Tag Archive | Areas Protegidas

Ainda resta esperança:Meio ambiente e riquezas naturais disputam com esporte e cultura o orgulho do brasileiro

Além do futebol, o brasileiro revela que tem outra paixão. Uma pesquisa nacional encomendada pelo WWF-Brasil aponta que a maior parte da população tem um forte sentimento de orgulho pelo meio ambiente e as riquezas naturais do país. A maioria sabe da importância das áreas protegidas para o bem estar humano e acha que a natureza não está sendo tão bem cuidada como deveria. Os resultados foram apresentados  em Sidney, na Austrália, durante o Congresso Mundial de Parques.

Um tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) em seu habitat natural

m tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) em seu habitat natural

A pesquisa feita pelo Ibope durante a segunda quinzena de outubro com cerca de duas mil pessoas em todas as regiões buscou entender como a população brasileira se relaciona com as unidades de conservação, como parques, reservas e outras áreas protegidas.
Os dados mostram que 58% dos entrevistados têm no meio ambiente um motivo de orgulho. Esse mesmo sentimento faz bater o coração de 37% da população quando o tema é diversidade cultural, e 30% afirmam que têm no esporte a razão para exaltar sua brasilidade.
O brasileiro também está ciente do papel das áreas protegidas para o bem estar de todos. Entre os entrevistados, 65% afirmaram que a proteção da fauna e da flora é um dos benefícios dessas áreas.
A população também sabe que proteger o meio ambiente significa garantir a proteção das nascentes represas e rios, as principais reservas de água para o consumo humano. Essa relação está clara para 55% dos que responderam à pesquisa.
Para 48% dos pesquisados, as áreas protegidas ajudam a melhorar a qualidade do ar; 34% identificam nesses locais uma oportunidade para o descanso e o lazer e 25% enxergam perspectivas econômicas a partir da conservação do meio ambiente.
“O que a pesquisa deixa claro é que há um descompasso entre as políticas públicas de meio ambiente no Brasil e os anseios da população. Apesar do apreço que o brasileiro tem pelas áreas naturais, da importância delas na vida cotidiana das pessoas, esse tema não é uma prioridade nacional do ponto de vista dos governos”, afirma Maria Cecília Wey de Brito, CEO do WWF-Brasil.
Exemplo disso, diz ela, é o fato de que no recente debate eleitoral, o tema ambiental ficou na escuridão. “E foi isso que nos inspirou a fazer a pesquisa. Achamos que os políticos ainda não percebem o quanto o meio ambiente pode beneficiar o país. E o pior: não são capazes de perceber que a proteção do meio ambiente é uma expectativa nacional.”
Segundo a CEO, as áreas protegidas ajudam a conservar a água que abastece desde a agricultura até o consumo doméstico. As florestas e outros ecossistemas também colaboram no equilíbrio do clima, no regime de chuvas e fornecem uma diversidade enorme de outros serviços, como matérias primas para medicamentos, alimentos e cosméticos. Têm, portanto, um papel econômico que ainda não está sendo considerado.
“Será que vamos ter de sofrer outra crise como a da água em São Paulo para começar a dar valor à conservação do meio ambiente?”, pergunta Wey de Brito. Segundo ela, a resposta dada pelo governo de São Paulo na questão hídrica foram obras que gastarão R$ 3,5 bilhões. “E não vai nada para a conservação dos mananciais. Não está certo”.
A falta de atenção com o meio ambiente é uma preocupação do brasileiro que se reflete na pesquisa encomendada pelo WWF-Brasil. De cada 10 entrevistados, oito consideram que a natureza não está protegida de forma adequada. Apenas 11% acham que sim.
“De fato, nosso sistema nacional de unidades de conservação nunca esteve tão ameaçado quanto agora. E isso está ocorrendo com anuência do Congresso Nacional por meio de projetos de lei e uma avalanche de pedidos de licença para mineração e construção de grandes obras de infraestrutura”, adverte Jean François Timmers, Superintendente de Políticas Públicas do WWF-Brasil.
Todas essas são atividades que podem gerar muito desmatamento. E 27% dos entrevistados veem no corte raso das florestas uma das principais ameaças à natureza. A poluição das águas vem em segundo lugar, com 26%. Caçar e pescar em locais proibidos são motivos de preocupação para 19% dos entrevistados. Outras ameaças apontadas na pesquisa são as grandes obras de infraestrutura e as mudanças climáticas.
E para resolver esse problema nacional, 74% dos entrevistados acham que o governo deve agir em primeiro lugar. Em segundo, são os cidadãos que devem tomar a frente (46%). AS ONGs também foram citadas. Para 20% dos brasileiros ouvidos na pesquisa, essas organizações têm papel importante na hora de cuidar das unidades de conservação.
“Precisamos de um pacto amplo, que envolva todos os setores, para mudar o cenário atual e posicionar a conservação da natureza e as áreas protegidas como prioridades reais na agenda do governo nos próximos quatro anos” afirma Timmers. “Não dá mais para esperar, os resultados dessa negligência estão batendo à nossa porta”.

