FRUTAS DO CERRADO

Buriti, cajuzinho-do-mato e cagaita são transformados em doces. Agricultores cuidam para que as colheitas sejam sempre fartas.

Selvagem é outra região de cerrado nativo, que cresce e dá frutos o ano inteiro. O Parque Grande Sertão Veredas fica no interior de Minas Gerais.

Povo destemido esse que mora no interior. Matéria-prima tem em abundância, é só entrar no mato encontrar uma vereda onde nascem os buritis. Eles pegam os frutos que caíram no chão porque já estão maduros. Os pequenos produtores do cerrado mineiro descobriram que preservar a natureza pode ser um grande negócio.

A natureza é generosa. Na simplicidade do sertanejo, está a dica para ter sempre colheitas fartas.

“Se tem três cachos, tiramos dois e deixamos um para os bichinhos”, ensina o agricultor João Cardoso dos Santos.

“A partir do momento que o agricultor começa a ter sua fonte de renda extraída do cerrado não precisa falar para ninguém que tem que preservar – ele mesmo preserva porque sabe que está dando sustentabilidade, gerando renda e convivendo com uma agricultura equilibrada”, explica o presidente da cooperativa, José Correia Quintal.

veredas do vão 1

Veredas do vão com buritis- Grandes Sertões Veredas- MG

O agricultor Júlio Oliveira dos Santos já passou dos 50 anos. Sobe na palmeira com uma agilidade de dar inveja. Lá em cima, escolhe os frutos.

“Eu não imaginava que tinha tanta riqueza na minha propriedade. Sabia que tinha utilidade, que a gente comia a fruta. Agora estamos vendo que a coisa está melhorando. Nunca vou me desfazer da minha terra”, diz Júlio.

Manter o cerrado em pé garante um dinheirinho a mais o ano todo: “Eu ficava a base da roça, a base de colher e aí tinha que sair para trabalhar lá fora. Agora não. Com o buriti eu ganho R$ 25 por dia porque a cooperativa compra toda a quantia de óleo e polpa que chegar”, conta Júlio.

Na língua tupi, buriti significa árvore da vida. Não é para menos: madeira, palha, fruto, tudo se aproveita.

Um mutirão é organizado para retirar a polpa. “O buriti é bastante cremoso, ele é rico em óleo e tem um óleo muito colorado, tipo ucucum”, explica o presidente da cooperativa.

A massa é diluída em água. Um líquido amarelo vai para o fogo. O óleo do buriti é usado na culinária pelos sertanejos. Rico em vitamina A, também é aplicado como cicatrizante.

As mulheres preparam a polpa para os doces. Em uma peneira rudimentar, elas rolam a fruta e retiram a carne amarela.

“Fazemos farinha, geleia, doce”, conta a agricultora Hilda Antônia Marques.

O sabor do cerrado conquistou o gosto dos brasileiros. Difícil resistir. Mas que gosto tem? Uma mistura de manga com alguma outra coisa que eu não sei o que é.

“Tem gostinho de quero mais”, brinca a agricultora.

Esse é o verdadeiro ouro do cerrado! As árvores tortas também guardam as suas delícias.

“Quando eu fiz a casa, era um broto. Não cortei porque eu sabia que ia precisar dele”, lembra Júlio.

“Não pode comer muito. Se tiver amarelinha, ela desidrata, porque solta o intestino”, alerta o agricultor.

Daí o nome: cagaita!

“Ao longo do ano, temos buriti, cagaita, cajuzinho-do-mato, pequi e cabeça”, conta Júlio.

A época da cagaita já está no fim. Os frutos ficam lá em cima. Seu João foi buscar, mas o galho não suportou o peso. Tudo acabou bem, ninguém se feriu.

Uma vez por semana o pessoal da cooperativa recolhe os frutos de casa em casa. Aí, é processar, embalar. Os cajuzinhos vão virar doce. A cagaita também. A polpa de buriti é usada para fazer geleia. Os lucros são repartidos com os agricultores.

“Compramos por quilo. O cajuzinho custa entre R$ 0,80 e R$ 1. A cagaita sai por R$ 1”, explica a gerente da cooperativa, Valéria Aparecida da Silva.

Na cidade de Chapada Gaúcha, em Minas Gerais, os sabores do cerrado estão na merenda escolar. A cooperativa fornece os produtos. A criançada gostou. São cores, sabores, tesouros brasileiros que brotam no cerrado.

“Quando olho o cerrado preservado, enxergo dinheiro puro. Estamos muito satisfeitos com nosso cerrado”, diz João dos Santos.

 

GELEIA DE CAGAITA*

Ingredientes:

2,5kg de polpa de cagaita
1 colher (sobremesa) de pectina
400g de açúcar

Modo de Fazer:

Levar ao fogo a polpa, o açúcar e a pectina, mexendo até o ponto de fio reto. Acondicionar em frescas de vidro de boca larga, previamente esterilizados.

Obs.: Para verificar o ponto certo, pegar um pouco da geleia na colher levantar e derramar. Se cortar, o fio está no ponto.

*Receita de Vitória Cardoso Santos.

DOCE BURITI**

1 prato de buriti fresco
1 prato de açúcar

Modo de Fazer:

Levar a massa no fogo (não colocar água) e mexer sem parar. Quando desgrudar do fundo da panela e ficar escuro, retirar. Espalhar em tabuleiro e cortar em pedaços.

**Receita de Ambrozina Barbosa Neves

reportagem do http://g1.globo.com/globoreporter

About cerradania

Operário das letras, Comunicador e Idealizador da Cerradania, Palestrante,Professor. Letterman, Communicator and Idealizer of Cerradania, Speakers,Teacher.

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