Archive | dezembro 2017

Teremos ipê vermelho em Brasília

Finalizo o ano de 2017 com uma publicação, singela e bela, para contextualizar aos amantes dos Ipês, a originalidade de um novo marco para enaltecer ainda mais a nossa capital federal – Brasilia, apresentando o  Ipê vermelho.
Ipe red or purpura (Tabebuia gemmiflora) is a medium-sized slender tree common in the transitional area between the cerrado and caatinga biomes northeast of MG, and in southern Bahia, but non-existent in other regions of the country.
Ipe vermelho ou purpúria é uma árvore esguia, de pequeno a médio porte, bastante comum na região do Vale do Jequitinhonha, nordeste de MG, e no sul da Bahia, porém inexistente em outras regiões do país. Foi introduzida no paisagismo por Roberto Burle Marx, mas muito raramente encontrada em viveiros. Germinação fácil por sementes, desenvolvimento muito lento fora de seu habitat. Resiste bem a sêca e queimadas. Árvore rara e muito adequada para o paisagismo e jardinagem.
Família: Bignoniaceae. Nome científico: Tabebuia gemmiflora Rizzini & A. Mattos. Nomes populares: ipê-púrpura, ipê-vermelho

 

Ipe vermelho.jpg1

Ipê vermelho – púrpura. (Tabebuia gemmiflora Rizzini & A. Mattos)

IpeVermelho_ML

Tabebuia, conhecido popularmente como ipê, pau-d’arco, peúva, ipé, e ipeúna, é o gênero neotropical mais comum da família Bignoniaceae. Atualmente, a maioria das espécies de ipês brasileiros está incluída no gênero Handroanthus, e não mais no gênero Tabebuia.Com as mudanças botânicas citadas anteriormente, o nosso tradicional ipê ganhou companhia de outras árvores menos famosas no Brasil mas com floração semelhante e de cores mais intensas. Existe a versão do Ipê Vermelho (existem ainda o Verde e o Preto-Tabaco).

O Ipê vermelho chama  a atenção, especialmente por ter uma cor pouco comum e ter identificação como nativo Cerratinga – Cerrado com Caatinga do estado de Minas Gerais. A cor da bandeira de Minas.

mudas de ipe vermelho

Produção do Parque Ecológico Dom Bosco – Brasília DF

Estamos introduzindo o Ipê vermelho em Brasília e iniciamos com uma modesta semeadura e registro de vinte plantas nascidas em nosso experimento de mudas nativas do Parque Ecológico Dom Bosco.

DESCRIÇÃO: Árvore caducifólia, heliófita, xerófita, encontrada na transição entre a caatinga e o cerrado. Sua altura atinge até 10 m e seu diâmetro até 20 cm.

Folhas: compostas palmadas, geralmente com três folíolos, mas pode ocorrer 4 ou 5.                      Flores: púrpura- avermelhada. Fruto: cápsula cilíndrica glabra. Floração: agosto a setembro.               Frutificação: Setembro. Polinização: Provavelmente abelhas e beija-flores. Dispersão: anemocórica (pelo vento).                                                                    Ocorrência: planta, exclusiva da caatinga, do Vale do Jequitinhonha em Minas Gerais, com restrita dispersão.

Utilização Paisagístico: arborização urbana.

Bibliografia consultada: LORENZI, H. Árvores Brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. Vol. 3, 1. Ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2009.384 p.

Fauna e flora do cerrado maranhense

The biome of the cerrado of Maranhão, in the south of the state, provides a trip through one of the most beautiful regions of the country, which enchants visitors with a landscape that is both inhospitable and welcoming.

O cerrado maranhense, no sul do Estado, proporciona uma viagem por uma das regiões mais bonitas do país, que encanta os visitantes com uma paisagem ao mesmo tempo inóspita e acolhedora.

cerrado do maranhão

Maranhão – terra das palmeiras

Entre chapadas, cachoeiras e vales deslumbrantes, o mais colorido dos urubus, que sumiu com a devastação das florestas em muitas regiões brasileiras, lá se reproduz em segurança no alto das chapadas e platôs.

