As pessoas não morrem ficam encantadas

Saudades de João, prerrogativa peculiar de ter saudades a nós brasilianos, me faz retratar uma frase dele “As pessoas não morrem, ficam encantadas”.
Por necessidade pessoal, senti uma baita vontade de compartilhar um pouco do que representa as obras rosianas para o cerrado brasileiro. Sucumbi a um texto um pouco mais expansivo, tambem dificil poucas palvaras expressar a grandeza de João.
Diante e a todo instante os maus preságios de idas e vindas de ações desenfreadas e de nossas atividades em conciliar o ímpeto urbano por sobrepor às questões mais distintas da natureza. Não sucumbi, apenas busco uma pausa pra restabelecer qual o rumo.
Guimarães Rosa conseguiu universalizar o regionalismo mineiro. Sua obra flutua entre o realismo épico e o realismo mágico, adaptando o natural, o místico, o fantástico e o infantil em novas perspectivas.GuimaraesRosa
“Faz-se travesseiro com o paletó dobrado e deitar-se no capim, à sombra dos ingás, namorando a ravina florejante… voou uma ave; mas não era hora de canto de passarinhos. Foi Lalino quem cantou: Eu estou triste como sapo na água suja”. Sagarana.
Seu estilo é requintado e elaborado; experimentava linguagem própria, articulada sob uma lógica inexorável. Seus personagens são brilhantemente criados fisicamente e também na sua personalidade marcante de homens rústicos.
“De mim, pessoa, vivo para minha mulher que todo modo-melhor merece, e para a devoção. Bem dela, graças. Amor vem de amor. Em Diadorim penso também, mas Diadorim é minha neblina.” Grande Sertão: veredas.
O cenário é descrito com riqueza de conhecimento da terra, dos animais e plantas do sertão.
“Lhe mostrar os altos claros das Almas: rio despenha de lã, num afã, espuma próspero, gruge; cada cachoeira, só tombos. O cio do tigre preto na Serra do Tatu. Já ouviu gargaragem de onça?… Quem me ensinou a apreciar essas belezas sem dono foi Diadorim.” Grande Sertão: veredas.
Uma de suas preocupações é o aprofundamento da visão pessoal das coisas e seres.
“Por mim, o que pensei, foi: que eu não tive pai; quer dizer isso, pois nem eu nunca soube autorizado o nome dele. Não me envergonho, por ser de escuro nascimento. Órfão de conhecença e de papéis legais. É o que vi mais nestes sertões.” Grande Sertão: veredas.
Em alguns de seus livros, ele radicaliza sua pesquisa lingüística e alcança excelentes efeitos na sonoridade de suas frases.
A arte de Guimarães Rosa é extremamente difícil. Ele repelia o improviso e, com grande esforço, escolhia palavras comuns dando vida às caatingas, às atitudes dos caboclos e aos diálogos cheios de provérbios matutos, aproximando-se inteiramente da língua do interiorano.
“- A onça, o povo dizia que ela tinha vindo de longe. Onça-tigre macha, das do mato-grosso… Onça é bicho doido para caminhar, e que anda só de noite, capeando o que sangrar… Pois, naquela ocasião, eu estava crente que ela estava a muitas léguas de onde é que eu estava… Pensei que andasse pelo Maquine.” Burrinho pedrês.
Seu primeiro livro, “Sagarana”, consagrou-o como escritor, pela inovação e revolução que provocou. Recebeu críticas e ataques, mas não se inova nem renova sem revolução. Foi considerada a melhor prosa regionalista de um período extremamente rico em obras centradas na vida rural brasileira.
“No pastinho. Debaixo de um itapicuru, eu fumava, pensava, e apreciava a tropilha de cavalos, que retouçavam no gramado vasto. A cerca impedia que eles me vissem. E alguns estavam muito perto.” Sagarana.
O impacto de “Sagarana” foi abrandado com a apresentação de “Corpo de baile”, em que sua técnica se aprimorou. “Ia haver a festa. Naquele lugar – nem fazenda, só um reposto, um curraus-degado, pobre e novo ali entre o Rio e a Serra das Gerais, onde o cheiro dos bois apenas começava a corrigir o ar áspero das ervas e árvores do campo-cerrado, e nos matos, manhã e noite, e os grandes macacos roncavam como engenhode- pau moendo.” Corpo de baile / Manuelzão e Miguilim
Mas voltou mais violento com “Grande sertão: veredas”, seu único romance, o livro mais incomum de nossa literatura e um dos romances mais importantes da literatura brasileira. O contato com essa obra empolga e perturba ao mesmo tempo. Empolga pelo imprevisto e pela criatividade inventiva que o singularizaram. Perturba pela capacidade inovadora de sua linguagem e pelos problemas apresentados, envolvendo o leitor no desequilíbrio do personagem – narrador. Lírico e epopéico reconsidera a dimensão do homem simples do interior, mostrando sua luta numa lição de vida.
“Grande sertão” é a história do jagunço Riobaldo, desde a sua entrada num bando até assumir o lugar de chefe pelo voto dos companheiros. Nesse bando conhece Diadorim, misteriosa figura humana, por quem Riobaldo desenvolve, atormentado, uma paixão inconfessável.
“E o pobre de mim, minha tristeza me atrasava, consumido. Eu não tinha competência de querer viver, tão acabadiço, até o cumprimento de respirar me sacava. E Diadorim, às vezes conheci que a saudade dele não me desse repouso; nem o nele imaginar.” Grande sertão: veredas
“A hora e a vez de Augusto Matraga”, conto que foi considerado um dos mais notáveis de nossa literatura, foi transformado em filme, pelos cineastas Roberto Santos e Luís Carlos Barreto.
Outros contos como: “Burrinho pedrês”, “Duelo”, “Conversa de bois”, também foram considerados obras-primas. O mesmo podemos dizer de suas novelas: “Corpo de baile” que foi dividida mais tarde em: “Manuelzão e Miguilim”, “No Urubuquaquá, no Pinhém”, e “Noites do sertão”. Em “Primeiras estórias” e “Tutaméia”, foi minucioso ao afirmar e reafirmar maravilhas.
“Esta é a estória. Ia um menino, com os tios, passar dias no lugar onde se
construía a grande cidade. Era uma viagem inventada no feliz; para ele,
produzia-se em caso de sonho.” Primeiras estórias
O restante de suas obras foi publicado postumamente: “Estas estórias” em 1969 e “Ave, palavra” em 1970.
João Guimarães Rosa foi um fenômeno dentro da literatura brasileira. Surgiu com um volume de contos que marcou nossa literatura. Sua linguagem experimental, sua capacidade, seu modo fictício apuraram o a obra literária, ampliando-lhe extraordinários caminhos.
Espírito criativo era sensível e emotivo. Emoção que causou sua morte ao tomar posse na Academia Brasileira de Letras: três dias aos esta data veio falecer sozinho em sua casa, na mesa de trabalho.
João Guimarães Rosa nasceu em Cordisburgo, Minas Gerais, em 27 de junho de 1908.
Médico dedicado tornou-se respeitadíssimo naquela região.
Foi premiado pela Academia Brasileira de Letras pelo seu primeiro livro de poesias “Magma”; apesar disso, tal obra nunca foi publicada.
Em 1937, a saudade da terra fez com que Guimarães Rosa escrevesse a coletânea de contos “Sagarana”; onde com estilo expressivo, revelam a paisagem mineira com toda a beleza agreste, a vida rural, estórias de gente simples, reais e imaginárias; o mundo no qual passou sua infância e também a juventude. Colocava em sua obra a linguagem rica e original daquela gente, registrando regionalismos nunca antes usados na literatura.
Em 1956, publica “Corpo de baile”, novelas, tendo como cenário o mesmo sertão mineiro. A linguagem de grande riqueza apresenta forte plasticidade, com descrição detalhada das regiões.
Nesse mesmo ano, apresenta seu único romance “Grande sertão: veredas” focando numa nova dimensão a religião e o povo simples do sertão de Minas Gerais. Nele exibe com brilhantismo sua capacidade de divulgar seu mundo.
Com isso, ficou reconhecido como figura singular no panorama de nossa literatura moderna, e o romance foi considerado verdadeira obra prima.
Em 1963, é eleito membro efetivo da Academia Brasileira de Letras, mas não
toma posse, receando a emoção da noite.
Seus livros são traduzidos para vários idiomas: inglês, italiano, alemão.
Em meados de 1967 publica “Tutaméia”, outra coletânea de contos, que revelava uma obscuridade em suas particularidades e foi considerada uma bomba atômica da literatura brasileira.
No dia 16 de novembro de 1967, finalmente decide tomar posse na Academia Brasileira de Letras, vindo a falecer três dias após, em 19 de novembro de 1967.
Na manhã seguinte, seu corpo foi transportado para a Academia Brasileira de
Letras, onde pôde ser visitado por centenas de pessoas, desde anônimos a
figuras ilustres da nossa política e da nossa literatura.
Sua morte teve grande repercussão na imprensa do Brasil e do exterior.O
jornal “O Estado de São Paulo” publicou a notícia de sua morte ressaltando
uma das frases de seu discurso de posse na Academia: “As pessoas não
morrem, ficam encantadas”.