publicado em http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/

Anúncios

Meio ambiente e riquezas naturais disputam com esporte e cultura o orgulho do brasileiro

Além do futebol, o brasileiro acaba de revelar que tem outra paixão. Uma pesquisa nacional encomendada pelo WWF-Brasil aponta que a maior parte da população tem um forte sentimento de orgulho pelo meio ambiente e as riquezas naturais do país. A maioria sabe da importância das áreas protegidas para o bem estar humano e acha que a natureza não está sendo tão bem cuidada como como deveria. Os resultados foram apresentados hoje em Sidney, na Austrália, durante o Congresso Mundial de Parques.

A onça-pintada é um dos símbolos da fauna brasileira. Foto: © Araquém Alcântara

A pesquisa feita pelo Ibope durante a segunda quinzena de outubro com cerca de duas mil pessoas em todas as regiões buscou entender como a população brasileira se relaciona com as unidades de conservação, como parques, reservas e outras áreas protegidas.
Os dados mostram que 58% dos entrevistados têm no meio ambiente um motivo de orgulho. Esse mesmo sentimento faz bater o coração de 37% da população quando o tema é diversidade cultural, e 30% afirmam que têm no esporte a razão para exaltar sua brasilidade.
O brasileiro também está ciente do papel das áreas protegidas para o bem estar de todos. Entre os entrevistados, 65% afirmaram que a proteção da fauna e da flora é um dos benefícios dessas áreas.
A população também sabe que proteger o meio ambiente significa garantir a proteção das nascentes represas e rios, as principais reservas de água para o consumo humano. Essa relação está clara para 55% dos que responderam à pesquisa.
Para 48% dos pesquisados, as áreas protegidas ajudam a melhorar a qualidade do ar; 34% identificam nesses locais uma oportunidade para o descanso e o lazer e 25% enxergam perspectivas econômicas a partir da conservação do meio ambiente.
“O que a pesquisa deixa claro é que há um descompasso entre as políticas públicas de meio ambiente no Brasil e os anseios da população. Apesar do apreço que o brasileiro tem pelas áreas naturais, da importância delas na vida cotidiana das pessoas, esse tema não é uma prioridade nacional do ponto de vista dos governos”, afirma Maria Cecília Wey de Brito, CEO do WWF-Brasil.
Exemplo disso, diz ela, é o fato de que no recente debate eleitoral, o tema ambiental ficou na escuridão. “E foi isso que nos inspirou a fazer a pesquisa. Achamos que os políticos ainda não percebem o quanto o meio ambiente pode beneficiar o país. E o pior: não são capazes de perceber que a proteção do meio ambiente é uma expectativa nacional.”
Segundo a CEO, as áreas protegidas ajudam a conservar a água que abastece desde a agricultura até o consumo doméstico. As florestas e outros ecossistemas também colaboram no equilíbrio do clima, no regime de chuvas e fornecem uma diversidade enorme de outros serviços, como matérias primas para medicamentos, alimentos e cosméticos. Têm, portanto, um papel econômico que ainda não está sendo considerado.
“Será que vamos ter de sofrer outra crise como a da água em São Paulo para começar a dar valor à conservação do meio ambiente?”, pergunta Wey de Brito. Segundo ela, a resposta dada pelo governo de São Paulo na questão hídrica foram obras que gastarão R$ 3,5 bilhões. “E não vai nada para a conservação dos mananciais. Não está certo”.
A falta de atenção com o meio ambiente é uma preocupação do brasileiro que se reflete na pesquisa encomendada pelo WWF-Brasil. De cada 10 entrevistados, oito consideram que a natureza não está protegida de forma adequada. Apenas 11% acham que sim.
“De fato, nosso sistema nacional de unidades de conservação nunca esteve tão ameaçado quanto agora. E isso está ocorrendo com anuência do Congresso Nacional por meio de projetos de lei e uma avalanche de pedidos de licença para mineração e construção de grandes obras de infraestrutura”, adverte Jean François Timmers, Superintendente de Políticas Públicas do WWF-Brasil.
Todas essas são atividades que podem gerar muito desmatamento. E 27% dos entrevistados veem no corte raso das florestas uma das principais ameaças à natureza. A poluição das águas vem em segundo lugar, com 26%. Caçar e pescar em locais proibidos são motivos de preocupação para 19% dos entrevistados. Outras ameaças apontadas na pesquisa são as grandes obras de infraestrutura e as mudanças climáticas.
E para resolver esse problema nacional, 74% dos entrevistados acham que o governo deve agir em primeiro lugar. Em segundo, são os cidadãos que devem tomar a frente (46%). AS ONGs também foram citadas. Para 20% dos brasileiros ouvidos na pesquisa, essas organizações têm papel importante na hora de cuidar das unidades de conservação.
“Precisamos de um pacto amplo, que envolva todos os setores, para mudar o cenário atual e posicionar a conservação da natureza e as áreas protegidas como prioridades reais na agenda do governo nos próximos quatro anos” afirma Timmers. “Não dá mais para esperar, os resultados dessa negligência estão batendo à nossa porta”.
* Publicado originalmente no site  WWF Brasil.

