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ICMBio regulariza 89 hectares do parque Grande Sertão Veredas

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Foto ICMBIO -PNGSV

Uma boa noticia, no contexto de que se queremos ter águas, devemos manter conservado as nossas floras.

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) recebeu a doação de uma área de 89 hectares no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, situada entre os estados de Minas Gerais e Bahia, a título de compensação de reserva legal (CRL).
A área foi doada por Emerson Vanderlan, que, em setembro, já havia entregue 766 hectares e, em outubro do ano passado, 1.570 hectares. A escritura de recebimento foi assinada pelo presidente do ICMBio, Ricardo Soavinsky.
“Essa é uma das primeiras doações de terra dentro do Grande Sertão Veredas, que historicamente lida com questões fundiárias. Para nós, é um processo bastante simbólico devido à importância da região”, comentou Soavinsky.
A compensação de reserva legal é um dispositivo do Código Florestal, por meio do qual unidades de conservação (UCs) de domínio público com pendência de regularização fundiária podem receber, em doação, imóveis privados localizados em seu interior para fins de compensação de terras fora da UC, localizados no mesmo bioma.
Grande Sertão Veredas
Localizado na divisa entre Minas Gerais e Bahia, a unidade de conservação federal administrada pelo ICMBio abriga áreas de Cerrado, incluindo parte do planalto Chapadão Central, que divide as bacias dos rios São Francisco e Tocantins.
Entre os objetivos da unidade de conservação estão a preservação do bioma Cerrado, em especial as veredas e o carrasco (transição Cerrado/Caatinga), o desenvolvimento de pesquisas, de atividades de educação e turismo ecológico.
Fonte: Portal Brasil, com informações do ICMBio

Imagem impressionante do cerrado

Imagens de flores que brilham como estrelas no cerrado disputam Sony World Photography Awards, que será anunciado em Londres.     Dois brasileiros estão entre os finalistas. Marcio Cabral clicou com uma paisagem impressionante de flores que brilham como estrelas no Cerrado brasileiro. Ronaldo Land concorre com a imagem de um skatista fazendo uma manobra […]

MOVIMENTO CHAPADA ZONA LIVRE DE PCHs

Os Cerrados de altitude da Chapada dos Veadeiros vertem as mais altas cabeceiras do Rio Tocantins. Consideradas, portanto, as Caixas d’água do Planalto Central, uma das grandes fontes geradora de água doce do país. É uma região de nascentes prolíferas e importante dispersor de águas da rede hidrográfica brasileira. Razão pela qual o pato-mergulhão (Mergus octosetaceus) encontra águas limpas e cristalinas no Cerrado na Chapada dos Veadeiros. Proteger esses rios e suas matas ripárias é um fator importante para a conservação da biodiversidade do Cerrado na Chapada dos Veadeiros.

Foto de Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros

Foto de Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros

A região da Chapada é um grande mosaico de Unidades de Conservação. Abrange o Parque Nacional, a Área de Proteção Ambiental (APA) estadual do Pouso Alto, diversas Reservas Privadas do Patrimônio Natural (RPPN) e alguns Parques Municipais. Também abrange o território de diversas comunidades de kalungas (comunidades quilombolas), sendo por isso, essa área reconhecida como Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga (Lei Complementar do Estado de Goiás 11.409-91). Além disso, é crescente o número de inciativas agroecológicas, associações de agricultura familiar, associações socioambientalistas e assentamentos humanos sustentáveis.
O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros é área núcleo da RESBIO Goyáz (Reserva da Biosfera) e Patrimônio Natural Mundial tombado pela UNESCO, seus limites estão dentro da APA do Pouso Alto, declarado pelo estado de Goiás.
A vocação Chapada dos Veadeiros é de conservação ambiental, produção de água, turismo sustentável e busca espiritual pelo contato direto com a natureza. Não é de exploração de energia, mineração e expansão da monocultura em larga escala. Vale ressaltar, que houve um crescimento de aproximadamente 50% de área agrícola cultivada nos últimos anos, o que pode indicar o aumento do uso de agrotóxicos (organoclorados, organofosforados e carbamatos)
A conversão de ambientes de rio (lótico) em lagos/lagoas (lêntico) poderá interferir na sobrevivência de várias espécies, em especial o pato-mergulhão (Mergus octosetaceus) e socó-boi (Tigrisoma fasciatum), duas espécies criticamente ameaçadas de extinção, bem como podem ameaçar e impactar os atrativos turísticos que são os alicerces econômicos da região.
A política nacional energética atual prevê a implantação de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) na região da Chapada dos Veadeiros que trarão impactos irreversíveis a sociobiodiversidade local. Os estudos realizados propõe 22 PCH’s, sendo seis em processo de avaliação e neste momento duas delas em fase de pré-aprovação, uma ao sul da Chapada, no Ribeirão da Brancas, no município de São João d’Aliança e Colinas e outra na região Norte, no rio das Almas, no Território quilombola Kalunga.

