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Tesouro na rota do garimpo no cerrado mineiro

Em Minas Gerais, região de Diamantina, preserva cachoeiras, lapas, pinturas rupestres e o histórico Caminho dos Escravos. Experimente!

pintura rupestre.jpg  Pinturas rupestres preservadas no sítio de interesse arqueológico, localizados em abrigos sob rocha e a céu aberto – Foto: Luiz Antônio Fontes.
Pinturas rupestres preservadas também se destacam no parque,que tem sítio de interesse arqueológico, localizados em abrigos sob rocha e a céu aberto – Foto: Luiz Antônio Fontes
Biribiri, na língua indígena, significa “buraco grande”. É, também, o nome de um antigo vilarejo surgido no fim do século XIX, quando nele se instalou uma das mais antigas tecelagens de Minas Gerais, e ainda dá nome a um parque estadual, criado em setembro de 1998 e administrado pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF). O lugar é Diamantina, terra de garimpeiros, dos buscadores de diamantes e de sonhos, tropeiros e aventureiros que percorriam aEstrada Real e por lá ficaram, inebriados com a riqueza natural e mineral e também com a magia das cachoeiras.
O Parque Estadual do Biribiri também pertence àReserva da Biosfera do Espinhaço, o que significa que seu ecossistema foi reconhecido pela UNESCO pela importância para a conservação da biodiversidade e o desenvolvimento sustentável. Nele, a história tratou de deixar registros que até hoje perduram, como o Caminho dos Escravos, trilha de 19 quilômetros (saindo do Mercado Velho em Diamantina), construída no século XVIII e que vai até Mendanha, distrito que tinha um dos maiores serviços de extração de diamantes da região. Ao longo dos anos, muitas pedras foram retiradas do caminho por pessoas da região, em busca de tesouros enterrados.
Acorrentados, os escravos quebraram e carregaram enormes lajes de pedra, com as quais esculpiram o caminho que margeia rios, nascentes, cachoeiras e muitas lapas. A trilha tem relevância histórica e foi usada como rota de contrabandistas de diamantes e por mercadores de alimentos. As tropas que ali passavam eram obrigadas a pagar pedágio para atravessar o Rio Jequitinhonha, hoje assoreado, um aperto que sobe ao coração e turva a visão de quem teima imaginá-lo caudaloso, navegável e imponente.
A Revista ECOLÓGICO percorreu um trecho do Caminho dos Escravos ao lado do biólogo e gerente do parque, Gabriel Ávila, que foi descortinando as belezas explícitas e algumas escondidas daquele santuário de Cerrado e Campos Rupestres; e as lendas que, passadas de geração a geração, ainda dão vida à trilha.
Quem percorre o trecho no sentido Diamantina-Mendanha encontra quatro cruzeiros, cada qual com sua história. O primeiro, explica Gabriel, é o “Graças a Deus”, exclamação dos peregrinos que conseguiam vencer uma subida íngreme e exaustiva e ainda sobreviverem ilesos às tocaias. O segundo foi cravado no lugar em que morreu uma grávida, cujo parto se complicou. Ela foi carregada por quilômetros em uma padiola improvisada feita de troncos e lençol e não resistiu às dores. O terceiro cruzeiro está fincado no local em que o garimpeiro Mané Gabriel foi alvejado em uma tocaia, quando levava diamantes para o Arraial do Tijuco(antigo nome da cidade de Diamantina). E o quarto, o maior deles, no local onde ele tombou morto, depois de se arrastar ferido e tentar ajuda.

PESO DA HISTÓRIA
Ao longo desse trajeto, a beleza da natureza inquieta, assim como o peso da história escrita sobre o ciclo dos diamantes, que gerou riqueza, cobiça, morte e destruição da natureza. O Córrego do Palmital corre límpido e se ouve o som das cachoeiras do Limoeiro e Cachoeirão, que escondem poços transparentes e gelados, além de uma beleza quase intocada. Árvores frondosas, como o pau-d’óleo (copaíba) e sucupira branca, conhecida na região como monjolo, se impõem.
No caminho até o balneário, mimetizado entre as rochas, uma surpresa: um mocó (Kerodon rupestris) mamífero roedor, sentinela da entrada do parque. “Arisco, ele tenta se safar dos caçadores que cobiçam os poderes afrodisíacos de sua carne”, comenta Gabriel, ao lembrar que os guarda-parques de hoje foram, em sua maioria, caçadores e garimpeiros no passado. “Hoje, são aliados que sabem reconhecer, pela simples postura, um possível agressor da natureza. Mas é com diplomacia, diálogo e conscientização ambiental que vamos mudando, aos poucos, as atitudes não preservacionistas.”
Logo depois se descortina a Cachoeira Sentinela, quase um cartão-postal de Diamantina, de águas tão puras que se pode beber. Parada obrigatória para se refrescar nas águas menos geladas que as outras. E a 2,5 quilômetros da Vila de Biribiri, está a Cachoeira dos Cristais, cujo acesso por carro é fechado durante a semana. “Dizem os antigos que a cachoeira foi mudada de lugar a fogo e água pelos garimpeiros, que exploraram o metal precioso de seu solo. Eles esquentavam a rocha e jogavam água fria, fragmentando-a através do choque térmico”, relembra Gabriel.
PINTURAS PROTEGIDAS
Mas o parque reserva ainda outras surpresas, como as pinturas rupestres, preservadas por sua localização protegida do Sol e da chuva, e as lapas, sendo as principais as de Henriqueta e Mané Salu. Estudo feito pelos arqueólogos Alenice Baeta e Henrique Pilló, sobre a cultura pré e pós-histórica, catalogou 32 sítios de interesse arqueológico, localizados em abrigos sob rocha e a céu aberto.
Ali foram encontrados testemunhos pré-coloniais, sobretudo figurações rupestres, e também alguns vestígios, como instrumentos líticos, quebra-cocos em blocos fixos, além de possíveis restos de estruturas de combustão. Esses abrigos foram ocupados a partir do século XVII por garimpeiros, quilombolas, tropeiros ou mesmo catadores de sempre-vivas, informa o estudo.
A caminhada revela ainda que todas as nascentes do parque são tributárias da Bacia do Jequitinhonha, que faz divisa com sua porção nordeste. Os afloramentos rochosos que delineiam e esculpem a área e a paisagem de Diamantina são de quartzito. “O deslocamento das placas tectônicas fez aflorar o magma, que solidificou e, posteriormente, foi modificado pela ação da chuva e do vento”, pontua o gerente.
Até onde o olhar alcança pode se ver a ocorrência de diversas espécies de sempre-vivas, orquídeas e bromélias e espécies ameaçadas, como o cactus (Discocactus placentiformis), chuveirinho (Actinocephalus), droseras (plantas carnívoras) e outras nem tão ameaçadas, mas inusitadas, como o cactus-coroa-de-frade, carinhosamente conhecido como “travesseiro de sogra”. É espinho que não acaba mais.
Edmar das Graças Costa, de 46 anos, nascido e criado na Vila de Biribiri, caçador no passado, hoje protege o parque. Aos nove anos, já cozinhava para o pai e, mais tarde, foi funcionário da tecelagem. “Naquela época, criança podia trabalhar. Não é como hoje, não”, provoca.
Com sua fala mansa, vai enumerando uma infinidade de plantas medicinais do Cerrado ali encontradas e preservadas. “Aqui tem douradinha-do-campo, também conhecida com dom Bernardo ou bate-caixa. O chá de suas folhas alivia a dor no corpo. Tem, ainda a pustemeira (Pfaffia spicata) que é anti-inflamatória; a raiz de mangaba, depurativa; e o carapiá (Dorstenia brasiliensis), para distúrbios menstruais. Isso sem falar nos cinco tipos de arnica e no barbatimão, cuja casca tem poderes cicatrizantes e anti-inflamatórios. O povo aqui usa muito o sabonete-de-soldado (Sapindus saponaria L.), que cura gripe”.
Gabriel entra na conversa e mostra um tipo de cactus, conhecido como quiabo-da-lapa, cuja frutinha é usada na culinária local, em pratos típicos, ao lado do ora-pro-nóbis e frutas, como cagaita, araticum, pequi e gabiroba.
No Parque do Biriribi também tem gambá, onça-parda, lobo-guará, jandaia-da-testa-vermelha, codorna-mineira, capacetinho-do-oco-do-pau, pica-pau-da-cabeça-amarela e carcará, a águia do Cerrado. Riquezas que estão sendo preservadas através da persistência e jogo de cintura da equipe do IEF, que zela pela sobrevivência desse ecossistema, tão exuberante e mágico, quanto ameaçado.
FIQUE POR DENTRO
Área do parque: 16.998 hectares
Onde: no município de Diamantina
Distância: 290 quilômetros de Belo Horizonte
Acesso: BR-040 (sentido Brasília), passando por Sete Lagoas e Paraopeba. Depois desta última cidade, aproximadamente cerca de 40 quilômetros, entrar no trevo para Curvelo e, em seguida, pegar a BR-135. Depois de Curvelo, a viagem prossegue pela BR- 259 até Diamantina.
Clima: tropical, com temperatura média anual de 19 graus.
baseado na reportagem de Ana Elizabeth Diniz

baseado na reportagem do                                                              http://www.revistaecologico.com.br