Sobre “Guimarães Rosa” se disse:
“Rosa dos seus e dos outros,
Rosa da gente e do mundo,
Rosa de intensa poesia
De fino olor sem segundo: Rosa do rio e da rua,
Rosa do sertão profundo!”
Manuel Bandeira
“João era fabulista?
Fabuloso?
Fábula? (…)
Ficamos sem saber o que era joão
E se João existiu
De se pegar.”
Carlos Drummond de Andrade
“Autor absolutamente inqualificável,
a não ser nas categorias do gênio.
isto é, dos grandes isolados.”
Tristão de Athayde
É hoje –
como a arquitetura de Brasília,
uma das conquistas mundias da cultura
brasileira.”
Afonso Arinos
Conclusão
Criou seu regionalismo através de pesquisas particulares. Ele viajou, viu, conversou e estudou jagunços, vaqueiros, coronéis, peões, prostitutas e beatas. Tomava anotações de todas as conversas e observava as peculiaridades que lhe pareciam diferentes. E daí surgiu a mais importante de suas características: o uso da linguagem viva, tal como é empregada pelo povo
da terra que lhe serviu de braço.
As histórias de Guimarães Rosa tem caráter de fábulas, que revelam uma visão global da existência, que revelam uma visão global da existência, fundido tudo numa realidade em que estão presentes os planos geográfico, folclórico, social, econômico, político e psicológico, transmitidos pela sua arte de escritor.
“João Guimarães Rosa é tudo isso: passado, presente e futuro, bem e mal, divino e demoníaco, uno e múltiplo, microcosmo e universo, tudo visto em uma única e enorme dimensão como um dos grandes para muitos, o maior dos escritores brasileiros.”

Bibliografia
ENCICLOPÉDIA ABRIL. S. Paulo: Abril Cultural, 1972, v.6.
GARBUGLIO, José Carlos. O mundo movente de Guimarães Rosa. S. Paulo:
Ática, 1972.

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