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Frutos do Cerrado geram renda para comunidades locais

O extrativismo vegetal sustentável é uma alternativa viável de agregação de renda para as comunidades locais aliada à segurança alimentar mundial e à conservação e respeito ao meio ambiente. Apesar desses benefícios, iniciativas produtivas encampadas por pequenos produtores e/ou povos e comunidades tradicionais, muitas vezes, não avançam devido à falta de divulgação de seus produtos e à dificuldade de alcançar os mercados regional e nacional.

 produção do extrativismo vegetal no Mosaico vem aumentando a cada ano e na última safra (2014/2015) foram produzidos e comercializados aproximadamente 17 toneladas de frutos nativos do Cerrado

produção do extrativismo vegetal no Mosaico vem aumentando a cada ano e na última safra (2014/2015) foram produzidos e comercializados aproximadamente 17 toneladas de frutos nativos do Cerrado


O WWF-Brasil, por meio do Programa Cerrado Pantanal, desenvolve desde 2010 ações no Mosaico Sertão Veredas Peruaçu (MSVP) com o objetivo de fortalecer as cadeias produtivas do extrativismo na região e conservação de um dos biomas mais ameaçados do país. As ações também buscam aumentar a conscientização e o entendimento com relação aos desafios que os pequenos agricultores enfrentam e ajudar a identificar maneiras eficientes de apoiá-los.
A produção do extrativismo vegetal no Mosaico vem aumentando a cada ano e na última safra (2014/2015) foram produzidos e comercializados aproximadamente 17 toneladas de frutos nativos do Cerrado e de quintais (não nativos, mas presentes na região), contribuindo diretamente para uma maior conservação do Cerrado e, ainda, agregação de renda para as comunidades locais.
Segundo Julio Cesar Sampaio, coordenador do Programa Cerrado Pantanal, os números representativos do extrativismo vegetal no Cerrado são resultado de uma maior estruturação na cadeia produtiva. “O potencial produtivo de cada comunidade é reflexo do planejamento das cooperativas e associações comunitárias da região”. As pessoas que estão trabalhando com extrativismo vegetal tem tido um acompanhamento nos últimos anos, o que tem assegurado um produto com maior qualidade, aliado a um aumento na produção, quando comparado a produção atual com à produção de alguns anos atrás.
“O extrativismo na região é uma atividade importante de geração de renda conciliada com a conservação ambiental. Antes os produtos eram processados nas casas das pessoas e hoje muitas comunidades já possuem pequenas unidades de processamento. Um grande desafio que ainda persiste está relacionado com o acesso aos mercados”, afirma Luiz Carraza, secretário geral da Central do Cerrado – Rede de Cooperativas e Organizações Comunitárias do Cerrado.

A Central do Cerrado tem buscado parceiros comerciais para tentar contratos que possam dar alguma segurança para fazer um planejamento de safra. Desta forma as cooperativas agroextrativistas e as associações comunitárias podem mobilizar seus integrantes para obter um bom resultado econômico num fluxo de produção continua e crescente.
Núcleo Pandeiros do Mosaico
Na última safra foram apresentados resultados importantes de produção e comercialização do extrativismo vegetal sustentável. A Cooperativa dos Pequenos Produtores Agroextrativistas de Pandeiros (COOPAE), que atua nesse núcleo, produziu e comercializou 800 kg de cajuí (cajuzinho do Cerrado) e quatro toneladas de polpa de pequi. Tudo isso comercializado com o apoio do Programa Nacional de Alimentação Escolar da Prefeitura de Januária. Também foram produzidos 1,6 tonelada de mel comercializado por meio da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) e uma grande quantidade de polpas de frutos do Cerrado, geleias e compotas comercializadas em feiras e eventos.

Núcleo Peruaçu do Mosaico
Apesar de ainda não existir uma cooperativa agroextrativista organizada foram produzidos e comercializados 800 kg de coquinho azedo, 500 kg de pequi, 176 kg de araticum e três toneladas de favela pelas associações comunitárias locais. São cerca de 200 famílias beneficiadas na região e a previsão de produção para a próxima safra é de duas toneladas de buriti em raspa; 12 toneladas de pequi em polpa; três toneladas de cagaita em polpa e três toneladas de cajuí.

Núcleo Grande Sertão do Mosaico
Nesta safra, a Cooperativa Regional Agrissilviextrativista Sertão Veredas produziu 1261 kg de coquinho azedo; 197 kg de acerola; 1664 litros de suco de laranja; 1133 kg de manga; 87 kg de tamarindo; 1660 kg de banana e 16 kg de goiaba. A produção total de frutos foi de 6,18 toneladas, sendo tudo destinado ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) Municipal e Estadual, que atende as Escolas Estadual e Municipal de Chapada Gaúcha e a Escola Estadual da Serra das Araras. Também foram produzidos 226 litros de óleo de pequi comercializados para a Empresa de Óleos Beraca, de Belém, no Pará, e 200 kg de coquinho azedo comercializados para o Empório Sitio Belo, de São Paulo.
“Fazendo uma analogia oportuna com uma árvore estamos na fase de tronco firme, raízes bem desenvolvidas e copa frondosa, porém ainda é necessário irrigar e adubar para que futuramente essa árvore busque água e nutrientes por conta própria e dê bons frutos. O extrativismo vegetal no Peruaçu tem um potencial enorme de crescimento. As comunidades estão em um nível de envolvimento surpreendente e os parceiros estão se doando incrivelmente nas ações. Temos um grupo forte que fará grandes transformações positivas”, explica Joel Araújo, da Fundação Pró Natureza, da equipe de assistência técnica e extensão rural Cerrado com apoio do Serviço Florestal.