Deputados criam frente para atacar unidades de conservação

Cachoeira no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás. O parque é um dos poucos no cerrado, um dos ecossistemas mais desprotegidos do país (Foto: Edimilson Sanches/ Wikimedia)

Cachoeira no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás. O parque é um dos poucos no cerrado, um dos ecossistemas mais desprotegidos do país (Foto: Edimilson Sanches/ Wikimedia)

Por mais que queiramos não conseguimos entender o porquê e o para quê de uma frente parlamentar criada com a assinatura de 240 deputados do nosso legislativo e registrada dia 22 de abril deste ano para:

“Art. 2° A Frente Parlamentar é instituída para o cumprimento das seguintes finalidades:
I – acompanhar, propor e analisar proposições e programas que disciplinem todos os assuntos referentes ao reassentamento involuntário em áreas protegidas;
II – divulgar os problemas causados pela criação de áreas protegidas, notadamente, unidades de conservação e terras indígenas às populações residentes nas áreas a serem desapropriadas antes da criação da Área Protegida;
III – acompanhar as ações a serem empreendidas pelo Poder Público no sentido de proteger os direitos dessas populações;
IV – realizar encontros, simpósios, seminários, debates e outros eventos, com vistas a aventar as medidas legislativas necessárias a uma rápida resolução dos conflitos fundiários;
V – articular e integrar as iniciativas e atividades da Frente Parlamentar com as ações de governo e das entidades da sociedade civil;
VI – promover a divulgação das atividades Frente Parlamentar em Defesa das Populações Atingidas por Áreas Protegidas (Unidades de Conservação e Terras Indígenas), no âmbito do Parlamento e junto à sociedade.
Art. 3° A Frente será composta por Deputados Federais e representantes de entidades da sociedade civil que subscreverem termo de adesão a este Estatuto.”

