Tag Archive | preservação

serviços ambientais

Foto2_VeredaBuritis-300x225

Foto Vereda Buritis – Arquifotos

A definição de serviços ambientais ou serviços ecossistêmicos : trata-se dos benefícios que as pessoas obtêm da natureza direta ou indiretamente, através dos ecossistemas, a fim de sustentar a vida no planeta.

O valor econômico do meio ambiente revela os preços dos serviços ambientais, prestados pela natureza, que não foram pagos. Este valor é calculado pelo uso dos métodos de valoração ambiental que buscam estimar um valor para o recurso ambiental, fora da forma monetária convencional. Mais especificamente, busca mensurar as preferências individuais das pessoas por um recurso ou serviço ambiental.

Os ecossistemas proveem a purificação da água e do ar, amenizam os fenômenos climáticos violentos (como ciclones, tornados e tufões) e protegem contra desastres naturais (por exemplo, tsunamis e deslizamentos de terra); decompõem o lixo, mantêm os solos férteis e ajudam no controle de erosões. Animais, como as abelhas, vespas e formigas, polinizam as plantas que, enquanto crescem, sequestram carbono da atmosfera. Outros, como a cotia e o mico-leão-dourado, ajudam as florestas e matas dispersando sementes. As fezes animais fertilizam o solo. Por sua vez, as florestas fornecem madeira, alimentos, substâncias medicinais, fibras e produzem recursos genéticos (qualquer material de origem vegetal, animal ou microbiana que contenha unidades funcionais de genes e apresentem valor econômico real ou potencial). Os sistemas fluviais disponibilizam água doce, o mais essencial dos recursos, movem hidrelétricas para produzir energia, quando navegáveis substituem estradas e são usados como áreas de lazer. As zonas úmidas costeiras filtram os resíduos, mitigam as cheias e servem de viveiro para a fauna marinha, o que permite a pesca comercial. Todos estes são exemplos de serviços ambientais.

A Avaliação Ecossistêmica do Milênio da ONU, publicada em 2005, criou uma classificação para os serviços ambientais, dividindo-os da seguinte forma:

(1) Serviços de Provisão: os produtos obtidos dos ecossistemas. Exemplos: alimentos, água doce, fibras, produtos químicos, madeira.

(2) Serviços de Regulação: benefícios obtidos a partir de processos naturais que regulam as condições ambientais. Exemplos: absorção de CO² pela fotossíntese das florestas; controle do clima, polinização de plantas, controle de doenças e pragas.

(3) Serviços Culturais: São os benefícios intangíveis obtidos, de natureza recreativa, educacional, religiosa ou estético-paisagística.

(4) Serviços de Suporte: Contribuem para a produção de outros serviços ecossistêmicos: Ciclagem de nutrientes, formação do solo, dispersão de sementes.

A preservação dos ecossistemas e, consequentemente, dos serviços ambientais por eles prestados é fundamental à existência humana. No entanto, economicamente, a preservação por muito tempo não foi vista como atraente. Em curto prazo, outras atividades, como a pecuária e a produção de grãos, são mais lucrativas, porém degradam o ambiente.

As atividades que destroem recursos ambientais criam problemas até para si mesmas. A agricultura e a pecuária geram florestas e matas ciliares, o que, por exemplo, interfere com o fornecimento de água e indiretamente com o clima. Recuperar áreas degradadas é caro, tal como o caso de despoluir um rio ou recuperar uma floresta queimada.

As técnicas de valoração ambiental são uma ferramenta para mostrar o custo que a degradação gera. Elas atribuem um valor monetário aos serviços prestados pelos ecossistemas. Explicitar esses custos para o resto da economia pode incentivar a conservar os recursos naturais ou a usá-los de maneiras que sejam sustentáveis.

