Archive | novembro 2017

Ser cerratense mineiro é …

The Cerrado occurs in almost half of Minas Gerais, mainly in the Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba, Oeste, Metropolitan of BH, Central Mineira, Northeast, Northwest and North of Minas. Cunning. To be a miner is not to say what he does or what he will do, he pretends he does not know what he knows, he talks little and he listens a lot, he is a fool and he is very intelligent.

O Cerrado ocorre em praticamente metade de Minas Gerais, principalmente no Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba, Oeste, Metropolitana de BH, Central Mineira, Nordeste, Noroeste e Norte de Minas. A fauna é representada principalmente pelo tamanduá, tatu, anta, jibóia, cascavel e o cachorro-do-mato, lobo-guará, veado-campeiro, o mico-estrela e o pato-mergulhão.

norte de minas

Norte de Minas Gerais – Foto Agencia Pública

Astúcia. Ser mineiro é não dizer o que faz nem o que vai fazer, finge que não sabe daquilo que sabe, fala pouco e escuta muito, se passa por bobo e é muito inteligente.

Relógio de mineiro é enfeite. Pontual para chegar, o mineiro nunca tem hora para sair. A diferença entre o suíço e o mineiro é que o primeiro chega na hora. O mineiro chega antes. Chega na estação antes de colocarem os trilhos, para não perder o trem. E, na hora em embarque, grita para a mulher, que carrega a sua mala: “Corre com os trens que a coisa já chegou!”

O bom mineiro não laça boi com embira, não dá rasteira em sapo, não anda contra o vento, não pisa no escuro, não anda no molhado não estica conversa com estranhos, só acredita na fumaça quando vê fogo, sabe quantas pernas tem a cobra, escova os dentes do alho, teme rasteira de pé de mesa e, por via das dúvidas, põe água e alpiste para o cuco.

Toma café ralo e esconde dinheiro grosso; pede emprestado para disfarçar a fartura, só arrisca quando tem certeza, não troca um pássaro na mão por dois voando. Mineiro age com a esperteza das serpentes mas se veste com a simplicidade das pombas, e encobre as contradições com o manto fictício da cordialidade.

Mineiro foge da luz do sol por suspeitar da própria sombra, vive entre montanhas e sonha com o mar, viaja mundo para comer, do outro lado do planeta, um tutu de feijão com couve picada.

Ser mineiro é fazer cara feia e rir com o coração, andar com guarda-chuva para disfarçar a bengala, fingir que não sabe o que bem conhece, fumar cigarro de palha para espantar mosquitos, mascar fumo para amaciar a dentadura.

Ser Mineiro não é contra nem a favor; antes, pelo contrário. Aliás, mineiro não fala, proseia.

Ser mineiro é dizer “uai”, ser diferente e ter história e marca registrada. Come as sílabas para não morrer pela boca. Faz economia de palavras para não gastar saliva. Fala manso para quebrar as resistências do interlocutor.

Sonega letras para economizar palavras. De vossa mercê, passa pra vossemecê, vossência, vosmecê, você, ocê, cê e, num demora muito, usará só o acento circunflexo!

Mineiro não tem idéias, só lembranças; não raciocina, associa; pão-duro, tem o coração mole; pensa que esposa é parente, filho, empregado e carrega sobrenome como título de nobreza. Ser mineiro é acreditar mais no fascínio da simpatia que no poder das idéias. É navegar em montanhas e saber criar bois, filhos e versos.

Mineiro vai ao teatro, não para ver, mas para ser visto, freqüenta igreja para fingir piedade, ri antes de contar a piada e chora com a desgraça alheia. Adora sala de visitas trancada, na esperança de retorno do rei.

Avarento, não lê o jornal de uma só vez para não gastar as letras, e ainda guarda para o dia seguinte para poder ter notícias. Aliás, mineiro não lê, passa os olhos. Não fala ao telefone, dá recado.

Praia de mineiro é barzinho e, sua sala de visitas, balcão de armazém e cerca de curral. Ali a língua rola solta na conversa mole, como se o tempo fosse eterno. Certo mesmo é que o momento é terno. Ser mineiro é ajoelhar na igreja para ver melhor as pernas da viúva, frequentar batizado para pedir votos, ir a casamentos para exibir roupa nova.

Mineiro que não reza não se preza. Acende a Deus a vela comprada do diabo. Religioso, na sua crendice há lugar para todos: O Cujo e a mula-sem-cabeça; assombrações e fantasmas; duendes e extra-terrestres. Mineiro vai a enterro para conferir quem continua vivo. Nunca sabe o que dizer aos parentes do falecido, mas fica horas na fila de cumprimentos para marcar presença. Leva lenço no bolso para o caso de ter de enxugar as lágrimas da família. Não manda flores porque desconfia que a flora embolsa a grana e não cumpre o trato.

Ser mineiro é esbanjar tolerância para mendigar afeto, proferir definições sem se definir, contar casos sem falar de si próprio, fazer perguntas já sabendo as respostas.

Mineiro é capaz de falar horas seguidas sem dizer nada. E cumprimenta com mão mole para escapar do aperto. Mineiro é feito pedra preciosa: visto sem atenção não revela o valor que tem, pois esconde o jogo para ganhar a partida e acredita que a fruta do vizinho é sempre mais gostosa.

Mineiro é isso, sô! Em Minas, o juiz é de fora, o mar é de Espanha, os montes são claros, a flor é viçosa, a ponte é nova, o ouro é preto, é belo o horizonte, o pouso é alegre, as dores são de indaiá e os poços de caldas. “Minas são muitas Gerais”, como disse Guimarães Rosa.

É fogão de lenha e comida preparada em panela de pedra sabão; turmalina e esmeralda; tropa de burro e rios indolentes chorando a caminho do mar; sino de igreja e tropeiros mourejando gado sob a tarde incendiada pelo hálito da noite.

Minas é Mantiqueira e cerrado, é o Triângulo imponente, que se quisesse seria independente com seu rebanho e terras férteis. Minas é Aleijadinho e Amílcar de Castro, Drummond, José Batista de Queiroz e Milton Nascimento, pão de queijo e broa de fubá.

Minas é saborosamente mágica. Ave, Minas! Batizada Gerais, és uma terra muito singular.

Reportagem de : Num sei de onde vei, só sei que vi por ai

Cerrado no Maranhão é o maior bioma

The biome is the set of interactions of ecosystems characteristic of a biogeographic zone (climate, soil, vegetation, fauna and others).
Brazil presents six types of biomes: Amazon, Cerrado, Atlantic Forest, Caatinga, Pampas and Pantanal. And in the state of Maranhão the cerrado predominates.

A Constituição Federal, no seu artigo 225, afirma que “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida”, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.

Um ambiente ecologicamente equilibrado que é essencial para à sadia qualidade de vida está intimamente ligado aos Biomas que são o tema da Campanha da Fraternidade 2017. O bioma é o conjunto de interações de ecossistemas característicos de uma zona biogeográfica (clima, solo, vegetação, fauna e outros), que devem estar em perfeita preservação e proteção. O Brasil, no geral, apresenta seis tipos de biomas: Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pampas e Pantanal. Cada Estado possui também seus biomas característicos, no Maranhão, terra das palmeiras, os principais são:

Floresta Amazônica ou Equatorial: Localizada no noroeste do Estado, possui grande pluviosidade e diversificada fauna.  Nesse bioma, está localizada a Reserva Biológica do Gurupi, abrigando milhares de espécies vegetais e grande biodiversidade, também estão localizadas áreas indígenas como Awá, Urubu-Capó e outros. Mesmo sendo uma área ambientalmente protegida, infelizmente ocorrem muitos impactos como queimadas e desmatamentos, colocando em risco o importante bioma.

Manguezal: O Maranhão possui a maior área de manguezal do país, sendo considerado berçário de diversas espécies aquáticas e também aves. Concentrada na parte Noroeste do Estado, onde há uma grande quantidade de rios desembocando no mar, formando estuários e sendo conhecida como Floresta dos Guarás.

Na Ilha do Maranhão, o Manguezal é bastante devastado devido à ocupação imobiliária, que produz além dos impactos de contaminação por esgotos, a diminuição de várias espécies de crustáceos como caranguejos e outros.

Restinga: Vegetação rasteira encontrada predominantemente na parte ocidental, nordeste, do Estado. Por ficar na praia, é resistente ao excesso de sal e a ventos constantes. A vegetação nessa paisagem tem porte arbustivo-arbóreo e pode ser destacada a maior concentração desde bioma no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, que devido ao intenso fluxo turístico deve também ser utilizado com cuidado para não provocar sérios impactos.

Campos (Baixada Maranhense): Possui uma área de 20 mil quilômetros quadrados, nos baixos cursos dos rios Mearim e Pindaré, e médios e baixos cursos dos rios Pericumã e Aurá.  É uma área de Proteção Ambiental criada pelo governo do Estado, em 1991, devido à sua importância ecológica e econômica. Possui campos inundados, matas de galeria, uma rica fauna e flora, com destaque para aves aquáticas (migratórias) e animais ameaçados de extinção como o peixe-boi marinho.
Também é conhecida como Pantanal Maranhense.

Cerrado: O Cerrado, representa mais da metade de todos os biomas existentes no Estado (60% do Maranhão). No cerrado maranhense, tem destaque o Parque Nacional da Chapada das Mesas, que possui vegetação semelhante, com relevo diferenciado e quedas de água. É um dos biomas que atualmente sofre grande risco devido ao agronegócio principalmente da soja.

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Cerrado maranhense – terra das palmeiras

Mata de Transição (Mata dos Cocais): Corresponde a uma área de transição, envolvendo o chamado meio-norte com os estados do Maranhão (babaçu) e Piauí (carnaúba) é possível identificar climas totalmente diferentes, como equatorial superúmido e semiárido. Possui grande importância social e econômica devido à atividade das quebradeiras de coco, que enfrentam violência dos donos de terras.

Reportagem de Ribamar Carvalho, geógrafo, me. em Saúde e Ambiente, consultor Ambiental do IMESC

 

Fragmentos do cerrado na capital paulistana

In the capital of São Paulo, the small fragments of the original part of the Piratininga Field remain: Cerro Campo-Cerrado Ecological Park Dr. Alfred Usteri and Ecological Reserve of the University of São Paulo.

Em plena capital paulistana, São Paulo, resta do cerrado pequenos fragmentos do original do Campo de Piratininga: Parque Ecológico Municipal de Campo-Cerrado Dr. Alfred Usteri e Reserva Ecológica da Universidade de São Paulo

Parque Ecológico Municipal de Campo-Cerrado Dr. Alfred Usteri. Área – 13.090m² Decretado parque ecológico em 18 de junho de 2010.

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A área do Jaguaré foi descoberta no trabalho de prospecção do “Árvores de São Paulo” pela cidade inesperadamente em meados de 2009, quando foi detectado no local a presença de espécies típicas do cerrado e campos cerrados descritas por esses pesquisadores do começo do século passado e em outros antigos trabalhos sobre a vegetação dos arredores de  São Paulo.

O terreno no Jaguaré que ainda conserva essa mancha de “cerradinho” está espremido entre um hipermercado e um grande condomínio residencial e conserva muitas raridades como duas espécies diferentes de juqueri (Mimosa sp.), língua-de-tucano (Eryngium paniculatum), tarumã-do-cerrado (Vitex polygama), barba-de-bode (Andropogon leucostachyus) e orelha-de-onça-do-cerrado (Leandra sp.).

Para o Parque de Campo Cerrado Alfred Usteri conseguir preservar a vegetação original e manejar as ameaças, A Secretaria do Verde e Meio Ambiente (SVMA) interviu, de forma a se obter um protocolo de manutenção e sustentabilidade da fitofisionomia.

Reserva Ecológica da Universidade de São Paulo  – Campus da Capital (CUASO) – localizada entre o Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) e Instituto de Biociências (IB).

Área – cerca de 1 hectare – 10.000 m². Decretada reserva ecológica em 05 de junho de 2012.

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Reserva Ecológica da Universidade de São Paulo  – Campus da Capital

A área de campos cerrados em volta da caixa de água do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB USP) foi pleiteada como reserva dos antigos “Campos do Butantã”  desde 2010 para a direção da USP, e teve o apoio de professores do Depto. de Botânica.

Esse remanescente, situado na parte mais alta da Cidade Universitária, tem uma bela vista para a metrópole e conserva relíquias da biodiversidade paulistana, sendo algumas só encontradas ali dentro do Município, embora no passado tenham recoberto grande parte do terreno original da cidade. Exemplos são o murici-do-campo (Bysonima intermedia), ipê-amarelo-do-cerrado (Handroanthus ochraceae), gabiroba (Campomanesia sp.) e diferentes espécies de EryngiumO vandalismo, a invasão de plantas estrangeiras e o sobreamento de árvores estranhas estão fazendo essa vegetação desaparecer.

Na área foi identificado a rara população de murici-do-campo no local, um arbusto típico do cerrado e praticamente extinto.

Trecho do raro Cerrado tipo “Campos de Piratininga” que margeiam o terreno da nascente. Paisagem secular. Araçá-do-campo (Psidium guineense), arbusto frutífero que nomeou o caminho e depois cemitério do Araçá. O capim, uma espécie que quase desapareceu da metrópole (Andropogon leucostachyus).

Ainda que são poucos e pequenos fragmentos é preciso preservar, pelo meio ambiente e pela história local.

O cerrado tem jaracatiá

Planta originária do Brasil, o jaracatiá, mamãozinho ou, mamão bravo é batizado como Jaracatia spinosa, embora a árvore que encontrei não apresentasse espinhos. Pimentel Gomes, no livro Fruticultura Brasileira registra como Jaracatia dodecaphylla DC; e tem também o Carica quercifolia A. St.Hil. que virou Carica Vasconcella quercifolia. Pode ser encontrado em diversas formações florestais, de norte a sul, mas hoje é considerado um fruto em extinção.

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Jaracatia spinosa

Pode atingir 20 m na floresta, quando cultivada não ultrapassa ao 7 m de altura, tem copa rala e cônica. O tronco reto e cônico, com diâmetro de 50 cm a 90 cm e a casca é cinza esbranquiçado com acúleos ou espinhos pontiagudos.  O fruto é uma baga periforme (com forma de pêra alongada) com 10 cm de comprimento por4 cm a 6 cm de diâmetro, pesando de 8 a 30 gramas, com casca fina e amarelada ou alaranjada quando bem madura, com pericarpo (parede que envolve a semente) cremoso, denso e com suco leitoso, envolvendo muitas sementes marrons e pequenas.

Crescimento rápido, atingindo 2 metros de altura no primeiro ano de plantio no campo. A planta aprecia terrenos porosos e ricos em matéria orgânica, com pH entre 5,0 a 6,5, reage bem com boas regas no primeiro ano de plantio, resistindo bem a secas.

Começa a frutificar a partir do 3 ou 4 anos de plantio em terrenos férteis. Recomendado plantar pelo menos 3 arvores para que ocorra polinização cruzada e uma boa produção dos frutos que varia entre 100 a 800 frutos por planta.

Cultivar em pleno sol abrindo covas de 50 cm de altura, largura e profundidade num espaçamento de 5 x 5 m ou 6 x 6 m entre plantas. Misturar com os 30 cm de terra iniciais do solo 4 ou 5 pás de esterco bem curtido, + 500 gramas de calcário e 1 kg de cinza de madeira, deixando curtir por 2 meses.

A melhor época do plantio é de outubro a novembro e após o plantio.

Os frutos amadurecem de janeiro a março. Os frutos têm polpa amarelo alaranjada, lembram o sabor do maracujá e da manga, contem látex que queima caustico que queima a língua e os lábios de algumas pessoas sensíveis. Por isso colha os frutos totalmente amarelos e deixe-os chegar por 1 semana, assim o efeito caustico acaba. Outra forma deliciosa de comer os frutos é assar na brasa como os índios faziam. Também podem ser usados para fabricar sucos e doces. O tronco é usado para fazer um doce semelhante a cocada, e por isso a arvore está ficando mais rara pois as pessoas sacrificam a arvore para fazer o doce e nunca plantam nada.

Foram os índios os primeiros a serem seduzidos pelos frutos perfumados do jaracatiá. De cor de laranja vivo, formato alongado e do tamanho da palma da mão, esses “primos” do mamão podiam ser consumidos in natura mas, preferencialmente, eram comidos assados, moqueados. Parta um jaracatiá para entender a lógica: há uma seiva que brota, um tipo de látex, uma enzima chamada papaína, que “queima” a boca e irrita o estômago dos mais afoitos. (Um parêntese: essa substância esbranquiçada é ouro: muito usada na indústria alimentícia – como amaciante de carnes – e também na farmacêutica). Ao assá-los, o calor da brasa “cortava” a seiva, tornando o fruto mais agradável ao paladar.

Atenção: para fazer o doce, é preciso aplicar manejo correto da planta. A derrubada excessiva da planta, aliás, pode ter sido a causa para as quedas na oferta de caule e, assim, também, na produção dos doces, que hoje são pouco conhecidos. Atualmente, as doceiras costumam usar o interior de galhos mais grossos podados da planta, daí a árvore continua de pé. Ainda assim, a fabricação com esta matéria prima não é mais recomendada. 

A polpa bem alaranjada é cremosa, bem doce, enquanto as sementes (muitas e não poucas, como disse no outro post) são crocantes quase como as de maracujá, doces e cobertas por uma gominha viscosa como a do quiabo. Tudo isto na boca forma uma geléia texturizada de sabor maravilhoso que lembra uma combinação de frutos tropicais – goiaba, feijoa, araçá, maracujá. É muito perfumado e com sabor marcante, bem diferente do fruto na compota ou no sorvete, que perde grande parte destas características.

O fato é que o fruto tem um potencial gastronômico enorme.
Reportagem de

http://floradobrasil.jbrj.gov.br/2012/index?mode=sv&group=Root_.Angiospermas_&family=Root_.Angiospermas_.Caricaceae

 

Matopiba: realidade etnocídio e genocídio

The latest report from the Pastoral Land Commission shows that in 2016 alone there were 61 murders in the countryside, an average of five per month.                    Conflicts reached 1,295, the highest number since 1985.                                                        In Matopiba, land conflicts increased by 300%, with the Cerrado being the site of 24.1% of conflicts in the country, with 14.9% of the rural population in Brazil. 2016 also recorded 12,829 families evicted and 2,639 families evicted.

Para conhecer a realidade é preciso vê-la de perto, longe da frieza dos números, do conforto dos escritórios, além da velocidade exponencial das timelines das redes sociais. Para conhecer a realidade é preciso sentir a temperatura, ver as variações da paisagem, conversar olho no olho com os moradores locais. Para saber como a produção de soja e outras commodities afeta realmente a vida das pessoas, a dinâmica das cidades, a preservação dos biomas, é preciso sentir a realidade na pele.

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Raimunda Pereira dos Santos, agricultora de uma comunidade tradicional que vive há décadas em Barra do Ouro (TO) é símbolo de resistência para toda a região: sua casa e sua plantação foram destruídas, seus animais sequestrados e Raimunda foi diversas vezes ameaçada de morte por se negar a vender sua terra para o produtor que acabou por cercar mais de 17 mil hectares entre lotes comprados e área grilada, produzindo soja no meio de uma disputa desigual que já se arrasta desde 1994.

É justamente esse o objetivo do CFA Reality Tours que, na última semana de outubro, levou seis representantes de empresas, bancos e organizações do terceiro setor para visitar cidades no norte do Tocantins e sul do Maranhão, na fronteira agrícola do Matopiba, um dos principais centros de produção de soja e de conflitos fundiários do Brasil atual, onde o Cerrado começa a se confundir com a Amazônia. Lá, os representantes da BRF, Rabobank, Caixa Econômica Federal, Field to Market e The Forest Trust puderam conversar com grandes e médios produtores de abordagens diferentes sobre a sua atuação e entender melhor como os conflitos gerados pela expansão do plantio da soja atingem diretamente agricultores de comunidades tradicionais que estão há gerações na região.

Para Lucas Paschoal, supervisor de commodities da BRF, conhecer a situação dos agricultores familiares foi um choque de realidade muito grande. Inclusive para contrapor uma narrativa recorrente que costuma enxergar apenas o ponto positivo da expansão agropecuária. “É importante trazer o setor privado para esse tipo de experiência para que as grandes empresas possam voltar o olhar para essa situação, enxergando a relação entre a produção de grãos e as comunidades que vivem lá, buscando um ponto de equilíbrio”, afirma.

A situação de Raimunda Pereira dos Santos, agricultora de uma comunidade tradicional que vive há décadas em Barra do Ouro (TO) é símbolo de resistência para toda a região: sua casa e sua plantação foram destruídas, seus animais sequestrados e Raimunda foi diversas vezes ameaçada de morte por se negar a vender sua terra para o produtor que acabou por cercar mais de 17 mil hectares entre lotes comprados e área grilada, produzindo soja no meio de uma disputa desigual que já se arrasta desde 1994.  “Eu não vendo porque aqui é a minha terra, onde minha família vive desde os anos 50. O que nós queremos apenas é paz para ter nossa plantação e seguir a nossa vida”, diz Raimunda, que criou 12 filhos na comunidade e hoje mora em uma casa de terra batida e teto de palha, ao lado da casa original que foi derrubada pelo grileiro que saiu de Santa Catarina para o Tocantins.

O último relatório da Comissão Pastoral da Terra, entidade que há décadas luta pela população do campo e tenta mediar conflitos mostra que, somente em 2016, ocorreram 61 assassinatos no campo, uma média de cinco por mês. Somados, os conflitos atingiram 1.295, o maior número desde 1985.  No Matopiba, os conflitos por terra aumentaram 300%, com o Cerrado sendo o local de 24,1% dos conflitos no país, mesmo tendo 14,9% da população rural do Brasil. 2016 também registrou 12.829 famílias despejadas e 2.639 famílias expulsas.

É este tipo de situação que atingiu em cheio Rodney Snyder, diretor executivo da Field to Market, associação americana com dezenas de membros que trabalha por uma cadeia sustentável de commodities. “Aprendi muito com essa experiência. Ver os desafios que o Cerrado enfrenta, tanto social quanto ambiental, foi fundamental. É responsabilidade de todo o mercado buscar soluções para resolver este problema”, diz. É isto o que espera Pedro Ribeiro, agente da CPT em Araguaína (TO). “Espero que essas pessoas, conhecendo a realidade, possam se sensibilizar e cobrar dos responsáveis maneiras de evitar ou amenizar o dano que é causado”, diz Ribeiro.

O reality tour tenta conscientizar os stakeholders e mostrar que dá para aumentar a produtividade sem desmatar. “O desmatamento zero no Cerrado é uma realidade possível e necessária. Nossa ideia é justamente tentar amenizar os problemas sociais decorrentes dessa expansão”, acredita Gabriela Russo, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM).

Cerrado em xeque, mercado em alerta
Nesta cadeia, os financiadores ocupam papel central. Para Bianca Larussa, analista de responsabilidade socioambiental do Rabobank, banco holandês que trabalha diretamente com crédito agrícola, foi chocante ver pessoas que vivem sem saneamento básico, energia elétrica e água potável – o ambiente natural que fornecia esse recurso foi destruído ou contaminado. “Eu mudei muito minha concepção sobre um grande produtor e um pequeno. E ir em um assentamento, algo que nunca tinha feito, com certeza foi uma coisa que mexeu comigo emocionalmente e eu vou levar para o pessoal do banco, que precisa saber dessa realidade”, diz Larussa.

O engenheiro agrônomo da Caixa Econômica Federal, Rafael Brugger, faz coro. “Nós ficamos muito distantes da realidade do campo, o que é grave já que nas cidades é que as decisões são tomadas. Fazer essa imersão nos problemas das pessoas que vivem aqui realmente faz pensar diferente. Talvez eu nunca tivesse essa oportunidade de ver problemas sociais tão intensos e comuns, até banalizados pela sociedade. A oportunidade foi excelente para poder conscientizar os tomadores de decisão”, afirma Brugger.

Em Carolina (MA), os participantes do reality tour puderam conhecer o complexo ecológico de Pedra Caída, especialmente a cachoeira Santuário, uma queda de 47 metros cercada por rochas do Cerrado maranhense, que mostra o que está em risco com o acelerado desmatamento do bioma, que perde sua vegetação nativa cerca de cinco vezes mais rápido que a Amazônia. Para Rachel Backer, da ONG The Forest Truth, a hora é agora para que ações sejam tomadas. “O governo, as empresas e as ONG’s precisam tomar atitudes decisivas para que esta belíssima parte da América do Sul não seja completamente destruída pela soja e pecuária. Precisamos encontrar caminhos para equilibrar a produção econômica com as necessidades das pessoas que vivem aqui”, acredita Backer. A analista de sustentabilidade da BRF, Gabriele Cândido, reconhece: sair de São Paulo fez toda a diferença. “Estar aqui abriu muito minha cabeça para buscar formas de melhorar nosso trabalho. Saio renovada e com mais vontade de contribuir para evitar o desmatamento no Cerrado”, afirma.

No último dia 25 de outubro, empresas líderes no mercado internacional lançaram uma carta reconhecendo a importância do Cerrado por seu papel na mitigação da mudança climática e apoiaram o Manifesto do Cerrado, documento em que organizações ambientalistas pedem que as empresas que compram soja e carne do Cerrado defendam o bioma. Entre 2013 e 2015 o Brasil destruiu 18.962 km² de Cerrado, uma perda equivalente à área da cidade de São Paulo a cada dois meses. Esse ritmo de destruição coloca o Cerrado entre os ecossistemas mais ameaçados do planeta.

Por Maurício Angelo do IPAM

https://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/areas_prioritarias/cerrado/noticias/?61722/Na-fronteira-do-Cerrado-com-a-Amaznia-a-realidade-dos-impactos-da-soja

Cerrado de mistérios em Paraúna

Many mysteries surround Parauna. the city hosts stories and legends passed on by the residents of the surrounding area, who claim that the region is visited or inhabited by alien beings.
The mysticism is related to the great rock formations and the old constructions that the city harbors.
Reality or fiction, what can be said is that Parauna is full of natural beauties that deserve to be seen closely.

pedra do calice serra das galeas em Parauna

Pedra do Cálice, na Serra das Galés em Paraúna
Foto: Goiás Turismo

Muitos mistérios cercam Paraúna. A pouco mais de 100km de Goiânia, a cidade abriga histórias e lendas repassadas pelos moradores das redondezas, que afirmam que a região é visitada ou habitada por seres estranhos (alguns até vindos de outros planetas). O misticismo está relacionado às grandes formações rochosas e às construções antigas que a cidade abriga, principal cartão-postal e atrativo turístico da cidade. Realidade ou ficção, o que se pode afirmar é que Paraúna é cheia de belezas naturais que merecem ser vistas de perto. Confira agora algumas das atrações turísticas de Paraúna e programe-se para conhecer a cidade!

Morro da Igrejinha e Cristo Redentor, Dentro da cidade, vale visitar o Morro da Igrejinha, que abriga a Capela de Nossa Senhora da Guia. Ao lado da igreja está a imagem do Cristo Redentor, que tem mais de 10m de altura. O Morro da Igrejinha oferece uma vista única da cidade de Paraúna.

Sítio Arqueológico Serra das Galés, Reconhecida desde 1996 como Reserva Particular do Patrimônio Natural, a Serra das Galés abriga formações rochosas que intrigam o público visitante e formam a principal atração turística da cidade. As imagens formadas pelas rochas impressionam pela semelhança com objetos, pessoas e animais, como a Pedra da Tartaruga, o Lorde Francês, a Máquina de Escrever e a formação rochosa mais famosa da Serra e cartão-postal de Paraúna: o Cálice de Pedra, que tem cerca de 15m de altura. A Serra das Galés também é ideal para trilhas.

Serra da Portaria, Localizado no Parque Estadual de Paraúna, a Serra da Portaria também abriga resquícios de construções de pedra e outros vestígios de antigas civilizações, que podem ter ligações com os povos maias e incas. Ao pé da Serra há um salto que forma uma piscina natural, adequada para banho.

Serra da Arnica, Nome recebido em virtude da grande quantidade da plantinha “arnica” no local, a Serra da Arnica é mais um espaço que abriga formações rochosas de grande mistério, como um monumento formado por pedras que se elevam como uma fortaleza e uma incrível figura que lembra um felino em posição de esfinge. A Serra da Arnica também é frequentada por atletas para a prática de trilhas de motos.

Muralha de Pedra, Conjunto de rochas alinhadas que formam uma estrutura semelhante a um grande muro, a Muralha de Pedra tem mais de 80 km de extensão e chama a atenção dos visitantes pelo formato, que parece com degraus.

Ponte de Pedra, Na divisa de Paraúna com Rio Verde, a força das águas do Rio Ponte de Pedra esculpiu uma ponte natural de pedra. Por baixo dela, por onde passa o rio, formou-se uma caverna cheia de estalactites e estalagmites de grande beleza e interesse científico – uma verdadeira obra de arte criada pela natureza.

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Ponte de Pedra, em Paraúna . Foto: Caroline Constantino 

Cachoeiras do Cervo e do Desengano, A Cachoeira do Cervo pode ser vista de longe: abrigando um complexo de saltos e cachoeiras, que formam poços adequados para banho, perfeito para relaxar. Uma das quedas do complexo tem 12 metros de altura. Com nascente na Serra das Divisões, a Cachoeira do Desengano é uma de três quedas d’água do complexo e uma das mais visitadas da cidade.

Como chegar: Paraúna fica a 126 km de Goiânia, com acesso pela BR-060.                    Informações de hospedagem e alimentação: (64) 3957-7045

 

 

Empresas internacionais apoiam o desmatamento zero no Cerrado

Empresas líderes no mercado internacional lançaram nesta quarta-feira (25) uma carta com o objetivo de reconhecer a importância do Cerrado por seu papel na mitigação da mudança climática, por ser fonte de muitos dos sistemas de água doce do Brasil, e por ser uma região de produção para as commodities agrícolas.

A carta apoia o Manifesto do Cerrado, um documento divulgado em setembro por organizações ambientalistas, que pede para as empresas que compram soja e carne do Cerrado defendam o bioma.

Na carta, 23 empresas, entre elas Carrefour, McDonald’s, Nestlé, Unilever e Walmart, afirmam que estão empenhadas em deter a perda de vegetação nativa associada à produção de produtos agrícolas e se comprometem em trabalhar com a indústria, produtores, governos e a sociedade civil para proteger paisagens naturais de importância mundial dentro de um cenário de boa governança e políticas de planejamento de terras.

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Parque Serra de Gales – Cerrado – Paraúna – Goiás – – Brasil

Entre 2013 e 2015 o Brasil destruiu 18.962 km² de Cerrado. Isso significa que a cada dois meses, neste período, perdeu-se no bioma o equivalente à área da cidade de São Paulo. Este é um ritmo cinco vezes mais rápido que o medido na Amazônia, o que torna o Cerrado um dos ecossistemas mais ameaçados do planeta.

Para Tiago Reis, pesquisador de políticas ambientais do IPAM, o apoio das empresas é um passo importante, já que a principal causa de desmatamento no Cerrado é a expansão do agronegócio sobre a vegetação nativa.

Retirar essa cobertura vegetal coloca em risco o equilíbrio do sistema e afeta diretamente todos os biomas interligados, como a Amazônia e a caatinga. “Além disso, esse desmatamento ameaça o equilíbrio ambiental que garante a produção agrícola no Brasil, uma vez que a perda de vegetação nativa do Cerrado compromete a formação de chuvas por evapotranspiração”, explica Reis.

O Cerrado estoca o equivalente a 13,7 bilhões de toneladas de dióxido de carbono, o principal gás causador do efeito estufa. Isso representa quase onze vezes o volume total do que o Brasil poderá emitir em 2030, de acordo com sua NDC. Se esta conversão acelerada do Cerrado para a agricultura continuar, o cumprimento dos compromissos internacionais do Brasil nas Convenções do Clima e de Biodiversidade será afetado.

Segundo Edegar Rosa, coordenador do programa Agricultura e Alimentos do WWF-Brasil, o Cerrado é extremamente importante sob o ponto de vista de regulação climática e hídrica, além de ser a savana com maior biodiversidade do planeta. “Partindo de referências de sucesso na Amazônia, um maior compromisso da iniciativa privada será chave para a proteção do bioma”, explica.

Para Cristiane Mazzetti, da campanha de florestas do Greenpeace, as empresas deram um importante passo ao apoiar o pleito da sociedade civil expresso no Manifesto do Cerrado. “Trata-se de uma clara sinalização que essas empresas dão aos seus fornecedores de que o mercado não aceitará mais produtos com origem no desmatamento, seja na Amazônia ou no Cerrado. Esperamos que o próximo passo seja o anúncio de políticas concretas de compra alinhadas com o critério do desmatamento zero no Cerrado”

reportagem de  https://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/areas_prioritarias/cerrado/noticias

Extremo sul do cerrado brasileiro

In the state of Paraná, the land of pines, crooked and barren trees, undergrowth, curious fruits. A piece of cerrado in the south of Brazil in Paraná state. Actually, a little bit. The cerrado of Paraná fits in a soccer field in the muinicipio of Campo Mourão. Another area is the Cerrado State Park in the municipality of Jaguariaíva with 1830.4 hectares, including lands of the municipality of Sengés.

Paraná preserva cerrado do tamanho de um campo de futebol e a área guarda plantas medicinais, frutas e espécies ameaçadas de extinção.

cerrado em campo do mourão

Trabalho de pesquisa em Campo Mourão -Pr

No estado do Paraná, a terra dos pinheiros, árvores tortas e cascudas, vegetação rasteira, frutas curiosas. Um pedaço de cerrado no Sul do Brasil em solo paranaense. Na verdade, um pedacinho. O cerrado do Paraná cabe em um campo de futebol. É um quarteirão de mata retorcida perto do centro de Campo Mourão. A cidade, de 85 mil habitantes, no noroeste do estado, nasceu e cresceu sobre o cerrado que um dia dominou a região e boa parte do país.

 

“O cerrado que existiu no Brasil no passado era muito vasto. Á medida que o clima foi mudando para mais úmido, as florestas foram avançando. A vegetação de cerrado ficou restrita a manchas em pontos onde o solo lhe dava condição de manutenção”, conta o doutor em ciências ambientais Mauro Parolin.
No espaço todo cercado, uma amostra da paisagem que não existe mais. A estação é um museu vivo do cerrado paranaense. Por enquanto, sem visitação. Só pesquisadores podem entrar para estudar a mata. Um acervo pequeno, mas valioso.
Em apenas uma quarteirão, quanta diversidade! Pesquisadores já identificaram 240 espécies de plantas. Algumas delas são bem raras, como um tipo de capim que, no Paraná, só existe na estação.
“Em Campo Mourão, uma gramínea do cerrado só conseguiu ficar preservada dentro da estação. Nas áreas de entorno, o avanço da cidade fez com que ela desaparecesse”, explica o professor Mauro Parolin.
Na mata ilhada pelo progresso também foram encontradas plantas usadas em remédios caseiros. Caso da copaíba e do barbatimão, que produz um poderoso cicatrizante. Os efeitos foram testados por pesquisadores da estação ecológica. Em parceria com laboratórios privados, eles fabricam tinturas e pomadas com a casca da planta.

“Geralmente, tratamos feridas que necessitam de cicatrização. Para o lado interno, ele é muito bom para afecções de garganta, gengivite, úlcera e gastrite”, revela o responsável pela estação ecológica, Luiz Cezar Alves.
O barbatimão é uma das espécies coletadas e catalogadas no herbário da Universidade Tecnológica Federal de Campo Mourão (UTFPR). O acervo tem mais de duas dezenas de espécies do cerrado. Plantas que não foram mais observadas fora do local, como a palmeira-anã e o algodão-do-campo.
O esforço para preservação também conta com incentivo oficial. Em Campo Mourão, moradores que mantêm espécies de cerrado no quintal e que se cadastraram na prefeitura até 2003 têm direito a desconto no IPTU.
Para cada árvore de pé, 5% menos de imposto. Mas só valem espécies tombadas, como angico, pequi e barbatimão. O desconto máximo é de 30% no valor do tributo. Com quatro angicos no quintal, o montador industrial José Carlos Oliveira está economizando cerca de R$ 50 no IPTU. Mas esse nem é o maior benefício da preservação. “Não precisamos de passarinhos na gaiola para ouvir o canto deles. É só preservar a árvore que vamos ter passarinhos sempre por perto”, diz.
Nos quintais, trilhas e laboratórios, a luta por um fragmento de cerrado, vestígios de um tesouro que pode desaparecer antes mesmo de ser conhecido por inteiro.
“Cerca de 85% das espécies do cerrado são de uso medicinal. A preservação é necessária para que a pesquisa seja utilizada em prol da sociedade”, observa o geógrafo Renato Lada Guerreiro.
“A preservação vale a pena. Quando você vê uma árvore do cerrado de dois palmos frutificando, vale a pena. Quando você altera a camada superficial e tomba a terra, é um caminho sem volta, os espécimes vão ser preservados em vaso”, ressalta o professor Mauro Parolin.

Outro espaço é o Parque Estadual do Cerrado foi criado pelo Governo do Estado através do Decreto 1232, de 27 de março de 1992 com área de 420,4 hectares. Em 2007, pelo decreto 1527 de 02 de outubro, o parque foi ampliado, culminando com 1.830,4 hectares, abrangendo inclusive terras do município de Sengés.

O objetivo desta Unidade de Conservação Estadual é de preservar a flora e fauna típicas deste cerrado que é um dos últimos remanescentes dessa vegetação no sul do país. O Parque apresenta características naturais de relevante valor ecológico e paisagístico além de exercer a função de preservação e conservação dos ecossistemas, garantindo a perpetuação das espécies, o desenvolvimento de pesquisas científicas, educação ambiental e turismo nestas áreas naturais.

O parque representa o marco meridional do Cerrado do sul do Brasil, e abriga inúmeras variedades da flora e fauna brasileira. É habitat natural de inúmeras espécies como: lobo-guará, veado, gralha do cerrado, gavião de casaca e coruja branca. Aparentemente é um cenário árido, de árvores retorcidas e sem vida, mas durante uma visita ao Parque se descobre um local de rara beleza, de flores exuberantes e de grande riqueza biológica, fatores de garantem serem o cerrado, a savana de maior diversidade do mundo.                  O Canyon do Rio Jaguariaíva está inserido na área do Parque, sendo mais um importante atrativo para o turista que aprecia cenários naturais como este, de rara beleza.Localização: Bairro Pesqueiro – acesso pela PR 092.Distância a partir do centro da cidade: 12 km. Visitação: Agendadas com o IAP: (41) 3213-3819 / (41) 3213-3462.

 

Águas Emendadas: pérola da ecologia cerratense

A menos de uma hora de Brasília, pouco mais de 50 km depois do Plano Piloto, próxima à cidade de Planaltina-DF, encontra-se uma pérola da ecologia cerratense cuja existência é desconhecida por grande parte dos moradores do Distrito Federal. Trata-se da Estação Ecológica de Águas Emendadas, uma Unidade de Conservação (UC) de 10.547 hectares, onde ocorre um fenômeno raramente encontrado na natureza: de um mesmo acidente geográfico nascem dois córregos que fluem em direções opostas, margeando uma vereda de seis quilômetros de extensão.De um lado da vereda a água corre em direção sul até se encontrar, ainda dentro da UC, com a lagoa Mestre D’Armas, o maior lago natural de Brasília, e daí seguindo pelos rios Corumbá e Paraná, até chegar à Bacia Platina. Ao norte, as águas nascidas aqui no Cerrado do Distrito Federal rompem terras até a bacia do Tocantins-Araguaia, de onde partem para o encontro com o Rio Amazonas.Lagoa_esecaeA Estação é essencial na rede de recursos hídricos do país. Daqui do Planalto Central, as águas emendadas de Brasília contribuem para fortalecer as bacias Amazônica e do Prata. Nossas vias fluviais são interconectadas e mutuamente dependentes, ou seja, o que acontece em um lugar agrava consequências em outro. O que acontece na nossa (relativamente) pequena Unidade de Conservação do Distrito Federal repercute em toda a América Latina.E como, segundo Muna Youssef, técnica ambiental da Estação, “Não dá para falar de água sem falar de árvores”, a Estação Ecológica de Águas Emendadas ensina que para preservar a água, nossa principal riqueza, precisamos proteger o Cerrado, as plantas, os animais e tudo o que estiver à sua volta.

SANTUÁRIO DA CIÊNCIA E DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL

Vista do alto, a Estação, administrada pelo Instituto Ambiental de Brasília (IBRAM), é um lindo e majestoso tapete verde, ilhado por um mar de monocultura e asfalto. A estação de Águas Emendadas é cercada por fazendas, chácaras, assentamentos e por espaço urbano. A UC também é cortada pela rodovia BR-020, que liga Goiás à Bahia. Essa pressão antrópica impacta a Estação, que vem sendo invadida por gente e pelo gado, pela caça predatória e pelo uso de agrotóxicos.

A Estação é assim denominada, diferente de Reserva, por se tratar de uma Unidade de Conservação reservada para a educação ambiental e para os estudos científicos, portanto fechada para o turismo. Além de pesquisas acadêmicas, na Estação são desenvolvidas atividades de educação ambiental junto às escolas municipais de Planaltina, e também com moradores/as da região.

A Estação é um espaço ímpar onde abunda a biodiversidade do Cerrado. Nela existe uma grande variedade de espécies da flora e da fauna cerratenses. Nela vivem animais como o Lobo-Guará, a Capivara e o Teiú-Vermelho. Hoje, a Estação Ecológica de Águas Emendadas, uma das últimas áreas contínuas de Cerrado preservadas na região, é considerada por cientistas e ambientalistas como um dos últimos refúgios para muitos animais ameaçados de extinção.

BIODIVERSIDADE AMEAÇADA

O Cerrado é o único bioma brasileiro que não recebe a denominação de patrimônio nacional, mesmo ocupando um terço do território do país e só perdendo para a Amazônia em termos de biodiversidade. Nos últimos 50 anos, após décadas de exploração agrícola e pecuária, o Cerrado já perdeu, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente, mais de 40% da sua cobertura vegetal.

Em 1968, a região de Águas Emendadas tornou-se a primeira reserva biológica legal do País e a primeira unidade de conservação baseada no então novo código florestal. Tamanha a importância da região, que foi designada pela Organização das Nações Unidas para a Educação e a Cultura (Unesco) como Área Nuclear de Proteção ao Cerrado.

De fato, a importância da região de Águas Emendadas foi reconhecida desde 1892, quando foi demarcada pelo astrônomo belga Luís Cruls, responsável pela Comissão Exploradora do Planalto Central, uma das primeiras expedições para identificar o local onde seria construída, na segunda metade do Século XX, a nova capital do país.

Não obstante, o fato de não existirem corredores ecológicos ligando a Estação a outras áreas preservadas ameaça a vida na UC. Para Muna Youssef, técnica ambiental da Estação, “há uma tendência de empobrecimento genético das espécies, uma vez que não conseguem se reproduzir com parceiros de outras regiões, o que aumenta o cruzamento consanguíneo”.

Ainda segundo Muna, a solução para esse problema precisa ser multifacetada. “O Distrito Federal vemos que tem três ilhas de Cerrado: a região do Jardim Botânico, a Reserva Nacional de Brasília e a Estação das Águas Emendadas. Entre elas não existe conexão, não há corredores de fauna. As reservas teriam que contar com uma dimensão maior [para a proteção e preservação da fauna]. E o DF precisaria ter mais ter mais reservas, que se interligassem, para garantir os corredores de fauna.”

Uma coisa fica clara: O Cerrado é patrimônio, sim, e requer maior atenção e cuidado por parte não somente das instâncias de poder público, mas também de todos nós, para que suas riquezas naturais, tão importantes para o Brasil, possam ser preservadas. Sem isso, não haverá santuário ambiental que resista aos danos irreversíveis da ação antrópica. Sem isso, pérolas como a Estação Ecológica de Águas Emendadas podem ser perdidas para sempre.

reportagem do

http://www.xapuri.info/author/eduardo-weiss/

Central do Cerrado – Produtos Ecossociais

Citizenship actions in the Cerrado biome

Rede MAIS Vida no Cerrado

O berço das águas corre perigo

biomas do cerrado

Citizenship actions in the Cerrado biome

WWF - Latest

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ISPN

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Cerratinga

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Rede Cerrado

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Museu Virtual de Ciência e Tecnologia – Cerrado

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Day by Day the Farm Girl Way...

Simple life on a little piece of land.

Cerradania

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"O uso da fotografia e cultura digital para fomento da educação ambiental"

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