Veredas que sangram nos Gerais

O buriti que se mira no espelho d’água vai se firmando mais e mais como um traço do passado retido na memória de antigos moradores, em fotografias e na bela imagem literária de Guimarães Rosa.

veredas destruidaSessenta e um anos depois do lançamento de Grande sertão: veredas, obra-prima do escritor, o cenário descrito pelo jagunço Riobaldo, que dá voz à trama, é bem diverso. A simples presença da palmeira já não é mais indício de água na imensidão do cerrado.

As veredas que mataram a sede do narrador da saga, de Diadorim e Zé Bebelo, hoje agonizam e perdem a capacidade de armazenar o líquido no período chuvoso para alimentar córregos e rios ao longo do ano.

O veredito é trágico. Setenta por cento das veredas estão ameaçadas de desaparecer em curto prazo, continuamente maltratadas pelas mãos do homem, revela a pesquisadora do Departamento de Biologia da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) Maria das Dores Magalhões Veloso, a Dora, que há oito anos se debruça sobre o tema.

Praticamente todas já sofreram algum tipo de impacto e várias estão completamente secas, resultado de incessante degradação: desmatamento, queimadas, monocultura de eucaliptos, produção de carvão, abertura de estradas, projetos de agropecuária mal planejados, pisoteio do gado e assoreamento. Danos que deixam suas marcas nas dezenas de mananciais secos e no sofrimento de centenas de famílias, animais e aves.

veredas que sangram

veredas que sangram – compartilhado de Sandim Ulhoa

Onde antes havia fartura, hoje falta água. As “macias terras, agradáveis”, na definição de Rosa, endurecem. Nem mesmo o início do período chuvoso, prenúncio de recuperação dos cursos d’água, guarda o mesmo significado nos 60 anos que separam o lançamento do livro e hoje.

Destruídas as veredas – que funcionam como uma espécie de esponja –, falta reservatório para reter a água da chuva e, numa liberação lenta, perenizar os rios, explica o analista ambiental do Instituto Estadual de Florestas (IEF) Jairo Wilson Viana, que monitora os brejos em Bonito de Minas.

“Qualquer processo degradante em veredas – fogo, abertura de estradas, pastoreio, agricultura no cerrado e na própria área do brejo – reduz o armazenamento de água, porque o solo turfoso, esponjoso, torna-se compacto e o líquido é escoado rapidamente, e não na hora certa, para o leito dos rios”, reforça Dora.

baseado na reportagem do  jornal O Estado de Minas

 

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Operário das letras, Comunicador e Idealizador da Cerradania, Palestrante,Professor. Letterman, Communicator and Idealizer of Cerradania, Speakers,Teacher.

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