A alquimia de uma paisagem

Um mergulho na obra do artista plástico Luiz Gallina, que retira do cerrado e dos sonhos um farto material de pesquisas, de vivências e de arte

fenix-josis

A trajetória de sua arte está intimamente ligada à interação com o cerrado e com o mundo dos sonhos. Em um primeiro momento, em meados da década de 1970, ele ficou fascinado com a paisagem e registrou em xilogravuras a beleza torta, crispada, dramática e expressionista da vegetação do Planalto Central. No entanto, em seguida, na década de 1980, passou a morar em um sítio inóspito, entrou na paisagem, acompanhou a mutação de peles das árvores, sentiu de perto as palpitações do ambiente e começou a entender que o cerrado é arte contemporânea e teatro da vida e da morte, de Eros e Thanatos.
Essas vivências resultaram nas seguintes fases de sua arte: As Paisagens Brasilienses (em xilogravuras), Cascas e Carcaças (em pintura), Assemblages (colagem de desenhos, objetos e vestígios da flora e da fauna do cerrado) e a Tábua Esmeralda de Hermes Trimegistos (em que o universo simbólico da alquimia é frequentado por animais cerratenses).

A partir do livro, Gallina realizou uma série de gravuras que representam as fases da alquimia, segundo a Tábua Esmeralda de Hermes Trimegisto: Nigredo (obra negra, a dissolução e putrefação da matéria), Albedo (obra branca, a purificação da matéria pela substância líquida) e Rubedo (obra vermelha, fase em que se fabrica a pedra filosofal). Nos trabalhos dessa última safra, Gallina sintetizou múltiplas técnicas (desenho, gravura, carvão, fotografia e colagem) e símbolos.
O interessante é que no contexto universal dos símbolos alquímicos ele inseriu elementos regionais do Planalto Central. A Fênix vermelha de Gallina é uma seriema. A águia não plana nas alturas, mas está na linha do olho: “É porque moro próximo a uma encosta e não vejo as águias voando no firmamento, e sim na linha do olho. Não é a gente que escolhe a alquimia; é a alquimia que escolhe a gente. Para mim, a conexão da alquimia com Brasília é muito forte. Esse céu aberto nos joga para um mergulho interior, para uma reflexão sobre o sentido da vida e do mundo. A alquimia é um estudo sobre a significação das coisas.”
O que é preciso para conhecer o cerrado? É necessário se debruçar sobre ele, responde Gallina. “Você precisa se abaixar”, diz. “Se ficar de pé, não percebe que ele está florido. Se você se ajoelha, vê tantas flores lindas, cada uma com um desenho, com um matiz ou com um filamento diferente.”
Gallina vê ainda mais: “A consequência do lago foi que a fauna aumentou muito. Era comum vermos pardal antigamente. Hoje, vemos muito mais bem-te-vi, sabiá, alma-de-gato, que tem um rabo de 30 centímetros. Eu e meu filho fotografamos e eu o incentivo para que seja um pesquisador. O cerrado é muito forte. O segredo para entender o cerrado é a paciência”.

 

 

About cerradania

Operário das letras, Comunicador e Idealizador da Cerradania, Palestrante,Professor. Letterman, Communicator and Idealizer of Cerradania, Speakers,Teacher.

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