Água é direito, não mercadoria

Tudo pronto para a maior mobilização social sobre a água no Brasil.

aquifero

O FAMA – Fórum Alternativo Mundial da Água , tive o privilégio de participar da organização e agora chegou o momento de dizer não a privatização dos nossos aquíferos.

FAMA – World Water Alternative Forum, I had the privilege of participating in the organization and now is the time to say no to the privatization of our aquifers.

Segue a programação:

Programacao_Cultural_Fama_Completa

Em defesa da água, combater a privatização

Por Neudicléia de Oliveira/ MAB

A água está no centro de uma grande disputa mundial. Grandes grupos empresariais orquestram um plano de privatização completa da água. O Brasil possui em seu território uma das maiores reservas do planeta, com cerca de 12% de toda água doce disponível. E as empresas internacionais querem se tornar donas deste bem natural.

Com a crise do capitalismo e o golpe, que colocou o ilegítimo Michel Temer no comando do país, a agenda da privatização da água vem se acelerando. O governo está abrindo as portas para entregar esse bem ao capital.

FAMA

Neste mês de março, Brasília será palco de dois grandes eventos para tratar do tema, porém com objetivos totalmente contrários. De um lado, as empresas transnacionais, fundos de investimentos, paraísos fiscais e bancos que veem na água um grande negócio, estão promovendo o “Fórum Mundial da Água”, também conhecido como “Fórum das Transnacionais”. Entre os patrocinadores do evento estão a Nestle, Ambev, o governo de São Paulo (PSDB), além do governo de Temer.

Do outro lado, estão os povos de várias partes do mundo, do campo e cidade, que lutam contra qualquer forma de privatização da água. Os trabalhadores e trabalhadoras promoverão o FAMA – Fórum Alternativo Mundial da Água, que possui como mensagem principal “água é um direito, não mercadoria”. A luta é em defesa e contra o estabelecimento da propriedade privada sobre a água. A privatização só prejudica a população. Centenas de cidades estão se vendo obrigadas a reestatizar seus serviços de saneamento, em função do caos deixado pelas empresas privadas.

No entanto, o plano não se restringe ao saneamento. A ideia é estabelecer um grande mercado mundial de água. Ou seja, as transnacionais pretendem se apropriar dos rios, nascentes, barragens, aquíferos e serviços públicos para gerar lucro e acumulação de riqueza ao capital.

O objetivo das empresas transnacionais é tornar a água uma mercadoria, impondo preços altíssimos ao povo para gerar muito lucro. Concomitantemente a esse movimento, a população se verá sem esse direito fundamental à sobrevivência.

A água não pode ter dono. A água deve ser controlada pelo povo e estar à serviço do povo. Não devemos admitir nenhuma forma de privatização. E é por este objetivo que devemos lutar juntos. Missão que só os lutadores e lutadoras do povo podem realizar.

Neudicléia De Oliveira é jornalista e integrante da coordenação nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

 

Fórum Alternativo Mundial da Água (Fama) vai debater ações concretas que possam evitar a crise hídrica.

O Fórum Alternativo Mundial da Água (Fama) vai debater ações concretas que possam evitar a crise hídrica e democratizar tecnologias de consumo e aproveitamento consciente.

agua direitoThe World Alternative Water Forum (FAMA) will discuss concrete actions that can avoid the water crisis and democratize consumer technologies and conscious use.

Regardless of the economic standard, color, age or sexuality, water is a necessary and common good for all human beings. With the scarcity of resources, the government is not alone in mobilizing to tackle the problem and debate it.

The topic is also a theme in civil society at the World Alternative Water Forum, March 17-22, 2018 at the University of Brasilia (UnB) and Pavilion of the Free City Park. Registration and programming: http://www.fama2018.org

Independentemente do padrão econômico, cor, idade ou sexualidade, a água é um bem necessário e comum a todos seres humanos. Com a escassez do recurso, o governo não é o único a se mobilizar para enfrentar o problema e debatê-lo. O tema também é pauta na sociedade civil, que, além de diminuir o consumo —  dados da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) divulgados nesta semana mostram que, no último ano, o consumo por pessoa caiu em 12,2% —, criou o próprio evento, a nível mundial, para reivindicar o lugar do povo na discussão sobre o uso da água.

