Crise hídrica nas bacias hidrográficas do cerrado

Crescimento populacional com ocupações irregulares e a falta de chuvas são os principais problemas; uso dos recursos hídricos na região passa de 40%, índice considerado crítico.

Pela primeira vez na história de Brasília, a população convive, desde o fim de outubro, com o risco iminente de racionamento e de duras medidas para economia de água.

Conhecido como berço das águas, por abrigar nascentes das três maiores bacias hidrográficas da América do Sul (São Francisco, Tocantins e Prata), a força aquífera do cerrado clama por socorro. “O cerrado funciona como um guarda-chuva para as águas brasileiras. A água bate e é distribuída para o Brasil inteiro. Por isso, a escassez no local tem repercussão em todo território nacional e a preservação ganha mais importância”, analisa Jorge Werneck, pesquisador da Embrapa Cerrados e presidente do Comitê da Bacia do Paranoá. O cerrado contribui, em diferentes proporções, para a formação de pelo menos oito bacias hidrográficas brasileiras.

parque-jalapao

Grande Vereda – GO

O cerrado sempre foi generoso com quem aposta nele. Foi no cenário de clima quente e solo seco com aspecto de savana que o Brasil expandiu a fronteira agrícola e escreveu a história de interiorização. Recebeu gente de todo o país — atualmente, a região em que o bioma predomina é a casa de mais de 30 milhões de brasileiros. Entretanto, 50 anos depois dessa ocupação maciça, ele começa a apresentar sinais de cansaço. A devastação de quase metade da vegetação nativa, a ocupação desordenada da região e o uso intenso dos recursos naturais ameaçam um de seus bens mais preciosos: a água.

A situação de emergência foi decretada no fim de janeiro: 14 distritos estão no racionamento e cerca de dois milhões de pessoas têm água dois dias sim, um dia não.

O principal reservatório, o Descoberto, de Brasília está com 24% da capacidade. O segundo maior, o de Santa Maria, está com 40%.

O professor da Universidade de Brasília (UnB) Mario Diniz de Araújo Neto, especialista em assuntos hídricos, disse que a educação é a chave para evitar a crise hídrica no Distrito Federal (DF). “Não adianta multar, aumentar a conta, as pessoas se ajustam. É fundamental começar com a questão da educação na escola, tanto na rede pública quanto privada. A criança tem um poder muito grande de sensibilizar os adultos e será o adulto de amanhã”, acrescentou.

De acordo com Neto, organismos internacionais definem a disponibilidade hídrica segura para o ser humano de 5 mil metros cúbicos por ano. No Distrito Federal, o índice chega a 1,5 mil metros cúbicos por ano. “A própria natureza, o regime das chuvas no DF, já nos coloca esse limite. Essa questão de racionamento está muito ligada à ocupação e ao uso irregular do solo, desmatamento, asfaltamento, degradação de nascentes. Tudo isso aliado a um problema de gestão do governo local”, afirmou.

População

 

A pior crise hídrica do Distrito Federal registrada nos últimos 30 anos está longe de acabar. Apesar das chuvas dos últimos dias, os reservatórios do Descoberto e de Santa Maria, que abastecem 85% da população, estão com níveis muito baixos. Se não controlarem as torneiras, os brasilienses vão pagar até 20% a mais na fatura mensal.

O Lago paranoá poderá ser uma fonte de captação. Em dezembro de 2015, a Caesb recebeu autorização para tirar água do espelho d’água, mas a empresa ainda aguarda a liberação de recursos na Caixa Econômica Federal (CEF) para iniciar as obras. As outras duas apostas para tirar o Distrito Federal da crise são o sistema Corumbá IV, que está com obras em andamento e trará água do manancial goiano para o DF, e o subsistema Bananal, que também não fica pronto antes de 2017.

Não existe, portanto, solução a curto prazo para ampliar a captação de água para o DF. E a crise vinha dando sinais de que uma hora chegaria. É o que destaca o especialista em Economia Ambiental e professor da Universidade de Brasília (UnB) Gustavo Souto Maior. Segundo ele, os dois reservatórios do Rio Descoberto e Santa Maria vêm baixando a capacidade a cada ano.

“Em 2001, o Tribunal de Contas da União (TCU) fez uma auditoria operacional no sistema dos recursos hídricos de todo o país e, à época, chegou-se à conclusão de que o DF tinha a terceira pior situação em todo o Brasil, em termos de disponibilidade hídrica por habitante/ano. A capital só estava melhor que Pernambuco e Paraíba”, ressalta. “Essa situação já é de conhecimento dos governantes há muito tempo e nunca fizeram nada para combater essa crise”, acrescenta.

A Agência Reguladora de Águas e Saneamento do DF (Adasa) determinará as novas regras por meio de resolução. “As restrições são importantes para o atual momento de crise hídrica, enquanto esperamos as chuvas”, justifica o diretor-presidente do órgão, Paulo Salles.

Ainda de acordo com o Decreto, a Secretaria da Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural deve se encarregar de orientar e apoiar os agricultores no cumprimento das medidas. A Agência de Fiscalização do DF (Agefis) verificará a aplicação das normas.

 

Informações da Agência Brasília

 

About cerradania

Operário das letras, Comunicador e Idealizador da Cerradania, Palestrante,Professor. Letterman, Communicator and Idealizer of Cerradania, Speakers,Teacher.

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