Da valoração ambiental surge o conceito de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), definido como uma transação voluntária, na qual um serviço ambiental bem definido ou um uso da terra que possa assegurar este serviço é adquirido por um comprador de um provedor, sob a condição de que o provedor garanta a provisão deste serviço.

Entre as modalidades de PSA estão o mercado de carbono, o ICMS Ecológico, o REDD e os projetos de proteção de recursos hídricos.

Hoje, a questão do pagamento por serviços ambientais é discutida como forma não apenas proteger ecossistemas, mas também de criar alternativas econômicas para melhorar a renda e a qualidade de vida de povos que vivem na floresta e dela dependem para sobreviver.

Calcular o valor do serviço prestado pelo meio ambiente é uma tarefa de extrema importância quando se trata de decisões públicas, embora seja bastante empírico afirmar que a vegetação implantada poderá oferecer similarmente os mesmos serviços ambientais.

O Brasil destaca-se por sua megabiodiversidade, não totalmente conhecida e muito menos aproveitada. Destaca-se ainda pelo rápido processo que está levando à eliminação dessa riqueza potencial. O caso mais antigo, que ilustra o processo, é o da Mata Atlântica, explorada durante séculos e hoje restrita a menos de 7% de seu tamanho original. O caso mais famoso é o da Amazônia, da qual mais 17% foram desmatados. Emblemático é o caso do Cerrado, com mais de 50% de sua área original completamente ocupada por atividades produtivas, mas para o qual ainda faltam informações e estimativas mais precisas sobre sua destruição.
É emblemático porque, entre outras razões, enquanto para a Amazônia, a Mata Atlântica, o Pantanal e a Caatinga existem programas governamentais de conservação ambiental em andamento, não há nenhuma estratégia governamental especialmente orientada para a sustentabilidade do Cerrado. A simples existência de programas de conservação não é suficiente para lidar com a complexidade dos fatores envolvidos no empobrecimento ambiental, mas é importante instrumento de política pública. Isso porque evidencia o interesse da sociedade pelo tema, fomenta iniciativas de conservação e uso sustentável e o levantamento de informações e, especialmente, colaboram para a formação de consciência pública e de capital social. Por isto, programas de conservação e uso sustentável da biodiversidade devem constituir-se em políticas mais estruturantes para os Biomas.

Situação crítica do cerrado  com vários problemas associados. Um deles é a própria característica do Cerrado. Ele tem uma grande hetereogenidade, formações vegetais que são mais abertas, até aquelas que são bem fechadas, cerradão, uma savana arbórea bem densa. Porem, isso é ecologicamente é muito interessante, há muita biodiversidade, em termos de conservação existe uma demanda maior. Ou seja, não se pode conservar um outra fisionomia, é preciso preservar o mosaíco das fisionomias. Existe uma dinâmica entre todas elas, pelo uso que se dá, pela ocorrência de queimadas. Estruturalmente são semelhantes, você o reconhece como Cerrado, mas em termos de composição de espécie, são diferentes. Tem algumas poucas espécies vegetais, que chamamos de oligárquicas,  distribuídas por todo o bioma. Mas no geral, tem-se uma grande variação. Isso significa que não se pode tratar a porção central do Cerrado como nas áreas de transição. São características fascinantes, mas que impõem dificuldades à conservação. Vale salientar que estamos falando de 24% do território nacional.

Artigo  do MMA 2008, Pagamentos por serviços ambientais: perspectivas para a Amazônia Legal; Sven Wunder, Jan Börner, Marcos Rügnitz Tito e Lígia Pereira

Anúncios

Estudos e incertezas sobre o cerrado

Histórias evolutivas divergentes dão formas distintas às savanas atuais e afetam possíveis respostas a mudanças climáticas

A fauna de grande porte, como estas manadas de zebras  e gnus no Parque Nacional de Ngorongoro, na Tanzânia, reduz  a campo parte da paisagem africana

A fauna de grande porte, como estas manadas de zebras e gnus no Parque Nacional de Ngorongoro, na Tanzânia, reduz a campo parte da paisagem africana

Árvores pequenas e retorcidas, às vezes com a casca dos troncos transformada em carvão pela passagem do fogo, em meio a um tapete de capim. Quem já viu logo reconhece o cerrado, a savana brasileira. Na África e na Austrália, os dois outros continentes em que o bioma é característico, as savanas formam paisagens muito parecidas. Mas a semelhança é superficial, já que o cerrado tem uma biodiversidade maior a ponto de estar na lista de 34 áreas no mundo com maior riqueza de espécies, e sob ameaça de extinção – os hotspots.

A novidade é que as savanas dos três continentes também diferem em como respondem ao fogo, à umidade e à temperatura, conforme um grupo internacional, com a participação de brasileiros, mostrou em janeiro na revista Science a partir de dados compilados em mais de 100 estudos realizados em 2.154 áreas de savana na América do Sul, na África e na Austrália.

Além da importância para compreender o funcionamento desse ambiente, os achados são essenciais para a criação de modelos que prevejam a reação das savanas às mudanças climáticas e estimem a sua capacidade de amenizar essas alterações ao remover carbono do ar.
“Conseguimos ver um papel aparente da história evolutiva na determinação da dinâmica contemporânea do bioma”, diz Caroline Lehmann, da Universidade de Edimburgo, na Escócia. Essa visão mais abrangente é para ela a conclusão mais empolgante do trabalho que coordenou. As diferenças parecem acontecer porque a savana é relativamente jovem: deve ter surgido entre 3 milhões e 8 milhões de anos atrás. Nessa época, os continentes já estavam separados havia um bom tempo e suas floras e faunas tinham acumulado diferenças marcantes. As espécies de árvores presentes, com uma dominância de mirtáceas (família que inclui a pitanga, a goiaba, a jabuticaba e o eucalipto) na Austrália e de leguminosas na África, são distintas em fenologia – a periodicidade com que produzem flores e frutos –,resistência ao fogo, crescimento e arquitetura. Já o cerrado, a mais diversa das savanas, não tem uma família botânica predominante.

Um olhar mais atento sobre os fatores ambientais que regem esses ecossistemas revelou que eles estão por trás de diferenças funcionais. Na África e na Austrália, as chuvas e a temperatura têm um efeito forte em aumentar a frequência do fogo, já que propiciam o crescimento de capins. Em menor intensidade, esses fatores também afetam o tamanho das árvores. Na América do Sul essas relações são muito fracas, tanto no Brasil como na Venezuela, onde também há vegetação savânica. A variação de um continente para o outro surpreendeu os pesquisadores, que esperavam uma homogeneidade maior. “Em retrospecto, parece bastante óbvio quando se considera a diversidade na arquitetura e na fenologia das árvores nessas regiões”, reflete Caroline.

Com pouca água para agricultura, na Austrália as savanas são mais preservadas

Com pouca água para agricultura, na Austrália as savanas são mais preservadas

O importante é que essa variação significa que não é possível usar um único modelo para prever qual será, por exemplo, a biomassa de árvores em determinadas condições ambientais, ou como a vegetação reagirá a mudanças na temperatura global. Uma particularidade do cerrado é ter evoluído num ambiente mais úmido do que as outras savanas. “Nos outros continentes, sob o mesmo clima em que aqui há cerrado, já haveria floresta”, exemplifica a engenheira florestal Giselda Durigan, do Instituto Florestal do Estado de São Paulo em Assis, interior paulista, coautora do estudo.

As particularidades da África também se devem à grande variedade de herbívoros de tamanho avantajado – como elefantes, antílopes ou zebras, com suas manadas populosas – cuja voracidade vegetariana impede a sobrevivência das mudas de árvores e torna muito mais comum o campo dominado por capins.

“A ausência da megafauna na América do Sul é em grande parte responsável pela diversidade do cerrado”, diz Giselda.