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Perfil ecossistêmico para a conservação do Cerrado

Após realizar consultas públicas com diversos atores do setor empresarial, governo, academia e sociedade civil, ao longo do ano, o diagnóstico de perfil ecossistêmico do Cerrado e as diretrizes estratégicas para manter a diversidade biológica e social da região foram apresentados , durante oficina em Brasília-DF.
A intenção, segundo os organizadores do evento, foi mostrar a versão preliminar do documento em construção e recolher propostas e contribuições dos participantes.
Esta é a primeira fase de um projeto que visa investir em ações de conservação do Cerrado, com ênfase no fortalecimento da sociedade civil nos próximos cinco anos. Esta etapa está sendo conduzida pelas instituições Conservação Internacional Brasil (CI-Brasil) e o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), sob o financiamento do Fundo de Parceria de Ecossistemas Críticos (CEPF, a sigla em inglês).
Para Kolbe Soares, analista de conservação do Programa Cerrado Pantanal que representou o WWF-Brasil no evento, “o diagnóstico construído em conjunto com as organizações participantes trouxe informações bastante relevantes em relação à identificação de áreas prioritárias no bioma para investimentos que serão proporcionados pelo CEPF nos próximos quatro anos”. Além disso, Kolbe considera que “os investimentos na conservação do Cerrado proporcionados pelo Fundo, poderão alavancar outros tipos de apoio e chamar a atenção da sociedade brasileira para a realidade preocupante que se encontra o Cerrado”.
O documento levou em consideração três critérios – grau de ameaça, existência de Planos de Ação Nacionais (PAN) e importância relativa dohotspot para a conservação da espécie – e com base nisso identificou que o bioma tem 1.270 áreas-chaves para a conservação, sendo que 218 são criticamente ameaçadas e, destas, apenas 12 tem PANs.
Para chegar a este resultado as consultas públicas analisaram aspectos políticos, socioeconômicos, de mudanças climáticas, importância biológica, serviços ecossistêmicos e conservação. Estas temáticas foram consolidadas com base na compilação de dados disponíveis para o bioma, tais como estudos, artigos, teses, livros, dentre outros. Uma das dificuldades encontradas diz respeito à falta de dados atuais sobre o monitoramento do desmatamento no Cerrado, já que as últimas informações são de 2009.
O estudo deve ser finalizado e aprovado pelo conselho de doadores do CEPF até o final de 2015, em seguida abre-se a possibilidade de apoio para projetos de conservação no bioma no período de 2016 a 2020.

Sobre o CEPF
Criado em 2000, o CEPF atua em 23 hotspot – área prioritária para a conservação –, em 89 países. Ao todo o Fundo já investiu 175 milhões de dólares nessas regiões, beneficiando 1,9 mil entidades da sociedade civil.
No Brasil, o CEPF está presente desde 2002, mas inicialmente com foco no bioma Mata Atlântica. Até 2011 foram 300 projetos apoiados à ONGs, comunidades e pequenas empresas, que desenvolvem trabalho com espécies, áreas protegidas e paisagens (conjuntos de corredores de conservação). Atualmente reúne sete doadores internacionais e pelos próximos cinco anos deverá aprovar um montante para investimento no Cerrado para garantir a proteção social e biológica do bioma.

informações do site

http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/areas_prioritarias/cerrado/noticias/?48522/Aliana-de-organizaes-traa-perfil-ecossistmico-para-a-conservao-do-Cerrado

Florestania e Cerradania

Contagem regressiva para mais uma expedição no vale, Vale do Guaporé ou Itenez para os povos Bolivianos.

Barco Hotel Rey na Pousada do Reanato ( Pimenteiras)

Barco Hotel Rey na Pousada do Renato (Pimenteiras)


Uma pausa nos trabalhos com a Cerradania, para mergulhar um pouco na origem da minha vida com a Florestania. Retorno com muita alegria a um dos locais mais fantásticos que pude desfrutar. Sou Matogrossense, legítimo guri das beiras do Rio Santana ( Nortelândia) que contribui com as águas do Rio Paraguai e segue rumo ao Pantanal. Bem próximo da minha casa o nascedouro do Rio Guaporé que segue o rumo da Amazônia, por Rondônia, e por este caminho eu trilhei parte da trajetória de minha carreira profissional. Nem muito distante seguindo algumas léguas e subindo a Chapada dos Guimarães nos deparamos com a exuberante natureza do cerrado. Onde tudo por lá é grandioso… To assim emocionado, pra reviver novamente, mesmo que por pouco tempo, a passagem de contribuição aos três biomas: Floresta Amazônia, Pantanal e Cerrado.
Costumo repetir que os rumos são traçados pelo norte e seguimos o destino reservado para ser vivido na intensidade do possível com as boas recordações do passado e um presente intenso de querer e ser feliz. Afinal, não existe distancia pra quem sabe remar, no remanso da travessia e seguindo o que o remo dá, enfrentando os desafios, mas firme seguindo o que foi reservado pra ser vivido.
Coisas de convivência com Renato da Pousada e do Barco Rey em Pimenteiras, incansável militante da preservação das espécies aquáticas do Rio Guaporé, Renato Pereira destaque na importância da fiscalização permanente na bacia hidrográfica do Rio Guaporé. Entre outras coisas, aprendi que sal e fósforo são suficientes pra sobreviver em uma pescaria dos ribeirinhos; podemos retirar iscas vivas de peixe, apenas usando fígado de peixe e um pedaçinho de linha; assisti ao espetáculo do ataque dos Botos com o Puraquê; apanhação de Açai, só de ver; sonhei com a festa do Boto Cor de Rosa e o Tucuxi; Escrevi algo sobre o canoeiro do Guaporé.
No norte, tudo é intenso sol, chuva, friagem e impressiona a simplicidade de vida dos ribeirinhos do vale. Não é possível descrever o quão belo é o passeio, diante de tanta beleza: pescar é bom, porem, apenas um detalhe para quem pode sintetizar na alma a emoção de estar por lá. Eu vou e volto pra contar um pouquinho mais dessa história, que não findará. Sem me importar se haverá interrupção, afinal a gota d’água do rio segue o seu rumo sem se importar com os obstáculos. E, se ocorrer interrupção, vou me lembrar que percorri muitos caminhos e que lindos caminhos.
Um pouquinho do Rio Guaporé
Nasce no Mato Grosso, na Serra dos Parecis, no Estado de Rondônia o rio Guaporé é um dos locais mais bonitos e piscosos da região Norte do País. Tem cerca de 1400 quilômetros de extensão. Na maior parte de seu percurso funciona como linha divisória entre o Brasil e a Bolívia, e deságua no rio Mamoré.
Zona de transição natural entre as bacias do Prata e Amazônica, com a existência de um ecossistema extremamente rico. Composto por igarapés, matas densas e uma série de baías, que fornecem condições formidáveis para o desenvolvimento da vida nas mais diversas formas.
A pescaria pode ser feita a partir de pousadas ou barcos-hotel que saem desses municípios rumo a cenários espetaculares. É perceptivo a diferença do nível de preservação entre as duas margens do rio. No lado boliviano, a existência do Parque Noel Koempf Mercado que garante paisagens intocadas e afluentes piscosos, como o rio Verde. As cheias, por exemplo, são a época boa para pescar a corvina e o apapá (peixe-novo) é uma das belas espécies de escama dos rios brasileiros. Apesar de demonstrar grande agressividade no ataque a iscas naturais e artificiais, é um desafio mantê-lo fisgado no anzol, devido à dureza de sua boca.
Durante a seca, chama atenção a abundância de tucunarés nas baías e remansos do rio. Sem exagero, quando as águas estão baixas, é possível capturar num único dia centenas de tucunarés-pitanga, chamados de amarelinhos, pinimas ou popócas.
Além disso, o Guaporé é um dos poucos rios brasileiros que ainda abrigam grandes tambaquis e pirapitingas. Uma das iscas mais bem cotadas para atrair esses peixes redondos é o minhocuçú.
Iniciaremos o trajeto no Barco Hotel Rey a partir da pousada do Renato, na histórica região do Santa Cruz (Pimenteiras) com destino a Laranjeiras. Tudo encanta e sopra o pequeno canto de desfrutar da beleza impar do Vale que vale muito mais que um rio um complexo de cultura e beleza natural do Guaporé. Assim, gosto de narrar esse universo:
Oh, luz do luar me leva contigo pra passear. Oh, raio de sol aquece meu corpo e também e o meu coração. Minha rua é meu rio,o meu carro o batelão, o meu boto tucuxi, minha estrela. Minha rua é meu rio,o meu carro o batelão, o meu boto cor-de-rosa, meu amor minha paixão.

Os monumentos ecológicos na Chapada dos Guimarães

Um registro muito interessante da riqueza da nossa biodiversdidade.
Em Chapada dos Guimarães, a situação natural presente, é o resultado de uma interação de fatores, sendo que o ” status ” da fauna, depende de atributos geomorfológicos, climáticos, hídricos, edafológicos e vegetacionais.
chapada dos guimarães
A ocupação desordenada feita por atividades agropastoris e mesmo a crescente visitação turística, estão modificando drasticamente os habitats naturais e provocando um declínio acentuado da diversidade biológica.
No entanto,é de fundamental importância que somente em condições ecológicas, com a aplicação de técnicas de ocupação racional adequada à cada tipo característico de ambiente será possível entender o significado evolutivo e adaptativo da fauna silvestre e do ambiente que lhe dá suporte.
METODOLOGIA
A equipe de fauna visitou 13 dos 23 pontos denominados como ” Monumentos Ecológicos” entre eles: Córrego dos Médicos, Cachoeiras do Córrego Independência, Casa de Pedra, Atmã, Buriti, Monjolo dos Padres, Salgadeira, Aricá-Açu, Refúgio de Fauna, Aroê-Jari, Cambambe, Jamacá.
Devido ao curto tempo de permanência em cada um destes pontos, foi necessário adotar uma metodologia adequada e que fosse a mais eficiente possível para obter informações sobre a fauna de cada um dos pontos. Foi elaborado um questionário para ser aplicado aos moradores residentes nas proximidades dos locais a serem caracterizados, com a finalidade de levantar o máximo de informações possíveis.
Adotou-se como metodologia formas diretas e indiretas de observações feitas pela equipe. Para isso, foram traçados transectos aleatórios que procuraram cobrir a maior parte possível das áreas em estudo, seguindo as mais diversas direções. Durante o percurso, a avifauna foi observada e identificada ” in loco ” segundo FRISH (1981) e DUNNING (1882). Para mamíferos as observações tornaram-se mais difíceis, uma vez que a maioria deles possuem hábitos discretos, tendo atividades crepusculares e noturnos, no entanto, os rastros, pegadas e fezes podem fornecer uma identificação muitas vezes até mesmo a nível de espécie. Para auxiliar a identificação dos mamíferos em campo utilizou-se um guia de pegadas BECKER & DALPONTE.
Após os trabalhos efetuados em campo, foram elaboradas as tabelas quais contém informações sobre a fauna de Chapada dos Guimarães, agrupadas por monumentos ecológicos (áreas especificamente caracterizadas) e também por influências fitosionomicas.
RESULTADOS
Os resultados gerais estão apresentados, onde as espécies observadas são descritas por Monumentos Ecológicos e tipos de ambientes.
Muitas espécies existentes na região da Chapada dos Guimarães estão ameaçadas, inclusive, que restringe e até mesmo proíbe a comercialização e limita o tráfico de peles e animais vivos. Entre estes animais, o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) que ocupa os cerrados onde contém áreas com elevadas concentrações de cupins; certamente, as populações encontram-se em decadência, pois apesar de terem hábitos noturnos, raramente são observados no ambiente de forma direta, mas com comprovação de sua ocorrência, pois seus rastros geralmente são visualizados. Outro animal da classe Edentata, ameaçado de extinção, é o tatu-canastra (Priodontes maximus), que habita áreas florestadas e de mata ciliar, sua presença não é comprovada de forma direta mas há indícios de ocorrência ao sul de Chapada dos Guimarães em direção às florestas de transição na morraria de São Vicente.
O lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), apesar de ter a população aparentemente maior que a do tamanduá-bandeira, é um animal de difícil visualização, mas de ocorrência comprovada em áreas de significativa importância, tal como a fazenda Buriti. É um animal considerado de topo de cadeia alimentar, necessitando de extensas áreas de cerrado para a alimentação, e mata de galeria para abrigar-se durante o dia, uma vez que possuem hábitos predominantemente crepusculares e noturnos. Raríssima de ser observada, a lontra (Luta Longicaldis) é muito exigente em relação ao seu habitat, não tolerando muitos distúrbios ambientais. Sua ocorrência poderá ser comprovada na região das cabeceiras do rio Aricá-Açu.
Certamente, os grandes felinos, são os animais que mais vem sofrendo com ação antrópica, seja pela ocupação indevida das áreas de preferência destes animais, ou pela atividade de caça que cada vez mais ameaça às devidas populações. A onça parda (Felis concolor) e a pintada (Pantera onça) possuem populações pequenas, seriamente ameaçadas de extinção, ocorrendo em áreas ainda intocadas, protegidas, contendo matas de galeria. A jaguatirica ( Felis pardalis), de hábito predominantemente noturno, encontra-se em vias de desaparecimento; muitas peles de pequenos gatos também vem sendo encontradas, como o mourisco (Felis yaguarundi), de hábitos diurnos, o maracajá (Felis weidii) de hábitos noturnos, demonstrando que sofrem uma pressão significativa de caça.
Ainda em vias de desaparecimento, em Chapada dos Guimarães, está o veado campeiro, (Ozotecerus bezoaticus) que, vivendo em áreas de cerrado aberto e veredas, são ativamente caçados com o auxílio de cães.
Quando a avifauna, não há quem não fique extasiado quando, apreciando a cachoeira Véu de Noiva, nas bordas dos paredões, um casal de araras vermelhas (Ara clorotera) passa vocalizando sob nossas cabeças. Para uma melhor preservação desta espécie, devem ser efetuados estudos para definir o local de forrageamento e uma racionalização quanto ao processo de ocupação das matas. Outras aves, encontradas na região: são o gavião-real (Harpia harpyjia), o Mutum (Crapias fasciolata), a jacutinga (pipili) e o gavião-de-penacho (Spizaetus ornatus).
Os principais representantes do grupo de Répteis existentes na Chapada dos Guimarães, não foram feitos por levantamentos específicos para répteis, as informações obtidas baseou-se em referências bibliográficas e comunicações pessoais.
Quanto a ictiofauna, levantamentos efetuados por MACHADO, principalmente nas cabeceiras do Rio Claro e Mutuca. Foi observado uma espécie nova de Leporinus dentre as coletadas e também, uma ocorrência difícil de explicar do gênero, Pseudo cetopsis, pertencente à família cetopsidal.
FAUNA
CARACTERIZAÇÃO DA FAUNA NA CHAPADA DOS GUIMARÃES. Tornou-se inviável um levantamento fidedígno, já que esta área de pesquisa diferencia-se das demais pelo fato destes espécimes possuírem grande deslocamentos. Para uma avaliação faunística dentro do projeto, seriam necessário no mínimo dois anos de observação para uma conclusão aceitável no meio científico.
Diante destes fatos, tornou-se mais coerente uma revisão, Bibliográfica, e foi possível compilar informações a respeito da fauna local. Corroborando estes dados estão as informações dos moradores e freqüentadores locais.
FAUNA DA CHAPADA DOS GUIMARÃES
A fauna da região da Chapada dos Guimarães constitui-se de elementos provenientes da região Amazônica e das áreas abertas que cercam, os cerrados. Essa região é um dos refúgios pleistôcenicos do Brasil segundo Hafer 1967, tendo por isso, importante valor zoogeográfico.
A fauna invertebrada (que compõe bem mais de 90% das espécies animais) tem uma grande tendência de acompanhar os vegetais, dos quais ele depende dos seus alimentos muito específicos, na sua riqueza e abundância. Assim, não é de estranhar que a variedade de invertebrados, especialmente insetos na Chapada de Guimarães é mais rico de que em qualquer outra região neotropical. Em certas épocas menos chuvosas do ano a abundância de insetos e especialmente lepdópteros, é tanta, e sua sede é de tal forma, que chegam a formar verdadeiras pilhas acima de qualquer fonte de umidade, como estrume fresco de vaca; algumas espécies de lepdópteros diurnos ou crepusculares, maiores e muito coloridas, são freqüentemente encontradas no chão dentro da floresta, onde pousam durante horas sugar a umidade das fezes humanas ou caninas.
Mais interessante ainda é o fato que esta riqueza é composta de mistura da fauna vinda dos quatros lados da Chapada: das bacias do Rio Amazonas e do Rio Paraguai, dos Andes da Bolívia e do Peru, a da Mata Atlântica Brasileira, através da Chapada Goiana. Assim, forma-se uma zona de transição e polimorfismo que participa dos caracteres zoogeográficos das regiões faunísticas adjacentes, constituindo-se um verdadeiro laboratório contemporâneo de mistura e evolução de espécies e formas. Os estudos genéticos que poderiam ser visualizados dentro de populações polimórficas na Chapada, como por exemplo a do lepdóptero Mechanitis Lysemia que já recebeu o nome de connectens, simbolizando a posição intermediária da população), são quase infinitas e de grande significação evolucionária.
Do mesmo modo, os vertebrados na Chapada são excepcionalmente abundantes e variados. Aves de tamanho médio e grande, inclusive emas, seriemas, gaviões, pica-paus grandes, tucanos e garças, são freqüentemente vistos, e espécies, muito perseguidas em outros lugares como perdizes, mutuns, araras, papaguaios-amazonas, jacus e urus, inhanbus, juritis e outras pombas, fringilídeos cantadores como curiós e bicudos, ainda habitam as matas da Chapadas em quantidade. Uma profusão de plantas e de invertebrados certamente contribui para esta abundância de aves insetívoras ou frugívoras; a cadeia natural de alimento e predação estende-se faz inevitavelmente para cima, nos animais mais evoluídos.
Entre os mamíferos comuns na Chapada, sente – se uma falta em macacos (apenas mico e macacos pregos são mais freqüentes); jacarés e onças grandes são infreqüentes hoje em dia. Isto seria esperado numa região biogeográfica.
É de interesse acrescentar que tanto a Serra dos Parecis ao Noroeste da Chapada, como a Serra do Roncador, parecem ser muito pobres em animais e plantas com relação á Chapada dos Guimarães. As razões para este contrastes são desconhecidas. Porém é fácil de verificar que nestas serras faltam regiões acidentadas extensas que são principalmente em mata, como a bacia da cabeceira do Rio Coxipó. Das 100 espécies de mamíferos descritos para o cerrado (Fonseca e Redford, 1986), 41 são roedores, 21 de carnívoros, 13 de marsupiais, 06 de primatas 01 de lagomorfos e 01 de perissodáctilos, agrupados em 67 gêneros.
