Cores e formas inéditas no Cerrado

Tão discreta quanto a beleza é a destruição do Cerrado, a grande savana brasileira

Exótico, composto por mosaicos e abrigo de plantas com pequenos, ricos e incontáveis detalhes, o Cerrado responde por um terço de todas as espécies de flores brasileiras descobertas por cientistas de 1990 a 2006. Nesses 17 anos, pesquisadores descobriram e catalogaram no bioma 966 espécies de angiospermas, família de plantas capazes de produzir flores, frutos e sementes. A quantidade de flores do Cerrado, que passaram a ser conhecidas pela comunidade científica há pouco tempo, só é inferior ao número de espécies encontradas na Mata Atlântica (veja o quadro). Supera até as espécies da Amazônia, ainda pouco estudada.
A presença das espécies da Mata Atlântica e do Cerrado no topo da lista, elaborada pelos pesquisadores Marcos Sobral e João Renato Stehmann para uma tese de doutorado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tem pelo menos duas justificativas. A primeira é a riqueza de fauna e flora dos biomas, com áreas endêmicas para diversas espécies (só se manifestam nessas áreas). Outra razão, apontada no estudo dos pesquisadores da UFMG, é o fato de os 2 biomas pertencerem ao grupo das 26 áreas mais relevantes para conservação no planeta.
Orquídeas, leguminosas, bromélias, ervas e arbustos foram as espécies mais encontradas nos últimos 17 anos nos biomas brasileiros. No Cerrado, um único pesquisador – Tarciso Filgueiras, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – catalogou 15 novas espécies de árvores, arbustos e ervas. O botânico Luciano Bianchetti, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), esteve à frente de 15 descobertas de orquídeas pertencentes a uma mesma família. Em 18 anos, o trabalho de Taciana Cavalcanti, também da Embrapa, resultou na catalogação de 29 novas espécies da família Lythraceae.
As descobertas em todo o território brasileiro dão a proporção de 0,59 espécie por quilômetro quadrado, como mostra o levantamento dos dois pesquisadores da UFMG. O ideal, segundo eles, seriam três espécies por quilômetro quadrado. No Cerrado, pesquisadores chegam a encontrar de 11 a 28 espécies de plantas em um único metro quadrado, algumas delas inéditas.
Ao todo, são mais de 12 mil espécies de plantas do bioma já catalogadas. Há 10 anos, eram 6 mil e, na década de 60, a primeira lista citou apenas 200 espécies. Estudiosos estão correndo para não perder informações sobre uma riqueza ainda pouco explorada.
A exploração econômica predominante – que não condiz com o Cerrado em pé – é responsável por índices de desmatamento fora do controle. Em Goiás, resta apenas um terço da vegetação de Cerrado. Em 132 dos 246 municípios goianos restam menos de 20% da cobertura vegetal. A quantidade de autorizações para desmatar aumentou 467% em seis anos. Muitas espécies ainda não descobertas, diante desse cenário, podem ser dizimadas antes da catalogação.

Essências
As orquídeas do Cerrado catalogadas pelo botânico Luciano Bianchetti estão na relação de 966 novas espécies de flores descobertas no bioma de 1990 a 2006. Boa parte delas pode ser usada em ornamentação. Outras podem render essências aromáticas e para a alimentação, mas isso ainda depende de pesquisa. Luciano explica que a essência de baunilha, por exemplo, é extraída de uma orquídea.
Segundo o pesquisador, as orquídeas do Cerrado – as novas espécies são raras, pouco encontradas – se manifestam em áreas abertas, luminosas e úmidas, propícias à agricultura. O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, no nordeste goiano, é onde mais se encontram as novas orquídeas, a exemplo do que ocorre com outras espécies. As plantas inéditas, porém, podem ocorrer em reservas legais de fazendas ou, até mesmo, na beira de uma estrada. “É preciso estudar as condições ecológicas das espécies, para que se preservem as áreas”, ressalta Luciano Bianchetti.

Essa foto de Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros é cortesia do TripAdvisor
Ciência desconhecia taquaruçu
O taquaruçu, conhecido bambu utilizado por comunidades de Santa Terezinha de Goiás, só foi identificado pela ciência há poucos anos. Ganhou o nome de Guadua magna, e foi objeto de uma dissertação de mestrado na Universidade Federal de Goiás (UFG). A identificação científica, inédita, ficou a cargo do doutor em Botânica Tarciso Filgueiras, pesquisador da reserva ecológica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e professor da Universidade de Brasília (Unb). O conhecimento, porém, já existia nas comunidades que vivem do extrativismo no Cerrado.

bambu_inteiro taquaruçu

bambu_inteiro taquaruçu


O taquaruçu tem em média 20 metros de altura e diâmetro de 8 a 12 centímetros. Presente em matas de galeria, o bambu cresce dentro da água. Móveis, camas, cadeiras e cercas são fabricados pela população local com ele. Tarciso Filgueiras acredita que o bambu exista também no Cerrado de Tocantins e do Mato Grosso. O pesquisador descobriu outra espécie de grande porte, na Chapada dos Veadeiros. “É uma árvore com três metros de altura e casca grossa.”

baseado na reportagem de Vinicius Jorge Sassin

About cerradania

Operário das letras, Comunicador e Idealizador da Cerradania, Palestrante,Professor. Letterman, Communicator and Idealizer of Cerradania, Speakers,Teacher.

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