A estação das águas deixou o cerrado maranhense ainda mais cheio de vida. E mais exuberante visto do alto. Nos céus do cerrado, e cheio de descobertas.

O cerrado maranhense é uma das regiões mais preservadas do país, onde a mata intocada protege nascentes e penhascos. E uma cadeia de montanhas se estende no infinito.

O verde denso impressiona e surpreende nas trilhas. Cada uma das trilhas leva a um santuário diferente. Um mais bonito que o outro. Esta é uma das regiões com a maior diversidade de plantas e animais do país, bem no encontro entre a Amazônia brasileira e o cerrado nordestino.

A suavidade das cascatas e cachoeiras ameniza o calor no cerrado. No Vale do Farinha há um dos rios mais preservados da região. A Cachoeira da Prata e a Cachoeira de São Romão se revelam em um incrível contraste entre as rochas.

A natureza selvagem do cerrado, em alguns trechos, combina com delicados tons de azul no encanto das cavernas. Uma falha geológica há milhões de anos abriu uma fenda na rocha, e a agua brota suave das arestas do rochedo. O encanto azul permite mergulhos com até sete metros de profundidade. A água é tão transparente, que a visibilidade chega a 40 metros.

poco_azul maranhão

Poço azul

Mergulhar nas cavernas mais profundas e selvagens do Brasil. Encanta com o Lago Azul, em Riachão. “70% a 75% de nosso corpo é água. E o nosso planeta também.

Nas profundezas das cavernas, na suavidade das cascatas ou na imensidão dos vales. As savanas maranhenses seduzem com as cores e os sons de um planeta único.

 

Baseado na reportagem de http://g1.globo.com/ma/maranhao/noticia

 

Tocantins com potencial no cerrado

The Cerrado of Tocantins is essentially rich in nature, it stands out for the strength of its biodiversity, vast territorial extension, privileged geographic position and vegetal heterogeneity. The fruits of the native species of the cerrado offer a high nutritional value, as well as attractive as color, flavor and aroma peculiar and intense, but are still little explored commercially.

O Cerrado tocantinense é essencialmente rico por natureza, destaca-se pela pujança de sua biodiversidade, vasta extensão territorial, posição geográfica privilegiada e heterogeneidade vegetal. Os frutos das espécies nativas do cerrado oferecem um elevado valor nutricional, além de atrativos como cor, sabor e aroma peculiares e intensos, mas ainda são pouco explorados comercialmente. A Seagro Secretaria da Agricultura, Pecuária e Abastecimento incentiva o consumo e o processamento de frutos nativos do cerrado.

frutas

As possibilidades de aproveitamento dos frutos são várias. Os produtos têm grande aceitação popular e atualmente são comercializados em feiras. As espécies apresentam sabores com elevado teor de açúcar, proteínas, vitaminas e sais minerais. O aproveitamento pode ser em forma de sucos, licores, sorvetes, picolés, geléias, óleos, bolos, bombons, aperitivos. Das sementes são produzidas as biojóias. Existem mais de 58 espécies de frutas nativas conhecidas e consumidas pela população.

As vantagens protéicas dos frutos são inúmeras. Por exemplo, o araticum, o buriti, a cagaita e o pequi, apresentam vitaminas do complexo B, tais como as vitaminas B1, B2 e PP, equivalentes ou superiores aos encontrados em frutas como o abacate, a banana e a goiaba, tradicionalmente consideradas como boas fontes destas vitaminas. Entretanto, grande parte das frutas nativas em regiões típicas de clima tropical é, especialmente, rica em carotenóides. Os frutos de palmeiras, como o buriti, o tucumã, o dendê, a macaúba e a pupunha são fontes potenciais de carotenóides pró-vitamina A. O consumo de carotenóide ajuda no combate de vários tipos de câncer, funciona como antioxidante natural e protege as membranas celulares contra danos oxidativos.

Sustentabilidade

O aproveitamento destes frutos abre espaço para os produtores rurais no agronegócio. A meta da Seagro é buscar recursos que proporcionem geração de renda aliada à preservação da natureza. O incentivo à produção de frutos nativos no Estado permite a geração de renda para milhares de produtores rurais. O potencial econômico e social dos frutos do cerrado é mais uma oportunidade para o produtor tocantinense.

Incentivos

Uma outra alternativa é o plantio de árvores nativas para a recuperação das pastagens degradadas.  As principais espécies no Tocantins são: baru, pequi, babaçu, mangaba, cagaita, cupuaçu, buriti, araticum, jatobá-do-cerrado, jenipapo, macaúba, mutamba, murici, entre outras.

Caminhada dos umbuzeiros na Bahia

The Umbuzeiros Walk, is a 55km course that stretches from Uauá-Ba through villages and farms.
A route crossed by the historic paths of Uauá to Canudos, paths that were once traveled by the council members. To provide the experience and the debate of historical, cultural and environmental contents of the region from the immersion in the caatinga in the sertão of Bahia.
Registration for the fourth Umbuu Walk will be made via digital form and letter of intent. The deadline to apply for one of the 40 (disputed) vacancies ends on December 25 of this year!

A IV Expedição da Caminhada dos Umbuzeiros – de Uauá até Canudos Velho (BA), lança seu edital de chamamento. Com a temática: ” O vaza-Barris sedento no caminho das árvores que dão de beber.”, a jornada será realizada entre 02 e 04 de março de 2018, percorrendo 55 km em meio ao sol, terras e a caatinga do sertão baiano.

caminho uauáA Caminhada dos Umbuzeiros, constitui um percurso de 55km, que se estende desde Uauá-Ba atravessando os povoados e fazendas: São Bento, Faz. Maria Preta, Faz. Barra do Cágados, Faz. Cocobocó, Faz. Algodões, Faz. Barra da fortuna até o município de Canudos-Ba, onde se percorrem as fazendas: Coiqui, Caipã e o Povoado de Canudos Velho.  Percorreremos 55 km a pé no período de 2 a 4 de Março de 2018, no alto da safra do umbu e teremos a lua cheia como candeeiro, iluminando nosso caminhar.

IV Caminhada dos Umbuzeiros que percorrerá uma rota atravessada pelos caminhos históricos de Uauá a Canudos, caminhos que foram um dia percorridos pelos conselheiristas. Proporcionar a vivência e o debate de conteúdos históricos, culturais e ambientais da região a partir da imersão na caatinga no sertão baiano. caminho umbuzeirosBusca também ressaltar a relevância da cultura do umbu, da convivência com o semiárido e da preservação da fauna e flora nativa para a comunidade sertaneja; reverenciar guerreiros e guerreiras de Canudos que em Uauá barraram a primeira expedição dos militares no período de guerra; realçar as manifestações culturais populares genuinamente sertanejas de Uauá e Canudos; promover intercâmbio cultural com a comunidade que habita o trajeto da Caminhada dos Umbuzeiros; e inserir os habitantes do caminho na construção e realização de uma atividade que reconhece e valoriza a sua identidade e manifestações.

55 km a pé no período de 2 a 4 de Março de 2018, no alto da safra do umbu e teremos a lua cheia como candeeiro, iluminando nosso caminhar.

É no caminho que a poesia da vida se inscreve nas linhas do corpo e nas veredas da memória. Nele revisitamos e reverenciamos histórias de luta e resistência dxs conselheiristas e sertanejxs, e além disso, também a construímos e ressignificamos por meio da nossa vivência.
Nesta jornada as veredas de tantas vidas confluíram num mesmo caminho, nos embrenhamos nas áridas e férteis caatingas de tantas existências,
No caminho conseguimos ser di-versos, acolhendo os sotaques, os ritmos, as forças e passos em uma única prosa.
Um fato: a caminhada nunca está pronta e acabada. Reconhecemos as imperfeições e falhas, mas é isso, o caminho nos ensina, nos molda, surpreende, aperfeiçoa, e principalmente, não termina. Nós saímos da trilha, mas agora ela continua em nós, percorrendo nossas memórias, nossos olhares, nossos corpos e se faz viva e reverberando em cada serzinho que a sentiu. Neste quadro que se pinta mostra-se algumas reverberações das 3 primeiras expedições.

As inscrições para a quarta Caminhada dos Umbuzeiros serão realizadas via formulário digital e carta de intenções. O prazo para se candidatar para uma das 40 (disputadas) vagas termina no dia 25 de dezembro deste ano!

O resultado dos selecionados estará disponível até o dia 22 de janeiro de 2018!

Confira dos dados:

Blog do projeto: https://goo.gl/FJAXHz
Edital da Caminhada: https://goo.gl/zgu9Ty

Contatos: caminhadadosumbuzeiros@hotmail.com

telefones: (74) 9 9974-0311 / (74) 9 9968-4777

 

Após 40 anos, avistam o mutum-pinima

After 40 years, the mutum-pinima is finally found
It inhabits the existing forests near the rivers, preferring to cut in its margins very early (in the morning) and at dusk.
In addition to eating wild fruits, leaves and sprouts, they hunt grasshoppers, tree frogs, lizards and spiders.
In the reproductive age, the male offers feeds to the female and, after forming, the pair no longer separates. The female puts 2 to 5 eggs.

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Mutum-pinima. Foto: Emanuel Barreto.

Um pouco sobre esta ave: Nome vulgar: Mutum pinima Classe: Aves Ordem: Galliformes Família: Cracidae Nome científico: Crax fasciolata Nome inglês: Bare faced curassaw Distribuição: Brasil (Paraná, Norte do Maranhão, leste e sul de Goiás, Oeste de Minas Gerais e Panamá) Habitat: Zonas tropicais Longevidade: 40 anos Hábitos: São monógamos. O macho dá comida à fêmea Maturidade: 2 anos Época reprodutiva: Setembro a Janeiro Incubação: 33 dias Nº de filhotes: 2 a 4 Alimentação na natureza Predominantemente frugívoros; sementes e restos vegetais, folhas e brotinhos Alimentação em cativeiro Ração, agrião picado, carne moída, cenoura ralada, milho inteiro. Habita as florestas existentes próximas aos rios, preferindo ciscar em suas margens bem cedinho (pela manhã) e ao entardecer. Além de comer frutas silvestres, folhas e brotos, caçam gafanhotos, pererecas, lagartos e aranhas. Na época reprodutiva, o macho oferece alimenta à fêmea e, após formado, o casal não mais se separa. A fêmea põe 2 a 5 ovos. Apesar de logo ao nascer serem capazes de andar, os pintos ficam sob a guarda da fêmea por até quatro meses. Normalmente, dormem empoleirados no tronco das árvores.

A expedição. Era o último dia de expedição que se iniciara no começo de novembro. A equipe de pesquisadores, guiadas pelos índios Pirahu, já estava sem grandes esperanças de encontrar a ave não avistada nos últimos 40 anos, mas as pistas fornecidas pelos indígenas eram boas. A equipe acordou as 3:30h da manhã. O índio mantinha acesa a esperança, pois a todo momento garantia que o Mytunxî — como é chamado o Crax fasciolata pinima na língua Tupi –, seria encontrado. E ele tinha razão. Ainda muito escuro, a equipe desceu vagarosamente o leito parcialmente seco de um igarapé. Era necessário caminhar em silêncio, pisando macio, para não espantar os animais. Por volta das 5h, o cacique nos alertou: “Olha o mutum, olha o mutum!”. A equipe logo se posicionou munida de binóculos, máquinas fotográficas e gravadores para documentar a espécie. Porém, era um alarme falso, tratava-se do mutum-cavalo, ainda comum na região.

O registro que queríamos ocorreu algumas horas depois do primeiro alarme falso. Estávamos exaustos.