Não passa pela nossa cabeça que este fato tenha realmente ocorrido, mais parece um horrível pesadelo.  O requerimento 10.028/2014 foi apresentado pelo deputado Weverton Rocha. É um enorme pesadelo para os ecólogos, cientistas, profissionais e demais técnicos, ou de ambientalistas da área. Nunca um país democrata, considerado relativamente adiantado e desenvolvido, assistiu uma excrecência destas. Mas parece que em nosso país pode tudo.
A começar pelas justificativas da proposta inicial, se é que há justificativas para deter ou extinguir unidades de conservação, ou áreas protegidas, como queira, os erros e enganos, típicos de quem não entende do assunto e da legislação em vigor, são gritantes:

1. É afiançado que o Brasil possui o maior número ( o grifo é nosso) de áreas protegidas, dentre todos. Esta verdade não existe se for bem explicitada: a) reservas indígenas ou áreas indígenas não são unidades de conservação ou áreas protegidas, como querem esses deputados; b) RPPNs são particulares.
2. Além do mais o que realmente interessa é a extensão das mesmas e, em termos relativos, o Brasil possui menos de 10 % de sua extensão territorial em unidades de conservação, ocupando um dos últimos lugares entre os países democratas e mais desenvolvidos;
3. É afiançado que se quer evitar as indesejadas e violentas remoções de populações locais. Provem em qual unidade de conservação ou área protegida este fato ocorreu no Brasil.
3. Leiam a Lei em vigor sobre o Sistema Nacional de Unidades de Conservação ( SNUC). É a lei 9985 de 2000, que institui o sistema. Não se consideram legalmente no sistema como categorias de unidades de conservação as reservas indígenas, parques indígenas ou áreas indígenas. As populações indígenas tampouco aceitaram estar no sistema nacional. Com razão, pois essas populações têm uso direto dos recursos naturais, conforme previsto pela Constituição em suas reservas, sem as restrições impostas pelas categorias de manejo previstas no SNUC.

O Brasil já é o campeão de extinção e recategorização de áreas protegidas ou unidades de conservação. Uma recente publicação nos demonstra que nosso país perdeu 5,2 milhões de hectares de unidades de conservação nos últimos anos “igual à extensão de Costa Rica”. Isso graças à extinção ou recategorização de nossas unidades de conservação legalmente estabelecidas.

O que mais desejam os deputados de nosso país? Acabar com todos os parques nacionais? Dar as terras de nossos museus vivos em troca de votos? Não entendem que a agricultura, a pecuária, a medicina, a indústria em geral, precisam desesperadamente de nossa biodiversidade protegida em unidades de conservação, além dos serviços ambientais, em especial os recursos hídricos?

O que vão fazer a classe científica, as universidades afins, as ONGs com esta nova bomba?As últimas políticas públicas mostram claramente um enorme retrocesso da área ambiental, nunca visto em um país sem guerras. O que aconteceu para que falhássemos tanto? Não conseguimos, nós, os profissionais da área, motivar nossos compatriotas para impedir que tudo vá para o ralo. Esta nova ameaça desta frente parlamentar de inquérito do Legislativo, onde estão situados os humanos que nos representam, deverá nos empurrar mais celeremente para o ralo a que me refiro.
Reportagem de Maria Tereza Jorge Pádua é Engenheira agrônoma, presidente da Associação O Eco, membro do Conselho da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza e da comissão mundial de Parques Nacionais da UICN.

Lei torna Chico Mendes patrono do meio ambiente no Brasil

Image

Foto arquivo Câmara dos Deputados

Sindicalista e líder seringueiro é conhecido por suas lutas ambientais, em especial a favor da floresta amazônica.

O líder seringueiro, Francisco Alves Mendes Filho, mais conhecido como Chico Mendes, agora é patrono do meio ambiente brasileiro. A lei que institui a nomeação foi sancionada pela presidenta Dilma Rousseff e publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira (16).

Nascido no dia 15 de dezembro de 1944, Chico Mendes foi morto a tiros no quintal de sua casa, em Xapuri, no Acre, no dia 22 de dezembro de 1988, aos 44 anos. Dois anos após sua morte, dois fazendeiros foram culpados e condenados a 19 anos de prisão .