Sem os grandes herbívoros – aqui muitas vezes representados pelo gado –, o que mantém aberta a fisionomia do cerrado é o fogo. Quando não há queimadas, as árvores crescem, se multiplicam e inibem a germinação e o desenvolvimento de espécies endêmicas, que não toleram a sombra. Sem fogo e sem pastejo, o próprio capim pode prejudicar os brotos que precisam de luz. Um exemplo de como a fauna e as queimadas são parte integrante do ecossistema apareceu na pesquisa que Giselda vem realizando na Estação Ecológica de Santa Bárbara, no interior paulista. Ela encontrou uma planta com menos de 10 centímetros de altura que descobriu ser um exemplar de Galium humile, da família do café, uma espécie que não era coletada no estado desde 1918. O curioso é que o achado se deu justamente numa área que nas últimas décadas foi muito sujeita a incêndios e ao uso como pastagem. “A flora e a fauna do cerrado dependem da passagem do fogo”, alerta Giselda. “No Brasil vamos ter que aprender a usá-lo como ferramenta de manejo, agora que a lei prevê a prática para o bem do ecossistema.”

Investigações como a do grupo de Giselda foram a base para o artigo publicado na Science, que reúne dados de muitos outros grupos de pesquisa. “É um tipo de estudo que ganha em abrangência, mas perde em detalhe”, comenta Giselda. Ela foi convidada para a reunião na Austrália que formou o grupo de trabalho em 2009, mas não pôde participar por conflitos de agenda: estava naquele país no mesmo momento, mas em outro evento. A única representante brasileira era, por isso, a engenheira florestal Jeanine Felfili, da Universidade de Brasília (UnB). Mas logo em seguida Jeanine não sobreviveu a um acidente vascular cerebral, e parte de sua contribuição foi concretizada por Ricardo Haidar, à época seu estudante de mestrado. Mesmo assim, em 2013 uma primeira versão do artigo foi recusada pela revista por ter poucos dados sul-americanos. Caroline então procurou Giselda, que nesse momento não só estava disponível como acabara de participar de um extenso levantamento sobre o cerrado e tinha todos os dados necessários na cabeça e no computador. “Muitos dos dados estavam em artigos em português ou mesmo ainda em teses”, conta a brasileira. Por isso, na prática eram invisíveis para os estrangeiros.

De olho no futuro

Com a sua contribuição o estudo se tornou mais representativo, com modelos estatísticos mais robustos para estimar o efeito de cada uma das variáveis sobre a biomassa da savana. Esses modelos também buscam prever o que pode acontecer com o porte das savanas diante das mudanças previstas no clima das próximas décadas. Ao considerar um aumento de quatro graus Celsius (°C) na média anual de temperatura, o estudo mostrou diferenças marcantes entre os modelos globais e regionais de alteração na biomassa das savanas. Na África, por exemplo, o modelo que não distingue continentes prevê uma leve redução na biomassa, enquanto o específico indica que haverá um aumento. Para a América do Sul, o modelo regional prevê, nesse cenário, uma redução de biomassa bem maior do que aquela prevista pela simulação global.

As cascas espessas das árvores do cerrado são essenciais para resistir ao fogo

As cascas espessas das árvores do cerrado são essenciais para resistir ao fogo

 “Os mapas de biomassa prevista derivados de nossos modelos estatísticos são adequados para propósitos ilustrativos”, relativiza Caroline. “Mas, na verdade, as pessoas exercem uma influência enorme nos padrões atuais de biomassa por meio de desmatamento, agricultura, pecuária e derrubada seletiva.” Ela imagina, por isso, que haja bastante descompasso entre as previsões dos modelos e o que realmente acontece. E destaca o cerrado, que tem passado por transformações muito mais extensas do que as outras savanas, devido ao uso para a agropecuária, e já perdeu quase metade de seu território.

Mas antecipar o que as mudanças ambientais causarão nas savanas ainda é impossível, não só pela incerteza quanto ao que acontecerá no clima de cada continente. O problema é especialmente complexo para esses ecossistemas por sua enorme diversidade entre os continentes e dentro de cada um deles. O estudo se concentrou nas savanas mais típicas, que têm uma divisão mais ou menos equilibrada entre árvores e capins. Mas em cada um dos continentes o bioma pode ser desde um capinzal até uma floresta mais densa de árvores altas, com um estrato herbáceo esparso. “O aumento nas concentrações de CO2 atmosférico deve afetar de forma diferente os capins tropicais e as árvores, mudando o equilíbrio competitivo entre essas plantas centrais do sistema”, explica Caroline. Os efeitos serão variáveis conforme a região. “Posso dizer que nossa falta de compreensão de como os sistemas de savana podem responder à mudança climática é uma falha de conhecimento crítica que deveria ser levada a sério.” Para ela as savanas, que cobrem cerca de 20% da superfície terrestre do planeta, devem ser estudadas com tanto afinco quanto a Amazônia e outras florestas tropicais.
Intrigada com a relação fraca entre as variações de temperatura e chuva e a vegetação do cerrado, Giselda acredita que encontrará respostas abaixo da superfície. As características físicas do solo têm forte influência sobre a disponibilidade de água para as plantas, que precisam dessas reservas para enfrentar os períodos de estiagem. “Quando o solo é argiloso, uma seca de quatro meses é sentida pelas plantas como se durasse apenas dois meses”, explica. Isso acontece porque a argila consegue reter água em maior quantidade e por mais tempo do que a areia. “Mas quando há argila demais a água fica retida de tal maneira que as plantas não conseguem captar.” As condições ideais para o desenvolvimento das plantas, portanto, envolvem um equilíbrio sutil dos componentes do solo, que é mais variável de um ponto a outro do cerrado do que nas outras savanas.

Os modelos produzidos no estudo da Science para estudar a relação entre fatores ambientais e a biomassa arbórea levaram em conta os teores de carbono e de areia numa camada de 50 centímetros de profundidade. O carbono serve como medida da matéria orgânica ou do conteúdo em nutrientes do solo, e a areia como estimativa de sua capacidade de retenção de água. Mas esses indicadores são insuficientes, de acordo com Giselda, e foram escolhidos por estarem disponíveis sobre as savanas de todo o planeta.
Ao dar indicações das variáveis ambientais importantes para as savanas, o estudo aponta direções importantes para trabalhos futuros. Giselda imagina o que seria necessário para se ter uma compreensão melhor da complexa relação entre o solo, o clima e o cerrado: uma rede de pesquisa com grupos trabalhando em toda a extensão do bioma, cavando trincheiras em várias profundidades para examinar o solo e relacionar suas propriedades com o porte e outras características da vegetação.

Artigo científico
 
LEHMANN, C. E. R. et al. Savanna vegetation-fire-climate relationships differ among continents. Science. v. 343, n. 6.170, p. 548-52. 31 jan. 201

A preservação do Cerrado e as limitações impostas pela Constituição do Brasil.

bioma do cerrado

Biomas do cerrado Imagem de arquivo

O Cerrado é o segundo maior bioma do País, com biodiversidade que pode chegar a 5 mil espécies de plantas vasculares, sendo 80% de porte herbáceo ou arbustivo. Mas nem só de vegetação rasteira vive a chamada Savana brasileira. A paisagem do Cerrado possui uma grande variação entre a quantidade de árvores e ervas. O resultado é um cenário variado, que vai desde o campo limpo, com a vegetação dominada por gramíneas e sem a presença de elementos lenhosos, passando pelo cerrado fechado, o cerradão, que se assemelha com uma floresta, com grande quantidade de árvores e aspecto florestal. Há ainda formas intermediárias: campo sujo, campo cerrado e cerrado stricto sensu, classificadas de acordo com a densidade crescente dos arbustos.

Predomínio de árvores retorcidas, distribuídas esparsamente entre um tapete de gramíneas. Assim pode ser caracterizado o Cerrado, bioma típico predominante no Planalto Central brasileiro. Goiás, Tocantins e Distrito Federal, e ainda integra a paisagem de parte da Bahia, Ceará, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Piauí, Rondônia e São Paulo. Ao todo, são 2 milhões de km² – quase quatro vezes o tamanho da Espanha – que recobrem cerca de um quarto do território do Brasil e são encontrados também ao norte do Amapá, Amazonas, Pará e, ao sul, em pequenas ilhas do Paraná.

pire 3

arquivo da arquifotos

O Cerrado é o segundo maior bioma do País, com biodiversidade que pode chegar a 5 mil espécies de plantas vasculares, sendo 80% de porte herbáceo ou arbustivo. Mas nem só de vegetação rasteira vive a chamada Savana brasileira. A paisagem do Cerrado possui uma grande variação entre a quantidade de árvores e ervas. O resultado é um cenário variado, que vai desde o campo limpo, com a vegetação dominada por gramíneas e sem a presença de elementos lenhosos, passando pelo cerrado fechado, o cerradão, que se assemelha com uma floresta, com grande quantidade de árvores e aspecto florestal. Há ainda formas intermediárias: campo sujo, campo cerrado e cerrado stricto sensu, classificadas de acordo com a densidade crescente dos arbustos.  A enorme biodiversidade do Cerrado abriu as portas para a exploração dos recursos vegetais. Plantas são usadas como alimentos, remédios e ornamentos. Entretanto, esse rico ecossistema também dá lugar, de maneira cada vez mais intensa, à pecuária e à agricultura. Há apenas 43% das áreas remanescentes desse bioma, das quais apenas 10% estão em locais de preservação permanente, como parques e reservas e 5% em unidades de conservação. Outras 7% encontram-se em território indígena e 21% em áreas particulares. Nesse contexto, equilibrar desenvolvimento econômico e conservação ambiental é imprescindível. Por ano, 2,6 milhões de hectares de Cerrado são desmatados. Se o ritmo da devastação se mantiver, em 2030 restará apenas 5% da área total original deste bioma, que caracteriza-se também pela concentração excepcional de espécies endêmicas.

Entretanto, a preservação do Cerrado esbarra nas limitações impostas pela própria Constituição Federal, que, no Capítulo VI Art. 225 tutelou, pela primeira vez, o meio ambiente, instaurando uma nova ordem jurídica de maneira a proteger a relação homem-natureza e, por conseguinte, a relação homem-homem. Porém, o Cerrado não recebeu a mesma atenção dispensada a Mata Atlântica, a Floresta Amazônica, ao Pantanal Matogrossense e a Zona Costeira, considerados patrimônios nacionais. Reconhecer perante a lei, a importância do Cerrado para o Brasil é fundamental para a preservação desse bioma que é a maior fronteira agrícola do país e possui, ainda hoje, fauna, flora e ambiente aquático pouco estudado.

Baseado na publicação de

http://palavrasapenas-palavraspequenas.blogspot.com.br/2011/09/jornalismo-cientifico-cerrado-agua.html

 

Cerrado biodiversidade rica e ameaçada

Ilhas de preservação

Dunas do Parque Estadual do Jalapão, no Tocantins

As árvores baixas, esparsas e retorcidas são características marcantes das paisagens que nos remetem ao Cerrado, mas elas não espelham esse domínio como um todo.                                                                                                                                                            O Cerrado é formado por paisagens múltiplas, vegetação diversificada e espalhada de forma desigual, com vários tipos de solo e variações naturais de muitos tipos, como clima, relevo, relação com o fogo e umidade.                                                     Os ecossistemas de Cerrado representam o segundo maior conjunto biológico do território brasileiro: só a Amazônia é maior. Suas áreas ocupam — ou melhor, ocupavam, originalmente — quase um quarto do território brasileiro (23,9%).

O Cerrado é considerados um hotspot para a conservação ambiental, ou seja, é uma das regiões biologicamente mais ricas e mais ameaçadas do mundo. O conceito de hotspot foi criado para definir as áreas que concentram o maior número de espécies, e onde as ações de conservação seriam mais urgentes. No mundo, são 34 regiões naturais classificadas dessa forma, duas no Brasil: o Cerrado e a Mata Atlântica.

O descaso com a preservação da savana brasileira foi selado oficialmente na constituição de 1988, mais especificamente no artigo 225, que classificou como Patrimônio Nacional a Mata Amazonica, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal e a Zona Costeira, deixando de fora os ecossistemas de Cerrado, Caatinga e os Pampas.

Em 95 foram propostas as primeiras emendas constituintes para incluir o Cerrado na classificação de Patrimônio Nacional. Desde então, muitas outras tentativas legislativas foram feitas para corrigir o erro, mas até agora nenhuma foi aprovada. A medida, que estimularia a criação de novas unidades de conservação, esbarra no descaso e no conflito de interesses  no Congresso Nacional.

Bando de emas no Parque das Emas, em GoiásDe acordo com o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), existem 43 unidades de conservação nos domínios de cerrado, entre áreas de proteção ambiental (APAs), parques nacionais (Parnas), florestas nacionais (Flonas), reservas biológicas e outras áreas de proteção integral ou de uso sustentável.

As principais unidades de conservação em que o Cerrado é predominante são o Parque Estadual do Jalapão (foto à esquerda), com 150 mil hectares, o Parque Nacional das Emas (132 mil ha; foto à direita), o Parque Nacional Grande Sertão Veredas (84 mil ha), o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães (33 mil ha), o Parque Nacional da Serra da Canastra (71 mil ha), o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (60 mil há) e o Parque Nacional de Brasília (28 mil ha).

Parece muito, mas isso corresponde a apenas 2,2% do total das áreas de Cerrado. Além disso, as reservas que existem sofrem por problemas de gerenciamento, causados pela falta de recursos e a carência de pessoal, seja para fiscalizar as áreas ou para coordenar a implantação de políticas de conservação.

No Parque Nacional da Serra da Canastra (foto abaixo) houve, ainda, um processo contrário, de restrição da área de reserva. O plano original previa a preservação de uma área de 200 mil hectares, dos quais apenas 71 mil foram implantados na prática.

Isso ocorre porque até hoje tramita um projeto de lei que propõe a redução de 70% da área que seria reservada ao parque. A área excedente, de acordo com o projeto de lei, seria classificado como “monumento natural”, o que permitiria a existência de propriedades particulares no local.

Cachoeira na Serra da Canastra, em Minas Gerais

Artigo de Luciana Noronha é jornalista, formada pela Unesp-Bauru.

Deixe um comentário

Central do Cerrado – Produtos Ecossociais

Citizenship actions in the Cerrado biome

Rede MAIS Vida no Cerrado

O berço das águas corre perigo

biomas do cerrado

Citizenship actions in the Cerrado biome

WWF - Latest

Citizenship actions in the Cerrado biome

ISPN – Instituto Sociedade, População e Natureza

Citizenship actions in the Cerrado biome

Cerratinga

Citizenship actions in the Cerrado biome

Rede Cerrado

Citizenship actions in the Cerrado biome

Citizenship actions in the Cerrado biome

Museu do Cerrado

Citizenship actions in the Cerrado biome

Day by Day the Farm Girl Way...

Simple life on a little piece of land.

Cerradania

Citizenship actions in the Cerrado biome

Jim Caffrey Images Photo Blog

photography from the ground up

%d blogueiros gostam disto: