar.
A única maneira de ver a dimensão do lavrado é subindo em pedras para chegar lá em cima sem a ajuda de equipamentos, só escalando.

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anomaloglossus-tepequem Este pequeno anfíbio, ao ser apresentado à comunidade científica, já está provavelmente extinto, segundo os pesquisadores.


Rã negra (Oreophrynella quelchii) – endêmica do Lavrado


É um imenso bloco de granito bem no meio do lavrado. O formato às vezes lembra um cogumelo gigante, às vezes a cabeça de uma baleia. É uma escultura que a natureza levou milhões de anos pra lapidar.   Nesta região encontram-se atrações turísticas como os Buritizais que margeiam os rios, os Cavalos Lavradeiros em toda a extensão dos Lavrados do Maruai, a revoada de garças às margens dos muitos lagos da região, a mística Pedra Pintada e ainda se pode ver o tamanduá bandeira em sua busca de alimentação.

jardim de plantas carnivoras- endemicas da região

Um patrimônio fantástico da nossa pré-história, dentro das terras dos índios Macuxis. A pedra pintada já serviu de moradia e abrigo para os primeiros habitantes do que hoje é o estado de Roraíma. Eles deixaram muitos sinais: as inscrições, que têm resistido ao sol e à chuva, foram feitas com uma mistura de rocha avermelhada, triturada, água e gordura animal. As mais antigas, dizem os arqueólogos, são de três mil anos. Não bastasse a paisagem, ainda mais linda no fim de tarde, a pedra pintada dá um outro presente. Os portugueses levaram cavalos para lá no período colonial.                                                   O lavrado de Roraima, uma das áreas abertas mais extensas do domínio morfoclimático amazônico no Brasil, tem uma rica diversidade de espécies de anfíbios e répteis distribuída nos hábitats regionais deste ecossistema. A maior área de campos naturais da Amazônia, o Lavrado de Roraima, é um ambiente , que apesar das semelhanças com o Cerrado do Planalto Central, possui fauna e flora específicas.O número estimado por quilômetro quadrado de plantas é quatro vezes maior do que as savanas do Centro-Oeste brasileiro. São mais de 600 espécies animais registradas, muitas delas exclusivas desta região. Mesmo com a ameaça da expansão do agronegócio pairando sobre estes ricos ecossistemas amazônicos, ainda não existe um hectare sequer de área protegida nos 4 milhões de hectares de campos naturais em Roraima.
Apesar de parecido com a paisagem do Centro-Oeste, os campos naturais de Roraima possuem uma diversidade estimada de espécies de plantas por quilômetro quadrado maior que a do cerrado (0,0125 espécie/km2 contra 0,0032 espécie/km2). Isto é por conta da maior extensão em área dos cerrados do Brasil Central, que dilui a densidade de espécies por unidade de área. Entretanto, o lavrado está no Hemisfério Norte, cercado pela Floresta Amazônica e pelo Planalto das Guianas, o que confere à paisagem características e evolução natural únicas.
“Cerca de 210 espécies de aves ocorrem no lavrado”, segundo a proposta de criação do parque. Exemplos de endemismos são o joão-da-barba-grisalha (Synallax kollari) e o chororó-do-rio-branco (Cercomacra carbonaria), que estão na lista da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza) de espécies ameaçadas. Entre as 158 espécies de cobras e lagartos registradas em Roraima, 76 delas ocorrem no lavrado, em muitos casos exclusivamente.
A criação do parque não garante a preservação de toda a diversidade existente no lavrado de Roraima, apenas uma amostra desta região especial, não só do ponto de vista ecológico, mas também histórico. A ocupação do extremo norte brasileiro está relacionada à criação extensiva de gado, trazido pelos portugueses no século XVIII e que mais tarde abasteceu o mercado de Manaus no auge do período da borracha, entre 1890 e 1910.

João de Barro de barba ( Synallaxis kollari) Foto de Arthur Grosset

As matas de galeria que seguem alguns dos rios que cortam o Lavrado são o único hábitat de um simpático passarinho, o joão-de-barba-grisalha, Synallaxis kollari, (foto abaixo). A espécie, descrita a partir de cinco exemplares coletados em 1832 pelo grande naturalista Johann Natterrer, passou mais de 100 anos sem registros até ser redescoberta na década de 1950. MONTE RORAIMA: UMA ILHA NO CÉU
Há todo tipo de ilhas, não necessariamente cercadas de água, e o Monte Roraima é uma delas. Quem vem da savana distingue um bloco só, rocha única e descomunal rodeada de planície por todos lados, que parece ter brotado do chão como se fosse a crista de alguma cordilheira subterrânea. É uma montanha esquisita, vale dizer, sobretudo porque, em vez de um vértice como cume, o que existe é um platô, extenso e achatado, que as escarpas íngremes suspenderam 500 metros acima do solo. Para os homens, não existe caminho que leve ao topo senão um só, e ele exige ao menos dois dias de caminhada. Uma vez lá em cima, a sensação de isolamento se agrava. Primeiro, pelas pedras das mais estranhas formas que habitam o lugar, coisa que nem parece deste mundo. E também porque, quando o tempo esquenta, as nuvens equatoriais encostam nos penhascos e envolvem de tal modo a montanha que em tudo ela se assemelha a uma ilha, só que pendurada no céu, abraçada por um oceano de névoa.
O Monte Roraima é uma montanha localizada na América do Sul, na tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana. Constitui um tepui, um tipo de monte em formato de mesa bastante característico do Planalto das Guianas. Delimitado por falésias de cerca de 1.000 metros de altura, seu platô apresenta um ambiente totalmente diferente da floresta tropical e da savana que se estende a seus pés. Assim, o alto índice pluviométrico promoveu a formação de pseudocarstes e de numerosas cavernas, além do processo de lixiviação do solo.
A flora adaptou-se a essas condições climáticas e geológicas com um elevado grau de endemismo, onde encontram-se diversas espécies de plantas carnívoras – que retiram dos insetos capturados os nutrientes que faltam no solo.
A fauna também é marcada por um acentuado endemismo, especialmente entre répteis e anfíbios. Esse ambiente é protegido no território venezuelano pelo Parque Nacional Canaima e no território brasileiro pelo Parque Nacional do Monte Roraima. Seu ponto culminante eleva-se no extremo sul, no estado venezuelano de Bolívar, a 2810 metros de altitude. O segundo ponto mais alto, com 2772 metros, localiza-se ao norte do platô, em território guianense, próximo ao marco de fronteira entre os três países.
O monte serviu como fonte de inspiração para a ficção do inglês Arthur Conan Doyle escrever O Mundo Perdido, que narra às aventuras de um jornalista e um professor de ciências na região dos tepuis.
Em sua estrutura fisiológica, esta região pertence ao conjunto de paisagens denominadas de mosaicos de manchas, isto porque possui uma matriz dominante, formada pelos campos de gramíneas e ciperáceas; manchas de ilhas de mata, lagos e manchas antrópicas; e extensos corredores que entrecortam essa matriz em muitas áreas, formados não somente pelas veredas de buritizais e matas de galerias, mas também pelas estradas que mobilizam a população dos municípios que pertencem a essas áreas. Além disso, em se tratando de localização estratégica e geopolítica do Estado, é na paisagem do lavrado que os principais fluxos econômicos e culturais precisam atravessar de um corredor amazônico ao caribe venezuelano de Sul ao Norte e também na fronteira com a Guiana em sua porção Nordeste.
Baseado: artigo de BARBOSA, R.I.; CAMPOS, C.; PINTO, F.; FEARNSIDE, P.M. 2007. The “Lavrados” of Roraima: Biodiversity and Conservation of Brazil’s Amazonian Savannas. Functional Ecosystems and Communities, 1(1): 29-41.  http://acaminharpor.blogspot.com.br/2012_04_01_archive.html

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