Resíduo orgânico não deve nem sair de casa

Um pouco de informação para cidadania de todos os biomas.
Sem pás, sem enxadas, com pouco espaço. Fácil de manter e de ensinar. Entram sobras de comida, capim e folhas secas e saem flores, temperos, verduras e legumes. Essas são algumas das vantagens do sistema inovador e, ao que tudo indica, único no país, idealizado pelo agrônomo e professor da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) Germano Guttler e batizado de Mini Compostagem Ecológica (MCE).
Implantado com sucesso nas escolas da cidade de Lages (SC) para criação de hortas e cultivo de flores e jardins a partir de 2012, o projeto foi chancelado pelo selo Educare, do Ministério do Meio Ambiente, que indica as ações ambientais mais destacadas no tratamento de resíduos no país.
“A diferença do nosso projeto foi o desenvolvimento de uma técnica simples que permitiu, em apenas dois anos de trabalho, alcançar mais de 80 escolas públicas e também cerca de uma em cada cinco famílias de Lages, de 160 mil habitantes”, conta Guttler.
“Com a Mini Compostagem Ecológica nas hortas, canteiros de flores ou de plantas medicinais não usamos pás ou enxadas, não adubamos e eliminamos no mínimo 80% da necessidade de água”, afirma. “Qualquer cidadão pode participar do projeto”, diz.
Segundo ele, atualmente mais de 30% dos domicílios da cidade fazem algum tipo de compostagem. Em 2012, eram cerca de 12%. O projeto teve verba de desenvolvimento até junho de 2015 e segue agora tocado pela secretaria municipal do meio ambiente de Lages, conta Guttler.
residuo organico domestico
ESCALA
Guttler é radicalmente contra a ideia de coleta seletiva de orgânicos em escala municipal: “Lixo orgânico não pode chegar nem na calçada. Tem que ser resolvido a 20 ou 30 metros da cozinha, no máximo, num jardim ou canteiro”, diz.
“Os sistemas de compostagem coletivos ficam sujeitos à contaminação. Uma bateria descartada incorretamente junto com os resíduos orgânicos dentro de um caminhão pode fazer grande estrago, contaminando todo o lote. Além disso, o custo é muito alto e a logística muito complexa”, diz. “Espero que a nossa experiência se torne uma política pública em outros lugares, como foi feito em Lages”, diz.
Em trabalho escrito para um seminário acadêmico, Guttler indica que análises realizadas no aterro sanitário local depois da adesão das escolas e residências ao programa apontaram que havia de 37% a 41% de resíduos orgânicos na composição do lixo. O percentual é bem abaixo da média nacional de 52% e também abaixo de análises antigas que demonstravam teores entre 55% e 58% no total do lixo da cidade. O professor frisa que não é possível garantir que seja resultado direto do projeto, mas que não há outro programa de orgânicos em vigor na cidade, o que pode indicar essa correlação.
Cada ponto percentual de orgânico naquele aterro específico, em um período de um ano, pode representar uma redução aproximada de 250 toneladas de lixo, ao custo local de R$ 50.000,00, e um aumento de 130 a 170 toneladas de material reciclável, no valor aproximado de R$ 35.000,00 a R$ R$ 50.000,00, devido à descontaminação dos resíduos sólidos pelos orgânicos.
“Portanto, é possível que atualmente a prefeitura de Lages possa estar reduzindo seus custos de coleta e depósito de lixo em mais de R$ 400.000,00 por ano em função deste projeto”, escreve Guttler.
RECEITA DE BOLO
O sistema é realmente simples. Pode ser feito em canteiros e vasos ou no jardim, diretamente sobre a grama. É fundamental a separação correta dos resíduos na cozinha. No local escolhido, deve ser feita uma camada de 8 cm a 20 cm com os resíduos orgânicos. Sobre essa camada, deve ser colocada uma camada de 3 cm a 5 cm de material orgânico de difícil decomposição e granulometria fina, como grama cortada, serragem (de madeira sem resina, sem cola e sem tinta), cinzas e podas de jardim trituradas.
O processo deve ser repetido diariamente, colocando os resíduos orgânicos lado a lado, cobrindo o solo sem deixar espaços entre as porções. Para facilitar a oxigenação, acelerar o processo de decomposição e evitar moscas, é necessário mexer o composto com um garfo de jardim. Os resíduos orgânicos não podem ficar expostos. Se acontecer, cubra novamente com camada de grama, serragem ou palha.
Com esse procedimento, em 30 a 40 dias, garante Guttler, dá para plantar mudas ou sementes de hortaliças, temperos, chás e flores sobre o material já decomposto.
Atualmente afastado do programa para desenvolver seu doutorado sobre compostagem em ambientes urbanos pequenos, Guttler acompanha os relatos de dois estudantes da Udesc que monitoram as escolas.
“O projeto tem tudo para crescer sozinho. A maioria das pessoas quer realizar ações favoráveis ao meio ambiente e quem aprende quer ensinar”, diz.
Com informações da FSP

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