Archive | junho 2017

Geraiseiros na Bahia obtém decisão judicial contra a Fazenda Estrondo

As comunidades geraiseiras de Cachoeira, Marinheiro, Arroz, Cacimbinha, Gatos, Mutamba e Aldeia, localizadas na zona rural do município de Formosa do Rio Preto, obtiveram decisão liminar favorável em ação de manutenção da posse movida por elas contra as empresas Delfim Crédito Imobiliário S/A, Cia de Melhoramentos do Oeste da Bahia (CMOB) e Colina Paulista, que administram o empreendimento Agronegócio Condomínio do Estrondo.

geraizeiros da bahia

Comunidade Aldeia Geraiseiros da Bahia

A ordem foi proferida pela magistrada Marlise Freire Alvarenga, titular da Vara Regional de Conflito Agrário e Meio Ambiente do Oeste da Bahia, sediada em Barreiras, após constatar a gravidade dos fatos narrados na ação e considerar suficiente a farta documentação que comprova a posse tradicional das comunidades há mais de cem anos.

O conflito fundiário entre os geraiseiros e a “Fazenda Estrondo” iniciou-se ainda no final da década de 70 e perdura até os dias atuais. O agora denominado Agronegócio Condomínio Cachoeira do Estrondo foi apontado pelo INCRA, em 1999, como um dos maiores casos de grilagem de terras do país, com 444 mil hectares apropriados pelas empresas por meio de seus prepostos, além de haver denúncias de uso de trabalho análogo à escravidão e inúmeras autuações por crimes ambientais.

As matrículas dos imóveis que compõe o condomínio chegaram a ser bloqueadas no ano de 2014, após recomendação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A maior parte desta área corresponde ao chapadão que margeia o Rio Preto na região próxima da sua nascente, na divisa entre Bahia e Tocantins, na região conhecida como MATOPIBA. Para as comunidades, restaram apenas as áreas do vale que, somadas, alcançam aproximadamente 43 mil hectares. Foi sobre essa área remanescente que foi concedida da manutenção da posse comunitária.

Até mesmo a reserva legal da propriedade foi derrubada para abertura de novas fazendas, o que gerou autuação e multa pelo IBAMA. As empresas, para fugir da multa e ainda se apropriar ilegalmente de novas áreas, tem indicado que a reserva legal do empreendimento seria justamente na área de vale ocupada tradicionalmente pelas comunidades, situação que tem agravado o conflito. Neste sentido, as empresas vêm nos últimos anos abrindo ilegalmente novas picadas, erguendo cercas e construindo estradas e guaritas para controle do acesso de pessoas nas áreas publicamente reconhecidas como de ocupação comunitária, incluindo os povoados e também áreas e uso familiar e individual. As denúncias vão desde agressão, ameaças de morte e até sequestro de lideranças comunitárias promovido por pistoleiros e pela empresa de segurança Estrela Guia, contratada pelo condomínio para viabilizar a apropriação ilegal das terras das comunidades.

A partir do ano de 2012, o Ministério Público Estadual, por meio da Promotoria Regional do Meio Ambiente sediada em Barreiras, abriu Inquérito Civil para apurar as violações ambientais cometidas pelas empresas e, desde então, tem buscado formas consensuais para reparação dos inúmeros danos materiais e ambientais causados, assim como uma solução negociada para garantia da posse tradicional e titulação das terras das famílias. Apesar dos reiterados esforços do MPE, novos ataques continuaram acontecendo ao longo de 2016 e denúncias também já foram feitas em razão de fatos ocorridos em fevereiro deste ano.

Com a decisão liminar favorável, as famílias geraiseiras manifestaram expectativa de que novas agressões não aconteçam e que possam continuar exercendo a agricultura familiar, o extrativismo e a pecuária nas áreas coletivas sem serem molestados por seguranças armados ou pistoleiros. As comunidades estão sendo assessoradas judicialmente pela Associação de Advogados de Trabalhadores Rurais do Estado da Bahia (AATR) e têm o apoio de diversas outras entidades e organizações da sociedade civil, a exemplo da 10envolvimento, ISPN, da Comissão Pastoral da Terra e do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Formosa do Rio Preto. Estas organizações apoiaram ainda a realização do filme documentário “Gerações Geraiseiras” (2017), que retrata as comunidades e o contexto do conflito, e será lançado no FICA – Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental, a ser realizado na Cidade de Goiás-GO, entre os dias 20 e 25 de junho de 2017.

Texto das organizações que compõem a Campanha: 10senvolvimento e AATR.

http://semcerrado.org.br/campanha/comunidades-geraiseiras-na-bahia-obtem-decisao-judicial-contra-a-fazenda-estrondo/

Confira a decisão judicial aqui

 

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Ameaça ao cerrado do maranhão

Florestas de eucalipto ameaçam vida do sertanejo no cerrado do MA

Alerta que vem do cerrado maranhense. É que as plantações de eucalipto na região estão ameaçando a sobrevivência dos povos tradicionais, a segurança alimentar no campo e está despertando reações de ativistas que atuam em defesa do meio ambiente e da pobreza ao redor do mundo. Estudos mostram como as florestas de eucalipto estão sufocando a vida do sertanejo, reservas nativas do cerrado e a reação da Justiça no Maranhão.

Também foi assunto do programa a reunião dos secretários de agricultura de 15 municípios da região tocantina que debateram em Imperatriz, a 626 km de São Luís, as ações de integração que serão desenvolvidas durante este ano. O objetivo do encontro também é trocar experiências e promover o potencial de cada região para melhorar a produção agrícola local.

Os  produtores de leite, da cidade de João Lisboa, situada no oeste do estado, recebem apoio técnico para aumentar a produção. É mais uma etapa do projeto balde cheio, realizado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) na região.

Em Balsas, na região sul do Maranhão, agricultores avaliam a safra 2016/2017 que começou a ser colhida. Até agora os índices de produtividade estão dentro do esperado, mas o cuidado com o controle de pragas e doenças está sendo reforçado para evitar perdas.

devastação cerrado

A valorização da terra em mercados consolidados como São Paulo, Minas Gerais e Paraná transformou os Estados de Mato Grosso do Sul, do Maranhão, do Tocantins e do Pará nas novas fronteiras florestais para o cultivo do eucalipto voltado à indústria.

Durante quatro décadas, o Cerrado, segundo maior bioma da América Latina, perdeu metade de sua vegetação nativa. Envolto pelo discurso neoliberal como sendo o ‘celeiro do mundo’, o Cerrado sofreu um desmatamento invisível para grande parte da sociedade. A devastação foi, inclusive, legitimada por meio de programas governamentais de ocupação e de incentivo à agropecuária, iniciados ainda no período da ditadura militar e cuja proposta foi mantida no atual Plano de Desenvolvimento Agrícola (PDA), mais conhecido como Matopiba.

bioma cerrado

O Cerrado, segundo estudo de Myanna Lahsen, “é classificado como um dos 35 hotspots de biodiversidade existentes no planeta”, o que significa que este bioma apresenta elevada biodiversidade, mas encontra-se ameaçado ou passa por um grave processo de degradação. A organização não-governamental Conservation International classificou as 35 áreas com grande importância biológica no mundo e que atualmente estão ameaçadas.

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Cerrado de Pé na Chapada dos Veadeiros

A preservação do meio ambiente e a geração de renda para a comunidade local são os principais objetivos da associação de coletores de sementes criada em São Jorge, em Alto Paraíso (GO). A Associação Cerrado de Pé surge  para ensinar a moradores do povoado como funciona o processo de coleta de sementes de plantas nativas. A entidade trabalha em benefício dos coletores e oferecerá capacitação para a coleta, tratamento e armazenamento das sementes.

O presidente da associação, Claudomiro de Almeida, diz que o nome da instituição resume o objetivo principal do projeto. “Elas (sementes) serão comercializadas por meio de outra associação, a Rede de Sementes do Cerrado, para as empresas de recuperação ambiental e outras instituições interessadas. O valor arrecadado com a venda será revertido para os coletores, já que a Cerrado de Pé não tem fins lucrativos”, explica.

chapada dos veadeiros

foto divulgação -ICMBIO

A ideia de reflorestar a região nasceu de um projeto implantado no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Em 2009, pesquisadores do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) que monitoravam a região fizeram experimentos para descobrir quais plantas se desenvolviam melhor no ecossistema. Atualmente, o Cerrado conta com aproximadamente 12 mil espécies nativas. “A partir de 2012, algumas empresas de reflorestamento patrocinaram projetos de recuperação do Cerrado. Em 2016, elas alcançaram a meta de recuperar 94 hectares. Nesse período, os moradores da região receberam treinamento e passaram a reconhecer melhor os diferentes tipos de plantas e sementes. As empresas tiveram de se retirar, mas nós conseguimos apoio para a criação de uma associação que pudesse oferecer treinamento contínuo para os novos interessados”, acrescenta Claudomiro.

Além do ICMBio, a iniciativa teve apoio da Universidade de Brasília (UnB), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). 

A associação sem fins lucrativos tem, atualmente, mil sacas — quase 4 toneladas — de sementes coletadas e prontas para comercialização. A proposta é que a venda dos produtos gere empregos para os habitantes da região, que vão desde moradores de assentamentos até a comunidade do quilombo Kalunga. As atividades de coleta são realizadas de acordo com a disponibilidade dos associados cadastrados.

Só em 2016, os produtores coletaram 6 toneladas de sementes – Consciência

O presidente da associação explica que as famílias da região tinham o costume de destruir a vegetação gramínea e as árvores por meio de incêndios para plantar produtos como arroz, feijão e soja. A associação foi criada com o objetivo de contribuir com a conscientização dessas pessoas. “Hoje, eles conseguem ver que podem ganhar muito mais dinheiro com a coleta das sementes. Um quilo de feijão vale cerca de R$ 5 ou R$ 7. Já a mesma quantidade de sementes de castanha do baru, por exemplo, pode valer de R$ 40 a R$ 60”, compara Claudomiro, que também é coletor.

Em 2016, durante o período de coleta, que ocorre de março a outubro, 12 toneladas de sementes foram captadas pelos 66 participantes envolvidos com o trabalho. O valor arrecadado — cerca de R$ 70 mil — foi dividido entre as famílias dos coletores. De março deste ano até agora, os participantes do projeto coletaram 6 toneladas de sementes.

Ainda segundo Claudomiro, o projeto vai incentivar a produção artesanal e alimentícia e o turismo. “Os moradores coletam sementes de caju, cagaita, jatobá”, elenca. “Com as polpas dessas frutas, será possível vendê-las para empresas de alimentos. Neste ano, ainda queremos incluir o artesanato. Assim, poderemos ter uma loja para comercializar tudo o que é produzido. Além de coletar sementes para plantar, preservaremos o bioma e movimentaremos a economia local”, finaliza.

Para saber mais

Associação de Coletores de Sementes da Chapada dos Veadeiros Cerrado de Pé – Endereço: Rua 5, Quadra 4, Lote 9, Centro, São Jorge, Alto Paraíso (GO). Ao lado do Centro de Atendimento ao Turista (CAT)

Onde comprar

Rede de Sementes do Cerrado – >>> ( goo.gl/RP2l4b )

Contato: vendas@rsc.org.br – (61) 3256-1938 ou (61) 98103-9038.

Fonte Correio Braziliense – Fotos: Edmar Wellington – Sebrae

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Espaço pra valorizar o cerrado

Inauguração Museu do Cerrado. Dia 19 de junho – Segunda às 10:00 – 12:00 horas.               Sala dos Papirus no Prédio FE1 na Faculdade de Educação da Universidade de Brasília.

flor do museu do cerrado

foto de Rosangela Correa

Anote o endereço do site:  http://museucerrado.esy.es/

 

Organização da Professora Rosângela Corrêa cerratense de nascimento e alma. Historiadora, PhD em Antropologia Social. Professora Adjunta na Área Educação Ambiental e Ecologia Humana na Faculdade de Educação na Universidade de Brasília.

 

Um espaço de compartilhamento e valorização das essências do bem querer do cerrado.

O Museu do Cerrado tem como missão divulgar os conhecimentos científicos e os saberes populares acerca da sociobiodiversidade do Sistema Biogeográfico do Cerrado.

O Museu será um espaço aberto para divulgação de ações/projetos para a conservação, preservação e recuperação do Cerrado e a valorização do patrimônio ecológico, arqueológico e cultural das tradições culturais dos Povos do Cerrado através de conteúdos audiovisuais, artigos, teses, livros, manifestações artísticas, materiais pedagógicos, etc produzidos sobre o Cerrado até o momento.

Sistema Biogeográfico do Cerrado
O Cerrado, diferente dos outros matizes ambientais brasileiros, tem que ser entendido como um sistema biogeográfico.

Eco-História do Cerrado
Os primeiros ancestrais das populações indígenas que hoje ainda habitam as áreas do Cerrado chegaram por volta de 13.000 anos A.P.

Arqueologia no Planalto Central
“O Brasil é um grande sítio arqueológico de diferentes períodos e com uma enorme variedade de vestígios materiais.” Eurico Miller.

EcoMuseu do Cerrado Laís Aderne

Queremos divulgar cada projeto/ação individual, coletivo ou institucional para valorizar, preservar e conservar o Cerrado.

vao-buraco

Foto da cerradania- Vão dos Buracos- Sertão de Minas Gerais- Cerrado- Brasil

Povos e Comunidades Tradicionais

A diversidade sócio-cultural existente no Brasil reflete a biodiversidade local. O Brasil não é só megadiverso pela sua grande diversidade de espécies, ele também é megadiverso pelas sociedades distintas que abriga. Segundo o censo do IBGE de 2010, há 305 povos indígenas no Brasil que falam 274 línguas. Clique em cada balão para saber mais.

UnB e o Cerrado

Uma Universidade transformadora, com a missão de produzir, integrar e divulgar conhecimentos, formando cidadãos comprometidos com a ética, a responsabilidade social e o envolvimento sustentável. Essa é a Universidade de Brasília, onde tem estabelecido um diálogo constante com a sociedade, contribuindo nas soluções dos problemas socioambientais, especialmente dentro do Cerrado.

Educação Ambiental

A educação ambiental numa visão transformadora exige um educador de novo tipo, por este motivo, oferecemos neste tópico, artigos, livros, videos, que possam contribuir na formação dos docentes e na constituição de projetos transversais e interdisciplinares, onde possam entrecruzar saberes, interesses, visões de mundo, técnicas e interpretações polissêmicas sobre a sociedade, as culturas e o Cerrado.

Agrobiodiversidade no Cerrado

Queremos destacar o resgate, a conservação, o manejo e o uso sustentável da agrobiodiversidade, bem como dos conhecimentos e práticas a ela associados.

Recuperação do Cerrado

O direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado para as presentes e futuras gerações é direito constitucional e por isso a degradação ambiental decorrente dos impactos exercidos pela sociedade precisa ser revertida. Recuperar o Cerrado é promover a recuperação de serviços ecossistêmicos desse bioma, auxiliando o seu restabelecimento ao restituir padrões ecológicos o mais próximo possível do que eram originalmente. Para a recuperação do Cerrado podem ser utilizadas diversas técnicas como: sistemas agroflorestais, plantio direto, semeadura, técnicas de nucleação, plantio de mudas nativas diversificadas e consorciadas, entre outros.

 

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Festival Internacional Nación Pachamama em Brasília

‘Desde todas as vozes, liberando a unidade ecossocialista’ é o tema central do encontro

Criado a partir da ideia de unir diferentes vozes e nações ao redor do objetivo em comum de transformar o próprio planeta, o Festival Internacional Nación Pachamama chega a sua sexta edição. Para incentivar a reflexão e o debate acerca de alternativas para o desenvolvimento global, o movimento escolheu como tema central do encontro: “Desde todas as vozes, liberando a unidade ecossocialista”. Na programação do Festival estão previstas rodas de conversas, apresentações musicais e teatrais, meditações, palestras, danças e rituais.

festival 2016 pachamana

foto divulgação

A Nación Pachamama (Mãe Terra) surgiu em 2012, buscando se conectar com vários povos e jeitos diferentes de ser e de estar no mundo, todos eles ligados à terra e à espiritualidade. Na lista dos convidados, representantes de diferentes estados do Brasil, além de países como Peru, Argentina e Uruguai. Entre artistas, professores, líderes indígenas e escritores, o festival busca disseminar a ideia de aprendizado a partir de tradições de diferentes regiões do mundo. O ator e ativista Chuflete Molina é um dos coordenadores do projeto e conta que a ideia é unir diferentes vozes e lutas em busca de um objetivo comum. “É preciso repensar nosso modo de consumir, produzir e estar no mundo, enxergando o planeta como um ser vivo”, afirma o coordenador.

O resgate da relação entre homem e natureza, criando novas formas ecológicas de produção, é um dos pontos de destaque do encontro. “Estamos num momento de emergência global. Basta olhar como está a situação da água em nossa cidade e outras cidades do Brasil. Então, se o Brasil, que é um dos países com mais recursos hídricos do mundo, está passando por racionamento, o que estamos fazendo com nosso planeta?”, questiona Molina.

A ideia é, não só dialogar, mas trocar olhares, manifestações artísticas e tradições. No domingo, por exemplo, o Pachamama promove o Inti Raymi, a festa do Sol, que é celebrada em toda a América Latina e que chega com o objetivo de resgatar no Brasil um senso de unidade e pertencimento à região. Os convidados foram escolhidos a partir do tema geral, que é desde todas as vozes, e muito a partir do que têm contribuído com suas vidas e lutas para dar voz aos que não tem. Entre os convidados brasilienses está a poeta Cristiane Sobral, que leva uma performance intitulada O brado negro: sagrada esperança, reflexo de toda uma vida de luta e poesia. Marina Mara e Jul Pagul completam a roda de poéticas femininas.

“Nós, do Movimento Nación Pachamama, que bebemos da sabedoria ancestral latino-americana, acreditamos que é possível superar as fronteiras das lutas das minorias para voltar a viver como um ayllu, uma família estendida. Viemos de baixo e trazemos as sementes deixadas pelos abuelos de Abya Yala, reverenciando Pachamama e buscando alternativas sensíveis para a emergência global que vivemos e para a angústia existencial que sentimos”.

4º Festival Internacional de Nación Pachamama – Unidade, Liberação e muitas Vozes
Memorial dos Povos Indígenas
16 a 18 de junho
Informações e inscrições no site do evento

Atividades permanentes nos três dias

– Feira de Troca e economia solidária
– Programação Infantil (a divulgar)
– Stands
– Exposição de artistas plásticos (a confirmar)

Convidados confirmados

Álvaro Tukano – Intelectual e líder indígena brasileiro
Ayllu Nación Pachamama
Francisco Quespi – Presidente e líder espiritual da Nación Q’eros (Peru)
Kamuu Dan Wapichana – Membro do Conselho Nacional de Política Indigenista
Lucidor Flores – Escritor e idealizador do movimento Mística Andina e Nación Pachamama (Argentina)
Marcos Arruda – Economista e educador, coordenador de Políticas Alternativas para o Cone Sul
Yara Magalhães – Educadora, coordenadora do Centro de Referência em Educação Integral e Ambiental
Sandra Erickson – Rede Latino-americana pelo Tibet
Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro

Artistas confirmados

Antônio Cáceres – flautista (Uruguai)
Atawalpa Coelho (Inka Clown) – palhaço (Peru)
Bené Fonteles – artista plástico, curador, músico, escritor (DF)
Jefferson Sooma – músico (DF)
Kalypso Molina (Recicleide) – atriz (SC)
Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro – grupo cultural (DF)
Zé do Pife e as Juvelinas – grupo cultural (DF)

 

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Queimadas no cerrado é fogo

As queimadas para a prática da atividade agropecuária ocorrem com frequência no Cerrado, esse é um ato que gera poucos custos para o preparo inicial do solo. Outra forma de queimadas nesse bioma são os tocos de cigarros jogados na mata: temperaturas elevadas, o tempo seco e a baixa umidade relativa do ar contribuem para o surgimento do fogo.
queimada NO CERRADO
No entanto, o fogo no Cerrado pode ter início por fatores naturais, isso ocorre através de descargas elétricas, combustão espontânea, atrito entre rochas e até atrito do pelo de alguns animais com a mata seca.
Esse fogo originado por fatores naturais é responsável pela distinção vegetal do Cerrado. Segundo pesquisas, o aspecto retorcido de suas árvores e arbustos são consequência da ocorrência do fogo, fazendo com que suas gemas de rebrota ocorram lateralmente. As cascas espessas dos troncos funcionam como um mecanismo de defesa das árvores às queimadas.

O fogo contribui para a germinação de sementes, pois algumas necessitam de um choque térmico para que seja efetuada a quebra de sua dormência vegetativa, principalmente as que são impermeáveis. A rápida elevação da temperatura causa fissuras na semente, favorecendo a penetração de água e iniciando o processo de germinação.

O Cerrado apresenta um rápido poder de recuperação, em curto período rebrota após o fogo e atrai diversos animais herbívoros em busca de forragem nova. Algumas espécies como os Anus, Carcarás e Seriemas, seguem as queimadas, e se alimentam de insetos e répteis atingidos pelo fogo.

 

Porém, as queimadas provocadas pelo homem apresentam consequências drásticas para o bioma, isso porque ocorrem em grandes proporções, intensidade e em qualquer época do ano. Acarretam perda na biodiversidade, prejudicando a fauna e a flora do Cerrado.

Atualmente, a maioria das queimadas ocorre através de ações do homem. A intensa ocupação e o desenvolvimento da atividade agropecuária no bioma modificaram sua paisagem, causando perdas inestimáveis na biodiversidade do Cerrado.

Publicado por: Wagner de Cerqueira e Francisco em Geografia Física do Brasil

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As Unidades de Conservação e a fauna no cerrado

O Cerrado funciona como elo com outros biomas como a Amazônia, a Mata Atlântica, o Pantanal e a Caatinga. Isso faz com que o Cerrado compartilhe espécies com os demais biomas, tornando-se um local de alta diversidade, a ponto de ser considerado a savana mais rica em biodiversidade do planeta. Abriga um grande número de espécies animais. Mamíferos, aves, répteis, anfíbios e peixes fazem parte das cerca de 2.500 espécies de vertebrados identificados e que vivem no bioma. Isso sem contar os insetos, que têm papel fundamental na ecologia, mas que ainda são pouco conhecidos pela ciência.

gato maracjá

Gato maracajá ( Leopardus Wiedii)

De acordo com os pesquisadores, o desaparecimento das espécies pode contribuir para a migração de seus predadores a zonas urbanas. “Cerca de 70% dos anfíbios da região estão sujeitos a alto risco de extinção e somente 29 espécies estão protegidas”.

O Cerrado é a maior e mais diversificada savana do mundo. O bioma ocupa 25% do território sul-mato-grossense e apenas 6,48% de sua área são destinados à preservação. Na última Lista Oficial das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção, apenas três anfíbios eram considerados ameaçados, enquanto 22% permaneciam sem dados.

A bióloga e especialista em Ecologia, Maria Helena Andrade afirma que a região do Cerrado é, junto à Amazônia, a mais ameaçada do Brasil, com 72% das espécies em perigo. Segundo ela, um dos principais fatores que contribuem para a ameaça da fauna local é a expansão agrícola. “A expansão das áreas destinadas à agricultura, nos modelos mais comprometedores de produção [monocultura], promove a drástica fragmentação dos habitats, mantendo pequenos refúgios muitas vezes insignificantes para a garantia dos ciclos de vida de muitas espécies”.

Listas Oficiais

A Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN) das espécies ameaçadas foi criada em 1963 e constitui um dos inventários mais detalhados do mundo sobre o estado de conservação mundial de várias espécie de plantas, animais, fungos e protistas. A lista obedece a critérios precisos, para avaliar os riscos de extinção de milhares das espécies e subespécies, pertinentes a todas as espécies e em todas as regiões do mundo.

Os animais em situação de maior vulnerabilidade no Cerrado, o tatu-bola, o lobo-guará, o tamanduá-bandeira e o macaco-prego.

Tatu canastra em Goias

tatu canastra  ( Priodontes Maximus.)

De acordo com pesquisadores do ICMBio, os principais fatores que contribuem para a ameaça da fauna local são a expansão agropecuária, o elevado crescimento urbano, poluição, incêndios florestais e a caça preventiva e/ou esportiva de alguns animais.

Estudos realizados pelo Programa Cerrado, da CI-Brasil, indicaram que o bioma corre o risco de desaparecer até 2030, já que o desmatamento chega a 1,5%%, ou seja, três milhões de hectares/ano. Isso equivale a 2,6 campos de futebol/minuto.

Com a ameaça que o bioma sofre, os animais em extinção no Cerrado correm um risco maior. São as chamadas espécies endêmicas, como é o caso, por exemplo, dos animais: Quenquém (Acromyrmex diasi) e Aranha-de-teia-de-solo (Anapistula guyri).

Estima-se que o bioma concentre cerca de 10.000 espécies vegetais e mais de 1300 espécies de animais vertebrados – especialistas afirmam que não é possível dizer exatamente quantas espécies vivem na região, já que nem todas estão catalogadas.

De acordo com o levantamento do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, são mais de 130 espécies ameaçadas de extinção no Cerrado, entre anfíbios, aves, invertebrados aquáticos, invertebrados terrestres, mamíferos, peixes e répteis.

Confira alguns exemplos de animais em extinção no Cerrado:

  • Cachorro-do-mato-vinagre (Speothos Venaticus)
  • Gato-Maracajá (Leopardus Wiedii)
  • Jaguatirica (Leopardus Pardalis)
  • Tamanduá-Bandeira (Myrmecophaga tridactyla)
  • Lobo-Guará (Chrysocyon brachyurus)
  • Besouro (Coarazuphium pains)

Levantamento revela que nas unidades federais de conservação do Cerrado sobrevivem 65 (48%) dos 137 animais ameaçados de desaparecer no bioma. Os parques nacionais das Emas e da Chapada dos Veadeiros, em Goiás, e da Serra da Canastra, em Minas Gerais, se destacam por abrigar muitas espécies em perigo, como lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), águia-cinzenta (Harpyhaliaetus coronatus), pato-mergulhão (Mergus octosetaceus), tatu-canastra (Priodontes maximus), cachorro-do-mato-vinagre (Speothos venaticus), onça-pintada (Panthera onca), cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus) e muitos outros.

Os dados oficiais também mostram que metade das 618 espécies brasileiras da chamada “lista vermelha” foi registrada em 198 parques nacionais e outras unidades de conservação (UCs) mantidas pelo governo federal. Enquanto mamíferos e aves somam oito em cada dez registros, invertebrados e peixes são os grupos menos apontados.

“Os dados evidenciam a necessidade de se ampliar e consolidar o sistema nacional de unidades de conservação e as pesquisas científicas associadas, especialmente em biomas extremamente ameaçados como o Cerrado. Ele já perdeu metade da vegetação original e tem menos de 3% da área efetivamente protegida e, ainda assim, é um grande fornecedor de água e outros serviços ambientais ao país.]

Muito importante a ampliação do Parque Nacional da Chapada do Veadeiros, O parque  é refúgio de espécies ameaçadas (de extinção) ou endêmicas (que só existem no local), como o cervo-do-Pantanal, gato-do-mato, lobo-guará, gato-maracajá, pato-mergulhão, tamanduá-bandeira, codorna-buraqueira, tatu-canastra, águia-cinzenta, socó-jararaca e a onça pintada, maior mamífero carnívoro da América do Sul e incluído na lista de espécies da fauna brasileira em risco de extinção.

Vem ai: A Expedição Cerradania

 

Ser du Goiás

Goiás é lindo de lugares incríveis que é difícil reunir tudo em um só lugar, porém, repasso alguns locais do cerrado de Goiás.

Goiás é reconhecida como a terra das cachoeiras, dos lagos artificiais, das praias fluviais, das águas quentes, da pesca. Mais recentemente, também se tem explorado a infraestrutura para eventos, com localização estratégica, de fácil acesso a todas as regiões do Brasil. Neste último caso, as belezas naturais do Estado entram como atrativos suplementares, reforçando o apelo do contato com a natureza. Até mesmo o planejamento dos roteiros turísticos principais já indica a deferência aos atrativos naturais. Dos quatro “caminhos” do turismo, três são referências à exploração das paisagens e belezas naturais do estado: o caminho do sol, que leva às praias do rio Araguaia e às cachoeiras e rios do sul e sudoeste; o caminho das águas, em direção às águas termais de Caldas Novas e Rio Quente, e às estâncias balneárias ao longo do rio Paranaíba; e o caminho da biosfera, que remete ao ecoturismo nas áreas mais preservadas de cerrado, no norte-nordeste do estado. Somente o caminho do ouro indica como atrativos aspectos eminentemente culturais, como os roteiros histórico-religiosos de cidades como Goiás e Pirenópolis.

Segue um pouquinho do cerrado de Goiás.

 Vale da lua em Alto Paraíso.

A Chapada dos Veadeiros, no Alto Paraíso de Goiás, guarda uma atração um tanto curiosa. Imagine que as formações rochosas do Vale remetem a superfície lunar. Além de uma paisagem espetacular, o Vale da Lua ainda conta com grutas e piscinas naturais e fascinantes.

vagalumes_e_cupinzeiros_parque_nacional_das_emas

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Fenônmeno da Bioluminescência  – PARQUE Das Emas.                                                 Com 132 mil hectares de vegetação do cerrado, o Parque das Emas fica entre os municípios de Mineiros, Chapadão do Céu, em Goiás; e parte de Costa Rica, no Mato Grosso do Sul. Recebeu da Unesco o título de Patrimônio Natural da Humanidade por abrigar 1.600 espécies de animais e 500 tipos de plantas nativas. Entre as belezas encontradas no local, cerca de 20 milhões de cupinzeiros transformam-se em esculturas de terras iluminadas com o efeito da bioluminescência. Em períodos de chuvas, logo após o mês de outubro, as larvas de vagalumes se abrigam nos buraquinhos esculpidos nos cupins. À noite, elas emitem luzes esverdeadas, atraem e comem outros insetos. Os ingressos podem ser retirados com 48 horas de antecedência, documento conhecido por voucher, nos Centros de Atendimento ao Turista (CATs), na cidade de Mineiros, ou em agências de viagem. A entrada e visitação são mais fáceis pelo Chapadão do Céu, a 460 km de Goiânia.

Cachoeiras  Almécegas I Ee II – em Alto paraíso.                    

Localizadas na Pousada Fazenda São Bento, a 9 km de Alto Paraíso. O Córrego Almécegas percorre campos de flores e buritizais, sua mais bela cachoeira, Almécegas I, cai em forma de véu de noiva a 45 metros de altura em sua piscina de águas verdes.  O lugar é perfeito para a prática de rapel. A Cachoeira Almécegas II tem uma bela queda de 8 metros e grande poço para banho.

Cachoeiras santa bárbara em cavalcante.

A Cachoeira de Santa Bárbara, com 35 m de queda, é das mais bonitas da região e forma um poço de água cristalina, com pontos esverdeados e azuis, ótimo para um mergulho. Outra trilha, de 600 m a partir da mesma comunidade, leva até a Cachoeira Capivara, com bom poço para banho. Dica: ao chegar no povoado Engenho II, encomende uma galinhada caseira com um dos moradores (R$ 20 por pessoa). Centro de Atendimento ao Turista, 3494-1507.

 Pedra do Chapéu do Sol em Cristalina.

Uma obra rara e impressionante da natureza encontra-se a pouco mais de 6 quilômetros do centro de Cristalina, a Pedra Chapéu do Sol é um desses monumentos naturais que faz o ser humano refletir sobre o poder extraordinário que nos cerca. Equilibrada há milhões de anos em uma base de pouco mais de um metro de diâmetro e pesando mais de cem toneladas, a Pedra Chapéu do Sol fascina a todos que visitam o local.

Casa de Cora Coralina na cidade de Goiás.

A casa, quase intacta, da maior poetisa goiana de todos os tempos. Cora (de coração) e Coralina (de coral), pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (1889-1985), passou toda a sua vida aqui, ao lado da ponte sobre o Rio Vermelho. A visita guiada do Museu da Casa de Cora Coralina começa na cozinha, onde estão os tachos de cobre que Cora usava para fazer doces. O quarto também está como ela deixou, com vestidos pendurados na parede. Seus livros, fotos, cartas, máquina de escrever e até a bengala que a amparou até os últimos dias também estão expostos. Em duas salas, totens reproduzem vídeos em que ela aparece declamando seus poemas. Durante o tour você também conhece mais sobre as pessoas que fizeram parte da vida da escritora, como Maria Grampinho, andarilha que perambulava pela cidade carregando sua trouxinha (a quem Cora dedicou um poema). Personagem, folclórica em Goiás, é vendida em forma de bonecas de pano nas lojas de artesanato.

A Histórica  Pirenópolis.

Um passeio no real cenário da arquitetura colonial em Goiás. Um passeio (à pé, claro) pelas ruas mostra o contraste na história brasileira. Deixe o carro de lado, calce a rasteirinha, vista o bermudão e aproveite Piri, como a cidade é carinhosamente chamada.  O passeio revela ruas estreitas e uma cultura totalmente diferente das grandes cidades. Comece caminhando da Igreja Matriz até a Rua Direita, onde está o Museu das Cavalhadas. Depois vá até a Rodoviária (na rua debaixo) e volte para o centro, passando pela Ponte Pênsil e pela ponte de madeira, acabando na Rua do Bonfim. Pra relaxar, a Rua do Lazer, só para pedestres, é sempre uma boa pedida com ótimas opções de gastronomia e diversão para todos os gostos e bolsos.

Grutas de Terra Ronca em São Domingos (Parques Estadual de Terra Ronca)

Localizado nos municípios de Guarani de Goiás e São Domingos, o Parque Estadual de Terra Ronca, criado em julho de 1989, possui uma área de aproximadamente 57 mil hectares, abriga grutas com formações calcárias raras e preservadas, um espetáculo da natureza subterrânea. Sua principal atração é o complexo cavernícola, concentrado em pouco mais de 40km, onde se encontram inúmeras grutas de raríssima beleza, como as grutas de Terra Ronca (que deu nome ao parque), São Mateus e Angélica. A formação desse complexo se deve à ação dos rios que nascem na Serra Geral, ganham volume sobre os maciços de quartzito e acabam formando uma série de cavernas ao encontrarem o maciço de rochas calcárias dentro do Parque. A região possui vários sistemas de grutas, que têm em comum as galerias quilométricas e o grande volume dos cursos d’água. A gruta de Terra Ronca é a mais conhecida do local e se caracteriza principalmente pelo seu enorme pórtico e pela grandiosidade de seus salões.

Trecho do livro Cerradania: alumeia e óia pros encantamentos dos cerratenses.

VEM AI: A primeira expedição da Cerradania

 

 

Comemorar e se preocupar com cerrado

No momento em que comemoramos do dia do meio ambiente( 05 de junho), temos a necessidade de refletir o que estamos fazendo com o nosso cerrado.

O cerrado perdeu 46% de sua vegetação nativa, e só cerca de 20% permanece completamente intocado, segundo os pesquisadores. Até 2050, no entanto, pode perder até 34% do que ainda resta.

chapada_dos_guimaraaes_-_vista

Chapada dos Guimarães – cerrado MT

Isso levaria à extinção 1.140 espécies endêmicas – um número oito vezes maior que o número oficial de plantas extintas em todo o mundo desde o ano de 1500, quando começaram os registros.

“Há 139 espécies de plantas registradas como extintas no mundo todo. Mas claro, sabemos que espécies foram extintas antes mesmo de a gente conhecê-las”, disse à BBC Brasil Bernardo Strassburg, professor da PUC-Rio e coordenador do estudo e secretário-executivo do IIS.

“Mesmo assim, a perda no cerrado seria uma crise sem proporções.”

O desmatamento na região, de acordo com os pesquisadores, cresceu em níveis alarmantes “por causa da combinação de agronegócio, obras de infraestrutura, pouca proteção legal e iniciativas de conservação limitadas”.

Mesmo assim, Strassburg e sua equipe afirmam que o cenário apocalíptico projetado para 2050 pode ser evitado.

‘biodiversidade’

O cerrado brasileiro, segundo o artigo, tem mais de 4,6 mil espécies de plantas e animais que não são encontrados em nenhum outro lugar.

“Essa projeção assustadora que encontramos é uma combinação de dois fatores: o cerrado é um hotspot global de biodiversidade principalmente por causa das plantas, e ele já perdeu metade da sua área”, afirma Strassburg.

Para conseguir estimar o número de espécies perdidas pelo desmatamento nos próximos 30 anos com o mesmo ritmo atual, os pesquisadores combinaram os dados mais recentes da Lista Vermelha de Espécies em Extinção (referentes a 2014) com projeções das mudanças no uso do bioma.

Das 1.140 que podem ser perdidas, 657 já são consideradas condenadas à extinção.           “Isso quer dizer que não tem mais cerrado suficiente para tanta espécie. Se o desmatamento parasse hoje e não fizéssemos mais nada para recuperar a região, elas seriam extintas de qualquer jeito”, explica.

Seca

Se o aumento recente do desmatamento da Amazônia, segundo os cientistas, influenciou o regime de chuvas no Brasil, contribuindo para a seca dos últimos anos, a perda do cerrado também faz sua parte – mas no solo, e não na atmosfera.

“Tem gente que se refere ao cerrado como uma floresta de cabeça para baixo, porque dizem que as raízes lá são tão mais profundas que na Amazônia e na Mata Atlântica. Isso torna muito grande a capacidade do solo de absorver água, que será armazenada nos lençóis freáticos”, diz Strassburg.

Hoje, 43% da água de superfície no Brasil fora da Amazônia está no bioma – o que inclui três dos principais aquíferos do país, que abastecem reservas no Centro-Oeste, no Nordeste e no Sudeste.

“Mas se você troca aquela vegetação por uma plantação de soja, essa capacidade de reter água e alimentar os lençóis freáticos se perde. E vale lembrar que no Brasil crise hídrica é também é crise energética.”

O pesquisador alerta ainda para o fato de que o desmatamento projetado para as próximas três décadas emitiria cerca de 8,5 bilhões de toneladas de gás carbônico na atmosfera.

“Isso é 2,5 vezes mais do que a redução da emissão de gases estufa que o Brasil conseguiu com a queda no desmatamento da Amazônia entre 2003 e 2012”, explica.

impedir?

O artigo afirma que, restaurando áreas do cerrado que foram menos degradadas e são importantes para a biodiversidade, seria possível reverter até 83% do quadro de extinções previstas.

“Áreas que não foram muito degradadas ou não foram desmatadas há muito tempo conseguem se regenerar, até por causa das raízes profundas e porque têm um banco de sementes. As outras precisam de um esforço maior”, afirma Strassburg.

 

Baseado no artigo de pesquisadores do Instituto Internacional para a Sustentabilidade (IIS) e de outras instituições nacionais e internacionais, divulgado na revista científica Nature Ecology and Evolution.

VEM AI: A primeira expedição da Cerradania

 

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