Breve histórico                                                                                                                                                                                                                                  Chico Mendes começou como seringueiro ainda criança, aos nove anos, acompanhando seu pai pelas matas. E em 1975, entrou para a luta sindical defendendo a preservação da Floresta Amazônica e lutando para impedir o desmatamento da riqueza verde brasileira.

Em 1981, Chico Mendes se tornou presidente do Sindicato de Xapuri, e assim seguiu até o dia da sua morte. Em 1985, liderou o 1º Encontro Nacional dos Seringueiros, onde foi criado o Conselho Nacional dos Seringueiros que transformou Chico Mendes em uma referência em toda a categoria.

Em 2012, o ambientalista foi eleito um dos 100 maiores brasileiros de todos os tempos.

Ideais                                                                                                                                                                                                                                                      Chico Mendes acreditava que a melhor forma de cuidar e conservar o meio ambiente e a Amazônia era a partir da criação de reservas extrativistas de culturas nativas como o babaçú, ervas medicinais, borracha, guaraná e castanhas.                                             No entanto, suas ideias iam de encontro ao interesses dos grandes fazendeiros e pecuaristas da época que devastam a floresta da região. Mesmo com diversos inimigos, Mendes nunca se intimidou com as ameaças que sofreu.

A força do seu trabalho se vê nas incontáveis reservas, estátuas, bustos, institutos e parques espalhados por todo o Brasil que levam seu nome, além de prêmios internacionais como o Global 500, oferecido pela Organização das Nações Unidas (ONU), por sua luta em defesa do meio ambiente.

Reserva Extrativista Chico Mendes no Acre                                                                                                                                                                              Na reserva que fica na cidade do herói ambiental ainda é feita a exploração e comercialização de borracha e de óleo de copaíba. Além dessas atividades, a comunidade faz o manejo madeireiro comunitário e familiar.

A população da Reserva acreana stabeleceu uma parceria com a Secretaria de Esporte, Turismo e Lazer do Estado do Acre, visando a implantação de uma trilha ecológica na Unidade de Conservação, com foco no turismo.

Instituto Chico Mendes                                                                                                                                                                                                                          O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) é uma autarquia em regime especial vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e foi criado no dia 28 de agosto de 2007.

Cabe ao Instituto monitorar o uso público e a exploração econômica dos recursos naturais nas Unidades de Conservação. Na área de pesquisa, a instituição contribui para a geração e disseminação sistemática de informações e conhecimentos relativos à gestão de Unidades de Conservação, da conservação da biodiversidade e do uso dos recursos faunísticos, pesqueiros e florestais.

Fontes:
Diário Oficial da União
ICMBio

Preservação não deve considerar apenas as árvores

Especialista analisa proposta da USP de criar reservas para preservar vegetação de cerrado

campo no cerrado

Como podemos avaliar o valor da vegetação urbana? Essa pergunta é respondida na legislação ambiental considerando um fator básico, o tamanho da planta, que geralmente corresponde a árvores. Se pensarmos somente nos serviços ambientais, essa linha de pensamento é correta. Afinal, quanto maior o porte, maiores os serviços ambientais. Entretanto, em um país megabiodiverso como o Brasil, esse pensamento é no mínimo perigoso.

São Paulo, assim como outras cidades brasileiras, herdou um vasto patrimônio de fauna e flora, de grande biodiversidade, onde originalmente milhares de espécies conviviam em complexas interações ecológicas em diferentes paisagens como a Mata Atlântica, campos-cerrados, capões de araucárias e várzeas. Passados quase 500 anos de colonização, pouco sobreviveu dessa natureza ancestral, principalmente aquelas formas de vida que não apresentavam a beleza óbvia de uma grande árvore ou o esplendor da floresta tropical.

Um caso emblemático são os campos nativos, tipo de cerrado que nomeou a metrópole nos seus primeiros tempos de São Paulo dos Campos de Piratininga. Formada em sua maioria por arbustos e ervas de diferentes espécies, essa rica vegetação de estatura baixa segue desconhecida da maioria, relegada ao título de “mato”. Entretanto, dentro do contexto ecológico e histórico, suas plantas podem ter o mesmo valor que uma figueira centenária. Exemplos são as espécies sobreviventes nos cerradinhos da Universidade de São Paulo (USP), como o murici-do-campo, fruta-de-pomba, língua-de-tucano e muitas outras, que já ocuparam extensas áreas do Município e hoje estão restritas a populações ínfimas.

Detentoras de genética resultante da evolução milenar com as condições locais, plantas assim não são substituíveis por árvores ou exemplares de mesma espécie de outras regiões, sendo formações únicas que devem ser preservadas a todo custo para essas e as futuras gerações. É urgente mudarmos a concepção de que somente árvores são passíveis de valoração ambiental, sob pena de prosseguirmos com a perda de inúmeros tesouros vegetais desconhecidos. No Brasil, a biodiversidade deve ser uma premissa fundamental para o licenciamento de obras e suas diretrizes ambientais.

A USP acerta quando promove a criação de reservas para os últimos testemunhos dos antigos Campos do Butantã, onde se assenta originalmente o seu câmpus. Tombados e abertos ao público, esses campos-cerrados poderão ser considerados museus vivos da história, cultura e botânica paulistanas.

destruição do cerrado

A vegetação do Bioma do Cerrado, considerado em seu “sensu lato”, não possui uma fisionomia única em toda a sua extensão. Muito ao contrário, ela é bastante diversificada, apresentando desde formas campestres bem abertas, como os campos limpos de cerrado, até formas relativamente densas, florestais, como os cerradões. Entre estes dois extremos fisionômicos, vamos encontrar toda uma gama de formas intermediárias, com fisionomia de savana, às vezes de carrasco, como os campos sujos, os campos cerrados, os cerrados “sensu stricto” (s.s.). Assim, na natureza o Bioma do Cerrado apresenta-se como um mosaico de formas fisionômicas, ora manifestando-se como campo sujo, ora como cerradão, ora como campo cerrado, ora como cerrado s.s. ou campo limpo.

Ricardo Cardim* – O Estado de S. Paulo

PROJETO LIBERA MINERAÇÃO EM PARQUES E DE QUEBRA MUDA SNUC

NÃO ao Projeto de Lei 3.682/2012 defendida pela bancada da mineração no congresso.

Campo Gandarela - fev 2009

Projeto de Lei 3.682/2012 está pronto para ser votado na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados. Seu objetivo é abrir 10% das Unidades de Conservação de proteção integral à mineração. Em troca, os mineradores seriam obrigados a doar áreas com o dobro do tamanho das abertas à exploração comercial e com as mesmas características ecológicas e biológicas.
Durante a tramitação, o relatório de Gurgel sofreu modificações que transcendem a permissão de minerar em área protegida. Entre elas, o texto transfere o poder de criação de UCs de Proteção Integral para o Congresso Nacional. Dessa forma, altera a lei do SNUC (Sistema Nacional de Unidades de Conservação), que dá base a todo o sistema de áreas protegidas do país.
O acréscimo que mexe no SNUC foi inserido e modifica o artigo 22 do SNUC, o qual determina o Poder Executivo como responsável por criar Unidades de Conservação.
Santana é ligado à indústria de mineração. Ele já foi diretor da empresa RIMA Industrial S.A, entre agosto de 1998 a dezembro de 2010, e teve 70% da sua campanha para Deputado Federal paga por empresas mineradoras.

Santana também alterou o artigo 23 do SNUC, que trata da posse e do uso das áreas ocupadas pelas populações tradicionais nas Reservas Extrativistas e Reservas de Desenvolvimento Sustentável. Foi retirado os parágrafos que regulavam as atividades permitidas às populações tradicionais dentro das UCs de Uso Sustentável. A proibição à caça de animal ameaçado de extinção, por exemplo, desaparece.
Outra modificação importante foi dispensar lei específica para alterar — aumentar ou reduzir — o tamanho ou limites das Unidades de Conservação, contra o que dispõe o Inciso III do artigo 225 da Constituição Federal. Pelo relatório, desafetação de UC poderia ser feito por decreto presidencial.

parque da gandeleira

RETROCESSO TOTAL
Se for realmente aprovado estas alterações no SNUC, segundo especialistas será quase impossível criar um Parque Nacional no Brasil. Além de dizimar milhares de hectares de florestas nas áreas protegidas.

“LEIA COMPLETO:
http://www.oeco.org.br/reportagens/27801-projeto-libera-mineracao-em-parques-e-de-quebra-muda-snuc

Cupinzeiros Luminosos

Larvas de vagalume acendem os cupinzeiros do Parque das Emas.

Cupinzeiro iluminado por larvas de vagalume no Parque das EmasNo meio do Cerrado preservado do Parque Nacional das Emas, em Goiás, a escuridão absoluta das noites nos campos é quebrada quando chega a época das chuvas. Nesse período, que se inicia por volta de setembro, é possível observar um fenômeno cada vez mais raro: oscupinzeiros luminosos.

Isso acontece porque as larvas de vagalumes da espécie Pyrearinus termitilluminans ocupam os cupinzeiros para depositar seus ovos. Essas larvas, que se parecem com lagartas, cavam túneis na superfície da morada dos cupins, tomando o cuidado de deixar “janelas” voltadas para fora. À noite, elas se debruçam para fora dessas fendas, exibindo sua cabeça e tórax brilhantes para atrair e caçar insetos voadores.

De acordo com Vadim Viviani, líder do grupo Bioluminescência e Biofotônica na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) de Sorocaba, aparentemente esta relação é benéfica “tanto para os vagalumes, que têm uma casa garantida e uma forma de atrair presas abundantes nas proximidades do cupinzeiro, quanto para os cupins, que são facilmente atraídos na região do cupinzeiro”.

Vagalumes e poluição

Infelizmente, os cupinzeiros têm se iluminado cada vez menos no Cerrado. De acordo com Viviani, anteriormente grande parte das regiões próximas a Mineiros (GO) e Costa Rica (MS) era infestada por cupinzeiros colonizados por vagalumes. Hoje, esse fenômeno existe somente no Parque das Emas, que virou “uma ilha, isolada no meio de campos de soja”, segundo ele. Nos seus entornos não existem nem resquícios de cupinzeiros.

O pesquisador acredita que, no caso do Cerrados, a presença de grandes plantações de soja seja o principal responsável pela quase extinção dos cupinzeiros luminosos e por uma diminuição sensível das populações dos vagalumes, em geral.

O cultivo da soja destrói os habitats originais de cerrado de forma muito mais intensa do que as antigas pastagens, em meio às quais os vagalumes ainda conseguiam sobreviver. O uso de pesticidas e o aumento da iluminação artificial nos centros urbanos também são responsáveis pelo fato de existirem cada vez menos vagalumes.

Luciferase e Luciferina

A redução das populações de vagalumes não traz prejuízos apenas à biodiversidade, mas também à ciência e à medicina. Isso porque os vagalumes produzem naturalmente os compostos luciferase e luciferina, que são os responsáveis por seu brilho. Esses dois compostos podem ser retirados dos vagalumes em laboratório, de forma separada, e quando entram em contato um com o outro, eles permitem iluminar células e organismos vivos.

brilho é produzido por meio de uma reação química, na qual o substrato luciferina sofre oxidação quando entra em contato com a enzima luciferase. A reação de oxidação gera uma luz verde fluorescente. Não é difícil de imaginar como esse mecanismo natural beneficia vários campos do conhecimento, desde que começou a ser estudado, há mais de 50 anos.

Hoje, os compostos luciferase e luciferina são usados para fins médicos e industriais, como na medição de biomassa — ou seja, da massa total de organismos vivos em determinada área –, na identificação de contaminações e em diagnósticos médicos.