Dias antes, no aeroporto Juscelino Kubitscheck, em Brasília, a nossa equipe formada pelos analistas ambientais do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestre (ICMBio/CEMAVE), Diego Mendes e Emanuel Barreto, e os biólogos Cesar Medolago, da UFSCar, e Flávio Ubaid, da UEMA, embarcou numa expedição científica para tentar encontrar o uma das aves mais raras e ameaçadas do Brasil: o lendário mutum-pinima (Crax fasciolata pinima).

Essa aventura estava planejada há tempos pelo analista Diego Mendes e pelo professor Luís Fábio Silveira, curador da seção de aves do Museu de Zoologia da USP e só se concretizou com a parceria da equipe de servidores da Reserva Biológica do Gurupi, administrada pelo ICMBio, e com o apoio do Programa de Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA).

De Brasília, o voo seguiu para Imperatriz, no Maranhão, onde a este grupo se somou o professor Carlos Martinez, da Universidade Federal do Maranhão, e dali nós seguimos para Açailândia, onde está localizado o escritório da Reserva do Gurupi.

Descrito como subespécie do mutum-de-penacho(Crax fasciolata) no final do século XIX, o mutum-pinima é endêmico do Centro de Endemismo Belém, região localizada a leste do rio Tocantins, abrangendo o nordeste do Pará e a Amazônia Maranhense, rica em biodiversidade. Estudos genéticos e morfológicos, ainda em andamento, conduzidos pelas equipes dos Profs. Luís Fábio Silveira e Mercival Francisco, da UFSCar, indicam que este mutum deva ser reconhecido como uma espécie plena, completamente distinta de Crax fasciolata. Este mutum é considerado um dos cracídeos mais ameaçados do mundo e não era registrado pela ciência há cerca de 40 anos. Seus últimos registros documentados datam do final da década de 1970. Desde então, vários ornitólogos empreenderam buscas em sua área de ocorrência com o objetivo de encontrar uma população remanescente na natureza e todas as expedições falharam em registrar esta ave.

Preparação

Antes da partida para o campo, a equipe se reuniu no escritório da Reserva Biológica do Gurupi para acertar os últimos detalhes do planejamento da expedição. Após consulta ao mapa da região do mosaico do Gurupi, que compreende a Reserva e seu entorno, a equipe foi dividida em duas, visando cobrir uma área maior e, assim, aumentar a chance de sucesso. Diego Mendes, Cesar Medolago e Carlos Martinez, acompanhados pelo auxiliar de campo Francisco Walison, mais conhecido por “Abelha”, partiram para cobrir áreas remotas da Reserva Biológica do Gurupi e região norte do mosaico. Emanuel Barreto e Flávio Ubaid seguiram rumo ao leste. Além da busca em campo, foram instaladas armadilhas fotográficas na região e aplicados questionários junto às comunidades, visando obter pistas e informações sobre a ocorrência do mutum-pinima na região.

A equipe foi acompanhada pelo cacique Pistola durante toda a expedição. Ele nos apresentou o projeto chamado “Guardiões da Floresta”. Trata-se de uma iniciativa pioneira dos índios Guajajara da Terra Indígena Caru, que tem por objetivo a proteção de suas terras contra a presença de madeireiros e caçadores. Ao todo, são quarenta índios que se revezam na nobre missão de proteger seu principal patrimônio: a floresta. Nesta localidade a equipe não obteve nenhum registro do mutum-pinima, mas encontraram o mutum-cavalo (Pauxi tuberosa) e espécies raras ou ameaçadas como o jacupiranga (Penelope pileata), o jacamim-de-costas-escuras (Psophia obsura), a ararajuba (Guaruba guarouba) e o macaco-caiarara (Cebus kaapori).
Após falsos alarmes, o tempo passava e a angústia aumentava. Um fio de esperança foi renovado quando, às 6:25h, Pirahu apontou e falou: “Mytunxî, Mytunxî!!”. Dessa vez ele estava certo, era realmente o mutum-pinima. Ouviu-se o seu característico canto de alerta, logo gravado pela equipe (escute aqui). Era um macho que caminhava por trás do cipoal, porém, muito arisco, rapidamente voou para a copa de uma árvore, escondendo-se entre a folhagem. Mais ao longe uma fêmea foi avistada por Cesar Medolago. Além da gravação, uma foto foi obtida pela equipe, que a essa altura já não se continha de tamanha felicidade. E com toda razão, pois há 40 anos a ciência não documentava essa espécie na natureza.A segunda equipe foi recebida pelos caciques Irakadju, da Aldeia Turizinho, e Pirahu, da Aldeia Paracuí, ambos da etnia Kaapor, da Terra Indígena Alto Turiaçu. Após percorrer inúmeras áreas do mosaico do Gurupi, no dia 16 de novembro de 2017, guiados pelo cacique Pirahu, Diego Mendes, César Medolago e Carlos Martinez finalmente encontraram o Mytunxî (como é chamado o mutum-pinima na língua Tupi).

Além do importantíssimo registro, a equipe pôde entender melhor o habitat do mutum-pinima. Durante a expedição, muitas pistas sobre a ocorrência da espécie foram obtidas. Relatos dos indígenas sobre o mutum-pinima informando do que ele se alimenta, onde dorme, onde nidifica, período reprodutivo e outros dados foram importantes e irão auxiliar nas futuras expedições de busca. Um casamento perfeito entre conhecimento científico e conhecimento tradicional dos povos indígenas, auxiliando na conservação desta espécie.
O desmatamento ainda persiste em toda a região e é uma ameaça não apenas para o mutum como também para toda a biodiversidade local. Ao desmatamento soma-se ainda a caça, ainda comum e que continua impactando a espécie. O mutum-pinima precisa de proteção não só urgente, como também efetiva. Uma das maneiras mais eficientes e comprovadamente reconhecidas como uma salvaguarda de longo prazo é a criação em cativeiro. Os cracídeos são facilmente mantidos e reproduzem-se em cativeiro com relativa facilidade, e o Brasil, felizmente, possui criadores experientes para lidar com estas aves, ampliando as chances de sucesso. É necessário controlar ou minimizar as ameaças locais para que o manejo populacional seja efetivo. O futuro desta espécie passa necessariamente pela adoção de medidas emergenciais para a sua salvação.A ave ainda sobrevive na unidade de conservação e, provavelmente, em todo o planeta, apenas nesta localidade e terras indígenas do entorno. Isso reforça a necessidade de integração da Reserva Biológica do Gurupi com as terras indígenas circunvizinhas, para aumentar a proteção dos últimos remanescentes de floresta amazônica do estado do Maranhão. O investimento em pesquisa, educação ambiental e recuperação de habitat também precisa se intensificar, especialmente de matas ciliares e formação de corredores ecológicos para conexão das áreas protegidas. Além da criação de novas unidades de conservação na região, a fim de aumentar as áreas protegidas que possam servir de refúgio para o mutum-pinima e as demais espécies ameaçadas e endêmicas do Centro de Endemismo Belém.

 

reportagem do

http://www.oeco.org.br

Flor da semana

Flower of the week, Tillandsia pohliana.

Tendency of decoration in minimalist and elegant designs, a Tillandsia pohliana is living its moment of glamor.

Versatile, easy to maintain and with a wild and exotic look, it gives the environment a natural touch that we love to have around!

Tendência de decoração em projetos minimalistas e elegantes, a Tillandsia pohliana está vivendo o seu momento de glamour.

Versátil, fácil de manter e com um aspecto selvagem e exótico, ela dá ao ambiente um toque natural que adoramos ter por perto!

Tillandsia pohliana

Tillandsia pohliana

Tillandsia pohliana é uma pequena espécie de bromélia que habita, geralmente, os galhos das árvores, mas também é vista habitando sobre rochas. Tillandsia é o maior gênero da família botânica Bromeliaceae, a família das bromélias, e tem mais de 600 espécies. Para o Brasil são citadas 87 espécies de Tillandsia que, na natureza, podem ser encontradas em quase todos os estados brasileiros, com exceção do Maranhão e Tocantins. A espécie Tillandsia pohliana, conhecida também como Planta-do-ar, pode ser observada, na natureza, nos estados do Ceará, Paraíba, Pernambuco, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. É endêmica da América do Sul, ou seja, na natureza só podem ser encontrada no Peru, Bolívia, Brasil, Paraguai e Argentina.

A Tillandsia pohliana é uma planta com folhas longas em forma de roseta, formando uma espécie de espiral em torno do eixo central. Suas alongadas folhas verdes, são totalmente cobertas por escamas acinzentadas o que confere a elas um aspecto de aveludadas. A planta atinge cerca de 35 centímetros de diâmetro e sua inflorescência, alaranjada, sustenta numerosas e delicadas flores brancas. Após a floração, as plantas adultas produzem pequenos brotos na base das folhas, de modo que, caso a planta não gere frutos um novo descendente permanecerá no lugar da planta-mãe, garantindo a sobrevivência da espécie.

Uma característica marcante da Tillandsia pohliana é que, suas raízes têm como principal função fixar a planta em algum lugar e a absorção de água e nutrientes é realizada através das folhas, cobertas por escamas microscópicas, que desempenham essa função. A espécie se parece bastante com Tillandsia stricta, tendo ambas, inflorescências com formas muito semelhantes e se diferem pelo fato da segunda ser menor e apresentar inflorescência rosada, com flores roxas ou lilases.

O cultivo de Tillandsia pohliana é relativamente simples, a partir do momento que suas mudas são obtidas. São plantas que não exigem muitos cuidados, já que podem viver tanto em pleno sol como em ambientes internos. Não necessitam, sequer, de vasos para serem plantadas e podem ser fixadas em telas, paredes, grades e superfícies onde seja possível mantê-las sem o contato direto com qualquer tipo de solo. Se forem plantadas em vasos, por exemplo, a água presente no solo pode apodrecer suas folhas. As regas podem ser regulares, em dias alternados e com um borrifador. A adubação pode ser feita duas vezes ao mês com produto hidrossolúvel para orquídeas, utilizando-se 1/3 da dosagem recomendada pelo fabricante diluída em um litro de água.

Tillandsia pohliana se tornou um objeto de desejo de muitos colecionadores de plantas, por sua versatilidade no cultivo e facilidade de adaptação em diferentes ambientes.

publicado por http://www.vamosreceber.com.br

Conflito no cerrado oeste da Bahia

The protection of native ecosystems and species of conservation interest, such as threats of extinction and endemic species, has not been adequately carried out in the region.
Only 16.28% of the Cerrados of the West of Bahia are protected by some type of conservation unit.

O Oeste da Bahia, região compreendida entre os municípios de Formosa do Rio Preto, ao norte na divisa com o estado do Piauí, e Cocos, ao sul na divisa com o estado de Goiás, representa uma importante fronteira agrícola do País.

Considerando as formações de Cerrado e transição com outros ecossistemas a região ocupa aproximadamente 9,6 milhões de hectares, sendo que a área destinada ao desenvolvimento da agropecuária corresponde atualmente a mais de 2 milhões de hectares.

Desmatamento_bahia

Desmatamento no oeste da Bahia

Soja e algodão são os dois principais produtos agrícolas, sendo que somente no período de 1998 a 2003 houve um aumento em 56% da produção de algodão na região. De acordo com dados do IBGE, no Oeste baiano estão concentrados 92% de toda a produção de grãos e alguns estudos estimam que a região possui um grande potencial para expansão, especialmente quando se considera a extensão de áreas disponíveis e as boas condições de clima e solo.