São Bento

São Bento

Está em trâmite na ANEEL relatório que apresenta a situação dos processos referentes às fases de estudos e projetos de empreendimentos hidrelétricos no estado de Goiás. Neste, são previstas 1.299 PCHs, sendo 614 aceitas, 519 com eixo disponível e 166 com registros ativos. Conforme o resumo deste relatório se pretende implantar uma PCH na região Sul, no rio Tocantinzinho e seus afluentes (Ribeirão Piçarrão, Ribeirão Corrente e Ribeirão das Brancas), nos municípios de São João d’Aliança e Colina, comu status ACEITO. Na parte Norte pretendem implantar a PCH Santa Mônica, no rio das Almas, no município de Cavalcante, sendo o empreendedor Rialma S/A – Centrais Elétricas Rio das Almas, com status ACEITO.
O Rio Tocantinzinho possui atributos relevantes para a Chapada dos Veadeiros, localizado no limite mais ao Sul desta região, é o maior rio Chapada dos Veadeiros e a maior sub-bacia da Bacia do Alto Tocantins. Entretanto, é o rio mais agredido pela expansão desenfreada da fronteira agrícola. Nesse sentido, é legítima a criação do Parque Nacional do Rio Tocantinzinho, configurado em forma de um parque linear (acompanhando o rio). Sua criação é justificada pelo nível de preservação, importância e especialmente pela presença do pato-mergulhão. Ademais apresenta atributos naturais relevantes, tais como imensas piscinas naturais, corredeiras encaixadas em forma de cânions (bocaínas), e considerado um dos rios mais mais bonitos para atividades de canoagem e rafting do país. Sendo um verdadeiro monumento da natureza, e que deveria virar patrimônio da humanidade, por ser de suma importância (aguardando um dia ser creditado assim pela UNESCO). É um intenso corredor faunístico da região Sul da Chapada e apresenta áreas florestadas em excelente estado de conservação.
Isto posto, pedimos a suspensão imediata dos processos de instalação das PCHs no Território da Cidadania da Chapada dos Veadeiros, em todos os municípios abrangido por ela. Entendemos que a região da Chapada dos Veadeiros do Planalto Central é uma área de incidência solar intensa e com alto potencial de implantação de energias alternativas (solar, eólica, biomassa e outras), onde deverão ser elaborados estudos de impacto, viabilidade, de forma a descentralizar e diversificar a matriz energética. A vocação e a base econômica desta região é o turismo sustentável. Vale lembrar que nesse ano de 2014 durante a seca do mês de novembro tivemos bairros inteiros na cidade de Alto Paraíso de Goiás (Novo Horizonte, Cidade Alta, Paraisinho, Estância Paraíso) que ficaram sem abastecimento de água. Isso mostra a fragilidade das nossas bacias hidrográficas e da capacidade delas em captar água em recarregar seu estoque aquífero. O agronegócio com o seu desmatamento de grandes áreas de cerrado para a plantações de soja é uma realidade que já chegou na Chapada e tem contribuído para a diminuição das águas com a instalação de pivôs e possível contaminação por agrotóxicos (pulverização aéreas já é um fato).
Em face da crescente pressão humana sobre o meio ambiente, há que se buscar viver em comunidades sustentáveis, onde a prosperidade requer políticas e comportamentos que mantenham as populações humanas e o desenvolvimento territorial (uso solo, gestão de recursos naturais, proteção ambiental) em harmonia com as paisagens. Isso tudo baseado em uma nova ética ambiental, constituída por seres vivos com direito à existência independente de seu valor de uso, na percepção que os recursos são finitos, na busca por soluções adaptadas a cada situação e finalmente, em estruturas democráticas de participação social.

FELIZ ANO NOVO CERRADEIROS

O ciclo continua, final de ano, votos de felicidades. Expectativas, lamentações…opa, é preciso manter acessa a chama e o desejo de sonhar.

painel de flores do cerrado 4

Arquivo painel de flores do cerrado

Não tenha receio em saber que mudou de opinião em relação aos anos anteriores, precisamos, repensar nossos atos.  recusar determinado modo de  agir,  reduzir a intensidade de uso de produtos e serviços, reutilizar algo que nos permite ser útil, e ainda reciclar agregar um valor diferente ao produto ou serviço do que foi criado. Tive a oportunidade e o orgulho de trabalhar no meio ambiente amazônico e, desde 1998, estou no planalto central, coração do cerrado. Bioma extraordinário que paga um preço altíssimo pelo consequente avanço na exploração da fronteira agrícola estabelecida em sua área. Não sou contrário à produção agrícola, não compactuo e não aceito o desordenamento das atividades sem o respeito aos limiares da lei do homem e, principalmente, da natureza. Avante, mas um ano do blog cerradania, em que compartilhamos noticias boas, ruins, alegres , tristes, enfim, espero que tenham gostado e continuem conosco… Foi bom, muito bom a experiência de compartilhar informação, sem a pretensão de ensinar, ser educação ambiental, porem, inserindo um pouco do que todos conhecem  que a cidadania.  compactuar no cerrado a Cerradania. Foram muitos assuntos, e conseguimos neste ano de 2014: 3.478. Obrigado á todos os seguidores e eventuais colaboradores. Dentre tantos assuntos, relembrem dos: Conheça um pouco do Baru,   Meio ambiente e riquezas naturais disputam com esporte e cultura o orgulho do brasileiro Frutas nativas comercializadas no Brasil, um tiquinho de Ceciliaum tiquinho de Cecilia Flor do pau santoVale a pena conhecer o Memorial do Cerrado, Prorrogação de prazo para fechamento de lixõesGovernador revoga portaria que permitia garimpo em reserva de MT,  Serra do Cipó é reaberto ao públicoAmeaças silenciosas aos polinizadores,   Protocolo para restauração de matas riparias no cerrado,  Geraizeiros Felizes, Cerradeiros tambem e Brasilianos comemoram,   A prática da Educação AmbientalEncontro da Rede Agrobiodiversidade do Semiárido Mineiro,   E agora, Joséserviços ambientais,   Influencia das áreas naturais para a manutenção do ciclo das aguas,  Especie bandeira do cerrado,   Sera que vai chover,  Ibama/MT produz documento sobre o defeso da piracema no estado,   Diversidade de produtos extrativistas de comunidades do Cerrado na Feira no CCBB em Brasilia,   Singela homenagem ao nosso cerrado,  Frutas típicas do cerrado brasileiro ganham espaço em Palestina, SP,  A preservação do Cerrado e as limitações impostas pela Constituição do Brasil.,   Cerrado: Uma Janela para o PlanetaPinturas rupestres no Cerrado: “entre as mais exuberantes do mundo”  Ilha das Flores não é ficção: vivemos essa realidadeParque Estadual do CristalinoAbraço de tamanduá mataEncontro de CERRADANIA,   Cagaita ajuda centenas de famílias a aumentarem a rendaMascote da Copa, tatu-bola poderá ser extinto em 50 anos

 Pra finalizar algumas afirmações, que valem a pena ser repetidas…

Quando a última árvore cair, derrubada; quando o último rio for envenenado; quando o último peixe for pescado, só então nos daremos conta de que dinheiro é coisa que não se come. Só jogue no rio o que o peixe pode comer. Feliz ano novo

Desova e soltura de filhotes de tartarugas podem entrar para o calendário turístico

Praia com tartarugas desovando/Foto: Rosinaldo Machado

A campanha será lançada pela Associação Comunitária Quilombola e Ecológica do Vale do Guaporé (Ecovale) no próximo dia 28 de dezembro.

Soltura de quelonios 283. A desova, eclosão, nascimento e a soltura de milhares de filhotes de tartarugas e tracajás todos os anos nos meses de outubro a dezembro nas praias do Rio Guaporé, fronteira brasileira com a Bolívia, são atrativos do ciclo de reprodução de quelônios da Amazônia que poderão ser incluídos no calendário turístico estadual.

A campanha será lançada pela Associação Comunitária Quilombola e Ecológica do Vale do Guaporé (Ecovale) no próximo dia 28 de dezembro, durante o ato da soltura de milhares de filhotes de tartarugas e tracajás, às 9 h, na praia do Dionísio região do município de São Francisco do Guaporé, em Rondônia.
Segundo José Soares Neto, “Zeca Lula”, presidente da entidade o espetáculo começa em outubro com o fenômeno da desova, seguido da eclosão dos ovos e nascimento dos filhotes, e por isso os ambientalistas decidiram apresentar a proposta à Superintendência Estadual de Turismo (Setur) já no início de 2015.