Toda essa produção nos três núcleos do Mosaico beneficiam aproximadamente 2000 famílias e envolve uma rede de parcerias que conta com 12 prefeituras municipais da região do MSVP, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Instituto Estadual de Floresta de Minas Gerais, Central do Cerrado, Cáritas Diocesana, Funatura ATER Cerrado-FNDF, Serviço Florestal Brasileiro, Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas, entre outros.
WWF-Brasil no Cerrado
Desde 2010, o WWF-Brasil, por meio do Programa Cerrado Pantanal, desenvolve na região o Projeto Sertões. Em sua primeira fase (2010-2014), as ações do projeto estiveram centralizadas, principalmente, no incentivo à adoção de boas práticas de produção agropecuária (BPAs); à implementação e gestão integrada das unidades de conservação; à comunicação, visando à valorização e o resgate do Cerrado e o planejamento territorial, que busca o planejamento sistemático da conservação no Cerrado. A segunda fase do Projeto Sertões (2014/2018) prevê uma ampliação das linhas de ação, incluindo o fortalecimento do apoio ao extrativismo vegetal sustentável dos frutos do Cerrado.

Os trabalhos no MSVP são realizados em parcerias com as Cooperativas Agroextrativistas e Associações comunitárias do Mosaico, além de outras organizações não governamentais socioambientais e o governo. No último ano, à construção de uma unidade de beneficiamento de frutos do cerrado e frutos de quintais no Núcleo Peruaçu foi uma das ações implementadas mais importantes. Além disso, foi lançado o mapeamento do extrativismo de frutos no MSVP, apoio na contratação de mão de obra técnica para a produção e gestão no Núcleo Grande Sertão e realização de capacitações em Associativismo e Cooperativismo.

Segundo Valdomiro da Mota Brito, agroextrativista, as capacitações realizadas pelo WWF-Brasil e demais parceiros são de suma importância. Elas permitiram mudanças, principalmente, nas posturas das pessoas que passaram a acreditar que é possível agregar valor e fornecer renda para as famílias. “Os parceiros trouxeram experiência, informação e transformação. Por meio da unidade de beneficiamento podemos vender e produzir durante todo o ano”.
Mosaico Sertão Veredas Peruaçu
O Mosaico Sertão Veredas Peruaçu é composto por um conjunto de áreas protegidas localizadas na margem esquerda do rio São Francisco, entre as regiões norte e noroeste de Minas Gerais e parte do sudoeste da Bahia. Possui uma área de aproximadamente 1,8 milhão de hectares, representando a porção de Cerrado mais conservada no estado de Minas Gerais, envolvendo unidades de conservação estaduais, federais e particulares, comunidades quilombolas, terras indígenas Xakriabás, populações extrativistas e áreas de produção agropecuária. Região com belezas cênicas e humanas que inspiraram João Guimarães Rosa a escrever uma das maiores obras de nossa literatura, Grande Sertão: Veredas (1956).
http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/areas_prioritarias/cerrado/noticias/?46862/Frutos-do-Cerrado-geram-renda-para-comunidades-locais

Caracterização da biodiversidade de Chapada dos Guimarães – MT.

Em Chapada dos Guimarães, a situação natural presente, é o resultado de uma interação de fatores, sendo que o ” status ” da fauna, depende de atributos geomorfológicos, climáticos, hídricos, edafológicos e vegetacionais.
Foto de Chapada dos Guimarães é cortesia do TripAdvisor.

A ocupação desordenada feita por atividades agropastoris e mesmo a crescente visitação turística, estão modificando drasticamente os habitats naturais e provocando um declínio acentuado da diversidade biológica. De acordo com os diferentes ambientes que caracterizam a paisagem das árvores, bem como a composição florística e arranjamento espacial das espécies vegetais, propicia que se estabeleça uma fauna ainda rica e variada; isto se dá porque a mobilidade da fauna permite um deslocamento entre os diferentes ecossistemas onde estejam disponíveis as condições básicas para sua sobrevivência, principalmente aquelas referentes à satisfação das necessidades alimentares e reprodutivas. No entanto, os gradientes vegetacionais na região, do campo limpo ao cerradão, incluindo cordões de mata ciliar, vegetais e paredões rochosos, apresentam também, uma fauna que lhe são próprias, das quais as espécies podem ser apresentar mais ou menos dependentes. Isto torna Chapada dos Guimarães, um ambiente singular, onde o campo de estudo de bioecologia representa um fascínio aos pesquisadores e curiosos.
CARACTERIZAÇÃO DA FAUNA NA CHAPADA DOS GUIMARÃES
Para uma avaliação faunística dentro do projeto ” caracterização e diretrizes gerais de uso da região de Chapada dos Guimarães -MT”, seriam necessário no mínimo dois anos de observação para uma conclusão aceitável no meio científico.  A fauna da região da Chapada dos Guimarães constitui-se de elementos provenientes da região Amazônica e das áreas abertas que cercam, os cerrados. Essa região é um dos refúgios pleistôcenicos do Brasil segundo Hafer 1967, tendo por isso, importante valor zoogeográfico. A fauna invertebrada (que compõe bem mais de 90% das espécies animais) tem uma grande tendência de acompanhar os vegetais, dos quais ele depende dos seus alimentos muito específicos, na sua riqueza e abundância. Assim, não é de estranhar que a variedade de invertebrados, especialmente insetos na Chapada de Guimarães é mais rico de que em qualquer outra região neotropical. Em certas épocas menos chuvosas do ano a abundância de insetos e especialmente lepdópteros, é tanta, e sua sede é de tal forma, que chegam a formar verdadeiras pilhas acima de qualquer fonte de umidade, como estrume fresco de vaca; algumas espécies de lepdópteros diurnos ou crepusculares, maiores e muito coloridas, são freqüentemente encontradas no chão dentro da floresta, onde pousam durante horas sugar a umidade das fezes humanas ou caninas. Mais interessante ainda é o fato que esta riqueza é composta de mistura da fauna vinda dos quatros lados da Chapada: das bacias do Rio Amazonas e do Rio Paraguai, dos Andes da Bolívia e do Peru, a da Mata Atlântica Brasileira, através da Chapada Goiana. Assim, forma-se uma zona de transição e polimorfismo que participa dos caracteres zoogeográficos das regiões faunísticas adjacentes, constituindo-se um verdadeiro laboratório contemporâneo de mistura e evolução de espécies e formas. Os estudos genéticos que poderiam ser visualizados dentro de populações polimórficas na Chapada, como por exemplo a do lepdóptero Mechanitis Lysemia que já recebeu o nome de connectens, simbolizando a posição intermediária da população), são quase infinitas e de grande significação evolucionária. É provável que especialistas em quase quaisquer campos da zoologia invertebrada achariam na Chapada uma riqueza e variabilidade excepcional das espécies nos seus grupos de estudos. Do mesmo modo, os vertebrados na Chapada são excepcionalmente abundantes e variados, embora talvez menos que a região do Pantanal. Aves de tamanho médio e grande, inclusive emas, seriemas, gaviões, pica-paus grandes, tucanos e garças, são freqüentemente vistos, e espécies, muito perseguidas em outros lugares como perdizes, mutuns, araras, papaguaios-amazonas, jacus e urus, inhanbus, juritis e outras pombas, fringilídeos cantadores como curiós e bicudos, ainda habitam as matas da Chapadas em quantidade. Uma profusão de plantas e de invertebrados certamente contribui para esta abundância de aves insetívoras ou frugívoras; a cadeia natural de alimento e predação estende-se faz inevitavelmente para cima, nos animais mais evoluídos. Entre os mamíferos comuns na Chapada, sente – se uma falta em macacos (apenas mico e macacos pregos são mais freqüentes); jacarés e onças grandes são infreqüentes hoje em dia. Isto seria esperado numa região biogeográfica. Esta riqueza e variedade são mais evidentes nas plantas e nos invertebrados, mais a região também abriga boas quantidades de animais maiores inclusive algumas espécies já quase extintas no território brasileiro. É de interesse acrescentar que tanto a Serra dos Parecis ao Noroeste da Chapada, como a Serra do Roncador ao Noroeste da Chapada, parecem ser muito pobres em animais e plantas com relação á Chapada dos Guimarães. As razões para este contrastes são desconhecidas. Porém é fácil de verificar que nestas serras faltam regiões acidentadas extensas que são principalmente em mata, como a bacia da cabeceira do Rio Coxipó. Das 100 espécies de mamíferos descritos para o cerrado (Fonseca e Redford, 1986), 41 são roedores, 21 de carnívoros, 13 de marsupiais, 06 de primatas 01 de lagomorfos e 01 de perissodáctilos, agrupados em 67 gêneros. Espécies mais representativas de ocorrência comprovada na área de Chapada dos Guimarães. Didelphis abbiventris Gambá – de orelha branca Didelphis marsupialis Gambá – de orelha preta Philander opussum Cuíca verdadeira Agouti paca Paca Dasyprocta sp Cutia Cavia aperea Preá Hidrochaeris hydrochaeris Capivara Coendou prehensilis Ouriço caxeiro Cerdocyon thous Cachorro do mato comum Chrysocon brachyurus Lobo guará Felis pardalis Jaguatirica Felis yagouroudi Gato maurisco Felis sp Gato do mato Eira barbara Irara Gallictis cuja Furão Nasua nasua Quati Procyon cancrívorus Guaxim Felis Weidi Maracajá Priodontes Maximus Tatu Canastra Dasypus Novencinctus Tatu Galinha Euphractus sexcinctus Tatu peludo Tamanduá tetradactyla Tamanduá mirim Mymecophaga tridactyla Tamanduá – Bandeira Tapirus terrestris Anta Mazama gouazoubira Veado – Catingueiro Mazama sp Veado Tayassu tajacu Cateto Alouatta caraya Bugio preto Cebus apelha Macaco – prego Cellithrix argentada Sagui Felis concolor Onça parda Panthera onca Onça pintada Lutra sp Lontra Ozotocerus bezoarticus Veado-Campineiro Duscyon vetulus Rapozinha
AVIFAUNA
Das 24 ordens registradas no território brasileiro, 20 estão presentes na área de influência direta e compreendem 45 famílias e 220 espécies. Listagem das espécies mais representativas na área de Chapada dos Guimarães.
RÉPTEIS – Na região : Chelonia . Testudinidae é frequente nesta família encontrar os jabotis: Geochilona carbonaria.Gekkonidae – é encontrada em casas e taperas abandonadas, muito frequentes á noite.Iguanidae – da fauna herpetológica de cerrados os iguanídeos tem se destacado com altas ocorrências, cabendo a supremacia dos tropidurus. Nas matas de galeria, ou próximo aos cursos de água, o Iguana iguana é o grande representante desta familia, além de Hoplacercus spinosos e Anoles sp. Sincidae – ainda em áreas sombreadas encontra-se os Mabuya sp. 1.5 – Teidae – dos lagartos terrestres, estes interessantes fossadores são vistos com frequência, principalmente em clareiras onde a espécies Ameiva ameiva é bastante encontrada em áreas de transição com vegetação mais densa.
A fauna ofídica está representada por vários exemplares de Crotalus durissum terrificus e, vale afirmar, que a ocupação maciça do cerrado com exploração agricola tem funcionada como agente concentrador destes importantes Crotalídeos;  O gênero Boa é marcado principalmente pela presença de Boa constrictor, sendo observado muito raramente. Boa constrictor amarali, a Salamdra Epicrates cenochria, cobra de grande beleza.
Consequencias
Muitas espécies estão ameaçadas e, inclusive, que restringe e até mesmo proíbe a comercialização e o tráfico de peles e animais vivos. Entre estes animais, podemos comecar citando o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) que ocupa os cerrados, onde há elevadas concentrações de cupins; certamente, as populações encontram-se em decadência, pois apesar de terem hábitos noturnos, raramente são observadas no ambiente de forma direta, mas comprova-se sua ocorrência através de rastos geralmente visualizados. Outro animal da classe edentada ameaçada de extinção, é o tatu-canastra (Priodontes maximus). O lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), apesar de ter a população aparentemente maior que a do taundúa-bandeira, é um animal de diícil visualização. Raríssima de ser observada, a lontra (Lutra Longicaudis) é muito exigente em relação ao seu habitat, não tolerando muitos disturbios ambientais. Sua ocorrência poderá ser comprovada na região das cabeceiras do rio Aricá-Açu. Certamente, os grandes felinos são os animais que mais vêm sofrendo com a ação antrópica, seja pela ocupação indevida das áreas de preferência destes animais seja atividade de caça que cada vez mais ameaça essas populações. A onça-parda (Felis concolor) e a pintada (Panthera onca)possuem populações pequenas, seriamente ameaçadas de extinção, ocorrendo em áreas ainda intocadas, protegidas, contendo matas de galeria. A Jaguatirica (Felis pardalis), encontra-se em vias de desaparecimento;muitas peles de pequenes gatos também vêm sendo encontradas, como o morisco ` (Felis yagouaroundi),de hábitos diurnos o maracajá (Felis weidii) de hábitos noturnos, demonstrando que sofrem uma pressão significativa de caça. Ainda em vias de desaparecimento está o veado-campeiro (Ozoteceras bezoaticus)que, vivendo em areas de cerrado aberto e veredas, é ativamente caçado com o auxílio de cães. Nas bordas dos paredões e até mesmo sobrevoando os céus da pequena cidade, um casal de araras vermelhas (Arachoroptera) passa vocalizando sob nossos cabeças. Outras aves de significativa importância , encontradas na região que abrage os monumentos ecológicos propostos para serem caracterizados neste projeto, são: gavião-real (Harpia harpyja), o mutum (Grax fasciolata), a jacutinga (Pipile pipili) e o gavião-de-penhaço (Spizaetus ornatus). Quando a ictiofauna, levantamentos realizados durante o projeto de pesquisa ecolólica na região do Polonoroeste, efetuados por F. Machado, principalmente nas cabeceiras dos rios Claro e Mutuca. Foi observada uma espécie nova de Leporinus dentre as coletadas e também uma ocorrência difícil de explicar do gênero Pseudocetopsis pertencente á familia Cetopsidae.
Baseado no trabalho de CLAUDIA TASSO CALIL Outubro/89 CUIABÁ MT. JÚLIO DALPONTE ( Biologia-FEMA), ROSÂNGELA E JERRY (estagiários da UFMT).

Lavrado de Roraima, Brasil em sua intensa biodiversidade

foto aerea do lavrado.       Impressionante imagem na Amazonia

Com um ecossistema único, o lavrado, uma grande área aberta que à primeira vista parece um descampado. Um capinzal quase sem vida. Mas não é isso não. Em torno da lagoa temporária, formada somente pela chuva, encontra-se capivaras, jacaré, tuiuiú, garças, patos, marrecos. Centenas de aves, talvez milhares. As aves aquáticas dependem desse ambiente para se alimentar e descansar. Muitas são migratórias, vêm da América do Norte.
O lavrado é assim: às vezes exuberante, às vezes, envergonhado. Com atrações, basta treinar o olhar.
A única maneira de ver a dimensão do lavrado é subindo em pedras para chegar lá em cima sem a ajuda de equipamentos, só escalando.

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anomaloglossus-tepequem Este pequeno anfíbio, ao ser apresentado à comunidade científica, já está provavelmente extinto, segundo os pesquisadores.


Rã negra (Oreophrynella quelchii) – endêmica do Lavrado


É um imenso bloco de granito bem no meio do lavrado. O formato às vezes lembra um cogumelo gigante, às vezes a cabeça de uma baleia. É uma escultura que a natureza levou milhões de anos pra lapidar.   Nesta região encontram-se atrações turísticas como os Buritizais que margeiam os rios, os Cavalos Lavradeiros em toda a extensão dos Lavrados do Maruai, a revoada de garças às margens dos muitos lagos da região, a mística Pedra Pintada e ainda se pode ver o tamanduá bandeira em sua busca de alimentação.

jardim de plantas carnivoras- endemicas da região

Um patrimônio fantástico da nossa pré-história, dentro das terras dos índios Macuxis. A pedra pintada já serviu de moradia e abrigo para os primeiros habitantes do que hoje é o estado de Roraíma. Eles deixaram muitos sinais: as inscrições, que têm resistido ao sol e à chuva, foram feitas com uma mistura de rocha avermelhada, triturada, água e gordura animal. As mais antigas, dizem os arqueólogos, são de três mil anos. Não bastasse a paisagem, ainda mais linda no fim de tarde, a pedra pintada dá um outro presente. Os portugueses levaram cavalos para lá no período colonial.                                                   O lavrado de Roraima, uma das áreas abertas mais extensas do domínio morfoclimático amazônico no Brasil, tem uma rica diversidade de espécies de anfíbios e répteis distribuída nos hábitats regionais deste ecossistema. A maior área de campos naturais da Amazônia, o Lavrado de Roraima, é um ambiente , que apesar das semelhanças com o Cerrado do Planalto Central, possui fauna e flora específicas.O número estimado por quilômetro quadrado de plantas é quatro vezes maior do que as savanas do Centro-Oeste brasileiro. São mais de 600 espécies animais registradas, muitas delas exclusivas desta região. Mesmo com a ameaça da expansão do agronegócio pairando sobre estes ricos ecossistemas amazônicos, ainda não existe um hectare sequer de área protegida nos 4 milhões de hectares de campos naturais em Roraima.
Apesar de parecido com a paisagem do Centro-Oeste, os campos naturais de Roraima possuem uma diversidade estimada de espécies de plantas por quilômetro quadrado maior que a do cerrado (0,0125 espécie/km2 contra 0,0032 espécie/km2). Isto é por conta da maior extensão em área dos cerrados do Brasil Central, que dilui a densidade de espécies por unidade de área. Entretanto, o lavrado está no Hemisfério Norte, cercado pela Floresta Amazônica e pelo Planalto das Guianas, o que confere à paisagem características e evolução natural únicas.
“Cerca de 210 espécies de aves ocorrem no lavrado”, segundo a proposta de criação do parque. Exemplos de endemismos são o joão-da-barba-grisalha (Synallax kollari) e o chororó-do-rio-branco (Cercomacra carbonaria), que estão na lista da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza) de espécies ameaçadas. Entre as 158 espécies de cobras e lagartos registradas em Roraima, 76 delas ocorrem no lavrado, em muitos casos exclusivamente.
A criação do parque não garante a preservação de toda a diversidade existente no lavrado de Roraima, apenas uma amostra desta região especial, não só do ponto de vista ecológico, mas também histórico. A ocupação do extremo norte brasileiro está relacionada à criação extensiva de gado, trazido pelos portugueses no século XVIII e que mais tarde abasteceu o mercado de Manaus no auge do período da borracha, entre 1890 e 1910.

João de Barro de barba ( Synallaxis kollari) Foto de Arthur Grosset

As matas de galeria que seguem alguns dos rios que cortam o Lavrado são o único hábitat de um simpático passarinho, o joão-de-barba-grisalha, Synallaxis kollari, (foto abaixo). A espécie, descrita a partir de cinco exemplares coletados em 1832 pelo grande naturalista Johann Natterrer, passou mais de 100 anos sem registros até ser redescoberta na década de 1950. MONTE RORAIMA: UMA ILHA NO CÉU
Há todo tipo de ilhas, não necessariamente cercadas de água, e o Monte Roraima é uma delas. Quem vem da savana distingue um bloco só, rocha única e descomunal rodeada de planície por todos lados, que parece ter brotado do chão como se fosse a crista de alguma cordilheira subterrânea. É uma montanha esquisita, vale dizer, sobretudo porque, em vez de um vértice como cume, o que existe é um platô, extenso e achatado, que as escarpas íngremes suspenderam 500 metros acima do solo. Para os homens, não existe caminho que leve ao topo senão um só, e ele exige ao menos dois dias de caminhada. Uma vez lá em cima, a sensação de isolamento se agrava. Primeiro, pelas pedras das mais estranhas formas que habitam o lugar, coisa que nem parece deste mundo. E também porque, quando o tempo esquenta, as nuvens equatoriais encostam nos penhascos e envolvem de tal modo a montanha que em tudo ela se assemelha a uma ilha, só que pendurada no céu, abraçada por um oceano de névoa.
O Monte Roraima é uma montanha localizada na América do Sul, na tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana. Constitui um tepui, um tipo de monte em formato de mesa bastante característico do Planalto das Guianas. Delimitado por falésias de cerca de 1.000 metros de altura, seu platô apresenta um ambiente totalmente diferente da floresta tropical e da savana que se estende a seus pés. Assim, o alto índice pluviométrico promoveu a formação de pseudocarstes e de numerosas cavernas, além do processo de lixiviação do solo.
A flora adaptou-se a essas condições climáticas e geológicas com um elevado grau de endemismo, onde encontram-se diversas espécies de plantas carnívoras – que retiram dos insetos capturados os nutrientes que faltam no solo.
A fauna também é marcada por um acentuado endemismo, especialmente entre répteis e anfíbios. Esse ambiente é protegido no território venezuelano pelo Parque Nacional Canaima e no território brasileiro pelo Parque Nacional do Monte Roraima. Seu ponto culminante eleva-se no extremo sul, no estado venezuelano de Bolívar, a 2810 metros de altitude. O segundo ponto mais alto, com 2772 metros, localiza-se ao norte do platô, em território guianense, próximo ao marco de fronteira entre os três países.
O monte serviu como fonte de inspiração para a ficção do inglês Arthur Conan Doyle escrever O Mundo Perdido, que narra às aventuras de um jornalista e um professor de ciências na região dos tepuis.
Em sua estrutura fisiológica, esta região pertence ao conjunto de paisagens denominadas de mosaicos de manchas, isto porque possui uma matriz dominante, formada pelos campos de gramíneas e ciperáceas; manchas de ilhas de mata, lagos e manchas antrópicas; e extensos corredores que entrecortam essa matriz em muitas áreas, formados não somente pelas veredas de buritizais e matas de galerias, mas também pelas estradas que mobilizam a população dos municípios que pertencem a essas áreas. Além disso, em se tratando de localização estratégica e geopolítica do Estado, é na paisagem do lavrado que os principais fluxos econômicos e culturais precisam atravessar de um corredor amazônico ao caribe venezuelano de Sul ao Norte e também na fronteira com a Guiana em sua porção Nordeste.
Baseado: artigo de BARBOSA, R.I.; CAMPOS, C.; PINTO, F.; FEARNSIDE, P.M. 2007. The “Lavrados” of Roraima: Biodiversity and Conservation of Brazil’s Amazonian Savannas. Functional Ecosystems and Communities, 1(1): 29-41.  http://acaminharpor.blogspot.com.br/2012_04_01_archive.html

APAs: o elo fraco da proteção

As Áreas de Proteção Ambiental (APAs) foram criadas para funcionar como zonas de amortecimento – espécie de cinturão – em torno de Unidades de Conservação (UCs) integral, como os parques nacionais, por exemplo. No entanto, a prática fez delas o “elo fraco” quando se fala em proteção dos recursos naturais, opina o biólogo Reuber Brandão, coordenador do Laboratório de Fauna e Unidades de Conservação, da Universidade de Brasília (UnB).

A APA é uma das sete categorias de uso sustentável no Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), definido na Lei nº 9.985/2000. O SNUC reúne o conjunto de UCs federais, estaduais e municipais com objetivos específicos e diferenciados quanto à forma de proteção e seus usos permitidos. Pela lei, uma APA pode ser de terras públicas ou privadas.

“Elas são muito permissivas e acabam se tornando apenas uma UC de papel”, disse ao Blog do Observatório de UCs. “A maior parte delas não tem administração eficiente, conselho gestor ou chefe nomeado e não contam com plano de manejo que deve estabelecer o zoneamento. Isso enfraquece seu papel no controle da ocupação do território”, argumenta.

Segundo Brandão, as Áreas de Proteção Ambiental perdem sua funcionalidade por serem ineficientes na hora de conter o avanço de atividades que degradam o meio ambiente. Até indústrias podem ser instaladas, algo que só depende do seu órgão gestor.

As APAs podem ser, de fato, efetivas, quando conseguem estabelecer zonas de vida silvestre e áreas voltadas para a manutenção da paisagem natural. Brandão observa que, quando há um envolvimento da comunidade no Conselho Gestor, é possível que o planejamento da UC seja melhor.

“Mas não conheço bons exemplos. Apenas o Distrito Federal tem, pelo menos, cinco APAs e nenhuma delas conseguiu limitar a criação de novos bairros. Os conselhos gestores acabam sendo loteados entre órgãos governamentais e setores da sociedade que não têm interesse na conservação”, reclama.

Imbróglio na Chapada

Um caso na Chapada dos Veadeiros, em Goiás, ilustra bem a situação. O imbróglio tem tomado conta da APA do Pouso Alto, uma UC estadual em Goiás. A APA engloba Alto Paraíso de Goiás, Cavalcante, Colinas do Sul, Nova Roma, São João da Aliança e Teresina de Goiás.

Criada por meio do Decreto Estadual no 5.419, em 2001, a Área Protegida tem 872 mil hectares e, por estar no bioma Cerrado, é considerada um hotspot. Isto é, uma área prioritária para conservação rica em biodiversidade, porém ameaçada.

O problema é a aprovação do plano de manejo que está em discussão desde 2005. “A versão mais recente sofreu manipulação de um grupo que domina o Conselho Consultivo e é comprometido com interesses da agroindústria. O grupo propõe pontos que podem causar ameaças irreversíveis”, explicou Marcus Saboya, da ONG Rede de Integração Verde ao Blog do Observatório. Saboya integra o Conselho Consultivo como representante da sociedade civil.

O ambientalista define a situação como “uma queda de braço” entre grupos econômicos e segmentos ambientais. As grandes pressões sobre a APA são a agricultura industrial de soja e milho, além do plantio de eucaliptos, cultivo de transgênicos e uso intensivo de agrotóxico.

A versão do plano de manejo que espera ser votada prevê a facilidade de desmatamento de 100 hectares em áreas mais sensíveis sem a necessidade de estudos, “uma licença praticamente automática”, criticou. “A APA ficaria a mercê do código florestal estadual de Goiás que virou um corredor da soja. Será permitida a pulverização aérea de agrotóxicos dentro da APA. Com o tempo, irá contaminar as nascentes”.

Outra preocupação para o ambientalista é proteger os campos de altitude acima de 1.200 metros. “Estamos sem nenhuma proteção dessas regiões de nascentes”, reclamou.

A esperança, anunciou Saboya, é a interferência do Ministério Público, que pediu vistas da documentação para verificar a legitimidade e legalidade do Conselho Consultivo e da Procuradoria Geral da República, que já instaurou inquérito civil público para acompanhar o processo.

Na opinião de Reuber Brandão, o estado de Goiás tem uma “mentalidade ruralista” tendo a Chapada dos Veadeiros como a última fronteira dos grandes empreendimentos agrícolas.

“É um perfil vândalo de degradação e não de desenvolvimentista dessa APA. Este padrão de uso dos recursos naturais já colocou várias UCs de Goiás em estado de calamidade”, denunciou.

Este texto é original do blog Observatório de UCs, republicado em O Eco através de um acordo de conteúdo.

Encontro da Rede Agrobiodiversidade do Semiárido Mineiro

O Evento irá discutir a manutenção da agrobiodiversidade utilizada e conservada pelos agricultores/as como estratégia de fortalecimento da segurança e da soberania alimentar.

flor do Paubrasil

flor do Paubrasil

No período de 14 a 16 de outubro, será realizado “Encontro da Rede de Agrobiodiversidade do Semiárido Mineiro e a Feira de Sementes Crioulas”, no Solar dos Sertões, na Praça da Matriz. O evento tem como objetivo fazer uma avaliação das ações realizadas pelas organizações previstas no plano de Agrobiodiversidade e atualização das estratégias de implementação e os lançamentos: da Revista “Agrobiodiversidade: Uso e gestão compartilhada no Semiárido Mineiro” e do vídeo “Sementes da Geração”. Estarão presentes as organizações, pesquisadores, agricultores/as, estudantes que participaram na construção do documento e convidados.

“A expectativa é que a feira de sementes crioulas seja um espaço de troca de sementes e conhecimentos, e ainda alertar para importância da alimentação saudável por meio da Agroecologia, interagindo com o Dia Mundial da Alimentação. Ainda o espaço será para articulação e planejamento de ações estratégicas da Rede de Agrobiodiversidade do Semiárido Mineiro. A expectativa é que a sociedade seja mobilizada sobre a importância da Agroecologia para garantir uma alimentação saudável e para acabar com a fome no mundo. Além de garantir o planejamento das ações da Rede de Agrobiodiversidade do Semiárido Mineiro a luz do Plano de Agrobiodiversidade para o próximo ano”, explica a técnica e agrônoma, Anna Crystina Alvarenga.

Com a construção do plano de Agrobiodiversidade foram criados produtos de comunicação – a Revista “Agrobiodiversidade: Uso e gestão compartilhada no Semiárido Mineiro” e o Vídeo “Sementes da Geração”, esses produtos foram elaborados a partir de um esforço conjunto de agricultores/as, Guardiões e Guardiãs da Agrobiodiversidade, pesquisadores, técnicos e estudantes que se reuniram durante um ano com objetivo de perguntar, ouvir, refletir e sistematizar como a Agrobiodiversidade estava sendo manejada em diferentes contextos: ecológicos, culturais e econômicos pelos agricultores/as familiares, Povos e Comunidades Tradicionais do Semiárido Mineiro. A realização desse trabalho foi possível a partir do apoio do Tratado Internacional sobre os Recursos Fitogenéticos para a Alimentação e Agricultura – TIRFAA  e pelo Fundo de Distribuição de Benefícios – FAO, que financiou o projeto Uso e gestão compartilhada da (agro)biodiversidade pelos povos e comunidades tradicionais do semiárido de Minas Gerais como estratégia de segurança alimentar e de redução de riscos climáticos.

Programação Cultural

A partir de 20 horas:- 14/10 Bruno e Fabiana- 15/10 Herbert Lincoln

 

Fonte: CAA/NM (14/10/2014)

Deputados criam frente para atacar unidades de conservação

Cachoeira no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás. O parque é um dos poucos no cerrado, um dos ecossistemas mais desprotegidos do país (Foto: Edimilson Sanches/ Wikimedia)

Cachoeira no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás. O parque é um dos poucos no cerrado, um dos ecossistemas mais desprotegidos do país (Foto: Edimilson Sanches/ Wikimedia)

Por mais que queiramos não conseguimos entender o porquê e o para quê de uma frente parlamentar criada com a assinatura de 240 deputados do nosso legislativo e registrada dia 22 de abril deste ano para:

“Art. 2° A Frente Parlamentar é instituída para o cumprimento das seguintes finalidades:
I – acompanhar, propor e analisar proposições e programas que disciplinem todos os assuntos referentes ao reassentamento involuntário em áreas protegidas;
II – divulgar os problemas causados pela criação de áreas protegidas, notadamente, unidades de conservação e terras indígenas às populações residentes nas áreas a serem desapropriadas antes da criação da Área Protegida;
III – acompanhar as ações a serem empreendidas pelo Poder Público no sentido de proteger os direitos dessas populações;
IV – realizar encontros, simpósios, seminários, debates e outros eventos, com vistas a aventar as medidas legislativas necessárias a uma rápida resolução dos conflitos fundiários;
V – articular e integrar as iniciativas e atividades da Frente Parlamentar com as ações de governo e das entidades da sociedade civil;
VI – promover a divulgação das atividades Frente Parlamentar em Defesa das Populações Atingidas por Áreas Protegidas (Unidades de Conservação e Terras Indígenas), no âmbito do Parlamento e junto à sociedade.
Art. 3° A Frente será composta por Deputados Federais e representantes de entidades da sociedade civil que subscreverem termo de adesão a este Estatuto.”

Não passa pela nossa cabeça que este fato tenha realmente ocorrido, mais parece um horrível pesadelo.  O requerimento 10.028/2014 foi apresentado pelo deputado Weverton Rocha. É um enorme pesadelo para os ecólogos, cientistas, profissionais e demais técnicos, ou de ambientalistas da área. Nunca um país democrata, considerado relativamente adiantado e desenvolvido, assistiu uma excrecência destas. Mas parece que em nosso país pode tudo.
A começar pelas justificativas da proposta inicial, se é que há justificativas para deter ou extinguir unidades de conservação, ou áreas protegidas, como queira, os erros e enganos, típicos de quem não entende do assunto e da legislação em vigor, são gritantes:

1. É afiançado que o Brasil possui o maior número ( o grifo é nosso) de áreas protegidas, dentre todos. Esta verdade não existe se for bem explicitada: a) reservas indígenas ou áreas indígenas não são unidades de conservação ou áreas protegidas, como querem esses deputados; b) RPPNs são particulares.
2. Além do mais o que realmente interessa é a extensão das mesmas e, em termos relativos, o Brasil possui menos de 10 % de sua extensão territorial em unidades de conservação, ocupando um dos últimos lugares entre os países democratas e mais desenvolvidos;
3. É afiançado que se quer evitar as indesejadas e violentas remoções de populações locais. Provem em qual unidade de conservação ou área protegida este fato ocorreu no Brasil.
3. Leiam a Lei em vigor sobre o Sistema Nacional de Unidades de Conservação ( SNUC). É a lei 9985 de 2000, que institui o sistema. Não se consideram legalmente no sistema como categorias de unidades de conservação as reservas indígenas, parques indígenas ou áreas indígenas. As populações indígenas tampouco aceitaram estar no sistema nacional. Com razão, pois essas populações têm uso direto dos recursos naturais, conforme previsto pela Constituição em suas reservas, sem as restrições impostas pelas categorias de manejo previstas no SNUC.

O Brasil já é o campeão de extinção e recategorização de áreas protegidas ou unidades de conservação. Uma recente publicação nos demonstra que nosso país perdeu 5,2 milhões de hectares de unidades de conservação nos últimos anos “igual à extensão de Costa Rica”. Isso graças à extinção ou recategorização de nossas unidades de conservação legalmente estabelecidas.

O que mais desejam os deputados de nosso país? Acabar com todos os parques nacionais? Dar as terras de nossos museus vivos em troca de votos? Não entendem que a agricultura, a pecuária, a medicina, a indústria em geral, precisam desesperadamente de nossa biodiversidade protegida em unidades de conservação, além dos serviços ambientais, em especial os recursos hídricos?

O que vão fazer a classe científica, as universidades afins, as ONGs com esta nova bomba?As últimas políticas públicas mostram claramente um enorme retrocesso da área ambiental, nunca visto em um país sem guerras. O que aconteceu para que falhássemos tanto? Não conseguimos, nós, os profissionais da área, motivar nossos compatriotas para impedir que tudo vá para o ralo. Esta nova ameaça desta frente parlamentar de inquérito do Legislativo, onde estão situados os humanos que nos representam, deverá nos empurrar mais celeremente para o ralo a que me refiro.
Reportagem de Maria Tereza Jorge Pádua é Engenheira agrônoma, presidente da Associação O Eco, membro do Conselho da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza e da comissão mundial de Parques Nacionais da UICN.

Biologia da Conservação: O que é uma espécie bandeira

Biologia da Conservação  estuda o estado da biodiversidade no planeta com o objetivo de proteger as espécies e ecossistemas da extinção provocadas por atividades humanas. Neste campo há o entendimento de que não é possível arrecadar subsídios suficientes para proteger e criar projetos de conservação para todas as espécies de uma área, muito embora todas as espécies tenham valor e sejam merecedoras de proteção.

A solução que garante uma proteção ao mesmo tempo abrangente e economicamente viável está no conceito de espécie bandeira (ou flagship species, em inglês). Surgido nos meados dos anos 80, no âmbito dos debates sobre a forma de priorizar espécies para a conservação, este conceito sustenta que ao elevar o perfil de uma determinada espécie, é possível angariar, com sucesso, mais apoio para a conservação da biodiversidade em geral. Em outras palavras, ao chamar a atenção da população à situação de perigo de determinada espécie mais carismática, todo o ecossistema ao seu redor (incluindo as demais espécies, menos carismáticas) têm mais chances de serem preservados.

Espécies bandeira podem ser selecionadas de acordo com diferentes características, dependendo do que é valorizado pelo público que tentam atingir, engajando-o na conservação do meio ambiente. Em geral, são escolhidas pela sua atratividade (aparência) e carisma junto ao público, o conhecimento prévio pela população da espécie e de sua vulnerabilidade ou importância ecológica.

Embora seja um conceito eficiente, há limitações ao seu uso: ao priorizar as espécies-bandeira corre-se o risco de distorcer prioridades, em que são favorecidas em detrimento de espécies em maior risco e não tão populares; as administrações de diferentes espécies-bandeiras podem entrar em conflito; e o desaparecimento do principal pode ter impactos negativos sobre as atitudes e ânimos dos atores de conservação.

As primeiras espécies alvo do conceito foram os primatas neotropicais e os elefantes e rinocerontes africanos, numa abordagem centrada nos grandes mamíferos, que ainda dominam como o conceito é usado nos dias atuais.

No Brasil, o principal exemplo de espécie bandeira é o mico-leão dourado (Leontopithecus rosalia), que representa a conservação da Mata Atlântica. Outros são a onça-pintada (Panthera onca), representando os diversas biomas brasileiros (Mata Atlântica, Amazônia, Cerrado, Pantanal); o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) para oCerrado e as araras-azuis (Anodorhynchus spp.), também do Cerrado e Pantanal.

No mundo, o mais famoso é o urso-panda (Ailuropoda melanoleuca), da China, que graças ao seu enorme carisma também foi escolhido como marca da WWF (World Wide Fund for Nature). Além pode-se destacar o tigre-de-bengala (Panthera tigris tigris), da Índia, o elefante-africano (Loxodonta spp.); os gorilas (Gorilla spp.), na África Central; o urso-polar (Ursus maritimus), no Canadá; o orangotango (Pongo spp.) no sudeste asiático.

Cerrado abriga um grande número de espécies animais. Mamíferos, aves, répteis, anfíbios e peixes fazem parte das cerca de 2.500 espécies de vertebrados identificados e que vivem no bioma. Isso sem contar os insetos, que têm papel fundamental na ecologia, mas que ainda são pouco conhecidos pela ciência.

Espécies ameaçadas como a onça-pintada, o tatu-canastra, o lobo-guará, a águia-cinzenta e o cachorro-do-mato-vinagre, entre outras, ainda têm populações significativas no Cerrado, reafirmando sua importância como ambiente natural. Todavia, espécies exclusivas do Cerrado, como o tamanduá-bandeira, estão na lista dos animais brasileiros ameaçados de extinção. Ao todo, 65 espécies do Cerrado encontram-se em situação semelhante.

fontes :

http://www.oeco.org.br

http://www.ispn.org.br/o-cerrado/biodiversidade/fauna-do-cerrado/

 

Central do Cerrado – Produtos Ecossociais

Citizenship actions in the Cerrado biome

Rede MAIS Vida no Cerrado

O berço das águas corre perigo

biomas do cerrado

Citizenship actions in the Cerrado biome

WWF - Latest

Citizenship actions in the Cerrado biome

ISPN – Instituto Sociedade, População e Natureza

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Cerratinga

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Rede Cerrado

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Museu do Cerrado

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Cerradania

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