Quando a ciência conseguiu clonar o gene da luciferase de vagalumes, várias outras aplicações apareceram, nos campos da engenharia genética e biotecnologia, o que ajudou no desenvolvimento de antibióticos, quimioterápicos, marcadores ambientais, entre muitas outras utilidades. Hoje, a equipe do Professor Viviani trabalha na clonagem das luciferases da lanterna abdominal e torácica do vagalume adulto. Até então eles só haviam clonado as luciferases das larvas.

Artigo de Luciana Noronha é jornalista, formada pela Unesp-Bauru. Atualmente está concluindo sua Especialização em Divulgação Científica pelo Labjor-Unicamp.

Países devem banir mercúrio até 2020

Representantes de 140 países aprovaram neste mês, no Japão, o texto final da Convenção de Minamata das Nações Unidas. O tratado global foi negociado por quatro anos e estabelece medidas de controle e de diminuição do uso e da produção do mercúrio, substância altamente tóxica para a saúde e o meio ambiente e utilizada, sobretudo, na fabricação de vários produtos e em processos industriais. O nome da Convenção lembra o da cidade de Minamata, no Japão, palco de grave acidente que contaminou centenas de pessoas por mercúrio, na década de 1950.

Imagem
Quando for ratificado por pelo menos 50 países, o tratado entrará em vigor, algo que pode levar até quatro anos. Ao assinarem a Convenção, os governos concordam em banir até 2020 uma série de produtos que utilizam o mercúrio, como baterias, relés, pesticidas, lâmpadas fluorescentes, sabonetes e cosméticos, termômetros e equipamentos para medir pressão.

No Brasil, o mercúrio é usado principalmente para a mineração e é uma das maiores fontes de degradação ambiental, em que os danos causados são incalculáveis e de difícil reversão. “A atividade descaracteriza bacias, contamina e altera os cursos d´água, grutas e nascentes, provoca a destruição de florestas primárias e coloca a vida de trabalhadores e comunidades em risco”, explica Timmers

Além disso, a substância é inalada por mineiros e também acaba contaminando peixes que podem ser consumidos pelas pessoas. “Devido à importância do peixe na alimentação, principalmente na Amazônia, esse é um assunto de saúde pública, pois o mercúrio se acumula na cadeia alimentar, chegando a se concentrar em peixes carnívoros maiores, como no atum em Minamata no Japão”, comenta.


Mineração no Brasil
O WWF-Brasil ressalta que, além de ratificar a Convenção, o País deve adotar medidas para eliminar o garimpo ilegal de ouro e outras atividades que têm provocado contaminação ambiental e humana, especialmente na Amazônia, dentro e fora de unidades de conservação.

A aprovação da Convenção coincide com o envio pelo Governo Federal ao Congresso de um conjunto de projetos de lei para estabelecer um novo marco regulatório para a mineração no país. No pacote, uma proposta quer abrir parques nacionais e outras unidades de conservação de proteção integral para a mineração. Os documentos vão de encontro com a finalidade das UCs, criadas para proteger a biodiversidade, as fontes de água e outros serviços ambientais.

mais informações http://www.wwf.org.br/informacoes/noticias_meio_ambiente_e_natureza/?36702

Central do Cerrado – Produtos Ecossociais

Citizenship actions in the Cerrado biome

Rede MAIS Vida no Cerrado

O berço das águas corre perigo

biomas do cerrado

Citizenship actions in the Cerrado biome

WWF - Latest

Citizenship actions in the Cerrado biome

ISPN – Instituto Sociedade, População e Natureza

Citizenship actions in the Cerrado biome

Cerratinga

Citizenship actions in the Cerrado biome

Rede Cerrado

Citizenship actions in the Cerrado biome

Citizenship actions in the Cerrado biome

Museu do Cerrado

Citizenship actions in the Cerrado biome

Day by Day the Farm Girl Way...

Simple life on a little piece of land.

Cerradania

Citizenship actions in the Cerrado biome

Jim Caffrey Images Photo Blog

photography from the ground up

%d blogueiros gostam disto: