Archive | abril 2017

Raizes do cerrado = aguas para o Brasil

A rápida destruição do bioma está golpeando um dos pilares do sistema: a gigantesca rede de raízes que atua como uma esponja, ajudando a recarregar os aquíferos que levam água a torneiras de todas as regiões do Brasil. O alerta é do arqueólogo e antropólogo baiano Altair Sales Barbosa, que há quase 50 anos estuda o papel do Cerrado na regulação de grandes rios da América do Sul.

veredas destruida

Barbosa conta que a água que alimenta o São Francisco e as represas de São Paulo e Brasília vem de três grandes depósitos subterrâneos no Cerrado: os aquíferos Guarani, Urucuia e Bambuí.  Os aquíferos são reabastecidos pela chuva, mas dependem da vegetação para que a água chegue lá embaixo.

Barbosa afirma que muitas plantas do Cerrado têm só um terço de sua estrutura acima da superfície e, para sobreviver num ambiente com solo oligotrófico (pobre em nutrientes), desenvolveram raízes profundas e bastante ramificadas.

“Se você arrancar uma dessas plantas, vai contar milhares ou até milhões de raízes, e quando cortar uma raiz e levá-la ao microscópio, verá inúmeras outras mini raízes que se entrelaçam com as de outras plantas, formando uma espécie de esponja.” Esse complexo sistema radicular retém água e alimenta as plantas na estação seca. vao-buraco

Quando há excesso de água, as raízes agem como esponjas encharcadas, vertendo o líquido não absorvido para lençóis freáticos no fundo. Dos lençóis freáticos a água passa para os aquíferos.

O professor diz que essa dinâmica começou a ser afetada radicalmente nos anos 1970, com a expansão da pecuária e de grandes plantações de grãos e algodão pelo Cerrado.

A nova vegetação tem raízes curtas e não consegue transportar a água para o fundo.

Pior: entre a colheita e o replantio, as terras ficam nuas, fazendo com que a água da chuva evapore antes de penetrar o solo. Em alguns pontos do Cerrado, como no entorno de Brasília, o uso de água subterrânea para a irrigação prejudica ainda mais a recarga dos aquíferos.

Em fevereiro, Brasília começou a racionar água pela primeira vez na história – e meses antes do início da temporada seca.

Migração de nascentes

Conforme os aquíferos deixaram de ser plenamente recarregados, Barbosa diz que se acelerou na região um fenômeno conhecido como migração de nascentes.

Para explicar o processo, ele recorre à imagem de uma caixa d’água com vários furos. Quando diminui o nível da caixa d’água, o líquido deixa de jorrar dos furos superiores.

Com os aquíferos ocorre o mesmo: se o nível de água cai, nascentes em áreas mais elevadas secam.

Especialista afirma que, quando há excesso de água, as raízes agem como esponjas encharcadas

Ele diz ter presenciado o fenômeno num dos principais afluentes do São Francisco, o rio Grande, cuja nascente teria migrado quase 100 quilômetros a jusante desde 1970.

O mesmo se deu, nos chapadões no oeste da Bahia e de Minas Gerais: com a retirada da cobertura vegetal, vários rios que vertiam água para o São Francisco e o Tocantins sumiram.

A perda de afluentes reduziu o fluxo dos rios e baixou o nível de reservatórios que abastecem cidades do Nordeste, Centro-Oeste e Norte.

Em 2017, segundo a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), o número de municípios brasileiros em situação de emergência causada por longa estiagem chegou a 872, a maioria no Nordeste.

Já em São Paulo as chuvas de verão aumentaram os níveis das represas e afastaram no curto prazo o risco de racionamento. Mas Barbosa afirma que a maioria dos rios que cruza o Estado é alimentada pelo aquífero Guarani, cujo nível também vem baixando.

O aquífero abastece toda a Bacia do Paraná, que se estende do Mato Grosso ao Rio Grande do Sul, englobando ainda partes da Argentina, Paraguai e Uruguai.

