Quem são os vazanteiros

Quando nos referimos às comunidades tradicionais é muito comum que em nosso pensamento logo apareça a ideia de aldeias indígenas e quilombos. No entanto, é necessário esclarecer que o conceito de comunidades tradicionais também insere outros povos como os ribeirinhos. Este é o caso dos vazanteiros do extremo norte de Minas Gerais.

 

Ainda que encontre sérias dificuldades e possa evoluir agregando avanços tecnológicos, o modo de vida tradicional ribeirinho mostra-se sustentável ao conviver e saber tirar proveito da diversidade dos recursos naturais oferecidas pelo rio, articulando agricultura de vazante e de sequeiro (nas roças mais distantes do rio, dependentes das chuvas) com criatório de animais e pesca, como veremos adiante.

Vazanteiros

Denominação mais comum no Médio São Francisco Mineiro, os vazanteiros assim se definem na Carta-Manifesto das mulheres e homens vazanteiros: Povos das águas e das “terras crescentes” do São Francisco:

“Chamam-nos de Vazanteiros porque a nossa agricultura está associada aos ciclos de enchente, cheia, vazante e seca do rio São Francisco. Somos um povo que vive em suas ilhas e barrancas, manejando suas “terras crescentes”, tirando o sustento da pesca, da agricultura, do extrativismo e da criação de animais.”

No Médio São Francisco Baiano, a identidade vazanteiros, ainda que comum como prática, foi subsumida pela identidade quilombolas, como veremos adiante.

A origem dessas comunidades remonta ao tempo dos índios e a seus modos de usar e se relacionar com o rio. Deles, herdaram o transporte em canoas, a pesca e a lavoura de vazante. Atividades que se tornaram fundamentais para os colonizadores portugueses no século XVI, seja no tráfego pelo rio seja no fornecimento de víveres para os trafegantes e, depois, para a implantação das fazendas de gado nas imediações.

vazanteiros_21

A construção de reservatórios para usinas hidrelétricas ao longo da bacia do São Francisco vem sistematicamente reduzindo e mesmo destruindo as áreas de vazantes. E causando profundas alterações na organização e no modo de vida do povo ribeirinho. Cidades foram relocadas, povoados foram desmembrados e a população que não se dispersou buscou reconstruir seu modo de vida à beira mesmo sob as condições transtornadas. Só a barragem de Sobradinho expulsou mais de 8.600 famílias camponesas, cerca de 50.400 pessoas, imensa maioria dependente das vazantes. A gestão dos reservatórios e do volume de vazão das águas do rio unicamente em função da produção de hidreletricidade tem provocado cheias imprevistas e secas repentinas, prejudicando a agricultura de vazante e o secular modo de vida vazanteiro.

O processo de implantação de Unidades de Conservação em áreas de Comunidade tradicional pode estar associado a conservação da diversidade biológica e cultural, evitando assim o processo de desterritorialização. Logo, estas comunidades podem ser aliadas no processo de conservação dos ecossistemas presentes em seu território; haja vista que são exatamente estas áreas, por se encontrarem em melhor estado de conservação, as escolhidas para implantação de Unidades de Conservação. O Estado ao (re) territorializar se apropria de espaços comuns desterritorializando aqueles que antes ocupavam estes espaços.

Assim vivem os Vazanteiros, cultivam os alimentos nas áreas que se formam nas vazantes do rio, convivendo com a beleza das matas, lagoas e campos dos Cerrados. Possuem uma relação de simbiose com seu território e muito conhecimento acerca dos ciclos da natureza.

Bem adaptados às condições de permanentes mudanças provocadas pelas variações das águas do rio, vazanteiros e barranqueiros têm um conhecimento tradicional fruto de mais de quatro séculos de convivência com a natureza. Seguindo as orientações do curso das águas, o povo desenvolve a agricultura de vazante, lameiro e sequeiro. Todo o alimento que produzem vai para a família e o excedente é transportado em embarcações para ser vendido em mercados de cidades vizinhas.

 

Abordagem de dados da http://www.redecerrado.org.br/index.php/povos-e-comunidades-tradicionais

About cerradania

Operário das letras, Comunicador e Idealizador da Cerradania, Palestrante,Professor. Letterman, Communicator and Idealizer of Cerradania, Speakers,Teacher.

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