Espécies mais representativas de ocorrência comprovada na área de Chapada dos Guimarães.
ESPÉCIES NOME VULGAR
Didelphis abbiventris Gambá – de orelha branca Didelphis marsupialis Gambá – de orelha preta Philander opussum Cuíca verdadeira Agouti paca Paca Dasyprocta sp Cutia Cavia aperea Preá Hidrochaeris hydrochaeris Capivara Coendou prehensilis Ouriço caxeiro Cerdocyon thous Cachorro do mato comum Chrysocon brachyurus Lobo guará Felis pardalis Jaguatirica Felis yagouroudi Gato maurisco Felis sp Gato do mato Eira barbara Irara Gallictis cuja Furão Nasua nasua Quati Procyon cancrívorus Guaxim Felis Weidi Maracajá Priodontes Maximus Tatu Canastra Dasypus Novencinctus Tatu Galinha Euphractus sexcinctus Tatu peludo Tamanduá tetradactyla Tamanduá mirim Mymecophaga tridactyla Tamanduá – Bandeira Tapirus terrestris Anta Mazama gouazoubira Veado – Catingueiro Mazama sp Veado Tayassu tajacu Cateto Alouatta caraya Bugio preto Cebus apelha Macaco – prego Cellithrix argentada Sagui Felis concolor Onça parda Panthera onca Onça pintada Lutra sp Lontra Ozotocerus bezoarticus Veado-Campineiro Duscyon vetulus Rapozinha
AVIFAUNA
Das 24 ordens registradas no território brasileiro, 20 estão presentes na área de influência direta e compreendem 45 famílias e 220 espécies. Listagem das espécies mais representativas na área de Chapada dos Guimarães. ESPÉCIES NOME VULGAR
Rhea americana Ema Pipile pipile Jacutinga Tinamus major Inhambu Crypturellus undulatus Jaó Rhnchotus rufescens Perdiz Nothura marculosa Codorna Podilymbus podiceps Mergulhão Phalacrocorar olivacens Biguá Ardea alba Garça branca grande Egretta thula Garça branca pequena Bulbulcus íbis Garça vaqueira Pipheroiéis pileatus Garça real Tigrisoma lineatum Saco boi Euxenura maguari Maguari Cairina moschata Pato do mato Coragyps atratus Urubu comum Cathartes aura Urubu de cabeça vermelha Buteo albicaudatus Gavião de rabo branco Buteo swainsoni Gavião para gafanhoto Buteo magnirostris Gavião carijó Aeterospizias meridionalis Gavião cabloco Harpia haryja Gavião real Milvago chimachima Carrapateiro Polyborus plancus Caracará Crax fasciolata Mutum de penacho Aramus guarauna Carão Carima cristata Seriema Columba spp Pomba Columbina spp Rolinha Scardafella squammata Fogo apagou Ara ararauna Arara canindé Ara macão Arara vermelha amarela Ara chloroptera Arara vermelha verde Ara maracana Maracanã Brotogeris versicolorus Periquito Pionus maximiliani Maritaca Amazona aestiva Papagaio verdadeiro Amazona amazonica Papagaio Crotophaga ani Anu preto Athene cunicularia Coruja buraqueira Otus spp Corujinha Ceryle torquata Martin pescador grande Chloroceryle amazona Martins pescador verde Ramphastos toco Tucano Furnaruis rufus João de barro Cynocorax cyanomelas Gralha Spizaetus oornatus Gavião de penacho
PEIXE – Sendo o especialista Dr. Garavelho, Júlio Cesar os peixes da região são todos Osteichthyes, podem ser agrupados em quatro ordens Characiformes, Siluriformes, Perciformes e Symbranchiformes. A maioria dos Characiformes são Characidal, com mais de 70 % das espécies de difícil indentificação. Os Siluriformes estão representados, basicamente por 04 famílias com 01 a 03 espécies de genêros distintos, Devendo ressaltar a familia Cetopsidae, onde o Pseudocetopsis representado deve ser nova, além de uma ocorrência difícil de explicar, perciformes é representada por uma única espécie de Cichlidae do gênero Crenicichla, bastante próxiam a C. Vittata, Symbranchiforme é representado Symbranchidae Symbranchus, bastante diferente de S.marmoratus.
Dentre as espécies de importância econômica destacam -se o Pacu (Colossoma mitrei) Surubins (Pseudoplatystoma corruscans e P.fasciatum) Dourado ( Salminus maxillosus) Curimbatá (Prochilodus lineatus), Barbado (Pinirampus pirinanpu) e a Piava (Leoporinus sp).
RÉPTEIS – Na região de Chapada concorrem principalmente:
Chelonia
Testudinidae é frequente nesta família encontrar os jabotis: Geochilona carbonaria.
Gekkonidae – é encontrada em casas e taperas abandonadas, muito frequentes á noite.
Iguanidae – da fauna herpetológica de cerrados os iguanídeos tem se destacado com altas ocorrências, cabendo a supremacia dos tropidurus.
Nas matas de galeria, ou próximo aos cursos de água, o Iguana iguana é o grande representante desta familia, além de Hoplacercus spinosos e Anoles sp.
Sincidae – ainda em áreas sombreadas encontra-se os Mabuya sp. 1.5 – Teidae – dos lagartos terrestres, estes interessantes fossadores são vistos com frequência, principalmente em clareiras onde a espécies Ameiva ameiva é bastante encontrada em áreas de transição com vegetação mais densa. Representantes de Cnemidophorus sp ai também são encontrados. Há ainda, possibilidades de encontrar os Kentropyx em clareiras abertas nas matas ciliares. Os grandes teídos fazem – se presentes com Tupinambis teguxins e Tupinanbis nigropunctatus.
OFÍDIOS:
A fauna ofídica está representada por vários exemplares de Crotalus durissum terrificus e, vale afirmar, que a ocupação maciça do cerrado com exploração agricola tem funcionada como agente concentrador destes importantes Crotalídeos; no que diz respeito a herpetofauna botópica como: Brotops jararacussu, B. neuwiedi matogrossense, B.Atrox já os boideos são representados pelas Eunectes nolarces com grande ocorrência, e mais esporadicamento, E.Murrinus. O gênero Boa é marcado principalmente pela presença de Boa constrictor, sendo observado muito raramente. Boa constrictor amarali, a Salamdra Epicrates cenochria, cobra de grande beleza.
RESULTADOS
Os resultados gerais são classificadas por monumentos ecológicos e tipos de ambientes, sendo consideradas as características fitofisionômicas de casa área visitada, acompanhando assim o levantamento florístico executado por outra equipe, neste mesmo projeto.
Pede-se observar, de modo geral, que a variedade de animais se encontra diretamente ligada á diversidade de ambientes que existe em cada localidade estudada, e à ação antrópica que as áreas vêm sofrendo.
Muitas espécies existentes na região da Chapada dos Guimarães estão ameaçadas e, inclusive, citadas nos apêndices do Cites, que restringe e até mesmo proíbe a comercialização e o tráfico de peles e animais vivos. Entre estes animais, podemos comecar citando o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) que ocupa os cerrados, onde há elevadas concentrações de cupins; certamente, as populações encontram-se em decadência, pois apesar de terem hábitos noturnos, raramente são observadas no ambiente de forma direta, mas comprova-se sua ocorrência através de rastos geralmente visualizados. Outro animal da classe edentada ameaçada de extinção, é o tatu-canastra (Priodontes maximus), que habita áreas florestadas e de mata ciliar; sua presença é deduzida por indícios encontrados ao sul de Chapada dos Guimarães em direção às florestas de transição na morraria de São Vicente.
O lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), apesar de ter a população aparentemente maior que a do taundúa-bandeira, é um animal de diícil visualização, mas de ocorrência comprovada em áreas de significativa importância ,tal como a fazenda Buriti. É um animal considerado de topo de cadeia alimentar, necessitando extensas áreas de cerrado para a alimentação, e mata de galeria para abrigar-se durante o dia, uma vez que possui hábitos predominantemente crepusculares e noturnos.
Raríssima de ser observada, a lontra (Lutra Longicaudis) é muito exigente em relação ao seu habitat, não tolerando muitos disturbios ambientais. Sua ocorrência poderá ser comprovada na região das cabeceiras do rio Aricá-Açu.
Certamente, os grandes felinos são os animais que mais vêm sofrendo com a ação antrópica, seja pela ocupação indevida das áreas de preferência destes animais seja atividade de caça que cada vez mais ameaça essas populações. A onça-parda (Felis concolor) e a pintada (Panthera onca)possuem populações pequenas, seriamente ameaçadas de extinção, ocorrendo em áreas ainda intocadas, protegidas, contendo matas de galeria. A Jaguatirica (Felis pardalis), de hábito predominantemente noturno, encontra-se em vias de desaparecimento;muitas peles de pequenes gatos também vêm sendo encontradas, como o morisco ` (Felis yagouaroundi),de hábitos diurnos o maracajá (Felis weidii) de hábitos noturnos, demonstrando que sofrem uma pressão significativa de caça.
Ainda p em vias de desaparecimento está o veado-campeiro (Ozoteceras bezoaticus)que, vivendo em areas de cerrado aberto e veredas, é ativamente caçado com o auxílio de cães. Quando à avifauna, não há quem não fique extasiado quando, apreciando a cachoeira Véu de Noiva, um dos pontos turísticos mais procurados em Chapada dos Guimarães, ou ainda nas bordas dos paredões e até mesmo sobrevoando os céus da pequena cidade, um casal de araras vermelhas (Arachoroptera) passa vocalizando sob nossos cabeças. Estas aves apesar de utilizarem frestas que são praticamente inacessíveis a predadores nas encostas dos paredões, para fazerem suas posturas, utilizam as florestas para obterem alimento. Para uma melhor preservação desta espécie, deem ser efetuados estudos para definir os locais de forrageamento e uma racionalização quanto ao processo de ocupação das matas. Outras aves de significativa importância , encontradas na região que abrage os monumentos ecológicos propostos para serem caracterizados neste projeto, são: gavião-real (Harpia harpyja), o mutum (Grax fasciolata), a jacutinga (Pipile pipili) e o gavião-de-penhaço (Spizaetus ornatus).
Os principais representantes do grupo de répteis existentes na Chapada dos Guimarães, são apresentados na Tabela 4. Como não forão feitos levantamento específicos para répteis, as informações obtidas basearam-se em referências bibliográficas e comunicações pessoais
Quando a ictiofauna, levantamentos realizados durante o projeto de pesquisa ecolólica na região do Polonoroeste, efetuados por F. Machado, principalmente nas cabeceiras dos rios Claro e Mutuca. Foi observada uma espécie nova de Leporinus dentre as coletadas e também uma ocorrência difícil de explicar do gênero Pseudocetopsis pertencente á familia Cetopsidae.
baseado no trabalho de CLAUDIA TASSO CALIL – CUIABÁ MT.
Relatório que contou com a colaboração de JÚLIO DALPONTE ( Biologia-FEMA), ROSÂNGELA E JERRY (estagiários da UFMT).