Bastaria então replantar o Cerrado para garantir a recarga dos aquíferos?

A solução não é tão simples, diz o professor. Ele conta que o Cerrado é o mais antigo dos biomas atuais do planeta, tendo se originado há pelo menos 40 milhões de anos.

Segundo ele, olhar para o Cerrado é como olhar para uma fotografia do passado.

“O Cerrado já atingiu seu clímax evolutivo e precisa, para o seu desenvolvimento, de uma série de fatores que já não existem mais.”

Ele exemplifica: há plantas do Cerrado que só são polinizadas por um ou outro tipo de abelhas ou vespas nativas, várias das quais foram extintas pelo uso de agrotóxicos nas lavouras. Essas plantas poderão sobreviver, mas não serão mais capazes de se reproduzir.

O Cerrado também é uma espécie de museu porque muitas de suas plantas levam séculos para se desenvolver e desempenhar plenamente suas funções ecológicas. É o caso dos buritis, uma das árvores mais famosas do bioma, que costuma brotar em brejos e cursos d’água.

Barbosa costuma dizer que, quando Cabral chegou ao Brasil, os buritis que vemos hoje estavam nascendo.

Mesmo plantas de pequeno porte costumam crescer bem lentamente. O capim barba-de-bode, por exemplo, leva mais de mil anos para atingir sua maturidade. Barbosa diz ter medido as idades das espécies com processos de datação em laboratório.

Parceria com animais

Sabe-se hoje da existência de cerca de 13 mil tipos de plantas no Cerrado, número que o torna um dos biomas mais ricos do mundo. Dessas espécies, segundo o professor, não mais que 200 podem ser produzidas em viveiros.

Ele conta que a ciência ainda não consegue reproduzir em laboratório as complexas interações entre os elementos do bioma, moldadas desde a era Cenozóica.

Muitas plantas do Cerrado têm sementes que são ativadas apenas em situações bem específicas. Algumas delas só têm a dormência quebrada quando engolidas por certos mamíferos e expostas a substâncias presentes em seus intestinos.

Há ainda sementes que precisam do fogo para germinar. Contrariando o senso comum, Barbosa diz que incêndios naturais são essenciais para a sobrevivência do Cerrado e podem ocorrer de duas formas. Uma delas se dá quando blocos de quartzo hialino, um tipo de cristal, agem como lentes que concentram a luz do sol, superaquecendo a vegetação. A outra ocorre pela interação entre algumas plantas e animais do Cerrado, entre os quais a raposa, o lobo-guará, o tamanduá-bandeira e o cachorro-do-mato-vinagre. Segundo Barbosa, esses mamíferos carregam no pêlo uma carga eletromagnética que, em contato com gramíneas secas, provoca faíscas.

O professor diz que o fogo é necessário não só para ativar sementes, mas para permitir que gramíneas secas, que não têm qualquer função ecológica, sejam substituídas por plantas novas. “Se a gramínea seca fica ali, não tem como rebrotar, então é preciso dessa lambida de fogo natural pra limpar aquele tufo.”

Os incêndios também são importantes, segundo ele, para que o solo do Cerrado continue pobre – afinal, foi nesse solo que o bioma se desenvolveu.

“O fogo é paradigma para quem pensa na preservação. Se você pensa como agrônomo, o fogo é nocivo, porque acentua o oligotrofismo do solo.”

Estancar os danos

Quando deixa de haver incêndios naturais, os animais e insetos nativos desaparecem e as plantas do Cerrado são derrubadas, é quase impossível reverter o estrago.

Mesmo assim, ele defende preservar toda a vegetação remanescente para estancar os danos.

“Claro que você não vai reocupar toda a área que está produzindo [alimentos], mas você pode pelo menos tentar amenizar a situação nas áreas de recarga de aquíferos.”

Sua preocupação maior é com a fronteira agrícola conhecida como Matopiba, que engloba os últimos trechos de Cerrado no Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Nos últimos anos, a região tem experimentado uma forte expansão na produção de grãos e fibras.

“Se esse projeto continuar avançando, será o fim: aí podemos desacreditar qualquer possibilidade, porque não teremos nem matriz para experiências em laboratório.”

Nesse cenário, os aquíferos do Cerrado rapidamente se esgotarão.

“Os rios vão desaparecer e, consequentemente, vai desaparecer toda a atividade humana da região, a começar das atividades agropastoris.”

“Teremos uma convulsão social”, ele prevê.

 

Trecho da entrevista do Professor Altair Sales Barbosa

 

Águas Emendadas: pérola da ecologia cerratense

A menos de uma hora de Brasília, pouco mais de 50 km depois do Plano Piloto, próxima à cidade de Planaltina-DF, encontra-se uma pérola da ecologia cerratense cuja existência é desconhecida por grande parte dos moradores do Distrito Federal. Trata-se da Estação Ecológica de Águas Emendadas, uma Unidade de Conservação (UC) de 10.547 hectares, onde ocorre um fenômeno raramente encontrado na natureza: de um mesmo acidente geográfico nascem dois córregos que fluem em direções opostas, margeando uma vereda de seis quilômetros de extensão.De um lado da vereda a água corre em direção sul até se encontrar, ainda dentro da UC, com a lagoa Mestre D’Armas, o maior lago natural de Brasília, e daí seguindo pelos rios Corumbá e Paraná, até chegar à Bacia Platina. Ao norte, as águas nascidas aqui no Cerrado do Distrito Federal rompem terras até a bacia do Tocantins-Araguaia, de onde partem para o encontro com o Rio Amazonas.Lagoa_esecaeA Estação é essencial na rede de recursos hídricos do país. Daqui do Planalto Central, as águas emendadas de Brasília contribuem para fortalecer as bacias Amazônica e do Prata. Nossas vias fluviais são interconectadas e mutuamente dependentes, ou seja, o que acontece em um lugar agrava consequências em outro. O que acontece na nossa (relativamente) pequena Unidade de Conservação do Distrito Federal repercute em toda a América Latina.

E como, segundo Muna Youssef, técnica ambiental da Estação, “Não dá para falar de água sem falar de árvores”, a Estação Ecológica de Águas Emendadas ensina que para preservar a água, nossa principal riqueza, precisamos proteger o Cerrado, as plantas, os animais e tudo o que estiver à sua volta.

SANTUÁRIO DA CIÊNCIA E DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL

Vista do alto, a Estação, administrada pelo Instituto Ambiental de Brasília (IBRAM), é um lindo e majestoso tapete verde, ilhado por um mar de monocultura e asfalto. A estação de Águas Emendadas é cercada por fazendas, chácaras, assentamentos e por espaço urbano. A UC também é cortada pela rodovia BR-020, que liga Goiás à Bahia. Essa pressão antrópica impacta a Estação, que vem sendo invadida por gente e pelo gado, pela caça predatória e pelo uso de agrotóxicos.

A Estação é assim denominada, diferente de Reserva, por se tratar de uma Unidade de Conservação reservada para a educação ambiental e para os estudos científicos, portanto fechada para o turismo. Além de pesquisas acadêmicas, na Estação são desenvolvidas atividades de educação ambiental junto às escolas municipais de Planaltina, e também com moradores/as da região.

A Estação é um espaço ímpar onde abunda a biodiversidade do Cerrado. Nela existe uma grande variedade de espécies da flora e da fauna cerratenses. Nela vivem animais como o Lobo-Guará, a Capivara e o Teiú-Vermelho. Hoje, a Estação Ecológica de Águas Emendadas, uma das últimas áreas contínuas de Cerrado preservadas na região, é considerada por cientistas e ambientalistas como um dos últimos refúgios para muitos animais ameaçados de extinção.

BIODIVERSIDADE AMEAÇADA

O Cerrado é o único bioma brasileiro que não recebe a denominação de patrimônio nacional, mesmo ocupando um terço do território do país e só perdendo para a Amazônia em termos de biodiversidade. Nos últimos 50 anos, após décadas de exploração agrícola e pecuária, o Cerrado já perdeu, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente, mais de 40% da sua cobertura vegetal.

Em 1968, a região de Águas Emendadas tornou-se a primeira reserva biológica legal do País e a primeira unidade de conservação baseada no então novo código florestal. Tamanha a importância da região, que foi designada pela Organização das Nações Unidas para a Educação e a Cultura (Unesco) como Área Nuclear de Proteção ao Cerrado.

De fato, a importância da região de Águas Emendadas foi reconhecida desde 1892, quando foi demarcada pelo astrônomo belga Luís Cruls, responsável pela Comissão Exploradora do Planalto Central, uma das primeiras expedições para identificar o local onde seria construída, na segunda metade do Século XX, a nova capital do país.

Não obstante, o fato de não existirem corredores ecológicos ligando a Estação a outras áreas preservadas ameaça a vida na UC. Para Muna Youssef, técnica ambiental da Estação, “há uma tendência de empobrecimento genético das espécies, uma vez que não conseguem se reproduzir com parceiros de outras regiões, o que aumenta o cruzamento consanguíneo”.

Ainda segundo Muna, a solução para esse problema precisa ser multifacetada. “O Distrito Federal vemos que tem três ilhas de Cerrado: a região do Jardim Botânico, a Reserva Nacional de Brasília e a Estação das Águas Emendadas. Entre elas não existe conexão, não há corredores de fauna. As reservas teriam que contar com uma dimensão maior [para a proteção e preservação da fauna]. E o DF precisaria ter mais ter mais reservas, que se interligassem, para garantir os corredores de fauna.”

Uma coisa fica clara: O Cerrado é patrimônio, sim, e requer maior atenção e cuidado por parte não somente das instâncias de poder público, mas também de todos nós, para que suas riquezas naturais, tão importantes para o Brasil, possam ser preservadas. Sem isso, não haverá santuário ambiental que resista aos danos irreversíveis da ação antrópica. Sem isso, pérolas como a Estação Ecológica de Águas Emendadas podem ser perdidas para sempre.

reportagem do

http://www.xapuri.info/author/eduardo-weiss/

Tocantins e o maior monumento fossilizado do mundo

Monumento Natural das Árvores Fossilizadas ocupa área de 32 mil ha.
Os fósseis têm mais de 250 milhões de anos.

O Tocantins possui muitas belezas naturais, como serras, cachoeiras e rios que são atrativos do estado. Uma dessas belezas é a floresta que hoje é considerada o maior monumento natural fossilizado do mundo através de pesquisas realizadas pela Universidade de Brasília (UNB): o Monumento Natural das Árvores Fossilizadas. Localizado no município de Filadelfia, a 330 km da capital, o acervo natural ocupa uma área de 32 mil hectares do cerrado tocantinense.

arvores fossilizadas_ricardo_martins

arvores fossilizadas – foto de Ricardo martins

O monumento é uma unidade de conservação ambiental do estado que foi criada pela lei 1.179 de outubro de 2000. De acordo com pesquisas realizadas no local, os fósseis têm mais de 250 milhões de anos, sendo assim, são anteriores aos dinossauros. Entre os principais fósseis encontrados no monumento destacam-se as samambaias arborescentes.