Durante o período da desova, em apenas um dia entre 400 e 3 mil tartarugas desovam nas praias do Rio Guaporé e seus afluentes, transformando as areias num raro fenômeno para ser visto por visitantes e turistas.

Este ano, está prevista a presença do presidente da Bolívia Evo Morales e uma comitiva de ministros, governadores e prefeitos, e de representantes brasileiros e correspondentes estrangeiros de jornais e televisões.

A expectativa, no entanto, é de a quantidade de filhotes que será solta na praia do Dionísio não ultrapasse a média dos anos anteriores, em virtude da cheia atípica dos rios da região e que destruiu milhares de covas. Na Praia Alta, por exemplo, onde a Ecovale previa retirar 800 mil filhotes, os voluntários conseguiram salvar apenas 5 mil tartaruguinhas.

Quelônios do Guaporé

Os ambientalistas estimam que por intermédio do “Projeto Quelônios do Guaporé” foram soltos nos rios da região cerca de 10 bilhões de filhotes de tartarugas e tracajás. O projeto nasceu da necessidade de conscientizar a população local para não consumir a carne e ovos das espécies ameaçadas de extinção, e nem praticar a caça predatória.
O projeto de educação ambiental atua no repovoamento dos rios e ganhou como aliada a população ribeirinha que se transformou na maior defensora da principal espécie nativa. Antes do trabalho de combate à captura ilegal das espécies e repovoamento dos rios da região, as tartarugas somente buscavam as praias para desovar à noite. “Agora elas têm tanta confiança que voltaram a desovar durante o dia”, lembra Zeca Lula.

Praia com tartarugas desovandoNasce por dia nos berçários naturais das praias 1,4 milhão de filhotes, espetáculo que chama a atenção de qualquer turista ou visitante que chegar aos municípios de São Francisco do Guaporé e Costa Marques.

Em 2013, foram devolvidos à natureza mais de 1,8 milhão de filhotes de tartarugas e outros 5,3 mil de tracajás. Pelo processo de reprodução natural a taxa de sobrevivência é estimada em menos de 0,1% e com o projeto de manejo e uso dos berçários a taxa de sobrevivência varia de 12 a 15%.

Texto: Abdoral Cardoso
Foto: Rosinaldo Machado

Balanço Ambiental

Balanço ambiental é um documento demonstrativo que expressa o ativo e passivo ambiental natural num determinado momento. Ele evidencia, de forma sintética, as contas da gestão ambiental natural da célula social.

O balanço e as informações foram pensados para os usuários externos da organização, mas, são ferramentas úteis para a tomada de decisão dos empresários na gestão do meio ambiente natural.

Segundo Lopes de Sá, ¨Balanço ambiental, aquela demonstração das contas que evidencia as relações do patrimônio com o meio ambiente ou da natureza¨. (Ver Considerações gerais sobre a Contabilidade aplicada ao meio ambiente natural, http://www.lopesdesa.com.br).

ATIVO AMBIENTAL

No Balanço ambiental, os ativos ambientais são as aplicações em meios patrimoniais que são utilizados para a preservação ou recuperação do meio ambiente natural, ou, os bens disponíveis da empresa que servem para a preservação, proteção e recuperação do meio ambiente natural; as máquinas e instalações que possibilita a redução da contaminação ambiental.

As aplicações em pesquisas e desenvolvimento de tecnologias em longo prazo que preserve o meio ambiente exigem bons capitais e esforço, mas, seus resultados são evidentes em curto prazo.

PASSIVO AMBIENTAL

No referido balanço são passivos ambientais as obrigações com terceiros a curto e em longo prazo para aplicações na natureza para amenizar os danos causados pelo processo produtivo da empresa no entorno ecológico. A contaminação do solo e das águas subterrâneas é um dos mais graves passivos ambientais. A contaminação do solo pode trazer risco para a saúde pública de várias formas por contato com a pele, por inalação, por emissão de gases tóxicos, também, pode contaminar as águas subterrâneas ou contaminando cursos de água de superfície.

Há, também, passivo ambiental quando há penalidade imposta por legislação ambiental, por contaminação do meio ambiente e, ou, à propriedade de terceiros.

Deve-se tomar medidas efetivas na proteção do meio ambiente natural por uma gestão séria e responsável e que leva ao desenvolvimento sustentável, isso é, a prosperidade patrimonial da célula social sem agressão a natureza.

A maioria das empresas ainda não entendeu o papel do Balanço Ambiental. Ele deve ser um instrumento de comunicação com a sociedade, necessita ser mais bem compreendido e utilizado pelas empresas na gestão ambiental. É, ainda, percebido como um documento para órgão ambiental ao invés de um documento demonstrativo à comunidade.

O balanço ambiental deve apresentar, isto é o desejável, o que efetivamente foi feito para controlar o impacto ambiental pelos resíduos do sistema produtivo, senão poderão ter, até, um aumento de custos ambientais (como tratamento de resíduos e riscos ambientais).

Há uma crescente conscientização mundial da necessidade de encontrar soluções para diminuiu o impacto ambiental deixado pelos resíduos dos produtos manufaturados. As empresas procuram adaptar-se a esta nova realidade com os anseios de preservação, se quiserem ser competitivas num mercado cada vez mais exigente pelos consumidores por um planeta limpo.

O Balanço ambiental torna-se, assim, uma peça importante para os empresários na gestão do meio ambiente natural, um aliado do Órgão Ambiental, das ONGs ambientalistas e do Greenpeace.

Por Werno Herckert

Lobo-guará o semeador do cerrado

Em muitas culturas, lobo está associado a tragédias e desgraças.

Mas as fezes do animal ajudam a semear as frutas do cerrado.

A expansão das fronteiras agrícolas e as produções de grãos e de carnes são motivo de orgulho para o Brasil. Mas as espécies pagam um preço muito alto por isso. Um dos principais prejudicados é o logo-guará, que, por seu papel ambiental, é considerado o ‘grande semeador do cerrado’ e ao mesmo tempo é mal compreendido e pouco conhecido.

A linguagem do lobo-guará é diferente. O mundo dele é dos cheiros. Ele usa o xixi e o cocô para marcar meu espaço, como os humanos fazem com muro e cerca de arame. Esse é um animal tímido e raramente encara no olho por considerar o ato uma afronta, um desafio. O perfil do lobo-guará é o do ressabiado. Ele não gosta de encrenca nem de agressão.

Em muitas culturas, o lobo não tem prestígio. O animal está sempre associado a coisas ruins. Devora vovozinha, come porquinhos, vira lobisomem, chama tragédia e desgraça. Mas o guará não é lobo mau.

As pessoas dizem que o lobo-guará não é de muitos amigos. O que é verdade. Ele leva vida solitária. Não anda em matilhas, em bandos, como os lobos norte-americanos e europeus, de quem, aliás, não é nem parente. Ele é primo meio distante do cachorro-vinagre, o cachorro do mato. Muito tempo antes de o homem chegar a este continente, os ancestrais da espécie já andavam pelo Brasil, principalmente pelo cerrado. Esse animal, que não tem hábitos de floresta, adoro um descampado. As pernas compridas foram feitas para o capim alto. A espécie gosta de vagar pelo verde entre as pedras, pegar a trilha que dará na beira de um córrego, matar a sede na água clara das nascentes. Pouquíssimas pessoas sabem que semear é o que o lobo-guará mais faz neste ambiente.

“A gente considera o lobo como o grande semeador do cerrado. Ele recupera áreas de cerrado através da disseminação das sementes pelas fezes”, explica Rogério Cunha, biólogo do ICMbio e Pró-Carnívoros.

“No ambiente natural, cerca de 70% da dieta é constituída de frutas do cerrado”, diz Laura Teodoro Ribeiro, veterinária do Centro de Desenvolvimento Ambiental (CBM).

O lobo-guará come todos os tipos de fruta do mato. Mas ele semeia apenas planta nativa, quase nada do que é consumido pelo homem. E o que a família do homem come passou a ser plantado justamente onde sempre viveu a família do guará. A casa e o quintal da espécie agora é pasto, lavoura e cidade. A quantidade de lobos-guará se reduz na proporção em que aumenta a ocupação das pessoas.

Além da perda das áreas nativas, uma ameaça crescente ao lobo-guará no cerrado brasileiro é o acidente de trânsito envolvendo, principalmente, os filhotes quando se separam dos pais. Na BR-020, perto da cidade de Luís Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia, houve mais uma ocorrência. No acidente, as patas dianteiras, a cabeça e o corpo, do macho, com idade de juvenil para adulto, ficaram, aparentemente, intactos. Mas, o traseiro foi todo esmagado. Segundo o ICMbio, uma de quatro em cada dez lobinhos morrem atropelados ao tentar atravessar as estradas.

O homem se preocupa com o fim do lobo-guará e coleciona espécies silvestres em lugar fechado. Essa é uma vitrine para que as pessoas saibam um pouco do que acontece fora das cidades. Um lobo na natureza precisa de quilômetros quadrados. Para os animais de vida livre é um exercício de sobrevivência em cativeiro. Nesse esforço de preservação, não é fácil reproduzir esses animais. “É uma espécie de baixa eficiência reprodutiva tanto em vida livre quanto no cativeiro, fora do ambiente natural”, explica Laura.

Em vida livre, o lobo e a loba guará formam casal fiel e leal. Ambos são muito dedicados aos filhotes. Entre os lugares que alcançaram relativo sucesso na reprodução do lobo-guará em cativeiro está o Zoológico Paulista de Sorocaba. Único criatório conservacionista do Nordeste brasileiro, o recém criado Parque Fioravante Galvani, de Luís Eduardo Magalhães, também logrou reproduzir o lobo-guará em recinto fechado. O caso já entrou para a literatura científica. O filho é o Vítor. O pai é o Charles e a mãe, a Lola, que chegou ao lugar amputada de uma perna, após ser atropelada no Rio de Janeiro.

A Mel, que chegou ao zoológico ainda filhote e foi criada na mamadeira, não apresenta o comportamento arredio e tímido do lobo-guará selvagem. Pelo contrário, ela é muito dada e adora um carinho. Um dia, uma criança visitando o lugar, falou para professora que não é um lobo mau, mas um lobo Mel.

O maior número de sucessos de reprodução foi registrado no Criadouro Científico de Fauna Silvestre da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), em Araxá, no Triângulo Mineiro. O criadouro tem por critério a preservação de espécies do cerrado. Em 28 anos, nasceram no lugar 75 lobos-guarás. Essa e a maior fonte da espécie para zoológicos brasileiros e do exterior. Um dos destinos de animais nascidos em Araxá é o do Instituo de Conservação Smithonian, Front Royal, Washington D.C, nos Estados Unidos.

Como em outras regiões do cerrado brasileiro, na Serra da Canastra era costume se perseguir, capturar e matar o lobo-guará. Hoje, ninguém admite a caça diante das câmeras. Mas, um proprietário nos permitiu, na condição de não ser revelada a identidade, mostrou um tipo de armadilha que usava na captura. Na gaiola há um compartimento, onde era colocada a isca viva, e a cela, onde o lobo ficava preso.

reportagem de

Nélson Araújo – Globo Rural

Meio ambiente e riquezas naturais disputam com esporte e cultura o orgulho do brasileiro

Além do futebol, o brasileiro acaba de revelar que tem outra paixão. Uma pesquisa nacional encomendada pelo WWF-Brasil aponta que a maior parte da população tem um forte sentimento de orgulho pelo meio ambiente e as riquezas naturais do país. A maioria sabe da importância das áreas protegidas para o bem estar humano e acha que a natureza não está sendo tão bem cuidada como como deveria. Os resultados foram apresentados hoje em Sidney, na Austrália, durante o Congresso Mundial de Parques.

A onça-pintada é um dos símbolos da fauna brasileira. Foto: © Araquém Alcântara

A pesquisa feita pelo Ibope durante a segunda quinzena de outubro com cerca de duas mil pessoas em todas as regiões buscou entender como a população brasileira se relaciona com as unidades de conservação, como parques, reservas e outras áreas protegidas.
Os dados mostram que 58% dos entrevistados têm no meio ambiente um motivo de orgulho. Esse mesmo sentimento faz bater o coração de 37% da população quando o tema é diversidade cultural, e 30% afirmam que têm no esporte a razão para exaltar sua brasilidade.
O brasileiro também está ciente do papel das áreas protegidas para o bem estar de todos. Entre os entrevistados, 65% afirmaram que a proteção da fauna e da flora é um dos benefícios dessas áreas.
A população também sabe que proteger o meio ambiente significa garantir a proteção das nascentes represas e rios, as principais reservas de água para o consumo humano. Essa relação está clara para 55% dos que responderam à pesquisa.
Para 48% dos pesquisados, as áreas protegidas ajudam a melhorar a qualidade do ar; 34% identificam nesses locais uma oportunidade para o descanso e o lazer e 25% enxergam perspectivas econômicas a partir da conservação do meio ambiente.
“O que a pesquisa deixa claro é que há um descompasso entre as políticas públicas de meio ambiente no Brasil e os anseios da população. Apesar do apreço que o brasileiro tem pelas áreas naturais, da importância delas na vida cotidiana das pessoas, esse tema não é uma prioridade nacional do ponto de vista dos governos”, afirma Maria Cecília Wey de Brito, CEO do WWF-Brasil.
Exemplo disso, diz ela, é o fato de que no recente debate eleitoral, o tema ambiental ficou na escuridão. “E foi isso que nos inspirou a fazer a pesquisa. Achamos que os políticos ainda não percebem o quanto o meio ambiente pode beneficiar o país. E o pior: não são capazes de perceber que a proteção do meio ambiente é uma expectativa nacional.”
Segundo a CEO, as áreas protegidas ajudam a conservar a água que abastece desde a agricultura até o consumo doméstico. As florestas e outros ecossistemas também colaboram no equilíbrio do clima, no regime de chuvas e fornecem uma diversidade enorme de outros serviços, como matérias primas para medicamentos, alimentos e cosméticos. Têm, portanto, um papel econômico que ainda não está sendo considerado.
“Será que vamos ter de sofrer outra crise como a da água em São Paulo para começar a dar valor à conservação do meio ambiente?”, pergunta Wey de Brito. Segundo ela, a resposta dada pelo governo de São Paulo na questão hídrica foram obras que gastarão R$ 3,5 bilhões. “E não vai nada para a conservação dos mananciais. Não está certo”.
A falta de atenção com o meio ambiente é uma preocupação do brasileiro que se reflete na pesquisa encomendada pelo WWF-Brasil. De cada 10 entrevistados, oito consideram que a natureza não está protegida de forma adequada. Apenas 11% acham que sim.
“De fato, nosso sistema nacional de unidades de conservação nunca esteve tão ameaçado quanto agora. E isso está ocorrendo com anuência do Congresso Nacional por meio de projetos de lei e uma avalanche de pedidos de licença para mineração e construção de grandes obras de infraestrutura”, adverte Jean François Timmers, Superintendente de Políticas Públicas do WWF-Brasil.
Todas essas são atividades que podem gerar muito desmatamento. E 27% dos entrevistados veem no corte raso das florestas uma das principais ameaças à natureza. A poluição das águas vem em segundo lugar, com 26%. Caçar e pescar em locais proibidos são motivos de preocupação para 19% dos entrevistados. Outras ameaças apontadas na pesquisa são as grandes obras de infraestrutura e as mudanças climáticas.
E para resolver esse problema nacional, 74% dos entrevistados acham que o governo deve agir em primeiro lugar. Em segundo, são os cidadãos que devem tomar a frente (46%). AS ONGs também foram citadas. Para 20% dos brasileiros ouvidos na pesquisa, essas organizações têm papel importante na hora de cuidar das unidades de conservação.
“Precisamos de um pacto amplo, que envolva todos os setores, para mudar o cenário atual e posicionar a conservação da natureza e as áreas protegidas como prioridades reais na agenda do governo nos próximos quatro anos” afirma Timmers. “Não dá mais para esperar, os resultados dessa negligência estão batendo à nossa porta”.
* Publicado originalmente no site  WWF Brasil.

Flor do pau santo

A flor do “pau santo” – Kielmeyra speciosa – família Guttiferae – brota no tronco, desafiando o tempo seco e quente, sendo uma das mais exóticas do cerrado, pela sua peculiaridade.

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Esta flor é da árvore conhecida popularmente pelo nome “pau-santo” pois na medicina popular as folhas são emolientes, usadas em tumores, a resina é tônica e usada para dores de dente e infecções.
Tem 3 a 6 m de altura, é bem ornamental com boa arquitetura, bela folhagem e vistosa floração. É muito melífera e é corticeira com troncos de até 15 cm de diâmetro de cor cinza-prateada. É nativa nos cerrados e campos do Distrito Federal, Goiás, leste de Mato Grosso e oeste de Minas Gerais.

destaque do http://www.caliandradocerrado.com.br/2008/12/flor-do-pau.html

A verdadeira população do Cerrado

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O bioma Cerrado abriga uma das maiores biodiversidades do mundo. São milhares de espécies da fauna, flora e outros tipos de organismos. Abriga também diversas fitofisionomias diferentes, além de paisagens de grande beleza cênica. Junto a toda esta riqueza, convivem no Cerrado diferentes populações humanas. Algumas destas populações convivem no bioma há centenas de gerações, outras há poucos anos. Algumas conseguem extrair e produzir no Cerrado o suficiente para seu sustento, sem grandes modificações nos ecossistemas; outras vêm causando enormes impactos negativos, muitas vezes através de uma exploração que só almeja o lucro financeiro a curto prazo.

 As populações mais antigas do Cerrado são os povos indígenas. São Xavantes, Tapuias, Karajás, Avá-Canoeiros, Krahôs, Xerentes, Xacriabás, e muitos outros que foram dizimados antes mesmo de serem conhecidos. A grande maioria destes povos, assim como todos os povos indígenas brasileiros, foram forçados a fazer migrações constantes, devido ao avanço do colonialismo. Muitos já eram nômades, e exploravam o Cerrado através da caça e da coleta; alguns já praticavam a agricultura de coivara, ou uma agricultura itinerante, de corte e queima e posterior pousio. Muitos deles produzem grande quantidade (e com grande qualidade) de artesanato. Atualmente, a maioria destes povos está confinada em Terras Indígenas, e têm de adaptar seus modos de vida à disponibilidade de recursos, aos conflitos locais e à inclusão social. Já são muitas as organizações indígenas, e elas se fortalecem a cada dia, porém constantemente perdem batalhas para grandes fazendeiros e grandes empreendimentos. Valorizar suas culturas tradicionais, ter plenamente reconhecidos e adquiridos seus direitos e ao mesmo tempo se inserir de forma positiva na sociedade brasileira é atualmente o grande desafio destes povos.

população Cerratinga

 As chamadas populações tradicionais do Cerrado incluem não só os indígenas, mas também povos negros ou miscigenados que, por muito tempo, ficaram em relativo isolamento nas áreas deste bioma, e tiveram que adaptar seus modos de vida aos recursos naturais disponíveis. São quilombolas, geraizeiros, vazanteiros, sertanejos, ribeirinhos, que aprenderam, ao longo de séculos, a retirar do Cerrado recursos para alimentação, utensílios e artesanato. Hoje grande parte se vê diante de um mundo no qual o conhecimento sobre a convivência com a natureza não é valorizado, e a lógica do trabalho pelo dinheiro predomina.

Nas ultimas décadas, o território ocupado pelo bioma Cerrado tem sofrido uma intensa invasão por populações e atividades até então ausentes. O processo de urbanização, principalmente depois da construção de Brasília, e a produção agropecuária, notadamente após o desenvolvimento de tecnologias de produção em larga escala, vêm transformando rapidamente as paisagens do bioma Cerrado. Não somente as paisagens, mas também os modos de vida de suas populações, os ecossistemas, o regime hídrico. A agricultura intensiva de produção de grãos, os “reflorestamentos” de eucalipto para produção de celulose e carvão, a construção de barragens, os desmatamentos para abastecer de carvão as grandes siderúrgicas, tudo isso vem causando enormes impactos sociais e ambientais nos domínios do Cerrado, no entanto seus benefícios econômicos só se fazem sentir para poucos.

A situação do Cerrado e de suas populações mostra-se, portanto, um grande e complicado conjunto de interações, interesses, desafios e possibilidades. Recusar a lógica da exploração insustentável e do lucro a curto prazo parece ser essencial para a preservação da biodiversidade, dos recursos naturais e da cultura de seus povos tradicionais. Ao mesmo tempo, estabelecer atividades produtivas consistentes, que visem atender prioritariamente ao consumo local, mas também aos mercados nacional e global, sem prejudicar os processos ecológicos naturais, torna-se estratégico para gerar renda e demonstrar a viabilidade do desenvolvimento sustentável no Cerrado. Aliar o conhecimento dos povos que habitam o Cerrado há séculos ao da ciência investigativa voltada para as demandas socioambientais reais sem dúvida representa uma importante ferramenta a ser usada para se atingir estes objetivos.

Fontes:

http://www.socioambiental.org

Nogueira, Mônica & Fleischer, Soraya. Agroextrativismo no Cerrado: uma aliança possível entre resistência social e sustentabilidade ambiental? ISPN, Trabalho não publicado.

Central do Cerrado – Produtos Ecossociais

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Rede MAIS Vida no Cerrado

O berço das águas corre perigo

biomas do cerrado

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WWF - Latest

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ISPN

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Cerratinga

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Rede Cerrado

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