‘’The Big Five’’ do Cerrado

A extensão e localização geográfica dizem muito sobre a importância do Cerrado, pois, além de conectar três países da América do Sul (Brasil, Bolívia e Paraguai), ele funciona como um elo entre quatro dos cinco biomas brasileiros: Amazônia, Caatinga, Mata Atlântica, e Pantanal. Por isso, compartilha diversos animais e plantas com essas regiões. E também abriga exemplares únicos da natureza, a ponto de ser considerado a savana mais rica em biodiversidade do planeta. Muitas delas só existem nesta região, que ocupa um quarto do território brasileiro.
Imagine um lugar onde vivem mais de 11 mil espécies vegetais, e fauna é tão diversa quanto a flora. Estima-se que o Cerrado possua 837 espécies de aves, 120 de répteis, 150 de anfíbios, 1.200 de peixes, 90 mil insetos e 199 tipos de mamíferos. Juntando tudo, dá quase 5% de todas as espécies no mundo e 30% da biodiversidade do país.
Já foi constatado que no mundo existem 5.487 espécies de mamíferos, sendo o Brasil o segundo país que abriga o maior número de mamíferos, com 700 espécies. O número de mamíferos do Cerrado representa mais de um terço do total conhecido no país.
Das espécies de animais no Brasil, mais de 5 mil vivem apenas nos limites do bioma e estão, principalmente, dentro de áreas protegidas onde encontra-se a maior parte remanescente de Cerrado nativo. Atualmente, menos de 10% do Cerrado está dentro de Unidades de Conservação, sendo somente 3% na categoria de proteção integral, o que coloca em risco a existência de diversos animais.
Além da diminuição das áreas naturais, existe a caça ilegal, os incêndios e as queimadas, como principais ameaças à sobrevivência da fauna.
A lista mundial de espécies ameaçadas aponta que um em cada quatro mamíferos do mundo corre risco de extinção e a população de metade das espécies de mamíferos está em declínio. Isso quer dizer que se nada for feito, esses animais podem desaparecer do planeta em breve.
De acordo com Julio César Sampaio, coordenador do Programa Cerrado Pantanal do WWF-Brasil, “o Cerrado está desaparecendo rapidamente, cedendo lugar à agricultura e pecuária extensiva. Esse modelo de exploração dos recursos naturais tem resultado em sérias ameaças à sobrevivência de pelo menos 137 espécies de fauna (22%). Dentre estas, o lobo-guará, a onça-pintada, o tamanduá-bandeira, a anta e o tatu-canastra. Animais que são considerados emblemáticos do bioma e ameaçados de extinção”.

lobo guara preto Chrysocyon brachyurus

lobo guara preto
Chrysocyon brachyurus


Saiba um pouco mais sobre os “Big Five” do Cerrado.
Onça-pintada (Panthera onca)
É o maior felino das Américas e corre risco de extinção no Brasil. A onça-pintada habita ambientes preservados, próximo a fontes permanentes de água e com grande quantidade de presas.
É listada como quase ameaçada na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Uma curiosidade: a onça-preta e a onça-pintada são animais da mesma espécie. Nos animais de coloração negra, conhecidos também como melânicos, as pintas são mais difíceis de notar, mas estão presentes em tom ainda mais escuro que o restante da pelagem.
Tatu-canastra (Priodonte Maximus)
O tatu-canastra, também conhecido como tatuaçu ou tatu gigante, é considerado o maior e mais raro dos tatus existentes no mundo. A espécie pode chegar a 1,5m de comprimento e pesar até 60 kg, sendo que, aparentemente, os machos são maiores e mais pesados que as fêmeas. O tatu-canastra é considerado pelos pesquisadores o “engenheiro do ecossistema”, ou seja, por meio de suas escavações, altera o ambiente físico e cria novos habitats.  apenas um filhote.
A espécie está ameaçada de extinção e é atualmente

Anta (Tapirus terrestres)
É o maior mamífero terrestre do Brasil e na América do Sul. Mede um metro de altura e dois metros de comprimento e pesa cerca de 300 kg. A característica mais distinta da espécie é sua narina, longa e flexível, que parece uma pequena tromba. A anta alimenta-se de folhas, frutos, vegetação aquática, brotos, gravetos, grama e caules que são digeridos graças à presença de microorganismos em seu aparelho digestivo. É uma espécie tipicamente solitária e de hábitos noturnos, mas também pode realizar atividades durante o dia.
Segundo a Lista Vermelha da IUCN seu estado de conservação é “vulnerável” (VU), mas a anta se encontra “Em Perigo” (EN) no Cerrado. O tipo de ameaça que sofre é a destruição de seu habitat, a caça, o fato das populações estarem isoladas e em declínio.
Tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla)
Essa espécie é facilmente reconhecida por sua pelagem característica, que tem uma faixa diagonal preta com bordas brancas, que se estende do peito até a metade do dorso. É um mamífero que mede cerca de 2,20 metros de comprimento, pesa até 45kg, tem uma cauda grande e com pelos grossos e compridos e um focinho longo.                    A degradação e a redução dos habitats são apontadas como as principais causas da perda populacional da espécie, mas a caça, o atropelamento em estradas e os incêndios florestais também contribuem para colocar o tamanduá-bandeira na lista de espécies ameaçadas de extinção.
Lobo-guará (Chrysocyon brachyurus)
O lobo-guará é considerado o maior canídeo sul-americano. Pesa de 20 a 30 kg e sua pelagem avermelhada com as pernas longas e finas dão um aspecto único ao animal.
Alimenta-se principalmente de pequenos roedores, aves terrestres e de frutas como, por exemplo, a fruta do lobo (Solanum lycocarpum). A estimativa é que existam pouco menos de 25 mil lobos-guará no mundo, sendo aproximadamente 20 mil deles no Brasil. A espécie aparece como “quase ameaçado” na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN. Isso significa que, mantendo-se as condições atuais, é provável que a espécie passe a ser classificada como ameaçada de extinção no futuro. Já na lista brasileira, o lobo-guará é classificado como ameaçado de extinção na categoria “vulnerável”.
WWF-Brasil no Cerrado
Desde 2010, o WWF-Brasil, por meio do Programa Cerrado Pantanal, desenvolve na região o Projeto Sertões. Em sua primeira fase (2010-2014), as ações do projeto foram focadas, principalmente, no incentivo à adoção de boas práticas de produção agropecuária (BPA´s); à implementação e gestão integrada das unidades de conservação; à comunicação, visando a valorização e o resgate do Cerrado e o planejamento territorial, que busca o planejamento sistemático da conservação no bioma Cerrado. A segunda fase do Projeto Sertões (2014/2018) prevê uma ampliação das linhas de ação, incluindo o fortalecimento do apoio ao extrativismo vegetal sustentável dos frutos do Cerrado.

baseado na publicação do http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/areas_prioritarias/cerrado/noticias/?47722/como-estao-os-big-five-do-cerrado#st_refDomain=&st_refQuery=

A Eugenia ta linda no cerrado

To no alto que é plano, ah sim, no Planalto. Que é Central
Estamos em setembro, tempo que muda, recomeço das aguas, numa expectativa de mais chuvas.
Arvinha que tava desnuda, ja se apresenta com seu buque, uma florescencia inigualável branco com leve tom de rosa pra daqui em diante se converte em fruta
Ha, não é apenas bela, é explendida; ma-ra-vi-lho-sa.
Em seguida frutifica globoso,, levemente ácido com um amarelo e polpa bem suculenta.
Os povos do cerrado, sempre repetem fruta dela não cai na poeira.
Assim recomeçamos pela florescencia mais um ciclo da vida no cerrado.
Um desculpa que achei pra falar um pouco da Eugenia.

Cagaiteira Eugenia Dysenterica

Cagaiteira
Eugenia Dysenterica


A cagaiteira é uma árvore sem exsudação ao se destacar a folha. Copa com ramos terminais avermelhados quando jovens e gemas ferrugíneas. Troncos com até 32cm de diâmetro; ritidoma de cor cinza ou castanho, com fissuras e cristas sinuosas e descontínuas, veios castanhos. Folhas simples; opostas, cruzadas; elípticas ou ovadas; 3 a 10cm de comprimento e 1 a 5cm de largura; ápices agudos, acuminados ou obtusos e bases assimétricas, agudas, subcordadas ou obtusas; margens inteiras e onduladas; nervação broquidódroma, nervuras primárias e secundárias amareladas; pecíolos de até 1cm de comprimento; sem estípulas, folhas coriáceas; concolores, com ou sem glândulas laminares que exalam odor agradável ao se amassarem as folhas; glabras. Flores de até 2cm de diâmetro; com quatro pétalas livres de cor branca. Frutos de até 4cm de diâmetro; carnosos; globóides; amarelos; suculentos quando maduros. Sementes de até 1,5cm de diâmetro; ovais; de cor creme; uma a quatro por fruto.
Habitat e distribuição – ocorre no cerrado sentido restrito e cerradão, no DF e nos estados BA, GO, MA, MT, MS, MG, PA, PI, SP e TO. Fenologia e reprodução – árvore decídua; folhação: agosto-setembro; floração: agosto-setembro; polinização: abelhas; frutificação: o ditado popular: ‘Cagaiteira não cai na poeira’, indica frutos maduros nas primeiras chuvas; dispersão: animais; sementes: 1.300/kg; germinação: taxa de até 97% com escarificação, as sementes perdem a viabilidade rapidamente.
Usos – frutos consumidos in natura e em iguarias regionais. Na medicina popular, os frutos são laxantes e as folhas são antidiarréicas e para o coração, as flores são usadas para os rins. É árvore melífera, tanífera, corticeira e ornamental.
Etimologia – Eugênia: homenagem ao príncipe Eugênio de Sabóia. Dysenterica: propriedade laxante dos frutos. Cagaita: alusão ao efeito laxante dos frutos.

O Cerrado e o monitoramento biológico das águas

O bioma Cerrado e a importância do monitoramento biológico das águas
O Cerrado ocupa em torno de 24% do território nacional e contribui de forma significativa para a produção hídrica superficial de oito das doze grandes bacias hidrográficas brasileiras. Dentre estas oito bacias hidrográficas, três possuem estreita dependência das águas fornecidas pelo Cerrado, devido à elevada quantidade de nascentes. Estas correm para diferentes porções do Brasil, correspondendo a 78% do montante da bacia dos rios Araguaia/Tocantins; 70% da bacia do rio São Francisco e 48% da bacia do rio Paraná.
esponjas
O bioma Cerrado teve uma ocupação desordenada e intensiva; a partir dos anos 1970 vem sofrendo grande pressão para exploração do solo, com a conversão de sua vegetação natural em pastagens e cultivos agrícolas (Felfili; Silva Jr., 2005). Nos últimos anos, a cana-de-açúcar vem concorrendo com as atividades agrícolas tradicionalmente desenvolvidas no local e constitui uma nova preocupação no manejo sustentável do bioma.
Cerca de 80% de sua área natural foi convertida para ocupação urbana ou de atividades agrícolas, implicando em degradação de mananciais (Resende, 2002). O desmatamento da vegetação nativa atinge, na maioria das vezes, as matas ripárias que, neste bioma, ocupam áreas com solo de boa qualidade (Ribeiro et al., 2001). Esta vegetação possui diversas contribuições na manutenção das condições ecológicas dos ambientes aquáticos, tais como a filtragem dos impactos do ambiente terrestre sobre os sistemas aquáticos.
Ações políticas e institucionais foram implantadas visando a manutenção dos recursos naturais, procurando minimizar efeitos advindos com o aumento populacional, como o caso da criação de Unidades de Conservação (Lei Federal n0 9985/2000). Nestes locais, não somente a vegetação é protegida, mas também todos os componentes ambientais ali presentes, abióticos e biológicos; enquadrando-se neste caso, as nascentes com suas águas límpidas e transparentes.
Um dos componentes ambientais mais afetados pela atividade humana é a qualidade e vida útil dos corpos d’água. Para a conservação da integridade desses recursos, diversos fatores são importantes, sendo que alguns interferem com maior severidade na manutenção da saúde desses recursos, principalmente quando o uso múltiplo da água é considerado.
O Cerrado é citado na literatura científica como um dos biomas de maior riqueza taxonômica do planeta e grande parte desta riqueza ainda está por ser conhecida (Oliveira-Filho; Medeiros, 2008), incluindo os invertebrados de água doce (Brasil, 2006); este cenário ilustra a importância da conservação e preservação das condições básicas da qualidade da água no bioma Cerrado.
Há muitos invertebrados macroscópicos que são usados para diagnosticar a saúde do rio por ocuparem os mais diversos hábitats, como o sedimento dos cursos d’água (denominados bentônicos); associados a macrófitas aquáticas; troncos submersos; plantas que acumulam água, como é o caso de bromélias, e outros ambientes.
O amplo uso dos macroinvertebrados bentônicos na avaliação da qualidade biológica da água baseia-se na facilidade de amostragem e identificação, ao fato de terem reduzido movimento de dispersão e apresentarem uma grande diversidade de hábito alimentar, representando vários níveis tróficos (Fontoura, 1985). Os insetos constituem a maior parte da comunidade nos sistemas aquáticos (Ribeiro; Uieda, 2005) e são considerados verdadeiros aquáticos quando passam toda sua vida embaixo da água.

Apesar dos esforços de alguns pesquisadores em conduzir estudos sobre a biologia de insetos aquáticos e seu potencial como indicadores ambientais no Cerrado (Angelini et al., 2008 e Fernandes, 2007 dentre outros), este tipo de pesquisa ainda é incipiente no bioma. Os estados que apresentam informações a respeito da entomofauna aquática são Minas Gerais, Goiás, Tocantins e Distrito Federal, com menor número de publicações provenientes deste dois últimos.
O conhecimento sobre a biologia e as interações ecológicas destes grupos confere suporte à implantação de programas de monitoramento biológico da qualidade da água, com possibilidade de capacitação da população. Esta participação da comunidade e a divulgação da importância do cuidado do recurso aquático por meio de atividades de educação ambiental visando o manejo do recurso hídrico são modos simples, construtivos e eficientes utilizados em todo o mundo e cuja implantação no bioma Cerrado está em processo.
Kathia C. Sonoda e Eduardo C. Oliveira-Filho
Pesquisadores da Embrapa Cerrados (Planaltina/DF)
Contato: kathia.sonoda@cpac.embrapa.br e cyrino@cpac.embrapa.br

Quiabo-da-lapa planta do cerrado que não frequenta a mesa do consumidor

Aqui pelos lados do cerrado mineiro, se a gente juntar tudo que choveu no finalzinho do ano passado com mais o tiquinho de água que desceu nesse começo de ano, quase que não dá pra encher uma caneca! Dei de ficar matutando como é que esse mundão de gente morando nos ajuntamentos das grandes cidades vai beber e comer… Muita gente acha que comida brota nas prateleiras dos supermercados. E, quando acaba, é só buscar lá no depósito que tudo se resolve. Será?
Quem vive de plantar, colher, beneficiar e depois vender, sabe que a coisa não é bem assim. Na lavouragem do dia a dia, somente um ou outro produtor rural tem água em quantidade pra tocar seu roçado e garantir alimentação pra essa tanteira de gente urbanoide. A maioria dos produtores depende do regime de chuvas, que anda bem descabeceado nesses últimos tempos.
quiabo da lapa
Sob essa perspectiva, a experimentação de novas plantas para compor o cardápio naturalmente tende a aumentar. Pensando nisso, lembrei-me de uma prosa antiga que travei com meu amigo Ademil, garimpeiro antigo, que em sua mocidade explorou, com força, ouro e diamante nas cabeceiras do Jequitinhonha. De acordo com ele, “naquele tempo, dificuldade é que num faltava, pois as distâncias demasiadas e o transporte só se dava a pé ou em lombo de animal. Pra gente comer, cada qual se virava como podia e, muitas das vezes, a solução era procurar por ali mermo qualquer coisa que desse pra gente tapar o buraco da barriga. E olha que trabalho de garimpo é serviço bruto e, quando dava a volta do dia, a fome montava medonha!”.
Curioso, perguntei-lhe por um exemplo de coisa diferente usada por eles na alimentação e a resposta veio rápida: “Nessas serras, o quiabo-da-lapa (Cipocereus minensis) dá por todo lado e aquilo é gostoso demais. O cozinheiro é que penava pra despelar toda aquela espinharia, pois primeiro tinha de sapecar ele no fogo, segurando com cuidado pra não espetá a mão e, em seguida, raspava a casca com uma faca até desfazer a espinhada. Daí, era só o tempo do toicinho chiar na panela pra gente refogar ele já picadinho. Com angu forrando prato e o quiabo-da-lapa meio babento, derramado por riba, hummm, é uma delícia”.
Como essa planta, existem centenas de espécies vegetais com grande potencial alimentício e que não frequentam a mesa do consumidor, principalmente por falta de informação. O recente lançamento do livro “Plantas Alimentícias Não Convencionais no Brasil”, da Editora Plantarum, tenta resolver essa limitação. Com belas imagens, são descritas mais de 300 novas possibilidades alimentares, assim como o quiabo-da-lapa, sempre acompanhadas por três receitas já experimentadas. Para quem gosta de se aventurar na cozinha, essa publicação é uma viagem sem volta a novos sabores.
Bom apetite e até a próxima lua!
reportagem de Marcos Guião – redacao@revistaecologico.com.br

Bromélias no cerrado

BROMÉLIA / GRAVATÁ. (PÓS-FOGO).
Trabalhos taxonômicos com os Cactos, Bromeliáceas, quase sempre são plantas que dividem os mesmos habitat.
Bromélias do Cerrado, onde nos seus diferentes ecossistemas vivem centenas de espécies endêmicas.
Durante esses anos, a regra é a destruição de vários habitat dessa família no Bioma Cerrado e, com o desmatamento indiscriminado, uma prática incontrolável e em acelerado avanço, é certo que dezenas de espécies já foram extintas e outras correm também risco iminente.

Abacaxi-de-tingir Abacaxi de tingir (Aechmea bromeliifolia)
(Aechmea bromeliifolia) Bromeliaceae
Bromélia típica da Mata Atlântica. Folhas rígidas e encartuchadas.
Inflorescência em forma de espiga, na extremidade de uma haste
ereta. Brácteas vermelhas ou róseas.Fornece uma tinta amarela,
empregada em tinturaria.

Cravo-do-mato (Tillandsia Geminiflora)
Bromeliaceae
Planta nativa do Brasil. Folhas maleáveis. Inflorescência em
racemo heterotético globosa, densa. Brácteas primárias verdes
vinosa. Brácteas florais triangulares. Ocorre na Caatinga, Cerrado
e Mata Atlântica. É exclusivamente epífita.
Bromélia-zebra (Aechmea chantinii) (2)
Bromélia vaso prateado
(Aechmea fasciata)
Bromeliaceae
Bromélia de porte médio. Folhas rígidas, com espinhos na borda,
dispostas de forma roseta. Inflorescência formada por pequeninas
flores azuladas e brácteas cor-de-rosa. Os exemplares típicos
apresentam faixas transversais claras em suas folhas.

No Cerrado, as Bromélias remanescentes do desmatamento e do fogo, são sistematicamente destruídas pelos agricultores que não suportam seus espinhos e assim, várias espécies desconhecidas pela ciência, estão sendo extintas antes mesmo de serem conhecidas
BROMÉLIAS (bromeliad)
Plantas tropicais de grande popularidade e muito usadas em decoração de jardins.
Não são plantas parasitas, são epífitas (se apoiam em outro vegetal para sobreviver).
Também podem ser terrestres ou rupícolas.
Suas inflorescências são compostas por lindas brácteas coloridas.