A pesquisadora e professora do curso de biologia da Universidade Federal do Tocantins, Etiene Fabbrin, desenvolve pesquisas no local e afirma que este é um indício de que a região central do Tocantins era uma planície costeira com um sistema hídrico durante o período Permiano (quando o mundo era formada por apenas um supercontinente). O clima era tropical e os chapadões indicam que a região já foi um deserto e as dunas se transformaram em rochas.
Chamados de “paus de pedra” pelos moradores da região, os fósseis são caules de árvores que foram se decompondo e, com o tempo, foram preenchidos com minerais e assim se tornaram pedras. Antes do monumento se tornar uma unidade de conservação e ser protegido pelo estado, os moradores não faziam ideia do valor dessas pedras diferentes. “Antes os moradores não sabiam que eram fósseis, chamavam pedras de pau. E como as pessoas ofereciam a preço de banana uma pedra, eles levavam para vender”, disse o gerente do Monumento Natural das Árvores Fossilizadas, Vicente Faustino.

O monumento que ainda não tem o título de patrimônio histórico cultural federal, atualmente é protegido e gerenciado pelo Instituto Natureza do Tocantins – Naturatins. Mas de acordo com o superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Cultural (IPHAN), no Tocantins, Antônio Miranda, um processo licitatório vai ser aberto ainda este ano para que seja selecionada uma empresa para realizar os estudos que vão determinar o nível de proteção e de gestão na área. “A expectativa é que até 2014 o monumento seja considerado um patrimônio histórico cultural protegido e gerido pelo IPHAN”, disse o superintendente.

Atualmente o monumento é pouco procurado para visitas turísticas. A assessoria de comunicação da Naturatins informou que os interessados em visitar o monumento devem ligar na sede do local, pelo telefone (63) 3391-1034 ou na Coordenadoria de Unidade de Conservação do órgão em Palmas, no número (63) 3218-1034.

 

Misterios da Serra dos Galés

A cidade de Paraúna está localizada no sudoeste goiano, onde podem ser encontradas grandes montanhas rochosas que lhe conferem uma característica bastante peculiar.

Região de pecuária e de grande potencial turístico. Está distante de Goiânia a cerca de 155 km tem uma população de aproximadamente 11.000 habitantes.

As formações rochosas lembram verdadeiras construções que poderiam pertencer a um passado muito remoto e desconhecido de nossa terra.

serra-das-gales

O município de Paraúna chamava-se Bota Fumaça, povoado do município de Palmeira de Goiás, em torno de 1900 fazendeiros doaram terras para o povoado que tinha uma capela em homenagem ao Menino Jesus, o local passou a ser chamado de São José do Turvo e elevado a distrito. Em 7 de julho de 1930 recebeu o nome de Paraúna  que em tupi que dizer Para(Rio) e Una(Preto).

Serra das Galés, um local místico e bastante procurado por sua beleza onde há estranhas formações rochosas com figuras esculpidas pelo vento ao longo de milhares de anos, que impressionam pela semelhança com animais, pessoas e objetos. É uma espécie de cultura megalítica milenar. São formações em arenito caracterizando figuras como a Pedra da Tartaruga, o Cálice de Pedra, a Esfinge, o Índio, o Lorde Francês, a Máquina de Escrever e outros que podem surgir de acordo com a visão do espectador. Segundo os geólogos a formação rochosa é de idade permo-carbonífera, com cerca de 290 milhões de anos e provenientes de erosão que deu formas tão originais às rochas.

Ponte de Pedra onde tem o rio com o mesmo nome fica na fronteira com o município de Rio Verde. O Rio Ponte de Pedra esculpiu uma ponte natural de pedra que originou o seu nome. É uma obra de arte feita pelo tempo, uma visão única.

Indiscutivelmente os sítios arqueológicos de Paraúna merecem uma atenção maior da arqueologia brasileira e mundial, pois esta ruína se assemelha muito com as encontradas em outros sítios arqueológicos, como Ilha de Páscoa, Machu Picchu, no Perú, e no Egito se encontra construções semelhantes. Um grandeza de beleza imensurável em pleno cerrado goiano. Isso faz parte dos nossos Ermos e Gerais.

baseado na citação do

https://bikedocerrado.wordpress.com/2017/02/23/parauna-cicloturismo-uma-odisseia-a-misteriosa-serra-da-arnica/

Espécies endêmica do cerrado

O bioma que ocupa mais de 20% do território brasileiro e possui uma área de 204 milhões de hectares, é detentor de uma das maiores biodiversidades do Brasil. Com um grande número de espécies tanto na fauna, quanto na flora, o Cerrado concentra também, muitas espécies endêmicas – que não são encontradas em outro ambiente.

Ao todo, são mais de 10.000 espécies de plantas na região. E mais de 1.300 espécies de animais, sendo 199 de mamíferos, 837 de aves, 180 de répteis e 150 de anfíbios.

A conta não inclui os peixes e os animais invertebrados, porque nem todos foram catalogados ou estudados. Estima-se que a região abrigue mais de 1.200 e 90.000, respectivamente.

Animais

De acordo com a Rede Cerrado, organização especializada na região, o número de animais endêmicos no bioma é grande, totalizando 3,4% das aves, 11% dos mamíferos, 20% dos répteis e 30% dos anfíbios.

Entre os animais, estão o Beija-Flor-de-Gravata-Verde (Augastes scutatus), a Gralha do Cerrado (Cyanocorax cristatellus), Rato-de-Espinho (Carterodon sulcidens), Rolinha-do-Planalto (Columbina Cyanopis) e Morceguinho-Do-Cerrado (Lonchophylla Dekeyseri).

Plantas

Atualmente uma das grandes produtoras de grãos, carne e leite, a região do Cerrado já foi considerada imprópria para a agricultura e inviável economicamente, isso porque o bioma é composto por uma vegetação rasteira, com plantas e árvores baixas, com raízes profundas e galhos tortos.

A riqueza da flora do Cerrado fica atrás, apenas, da Mata Atlântica e Floresta Amazônica. A presença de barrigudas, ipês, cactos, bromélias, orquídeas, palmeiras entre tantas outras, pintam o bioma que é conhecido pela sua paisagem agressiva.

veredas do parque nacional

Buritizal – norte de Minas Gerais

O Cerrado possui quatro divisões: matas, campos, brejos e ambientes úmidos com plantas aquáticas. Segundo dados do Ministério do Meio Ambiente, das espécies existentes no bioma, 44% são endêmicas como: Buriti (Mauritia flexuosa), Pau-papel (Tibouchina papyrus), Canela-de-ema (Vellozia squamata) e outras.

Muitas plantas, cerca de 220, são consideradas de uso medicinal e mais de 10 tipos de frutos são comestíveis. A população faz uso dessas matérias-prima para consumo pessoal, e para venda em grandes centros urbanos.

Esse conhecimento da população em relação ao uso e aplicação das plantas medicinais faz com que o Cerrado seja considerado um patrimônio cultural de grande importância para o Brasil e para o mundo.

 

Interdepedencia da biodiversidade e direitos humanos

Este é o primeiro relatório da ONU a reconhecer que a perda de biodiversidade prejudica os direitos humanos, por exemplo, reduzindo os produtos agrícolas e de pesca, afetando negativamente a saúde ou removendo filtros do ciclo da água. Por meio da conservação da biodiversidade, os estados também contribuem para a consecução dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (SDGs) sobre segurança alimentar, saúde e água, entre outros.

veredas destruida

veredas devastadas no norte de Minas Gerais

O diretor-geral da UICN, Inger Andersen, saudou o relatório: “As pessoas têm o direito de se beneficiar da natureza para seu sustento e para vidas gratificantes e dignas. Isso inclui, por exemplo, o direito à alimentação para todos, para as gerações presentes e futuras, o direito à água, o direito à moradia, o direito à saúde e muitos outros direitos sociais, econômicos e culturais. Tudo isso depende do funcionamento dos ecossistemas e da biodiversidade “, disse ela, falando em um painel do Conselho de Direitos Humanos da ONU na semana passada.

A UICN há muito tem abordado os vínculos entre conservar a biodiversidade e alcançar os direitos humanos. Em 1994, a União lançou o documento Cuidar pela Terra: Uma estratégia para uma vida sustentável , onde declarou que “temos direito aos benefícios da natureza, mas estes não estarão disponíveis a menos que cuidem dos sistemas que os fornecem”.

Através de seu trabalho, como o desenvolvimento de diretrizes e quadros de políticas para o engajamento do governo com os povos indígenas e comunidades locais, a UICN destaca as ameaças da mudança e degradação ambiental para as pessoas diretamente dependentes dos ecossistemas.

“A UICN oferece um espaço único de diálogo que reúne as comunidades de conservação e de direitos humanos, bem como os governos e a sociedade civil”, afirmou Gonzalo Oviedo, assessor sênior da IUCN para a Política Social, em plenário do Conselho de Direitos Humanos. “Teremos o maior prazer em continuar trabalhando com o Relator Especial da ONU e com o Conselho de Direitos Humanos para implementar as recomendações deste relatório para a proteção dos direitos humanos e a conservação da biodiversidade”.

O relatório da ONU reconhece o vínculo entre os direitos humanos ea biodiversidade deve promover a colaboração entre a conservação, os direitos humanos e as comunidades de desenvolvimento para alcançar os objetivos de desenvolvimento sustentável.

O relatório também pediu aos Estados que reconheçam os defensores da biodiversidade como defensores dos direitos humanos. A UICN tem apelado a esforços crescentes para proteger os ativistas ambientais das crescentes ameaças e perseguições que enfrentam.

 noticia do

https://www.iucn.org/news/secretariat/201703/iucn-welcomes-first-ever-un-report-acknowledging-healthy-ecosystems-human-right

Impasse: Parque chapada dos veadeiros

O impasse entre o governo de Goiás e o Instituto Chico Mendes, ligado ao Ministério do Meio Ambiente, está ameaçando a ampliação do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, uma das grandes áreas de cerrado ainda preservadas do país. Os técnicos ambientais, respaldados por ONGs do setor e cientistas que estudam a região, propõem ampliar o parque em 158 mil hectares.

ampliação do parque chapada dos veadeiros

Enquanto isso, o governo do Estado de Goiás, administrado pelo tucano Marconi Perillo, tem várias ressalvas ao mapa apresentado para ampliação do parque. Na prática, essa discordância no nível estadual está travando o processo, que se arrasta desde 2010.

O governo de Goiás fez uma contraproposta em dezembro. Pelo mapa apresentado ao governo federal, a ampliação seria de 90 mil hectares, mas de forma descontínua. Isso, segundo a ONG WWF, inviabiliza uma proteção adequada do cerrado. Os outros 68 mil hectares que ficaram de fora da proposta goiana enviada a Brasília seriam inseridos no parque futuramente, segundo Rogério Rocha, secretário-executivo da pasta de Meio Ambiente da gestão Perillo. “Não somos contra a proposta [de ampliação para o total de 222 mil hectares]. Porém, ao ponderar a dimensão social do desenvolvimento sustentável, que se refere ao direito de indenização pela posse da terra de 228 famílias de agricultores familiares, e não latifundiários ou especuladores, nós começamos a negociação para a ampliação em duas etapas.” Para o representante do governo estadual de Goiás, ampliar o parque agora sem a devida regularização fundiária é “deixar as famílias que serão despejadas de seus modos de vida e de sua raiz sem o justo valor indenizatório”.

De acordo com o governo federal, o governo de Goiás estaria promovendo a regularização fundiária de áreas devolutas (que seriam públicas), o que é ilegal.

Segundo Rocha, dentro dos 68 mil hectares que seriam incorporados ao parque no futuro há muita área devoluta, sim, mas isso vai continuar dessa forma. O levantamento fundiário dessas regiões ainda está sendo terminado, diz Rocha. BIODIVERSIDADE A proposta do Instituto Chico Mendes está baseada na preservação de dezenas de espécies da fauna e da flora do cerrado que estão ameaçadas de extinção. Um dos casos é o do pato mergulhão, espécie listada como criticamente em perigo de extinção. “A estimativa é que existam por volta de 250 indivíduos no mundo. A espécie existia no Brasil, Argentina e Paraguai mas, hoje, há registros dela apenas em território nacional”, diz Sônia Rigueira, presidente do Instituto Terra Brasilis, que luta pela preservação da ave. Segundo ela, a maior causa do sumiço dos bichos é a diminuição do seu habitat. “Ele precisa de água limpa. Como mergulha para apanhar sua presa, a maioria peixes, é necessário que exista o contato visual”, diz. Dentro da possível área que poderá ser englobada pelo parque nacional existem locais de beleza cênica reconhecida, o que ajudaria a fomentar ainda mais o turismo sustentável na região, uma grande vocação do lugar.

Apesar de a ampliação precisar exclusivamente da assinatura do presidente Michel Temer (PMDB), o governo de Goiás tem que dar o sinal verde para que ela possa ser de fato implementada.

baseado na reportagem Folha de São Paulo

 

O cerrado tem um caminho

“O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: Esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.”

João Guimarães Rosa

INSCRIÇÕES ABERTAS PARA O CAMINHO DO SERTÃO 2017!

O CAMINHO DO SERTÃO promove um mergulho socioambiental e literário no universo de Guimarães Rosa e no cerrado sertanejo dos gerais, percorrendo parte do caminho realizado por Riobaldo e seu bando, personagens centrais do livro Grande Sertão: Veredas, rumo ao Liso do Sussuarão.

O Edi-Tao pode ser conferido na aba “Edi-Tao 2017” do blogue, ou clicando: https://goo.gl/E2OyIx

A três primeiras edições do Caminho (2014, 2015 e 2016) fizeram um apelo para a questão socioambiental com o mote “Pelo cerrado e suas Culturas, de pé!”. Nesta quarta edição, preservando a dimensão socioambiental, agregaremos outro tema a partir de uma boa efeméride neste 2017, ano em que se completam 120 anos do massacre de Canudos, ocorrido em 1897, no sertão do Brasil. A ideia é provocar ou propor aos caminhantes uma reflexão sobre as trajetórias ou caminhos populares interrompidos ao longo da história republicana do país. Interrupções que vão de Canudos, passando por momentos como o Caldeirão da Santa Cruz do Deserto (comunidade de trabalhadores do Ceará massacrada em 1937), até os dias atuais, com o recente golpe de 2016 que interrompeu uma série de políticas públicas e mudanças sociais em curso no país.

caminho do sertão 2017

Entre sol, areia, mitos, realidades, sorrisos, abraços e um encharcasse de sertão, a produção d’Caminho deixa o convite para todos os que desejarem everedar-se. Participem do processo seletivo e entre os dias 08 e 16 de julho, caminhem conosco!

SERVIÇO

Evento: O Caminho do Sertão 2017 – De Sagarana ao Grande Sertão Veredas
Data de realização: de 08 a 16 de julho de 2017
Inscrições: até o dia 30 de abril
Informações: caminhodosertao@gmail.com

Central do Cerrado – Produtos Ecossociais

Citizenship actions in the Cerrado biome

Rede MAIS Vida no Cerrado

O berço das águas corre perigo

biomas do cerrado

Citizenship actions in the Cerrado biome

WWF - Latest

Citizenship actions in the Cerrado biome

ISPN

Citizenship actions in the Cerrado biome

Cerratinga

Citizenship actions in the Cerrado biome

Rede Cerrado

Citizenship actions in the Cerrado biome

Citizenship actions in the Cerrado biome

Museu do Cerrado

Citizenship actions in the Cerrado biome

Day by Day the Farm Girl Way...

Simple life on a little piece of land.

Cerradania

Citizenship actions in the Cerrado biome

Jim Caffrey Images Photo Blog

photography from the ground up

%d blogueiros gostam disto: