Ser cerratense mineiro é …

The Cerrado occurs in almost half of Minas Gerais, mainly in the Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba, Oeste, Metropolitan of BH, Central Mineira, Northeast, Northwest and North of Minas. Cunning. To be a miner is not to say what he does or what he will do, he pretends he does not know what he knows, he talks little and he listens a lot, he is a fool and he is very intelligent.

O Cerrado ocorre em praticamente metade de Minas Gerais, principalmente no Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba, Oeste, Metropolitana de BH, Central Mineira, Nordeste, Noroeste e Norte de Minas. A fauna é representada principalmente pelo tamanduá, tatu, anta, jibóia, cascavel e o cachorro-do-mato, lobo-guará, veado-campeiro, o mico-estrela e o pato-mergulhão.

norte de minas

Norte de Minas Gerais – Foto Agencia Pública

Astúcia. Ser mineiro é não dizer o que faz nem o que vai fazer, finge que não sabe daquilo que sabe, fala pouco e escuta muito, se passa por bobo e é muito inteligente.

Relógio de mineiro é enfeite. Pontual para chegar, o mineiro nunca tem hora para sair. A diferença entre o suíço e o mineiro é que o primeiro chega na hora. O mineiro chega antes. Chega na estação antes de colocarem os trilhos, para não perder o trem. E, na hora em embarque, grita para a mulher, que carrega a sua mala: “Corre com os trens que a coisa já chegou!”

O bom mineiro não laça boi com embira, não dá rasteira em sapo, não anda contra o vento, não pisa no escuro, não anda no molhado não estica conversa com estranhos, só acredita na fumaça quando vê fogo, sabe quantas pernas tem a cobra, escova os dentes do alho, teme rasteira de pé de mesa e, por via das dúvidas, põe água e alpiste para o cuco.

Toma café ralo e esconde dinheiro grosso; pede emprestado para disfarçar a fartura, só arrisca quando tem certeza, não troca um pássaro na mão por dois voando. Mineiro age com a esperteza das serpentes mas se veste com a simplicidade das pombas, e encobre as contradições com o manto fictício da cordialidade.

Mineiro foge da luz do sol por suspeitar da própria sombra, vive entre montanhas e sonha com o mar, viaja mundo para comer, do outro lado do planeta, um tutu de feijão com couve picada.

Ser mineiro é fazer cara feia e rir com o coração, andar com guarda-chuva para disfarçar a bengala, fingir que não sabe o que bem conhece, fumar cigarro de palha para espantar mosquitos, mascar fumo para amaciar a dentadura.

Ser Mineiro não é contra nem a favor; antes, pelo contrário. Aliás, mineiro não fala, proseia.

Ser mineiro é dizer “uai”, ser diferente e ter história e marca registrada. Come as sílabas para não morrer pela boca. Faz economia de palavras para não gastar saliva. Fala manso para quebrar as resistências do interlocutor.

Sonega letras para economizar palavras. De vossa mercê, passa pra vossemecê, vossência, vosmecê, você, ocê, cê e, num demora muito, usará só o acento circunflexo!

Mineiro não tem idéias, só lembranças; não raciocina, associa; pão-duro, tem o coração mole; pensa que esposa é parente, filho, empregado e carrega sobrenome como título de nobreza. Ser mineiro é acreditar mais no fascínio da simpatia que no poder das idéias. É navegar em montanhas e saber criar bois, filhos e versos.

Mineiro vai ao teatro, não para ver, mas para ser visto, freqüenta igreja para fingir piedade, ri antes de contar a piada e chora com a desgraça alheia. Adora sala de visitas trancada, na esperança de retorno do rei.

Avarento, não lê o jornal de uma só vez para não gastar as letras, e ainda guarda para o dia seguinte para poder ter notícias. Aliás, mineiro não lê, passa os olhos. Não fala ao telefone, dá recado.

Praia de mineiro é barzinho e, sua sala de visitas, balcão de armazém e cerca de curral. Ali a língua rola solta na conversa mole, como se o tempo fosse eterno. Certo mesmo é que o momento é terno. Ser mineiro é ajoelhar na igreja para ver melhor as pernas da viúva, frequentar batizado para pedir votos, ir a casamentos para exibir roupa nova.

Mineiro que não reza não se preza. Acende a Deus a vela comprada do diabo. Religioso, na sua crendice há lugar para todos: O Cujo e a mula-sem-cabeça; assombrações e fantasmas; duendes e extra-terrestres. Mineiro vai a enterro para conferir quem continua vivo. Nunca sabe o que dizer aos parentes do falecido, mas fica horas na fila de cumprimentos para marcar presença. Leva lenço no bolso para o caso de ter de enxugar as lágrimas da família. Não manda flores porque desconfia que a flora embolsa a grana e não cumpre o trato.

Ser mineiro é esbanjar tolerância para mendigar afeto, proferir definições sem se definir, contar casos sem falar de si próprio, fazer perguntas já sabendo as respostas.

Mineiro é capaz de falar horas seguidas sem dizer nada. E cumprimenta com mão mole para escapar do aperto. Mineiro é feito pedra preciosa: visto sem atenção não revela o valor que tem, pois esconde o jogo para ganhar a partida e acredita que a fruta do vizinho é sempre mais gostosa.

Mineiro é isso, sô! Em Minas, o juiz é de fora, o mar é de Espanha, os montes são claros, a flor é viçosa, a ponte é nova, o ouro é preto, é belo o horizonte, o pouso é alegre, as dores são de indaiá e os poços de caldas. “Minas são muitas Gerais”, como disse Guimarães Rosa.

É fogão de lenha e comida preparada em panela de pedra sabão; turmalina e esmeralda; tropa de burro e rios indolentes chorando a caminho do mar; sino de igreja e tropeiros mourejando gado sob a tarde incendiada pelo hálito da noite.

Minas é Mantiqueira e cerrado, é o Triângulo imponente, que se quisesse seria independente com seu rebanho e terras férteis. Minas é Aleijadinho e Amílcar de Castro, Drummond, José Batista de Queiroz e Milton Nascimento, pão de queijo e broa de fubá.

Minas é saborosamente mágica. Ave, Minas! Batizada Gerais, és uma terra muito singular.

Reportagem de : Num sei de onde vei, só sei que vi por ai

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About cerradania

Operário das letras, Comunicador e Idealizador da Cerradania, Palestrante,Professor. Letterman, Communicator and Idealizer of Cerradania, Speakers,Teacher.

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