Sob o ponto de vista da biodiversidade, o Oeste da Bahia é também uma importante região para a conservação do Cerrado, pois há uma boa concentração de remanescentes de vegetação nativa, condição essa somente superada pelos cerrados do sul do Piauí e Maranhão. Estimativas realizadas com o uso de imagens de satélite indicam que a cobertura vegetal nativa ainda supera os 60% da área original (CI-Brasil, dados não publicados). Boa parte da ocupação agropecuária está concentrada no extremo oeste da região, mas os avanços sobre áreas nativas ocorrem de maneira bastante rápida.

De acordo um estudo elaborado pela Embrapa Monitoramento por Satélite, em 1985 a agropecuária ocupava uma área de 631.175 hectares e já em 2000 ocupava 1.605.762 hectares, valores que indicam que ao longo de 15 anos houve uma redução média de 65.000 anuais para a região.

Estimativas iniciais da CI-Brasil sugerem que entre os anos de 2000 e 2006 houve uma remoção de aproximadamente 334.000 hectares. Esse valor indica uma média anual de 66.000 hectares de desmatamentos ou uma taxa de remoção de pelo menos 0,7% ao ano, dados que corroboram aqueles apontados por Batistella (op. cit.). Essa taxa de desmatamento é inferior à média do Cerrado, calculada em 1,1% ao ano e também inferior à média da região, calculada em 1% anuais pelo estudo de Batistella (op. cit.).

A área desmatada no Oeste da Bahia até o começo de 2006 já alcançava 2.065.659 hectares, valor que representa aproximadamente 22% da região do Cerrado do Oeste baiano. À primeira vista esse percentual poderia sugerir que ainda há muito espaço para a expansão do agronegócio na região, mas o aspecto mais preocupante é que não existe uma política de conservação que dê sustentabilidade a políticas de desenvolvimento. Em outras palavras, o desenvolvimento econômico planejado para a região não está sendo acompanhado por uma política de conservação da biodiversidade.

A proteção dos ecossistemas nativos e de espécies de interesse para a conservação, como as espécies ameaçadas de extinção e espécies endêmicas, não tem sido adequadamente realizada na região. Somente 16,28% dos cerrados do Oeste da Bahia estão protegidos por algum tipo de unidade de conservação. As unidades de conservação de proteção integral que asseguram de maneira mais efetiva a proteção da biodiversidade representam apenas 0,38% da região. Apenas duas unidades de conservação de proteção integral foram criadas especificamente para proteger espécies e ecossistemas da região: o Refúgio de Vida Silvestre Veredas do Oeste Baiano com aproximadamente 128.000 e a Estação Ecológica Estadual do Rio Preto, com cerca de 4.500 hectares.

Com a falta de reservas dedicadas à manutenção da biodiversidade regional, espécies como o pato-mergulhão (Mergus octosetaceus – espécie criticamente ameaçada de extinção) a arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus – espécie ameaçada-vulnerável), ou mesmo as áreas de chapadas, tão pressionadas pela expansão do agronegócio, poderão desaparecer antes mesmo de serem estudadas e caracterizadas sob o ponto de vista da biodiversidade.

A ocorrência de tais espécies é ainda bastante desconhecida pela ciência, pois pouquíssimas localidades foram inventariadas na região. Registros confirmados de espécies ameaçadas existem tão somente para três localidades no Oeste baiano. Mesmo para outros grupos faunísticos os inventários biológicos são bastante raros, conforme demonstra a compilação realizada durante os preparativos para o Zoneamento Ecológico Econômico do estado da Bahia.

Fonte: Daniel Melo Barreto/IBIOESTE – Slowfood

Central do Cerrado – Produtos Ecossociais

Citizenship actions in the Cerrado biome

Rede MAIS Vida no Cerrado

O berço das águas corre perigo

biomas do cerrado

Citizenship actions in the Cerrado biome

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Citizenship actions in the Cerrado biome

ISPN

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Cerratinga

Citizenship actions in the Cerrado biome

Rede Cerrado

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Museu Virtual de Ciência e Tecnologia – Cerrado

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Day by Day the Farm Girl Way...

Simple life on a little piece of land.

Cerradania

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Maravilhas do Cerrado

"O uso da fotografia e cultura digital para fomento da educação ambiental"

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