Em paralelo ao Fórum Mundial da Água, evento global que ocorre há cada três anos desde 1997, a sociedade civil prepara o Fórum Alternativo Mundial da Água (Fama), que tem como objetivo se opor ao governo e às grandes corporações, trazendo o debate sobre o uso de recursos hídricos para a mão da população. Na próxima semana, os dois eventos chegam a Brasília, a primeira cidade do Hemisfério Sul a abrigar esses encontros.

O Fama apoia iniciativas que tragam um consumo consciente e um melhor aproveitamento dos recursos hídricos. É isso que o advogado Flávio Santos, 38 anos, fez na residência onde mora, no Lago Norte. No começo do racionamento de água, ele contratou a engenheira civil Ellen Carvalho, que desenvolveu um projeto de aproveitamento de água pluvial. A calha de uma estrutura de 29 metros quadrados leva a água da chuva para reservatórios espalhados pelo lote. São 10 caixas d’água que, juntas, armazenam mais de 23 mil litros, que, antes, escorriam pelos bueiros e não eram utilizados para consumo.

O investimento na obra foi de R$ 6 mil, mas o retorno veio em cerca de um ano. “Três pessoas moram aqui, mas temos um jardim grande, que consome muita água. Antes do projeto, a nossa conta era de cerca de R$ 600 por mês, agora, fica na casa dos R$ 80”, afirma Flávio. A engenheira Ellen observa que a água da chuva captada não é indicada para consumo ou banho. “No projeto, existe apenas um filtro que impede que galhos ou impurezas sigam para os reservatórios, mas o recurso não é tratado; por isso, deve ser utilizado para atividades como regar jardins e lavar áreas externas, por exemplo”, ressalta.

O sistema tem um formato simples, não conta com bomba, e a água corre de uma caixa para a outra por todas serem posicionadas na mesma altura. “Como o Flávio e a família queriam ter água para o jardim mesmo no período de seca, eles investiram em um reservatório grande. Mas o tamanho vem do tanto que o morador está disposto a investir”, garante Ellen.

Mobilização popular

Devido à crise hídrica, o interesse popular pelo uso da água aumentou, segundo a engenheira. “Passamos muito tempo no conforto das nossas casas, só esperando a água chegar à torneira, sem saber de onde ela vem e até quando estará disponível. Hoje, vejo que a crise criou uma abertura nos brasilienses para falar sobre recursos hídricos, adquirindo conhecimentos e reconhecendo seus direitos como cidadãos”, garante.

A opinião também é compartilhada por Bruno Pilon, um dos membros da coordenação do Fama. “É muito mais fácil falar sobre um problema quando você o entende e o vivencia. Brasília está cheia de gente sofrendo com a falta de água, e quer saber e entender sobre o assunto”, afirma.

Bruno conta que o Fama nasceu como contraponto a uma visão mercadológica do fórum oficial. “Aparecemos, de fato, como a voz da população”, conta. Para o especialista, o racionamento de água no DF exemplificou essa questão. “Quem tinha condições, comprava mais caixas d’água, e o mais pobre era quem realmente acabava racionando”, alerta Bruno.

Os debates do Fama ocorrerão em diversos pontos do DF, como a Universidade de Brasília e o Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade. Estão marcados debates em relação à espiritualidade em torno da água, alternativas para resolver problemas de escassez, agricultura, gênero e questões étnicas. “O nosso objetivo com o Fama é não ser um ponto final de debate, mas, sim, o início de uma mobilização em defesa da água. No Brasil, somos muito abençoados geograficamente, temos bastante água. Mas somos castigados socialmente por problemas políticos, agrários e urbanísticos que fazem com que o recurso não esteja disponível a todos. Queremos mudar isso”, afirma.

Fórum Alternativo Mundial da Água. Quando: 17 a 22 de março de 2018 . Onde: Universidade de Brasília (UnB) e Pavilhão do Parque da Cidade Gratuito. 

Inscrições e programação: www.fama2018.org

baseado na reportagem http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2018/03/11

Fórum Alternativo Mundial da Água

De 19 a 22 de março, ocorrerá em Brasília, no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade, o Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA). O evento vai debater temas como o controle social das fontes de água, o acesso democrático à água, a luta contra as privatizações dos mananciais e barragens, a defesa dos povos atingidos, os serviços públicos de água e saneamento e as políticas públicas necessárias para o controle social do uso da água e preservação ambiental.  O FAMA será realizado no mesmo período do 8º Fórum Mundial da Água.

agua direito

Foto de publicação do FAMA

From March 19 to 22, the World Alternative Water Forum (FAMA) will take place in Brasilia, in the Pavilion of Exhibitions of the City Park.
The event will discuss topics such as social control of water sources, democratic access to water, fight against privatizations of springs and dams, defense of affected peoples, public water and sanitation services and public policies necessary for the social control of water use and environmental preservation.
FAMA will be held during the same period of the 8th World Water Forum.

É a primeira vez que o Fórum Alternativo Mundial da Água é realizado no Brasil, assim como o Fórum Mundial da Água. A estimativa é de que 6 mil a 7 mil pessoas participem dos cinco dias do FAMA, que reunirá cerca de 4 mil dos inscritos em um acampamento no Pavilhão do Parque da Cidade.

A principal bandeira do Fórum Alternativo é mostrar que a água é um bem natural e está a serviço da humanidade, não podendo ser mercantilizada. Além disso, servir aos povos, a produção de alimentos, ao acesso das pessoas e não servir a interesses financeiros. O ato termina no dia 22, com uma marcha em defesa da água para alertar, em especial a população de Brasília, do problema da crise hídrica.

Para o representante do Movimento dos Pequenos Agricultores, Bruno Pilon, que também é um dos coordenadores do FAMA, a maior preocupação é com o grande número de privatizações dos sistemas públicos de distribuição de água e energia. “Por que fazer o Fórum Mundial aqui no Brasil, neste momento em que está aumentando tanto a questão das privatizações no nosso país?, questiona. Para Pilon, a água é um bem público e ela não deve ser mercantilizada. “A gente sabe que esse processo aumenta os custos para os consumidores, além de você colocar diversas barreiras ao acesso”, alerta.

Bruno Pilon lembra que o que se tem verificado é que as punições aplicadas às multinacionais por conta dos desastres ambientais não têm sido rigorosas. E cita como exemplos a tragédia do município de Mariana, em Minas Gerais, onde o Rio Doce não foi até agora recuperado, e o caso de Barcarena, no nordeste do Pará, em que a mineradora Hydro se nega a assumir responsabilidade pelas contaminações.

O representante do Movimento dos Pequenos Agricultores destaca que a organização não participará do Fórum Mundial por entender que “não estão representadas as vontades e as necessidades do povo, existindo ali uma batalha de ideias e por estar a serviço das grandes corporações e dos grandes impérios”.

Já o representante da Frente Povo Sem Medo, Thiago Dávila, declarou que a ideia é fazer do Fórum Alternativo Mundial da Água um evento dos povos. Por isso, não considera nada razoável o cidadão ter que pagar para participar do Fórum Mundial da Água, o que o impede de ser mais participativo. “O Brasil é o país que tem a maior reserva de água doce no mundo. Antes nos vangloriávamos de ter o maior aquífero do mundo, o aquífero Guarani, e logo depois descobrimos que o Aquífero Alter do Chão é quatro vezes maior. O Brasil assume um papel estratégico nesse processo. E nós precisamos organizar uma resistência mundial, defendendo a necessidade de ser feito um processo participativo, politizado, democrático”, cobra Dávila.

O representante da Frente Povo Sem Medo também questiona o financiamento para a realização do Fórum Mundial. “A gente sabe que é o governo estadual, municipal, federal, quem paga e financia o Fórum das Corporações e nós não temos acesso a isso. Nós acreditamos que a falta de transparência, priorização e a perspectiva, inclusive de utilizar a força física, a força bélica para impedir o debate democrático do Fórum Alternativo é muito grave”, lamenta Thiago Dávila.

Ele explica que a coordenação nacional do FAMA é composta por diversos movimentos, onde os projetos devem ser pautados pelos interesses do povo. Cita como exemplo a questão da transposição do Rio São Francisco. “O processo de escassez de água sempre atinge a população mais pobre. O desastre ambiental planetário, o aquecimento global sempre atinge a população mais pobre. E essa é a nossa preocupação principal”, argumentou o representante da Frente.

Sobre o agronegócio, Thiago Dávila revelou apreensão, pois segundo ele os governos não levam em conta que cerca de 70% da água distribuída no país vai para o setor e o governo culpa a sociedade das grandes cidades pela escassez de água.

reportagem de http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia

Minas Gerais tenta privatizar agua

Minas Gerais abriu licitações para que a gestão das fontes de água mineral siga o modelo de parcerias público-privadas em duas das dez cidades do Circuito das Águas.                    A privatização é criticada pela presidente do conselho Food and Water Watch e ex-conselheira da Assembléia Geral da ONU, Maude Barlow, em carta enviada ao governador Fernando Pimentel (PT-MG), a qual The Intercept Brasil teve acesso.

FAMA

Minas Gerais has opened bids for the management of mineral water sources to follow the model of public-private partnerships in two of the ten cities of the Circuito das Águas.
The privatization is criticized by Food and Water Watch chairman and former UN General Assembly advisor Maude Barlow in a letter to Governor Fernando Pimentel (PT-MG), which The Intercept Brazil had access to.

A especialista lembra ao governador que a demanda por água vai superar a oferta em 40% em menos de uma década e que, por isso, é preciso proteger as reservas hídricas como um patrimônio público e um direito humano — e não enxergá-las como mercadoria.

Barlow foi procurada por cidadãos de Cambuquira (MG) organizados na ONG Nova Cambuquira, cidade que recebeu em 2014 o certificado de “Comunidade Azul”. O mérito é dado a municípios que sigam três regras: reconhecimento legal da água como direito humano, serviços de água com gestão e financiamento 100% públicos e banimento da venda de água engarrafada em instalações e eventos públicos.

Apenas 22 cidades no mundo (entre elas Paris, na França, e Berna, na Suíça) possuem o selo dado pelo Conselho dos Canadenses, do qual Barlow é presidente. Cambuquira é a única cidade brasileira a receber o selo. Colocar suas fontes sob gestão de PPPs fará o município perder não apenas o reconhecimento internacional, como também o controle sobre um recurso extremamente valioso.

Essas são algumas das palavras de Barlow na carta. A canadense também é conselheira do World Future Council, com sede em Hamburgo e, entre 2008 e 2009, atuou como Conselheira Sênior de Água do Presidente da Assembléia Geral das Nações Unidas. Ela liderou a campanha que fez a ONU reconhecer, em 2010, a água potável como um direito humano.

No documento enviado ao governador mineiro, Barlow pede que Pimentel “proteja as águas de sua região” pelo bem das próximas gerações.

Brasilia sediara o FAMA – Fórum Alternativo Mundia de Água.

O FAMA tá chegando!!

O Fórum Alternativo Mundial da Água ocorrerá entre os dias 17 e 22 de março de 2018.
Nos dias 17 e 18 acontecerá na UNB, com diversas atividades auto-gestionadas, as quais serão divulgadas em breve.
E, nos dias 19, 20 e 21 estaremos no Parque da Cidade Sarah Kubitcheck!
Dia 22 encerraremos o nosso evento com um grande ato em defesa da água, comemorando o dia internacional de luta pela água!

VAMOS?!

Agua não é mercadoria

Artistas e ativistas se unem para viabilizar o maior evento em defesa da água do planeta! 🌎💦🌳

In March, these big corporations that put the profit above their lives are organizing a big business event to seal these deals in Brasilia.
And we, artists and fighters and water fighters are organizing the resistance with the World Alternative Water Forum, March 17-22!

Temer e as grandes corporações querem privatizar a água do Brasil em todas as suas formas (aquíferos, nascentes, mananciais, rios e até nas cidades)! Em março essas grandes corporações que colocam o lucro acima da vida estão organizando um grande evento de negócios para selar esses acordos em Brasília. E nós, artistas e lutadoras e lutadores pela água estamos organizando a resistência com o Fórum Alternativo Mundial da Água, de 17 a 22 de março!

O maior evento em defesa da água do planeta precisa de você para acontecer! Sua doação é fundamental para conseguirmos trazer mais povos atingidos pela crise da água no Brasil e no mundo, organizar nosso acampamento para receber essas pessoas e fortalecer ainda mais essa luta!

Faça sua doação agora mesmo em: http://bit.do/fama2018
Conheça mais sobre o Fórum Alternativo Mundial da Água: www.facebook.com/FAMA2018/

ÁGUA NÃO É MERCADORIA! 🌎💦🌳

#Fama2018
#ÁguaNãoÉMercadoria!

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No sertão de Minas o Urucuia agoniza

Escassez de água deixa situação crítica e coloca em risco nascentes e mananciais, como o palco do primeiro encontro entre Riobaldo e Diadorim da obra de João Guimarães Rosa.

Degraded, low volume or completely empty water sources redesign the scenario described in the Guimarães Rosa masterpiece in the Urucuia region, in the North and Northwest of Minas Gerais.

Arinos, Urucuia – Mananciais degradados e  com volume reduzido ou completamente vazios redesenham o cenário descrito na obra-prima de Guimarães Rosa na região do Urucuia, no Norte e Noroeste de Minas: o sertão até então pouco explorado, com grandes áreas de cerrado e uma infinidade de veredas onde Riobaldo conhece Diadorim.

Rio Urucuia agonisando

Agonia do Rio Urucuia (foto: Solon Queiroz/EM/D.A PRESS)

“Infelizmente, a maior parte das veredas da região está assoreada”, testemunha o técnico em meio ambiente Carlos Aparecido Ferroni, do escritório do Instituto Estadual de Florestas (IEF) em Urucuia, que começou a trabalhar em 1998 no órgão, quando as condições das nascentes da região “ainda eram muito boas”.

De lá para cá, conta, foi só degradação: desmatamento e movimento do solo para a formação de pastagens sem nenhuma medida protetiva, produção de carvão e danos provocados pela abertura de estradas, além do fator mais perverso de todos, o fogo, seguido pela formação de pasto e pisoteio do gado.

Um exemplo da destruição está na vereda da Mutuca, a três quilômetros da sede de Urucuia. Há três anos, um incêndio atingiu a área, transformando a maior parte da paisagem num cenário de buritis queimados ou mortos, sem uma gota d’ água acumulada.
Em outro ponto do município de Urucuia, na comunidade de Barrocação, a vereda do Pulvarim era um verdadeiro reservatório de água, abrangendo uma área de 10 hectares. Também há três anos, a área foi atingida por um incêndio. Trabalhadores da fazenda e vizinhos se esforçaram para controlar as chamas, mas não conseguiram evitar os danos, cujas consequências se sentem até hoje.
O fogo se prolongou por cerca de 15 dias. As chamas provocaram estragos por cerca de quatro dos oito quilômetros de extensão da vereda e devastaram cerca de 10 hectares, atingindo a sua cabeceira, onde estão visíveis os rastros de destruição, com restos de troncos de buritis queimados no chão. Uma parte dela ainda conta com buritis e outras espécies nativas de pé, mas o terreno perdeu a umidade. A lagoa que havia no local secou.

Córrego praticamente seco em Urucuia é exemplo dos efeitos do assoreamento das veredas. Guimarães Rosa descreveu a região como uma área de sucessivos brejo.

baseado na reportagem http://impresso.em.com.br/app/noticia/cadernos/gerais/2016/10/16/interna_gerais,189966/nascentes-e-rios-em-agonia.shtml

 

Governo do Brasil quer privatizar a água

O problema da privatização da água no Brasil é principalmente silencioso. Primeiro, o Brasil é um país rico em água, problemas relacionados com a privatização da água, não são considerados urgente. Em segundo lugar – e este é o decisivo – o problema nem sequer é mencionado na imprensa brasileira em geral, por causa da “censura”, que emana do poder econômico das empresas que estão envolvidas na privatização da água – a maioria deles são importantes “clientes “e, portanto, têm a palavra final.

The problem of water privatization in Brazil is largely silent.
First, Brazil is a country rich in water, problems related to the privatization of water, are not considered urgent.
Secondly – and this is the decisive one – the problem is not even mentioned in the Brazilian press in general because of the “censorship” that emanates from the economic power of the companies that are involved in the privatization of water – most of them are important ” customers “and therefore have the final say.

Existem dois principais aspectos que devem ser considerados em relação à privatização da água no Brasil: a privatização do abastecimento de água nas cidades – como é o caso, por exemplo, em Manaus – e muito mais perigoso e menos conhecidos fato da privatização dos recursos hídricos.

aquifero

Foto ilustrativa

Durante vários anos, a compra de empresas como a Nestlé e Coca-Cola sobre as áreas do país, que são ricos em fontes de água. Este problema importante foi divulgada primeiramente por um movimento de cidadãos que foi criada para defender os recursos hídricos de uma cidade muito famosa no Brasil -. Parque Hidríco de São Lourenço

São Lourenço é uma pequena comunidade, que pertence a uma área especial que se lpcaliza entre as três principais cidades do Brasil – São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

Esta área – conhecida como Circuito das Águas – é famosa em todo o país por sua incrível variedade de fontes de água mineral, que são distribuídas principalmente em quatro pequenas cidades, incluindo São Lourenço. Estas fontes de água mineral são conhecidas desde o século 19 , por suas propriedades medicinais.

O poder de cura das águas, foi responsável pela forma como toda a área se desenvolveu. Cada cidade foi construída em torno do “parque aquático” – o lugar onde a maioria das fontes de água foram encontrados. Os parques aquáticos tornaram-se grandes centros de hidroterapia e no início do século 20, uma agência federal foi criado para incentivar a investigação e desenvolver planos específicos para o uso de água mineral no sistema de saúde pública. A Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais criou cursos de tratamento de Hidroterapiae em todo parque aquático havia pelo menos um médico. Nos anos 50, a agência federal para tratamento de água foi fechada para e os cursos de Hidroterapia da Universidade abolidos -. Sob pressão do lobby da indústria farmacêutica e química

Este foi o início do declínio desta região. O parque aquático de São Lourenço caiu em mãos privadas – que foi comprada pela Vittel Grupo Perrier, que até recentemente, tinha a sua água mineral famosa, engarrafada e vendida em todo o Brasil. Em 1996, o controle da Perrier-Vittel passou para Nestlé de, que tornou-se a dona do parque aquático em São Lourenço.

1998 a Nestlé construiu  no interior do parque aquático, uma fábrica para produzir uma garrafa de água especialmente concebidos para o chamado mercado de Terceiro Mundo, a ‘Pure Life’. O conceito desta água é que tudo tem o mesmo gosto, não importa onde ele é produzido – no Brasil ou no Paquistão.

Em muitos países do Terceiro Mundo, a água engarrafada tornou-se um mercado importante, principalmente devido ao mau estado dos sistemas de abastecimento público de águaencanada.

A qualidade da água encanada no Brasil é geralmente considerado boa, mas a propaganda para a água engarrafada é tão forte que o hábito de usar a água da torneira e armazená-lo em filtros cerâmicos – como sempre o caso foi – é cada vez mais substituída pela maneira “prática” para comprar água engarrafada.

Nestlé, em seguida, começou a bombear grandes quantidades de água diretamente do subsolo, fazendo buracos profundos, que foram escavados no interior do parque aquático.

As consequências foram sentidas quase imediatamente nas fontes de água:

Um deles secou, e alguns outros mudaram seus sabores. Pior ainda – os minerais, detalhes finos e raros de água foram desmineralizados, ou seja, foram despojadas de suas qualidades especiais,  para produzir água de mesa ‘Pure Life’.

São Lourenço, uma pequena cidade turística, que depende do parque aquático como sua principal atração turística , perde no decurso cada vez mais e mais turistas, uma vez que a mudança na qualidade das fontes de água foi sentida por todos.

A água leva tempo debaixo da terra. Enriquece lentamente no contato com minerais. Ao ser bombeada, o processo é mais rápido do que a natureza pode substituí-lo, ela perde o seu conteúdo mineral.

Foi fundado o  Movimento de Cidadãos para as nascentes de água mineral, por um grupo de cidadãos que estavam preocupados com esta situação. Depois de várias tentativas frustradas de entrar em diálogo com a empresa, o movimento pediu assistência do governo.

Uma investigação foi iniciada, e em janeiro de 2001, houve um processo contra a empresa perante o Tribunal em São Lourenço. De acordo com a lei federal brasileira não é permitido a desmineralização do mineral pela Nestlê. Além disso, a fábrica, que foi construída no parque aquático, não foi aprovada, de acordo com as normas ambientais, porque o parque aquático é uma área de proteção ambiental altamente ameaçada. Sem esta aprovação a Nestlé fábrica não teria permissão para construir.

Esta fase, o processo está pendente no tribunal em nível federal. O litígio pode se arrastar por muitos anos no Brasil – infelizmente.

” O parque aquático não pode esperar o tempo !”

O Movimento de Cidadãos lançou uma campanha contra a fábrica “Pure Life ‘ na Europa – principalmente na Suíça – fez alguma pressão da opinião pública sobre esta questão, através de documento e artigos relevantes publicados, e também em entrevistas de televisão transmitidas.

Como membro do Movimento de Cidadãos para a água, digo que estamos enfrentando muitos problemas com a imprensa brasileira , que permanece em silêncio em geral, também posso dizer que somos muito fortes e precisamos da ajuda do apoio da opinião pública na Europa e, principalmente, na Suíça.

Apenas com a pressão pública na Suíça teremos uma chance contra a Nestlé. Seus advogados têm seu lobby e suas práticas são irresponsáveis. Devido a esta matéria, também foi possível falar sobre a privatização da água no Brasil, e sobre o fato de que muitas empresas vêm aqui para comprar áreas como o parque aquático em São Lourenço. Até agora, o governo brasileiro não tomou quaisquer medidas decisivas relativas a esta questão.

Esperamos que possamos vencer e também influenciar  a opinião pública na Europa, sobre  as decisões que são tomadas a este respeito no Brasil.

Se a água se transforma em uma mercadoria, uma concorrência crescente irá acontecer entre os poderosos interesses econômicos, para tomar o controle dos restantes recursos hídricos .

Isto irá cada vez mais levar a conflitos e até guerras.

A água como um bem público pode ajudar-nos a trabalhar juntos como nações, e ele pode ajudar a promover a paz, a compreensão e desenvolvimento. Cabe a nós decidir que tipo de futuro que queremos.

Tradução: Tina Plank, Yan Christoph pele
equipe de tradução voluntária, Coorditrad

Edição em português-br Marcos Romão

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