As pessoas não morrem ficam encantadas

Saudades de João, prerrogativa peculiar de ter saudades a nós brasilianos, me faz retratar uma frase dele “As pessoas não morrem, ficam encantadas”.
Por necessidade pessoal, senti uma baita vontade de compartilhar um pouco do que representa as obras rosianas para o cerrado brasileiro. Sucumbi a um texto um pouco mais expansivo, tambem dificil poucas palvaras expressar a grandeza de João.
Diante e a todo instante os maus preságios de idas e vindas de ações desenfreadas e de nossas atividades em conciliar o ímpeto urbano por sobrepor às questões mais distintas da natureza. Não sucumbi, apenas busco uma pausa pra restabelecer qual o rumo.
Guimarães Rosa conseguiu universalizar o regionalismo mineiro. Sua obra flutua entre o realismo épico e o realismo mágico, adaptando o natural, o místico, o fantástico e o infantil em novas perspectivas.GuimaraesRosa
“Faz-se travesseiro com o paletó dobrado e deitar-se no capim, à sombra dos ingás, namorando a ravina florejante… voou uma ave; mas não era hora de canto de passarinhos. Foi Lalino quem cantou: Eu estou triste como sapo na água suja”. Sagarana.
Seu estilo é requintado e elaborado; experimentava linguagem própria, articulada sob uma lógica inexorável. Seus personagens são brilhantemente criados fisicamente e também na sua personalidade marcante de homens rústicos.
“De mim, pessoa, vivo para minha mulher que todo modo-melhor merece, e para a devoção. Bem dela, graças. Amor vem de amor. Em Diadorim penso também, mas Diadorim é minha neblina.” Grande Sertão: veredas.
O cenário é descrito com riqueza de conhecimento da terra, dos animais e plantas do sertão.
“Lhe mostrar os altos claros das Almas: rio despenha de lã, num afã, espuma próspero, gruge; cada cachoeira, só tombos. O cio do tigre preto na Serra do Tatu. Já ouviu gargaragem de onça?… Quem me ensinou a apreciar essas belezas sem dono foi Diadorim.” Grande Sertão: veredas.
Uma de suas preocupações é o aprofundamento da visão pessoal das coisas e seres.
“Por mim, o que pensei, foi: que eu não tive pai; quer dizer isso, pois nem eu nunca soube autorizado o nome dele. Não me envergonho, por ser de escuro nascimento. Órfão de conhecença e de papéis legais. É o que vi mais nestes sertões.” Grande Sertão: veredas.
Em alguns de seus livros, ele radicaliza sua pesquisa lingüística e alcança excelentes efeitos na sonoridade de suas frases.
A arte de Guimarães Rosa é extremamente difícil. Ele repelia o improviso e, com grande esforço, escolhia palavras comuns dando vida às caatingas, às atitudes dos caboclos e aos diálogos cheios de provérbios matutos, aproximando-se inteiramente da língua do interiorano.
“- A onça, o povo dizia que ela tinha vindo de longe. Onça-tigre macha, das do mato-grosso… Onça é bicho doido para caminhar, e que anda só de noite, capeando o que sangrar… Pois, naquela ocasião, eu estava crente que ela estava a muitas léguas de onde é que eu estava… Pensei que andasse pelo Maquine.” Burrinho pedrês.
Seu primeiro livro, “Sagarana”, consagrou-o como escritor, pela inovação e revolução que provocou. Recebeu críticas e ataques, mas não se inova nem renova sem revolução. Foi considerada a melhor prosa regionalista de um período extremamente rico em obras centradas na vida rural brasileira.
“No pastinho. Debaixo de um itapicuru, eu fumava, pensava, e apreciava a tropilha de cavalos, que retouçavam no gramado vasto. A cerca impedia que eles me vissem. E alguns estavam muito perto.” Sagarana.
O impacto de “Sagarana” foi abrandado com a apresentação de “Corpo de baile”, em que sua técnica se aprimorou. “Ia haver a festa. Naquele lugar – nem fazenda, só um reposto, um curraus-degado, pobre e novo ali entre o Rio e a Serra das Gerais, onde o cheiro dos bois apenas começava a corrigir o ar áspero das ervas e árvores do campo-cerrado, e nos matos, manhã e noite, e os grandes macacos roncavam como engenhode- pau moendo.” Corpo de baile / Manuelzão e Miguilim
Mas voltou mais violento com “Grande sertão: veredas”, seu único romance, o livro mais incomum de nossa literatura e um dos romances mais importantes da literatura brasileira. O contato com essa obra empolga e perturba ao mesmo tempo. Empolga pelo imprevisto e pela criatividade inventiva que o singularizaram. Perturba pela capacidade inovadora de sua linguagem e pelos problemas apresentados, envolvendo o leitor no desequilíbrio do personagem – narrador. Lírico e epopéico reconsidera a dimensão do homem simples do interior, mostrando sua luta numa lição de vida.
“Grande sertão” é a história do jagunço Riobaldo, desde a sua entrada num bando até assumir o lugar de chefe pelo voto dos companheiros. Nesse bando conhece Diadorim, misteriosa figura humana, por quem Riobaldo desenvolve, atormentado, uma paixão inconfessável.
“E o pobre de mim, minha tristeza me atrasava, consumido. Eu não tinha competência de querer viver, tão acabadiço, até o cumprimento de respirar me sacava. E Diadorim, às vezes conheci que a saudade dele não me desse repouso; nem o nele imaginar.” Grande sertão: veredas
“A hora e a vez de Augusto Matraga”, conto que foi considerado um dos mais notáveis de nossa literatura, foi transformado em filme, pelos cineastas Roberto Santos e Luís Carlos Barreto.
Outros contos como: “Burrinho pedrês”, “Duelo”, “Conversa de bois”, também foram considerados obras-primas. O mesmo podemos dizer de suas novelas: “Corpo de baile” que foi dividida mais tarde em: “Manuelzão e Miguilim”, “No Urubuquaquá, no Pinhém”, e “Noites do sertão”. Em “Primeiras estórias” e “Tutaméia”, foi minucioso ao afirmar e reafirmar maravilhas.
“Esta é a estória. Ia um menino, com os tios, passar dias no lugar onde se
construía a grande cidade. Era uma viagem inventada no feliz; para ele,
produzia-se em caso de sonho.” Primeiras estórias
O restante de suas obras foi publicado postumamente: “Estas estórias” em 1969 e “Ave, palavra” em 1970.
João Guimarães Rosa foi um fenômeno dentro da literatura brasileira. Surgiu com um volume de contos que marcou nossa literatura. Sua linguagem experimental, sua capacidade, seu modo fictício apuraram o a obra literária, ampliando-lhe extraordinários caminhos.
Espírito criativo era sensível e emotivo. Emoção que causou sua morte ao tomar posse na Academia Brasileira de Letras: três dias aos esta data veio falecer sozinho em sua casa, na mesa de trabalho.
João Guimarães Rosa nasceu em Cordisburgo, Minas Gerais, em 27 de junho de 1908.
Médico dedicado tornou-se respeitadíssimo naquela região.
Foi premiado pela Academia Brasileira de Letras pelo seu primeiro livro de poesias “Magma”; apesar disso, tal obra nunca foi publicada.
Em 1937, a saudade da terra fez com que Guimarães Rosa escrevesse a coletânea de contos “Sagarana”; onde com estilo expressivo, revelam a paisagem mineira com toda a beleza agreste, a vida rural, estórias de gente simples, reais e imaginárias; o mundo no qual passou sua infância e também a juventude. Colocava em sua obra a linguagem rica e original daquela gente, registrando regionalismos nunca antes usados na literatura.
Em 1956, publica “Corpo de baile”, novelas, tendo como cenário o mesmo sertão mineiro. A linguagem de grande riqueza apresenta forte plasticidade, com descrição detalhada das regiões.
Nesse mesmo ano, apresenta seu único romance “Grande sertão: veredas” focando numa nova dimensão a religião e o povo simples do sertão de Minas Gerais. Nele exibe com brilhantismo sua capacidade de divulgar seu mundo.
Com isso, ficou reconhecido como figura singular no panorama de nossa literatura moderna, e o romance foi considerado verdadeira obra prima.
Em 1963, é eleito membro efetivo da Academia Brasileira de Letras, mas não
toma posse, receando a emoção da noite.
Seus livros são traduzidos para vários idiomas: inglês, italiano, alemão.
Em meados de 1967 publica “Tutaméia”, outra coletânea de contos, que revelava uma obscuridade em suas particularidades e foi considerada uma bomba atômica da literatura brasileira.
No dia 16 de novembro de 1967, finalmente decide tomar posse na Academia Brasileira de Letras, vindo a falecer três dias após, em 19 de novembro de 1967.
Na manhã seguinte, seu corpo foi transportado para a Academia Brasileira de
Letras, onde pôde ser visitado por centenas de pessoas, desde anônimos a
figuras ilustres da nossa política e da nossa literatura.
Sua morte teve grande repercussão na imprensa do Brasil e do exterior.O
jornal “O Estado de São Paulo” publicou a notícia de sua morte ressaltando
uma das frases de seu discurso de posse na Academia: “As pessoas não
morrem, ficam encantadas”.

Sobre “Guimarães Rosa” se disse:
“Rosa dos seus e dos outros,
Rosa da gente e do mundo,
Rosa de intensa poesia
De fino olor sem segundo: Rosa do rio e da rua,
Rosa do sertão profundo!”
Manuel Bandeira
“João era fabulista?
Fabuloso?
Fábula? (…)
Ficamos sem saber o que era joão
E se João existiu
De se pegar.”
Carlos Drummond de Andrade
“Autor absolutamente inqualificável,
a não ser nas categorias do gênio.
isto é, dos grandes isolados.”
Tristão de Athayde
É hoje –
como a arquitetura de Brasília,
uma das conquistas mundias da cultura
brasileira.”
Afonso Arinos
Conclusão
Criou seu regionalismo através de pesquisas particulares. Ele viajou, viu, conversou e estudou jagunços, vaqueiros, coronéis, peões, prostitutas e beatas. Tomava anotações de todas as conversas e observava as peculiaridades que lhe pareciam diferentes. E daí surgiu a mais importante de suas características: o uso da linguagem viva, tal como é empregada pelo povo
da terra que lhe serviu de braço.
As histórias de Guimarães Rosa tem caráter de fábulas, que revelam uma visão global da existência, que revelam uma visão global da existência, fundido tudo numa realidade em que estão presentes os planos geográfico, folclórico, social, econômico, político e psicológico, transmitidos pela sua arte de escritor.
“João Guimarães Rosa é tudo isso: passado, presente e futuro, bem e mal, divino e demoníaco, uno e múltiplo, microcosmo e universo, tudo visto em uma única e enorme dimensão como um dos grandes para muitos, o maior dos escritores brasileiros.”

Bibliografia
ENCICLOPÉDIA ABRIL. S. Paulo: Abril Cultural, 1972, v.6.
GARBUGLIO, José Carlos. O mundo movente de Guimarães Rosa. S. Paulo:
Ática, 1972.

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